O mundo atravessa uma emergência ambiental sem precedentes que representa uma ameaça existencial para esta e as futuras gerações.
As pessoas precisam de saber – e os jornalistas e os profissionais dos meios de comunicação social têm um papel fundamental na sua informação e educação.
Os meios de comunicação locais, nacionais e mundiais podem dar visibilidade a histórias sobre a crise climática, a perda de biodiversidade e a injustiça ambiental.
Através do seu trabalho, as pessoas compreendem a situação difícil do nosso planeta e são mobilizadas e capacitadas para agir em prol da mudança.
Os profissionais da imprensa também documentam a degradação ambiental e fornecem provas de vandalismo ambiental que ajudam a responsabilizar os infratores.
Não é surpreendente que algumas pessoas, empresas e instituições poderosas tudo fazem para impedir os jornalistas ambientais de realizarem o seu trabalho.
A liberdade dos meios de comunicação social está sitiada. E o jornalismo ambiental é uma profissão cada vez mais perigosa.
Dezenas de jornalistas que cobriam a mineração ilegal, a exploração madeireira, a caça furtiva e outras questões ambientais foram mortos nas últimas décadas.
Na maioria dos casos, ninguém foi responsabilizado.
A UNESCO relata que, nos últimos quinze anos, ocorreram cerca de 750 ataques a jornalistas e meios de comunicação que informavam sobre questões ambientais. E a frequência destes ataques está a aumentar.
Os processos legais também são utilizados indevidamente para censurar, silenciar, deter e assediar repórteres ambientais, enquanto uma nova era de desinformação climática se concentra em minar soluções viáveis, incluindo as energias renováveis.
Mas os jornalistas ambientais não são os únicos em risco.
Em todo o mundo, os profissionais da comunicação social arriscam as suas vidas tentando fazer-nos chegar notícias sobre tudo, desde a guerra à democracia.
Estou chocado e consternado com o elevado número de jornalistas mortos em operações militares israelitas em Gaza.
As Nações Unidas reconhecem o trabalho inestimável dos jornalistas e profissionais da comunicação social para garantir que o público esteja informado e envolvido.
Sem factos/fatos, não podemos combater a desinformação. Sem responsabilização, não teremos políticas fortes em vigor.
Sem liberdade de imprensa, não teremos liberdade alguma.
Uma imprensa livre não é uma escolha, mas uma necessidade.
O nosso Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é muito importante, e, por isso, apelo aos governos, ao setor privado e à sociedade civil para se juntarem a nós na reafirmação do nosso compromisso de salvaguardar a liberdade de imprensa e os direitos dos jornalistas e profissionais dos meios de comunicação social em todo o mundo.
Metade do crescimento demográfico previsto até 2050 verificar-se-á nos países menos desenvolvidos, nos países sem litoral e Estados insulares; Assembleia Geral da ONU assinalou o aniversário de 30 anos da Conferência sobre População e Desenvolvimento destacando aumento da esperança de vida e a redução das mortes maternas.
A 57ª sessão da Comissão para a População e o Desenvolvimento, que está a decorrer na sede da ONU em Nova Iorque até sexta-feira.
Progresso desigual
Na conferência de 1994, os líderes mundiais concordaram em tomar medidas para afirmar que a igualdade de género, a emancipação das mulheres e das raparigas e o acesso universal aos cuidados de saúde sexual e reprodutiva são direitos humanos e condições prévias para o desenvolvimento sustentável.
Para o presidente da Assembleia Geral, Dennis Francis, o Programa de Ação da CIPD, “marcou uma nova era de compromisso por parte dos governos e da comunidade mundial em geral”, incluindo a sociedade civil e os líderes juvenis, no sentido de integrar as preocupações da população “em todas as esferas da vida socioeconómica e da atividade ambiental”.
Na sessão comemorativa, o presidente da Assembleia afirmou que “os progressos têm sido desiguais, tanto entre países como no interior de cada país”. Francis lembrou que “as crises globais multifacetadas, desde as alterações climáticas aos conflitos, puseram em risco muitos dos ganhos duramente conquistados” pela conferência das populações.
Houve avanços importantes nos direitos de mulheres e raparigas. Segundo o UNFPA, entre 2000 e 2020, a mortalidade materna diminuiu num terço e “nenhum parlamento ou congresso hoje é exclusivamente masculino”.
Vidas mais longas e saudáveis
De acordo com o subsecretário-geral dos Assuntos Económicos e Sociais, Li Junhua, “as pessoas estão a viver mais tempo e com mais saúde”. “Esta história de sucesso é impulsionada por melhorias na nutrição, saneamento e controlo de doenças, maior acesso à educação e melhores serviços de saúde, entre outros fatores“, afirmou.
Junhua comentou que metade do crescimento da população mundial projetado entre hoje e 2050 deverá ocorrer em três grupos de países em situações especiais. Os menos desenvolvidos, os em desenvolvimento, mas sem litoral e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento. De acordo com o subsecretário-geral, “o progresso nestes três grupos de países irá determinar cada vez mais se as metas de desenvolvimento global serão alcançadas”.
Direitos das mulheres
A diretora-executiva do Fundo de Populações da ONU, UNFPA, Natalia Kanem, enumerou alguns avanços importantes nos direitos de mulheres e raparigas. Segundo ela, entre 2000 e 2020, a mortalidade materna diminuiu num terço e “nenhum parlamento ou congresso hoje é exclusivamente masculino”.
Além disso, a líder do UNFPA afirmou que as raparigas atingiram a paridade com os rapazes nas matrículas no ensino primário e já ultrapassam os rapazes nas matrículas do ensino pós-secundário.
No entanto, segundo a diretora-executiva, a Covid-19, os conflitos e a turbulência económica têm provocado atrasos, ao mesmo tempo que se avizinham desafios emergentes. Estes incluem a “crise climática, retrocessos alarmantes contra os direitos das mulheres e novas tecnologias”, que precisam de ser regulamentadas.
Expetativa de vida sobe para 73 anos
O relatório apresentado pelo secretário-geral ONU para a 57ª sessão da Comissão de População e Desenvolvimento indica que esperança de vida à nascença registou melhorias notáveis, aumentando globalmente de 64,5 anos em 1994 para 73,7 anos para ambos os sexos em 2024, devido à redução das taxas de mortalidade em todos os grupos etários.
As melhorias na sobrevivência, com a diminuição da fertilidade, transformaram a idade e a distribuição da população mundial. O número de crianças menores de cinco anos em todo o mundo permaneceu estável, enquanto o número de pessoas com 65 anos ou mais do que duplicou nos últimos 30 anos e deverá duplicar novamente até 2054.
O relatório aponta também que quase 58% da população mundial viverá em zonas urbanas em 2024, em comparação com cerca de 44% em 1994.
O Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz destaca uma verdade fundamental: nenhum país consegue enfrentar sozinho os desafios atuais.
O diálogo, a diplomacia e as soluções multilaterais são o caminho mais seguro para um mundo pacífico e justo.
Estes ideais eternos são a base da Carta das Nações Unidas e impulsionam os esforços globais para salvaguardar os direitos humanos e criar esperança, prosperidade e paz para todos os povos.
Mas, por todo o mundo, os conflitos, as catástrofes climáticas, a pobreza e as desigualdades criam enormes obstáculos à diplomacia e às soluções multilaterais. A colaboração é consumida pela competição; o diálogo é ultrapassado por uma divisão implacável.
A diplomacia e o próprio sistema multilateral foram criados precisamente para momentos como este. Precisamos de ressuscitar um novo espírito de cooperação global para reconstruir a confiança, sarar as divisões e colocar a humanidade em direção à paz.
A Cimeira do Futuro, em setembro, será uma oportunidade crucial para os países partilharem soluções. Uma Nova Agenda para a Paz que adote uma abordagem holística dos fatores de conflito pode ajudar a restaurar a confiança no sistema multilateral e no que podemos alcançar ao trabalhar em conjunto.
Neste dia tão importante, apelo a todos os governos e líderes para que não se poupem a esforços para ultrapassar as divergências, renovar o diálogo e a confiança e criar um futuro pacífico.
Documetário produzido pela ONU News mostra como o movimento militar e popular pacífico de 25 de abril de 1974 em Portugal, conhecido como a “Revolução dos Cravos”, foi um ponto de viragem na relação do país com a ONU. Durante os anos 60 e 70, a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança foram palcos da pressão internacional pela independência das colónias portuguesas em África e na Ásia. Após 13 anos de confrontos armados, a “Revolução dos Cravos” abriu espaço para o diálogo e para a construção de uma agenda de cooperação entre os países de língua portuguesa.
UNRWA: A ONU continua a fornecer ajuda humanitária em Gaza.
Algumas agências da ONU lançaram um apelo de 2,8 mil milhões de dólares para fornecer assistência urgente a milhões de pessoas em Gaza, mas também na Cisjordânia, onde palestinianos foram alvo do aumento da violência por parte dos israelitas.
O apelo abrange a assistência a 3,1 milhões de pessoas até ao final do ano, incluindo as 2,3 milhões de pessoas na Faixa de Gaza, onde os especialistas em insegurança alimentar alertaram que a fome iminente se aproxima no norte.
Falta de produtos alimentares básicos
Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA)“mais de metade da população de Gaza enfrenta níveis catastróficos de fome”. Os mercados carecem de produtos alimentares básicos e dependem de fornecedores informais que oferecem alguma ajuda.
A agência da ONU afirma que uma tendência preocupante identificada é o “aumento da revenda de ajuda humanitária nos mercados, especialmente vendedores ambulantes informais, muitos dos quais são crianças”.
Enquanto líder deste novo apelo, o OCHA constata que o pedido de financiamento cobre os requisitos da Agência da ONU de Assistência os Refugiados Palestinos (UNRWA) que continua a ser “a espinha dorsal” da resposta humanitária em Gaza e na Cisjordânia.
Quase um milhão das 1,7 milhões de pessoas deslocadas estão abrigadas nos 450 abrigos públicos da UNRWA, ou nas proximidades da agência, que conta com mais de 13 mil funcionários em Gaza, 3,5 mil dos quais envolvidos na ajuda humanitária. A UNRWA também ajuda 1,1 milhão de palestinianos e outras pessoas na Cisjordânia, dos quais 890 mil são refugiados.
UNOCHA/Themba Linden: Apelo de US$ 2,8 bilhões representa apenas parte dos US$ 4,1 bilhões que a ONU e os parceiros estimam serem necessários
Água não potável e esgotos
Segundo relatos de profissionais da ONU, os bombardeios israelitas continuam a acontecer na Faixa de Gaza, inclusive na Cidade de Gaza, no norte, em Rafah, no sul, e no centro do enclave. Estima-se que mais de uma dúzia de pessoas tenham morrido num suposto ataque de mísseis a um campo de refugiados na terça-feira.
De acordo com o OCHA, a falta de acesso à água potável continua a ser uma grande preocupação humanitária, com apenas uma das três fontes de abastecimento provenientes de Israel em operação, com apenas 47% da capacidade.
Existem também menos de 20 poços de águas subterrâneas, que só funcionam “quando há combustível disponível”. De momento, não há nenhum sistema de tratamento de águas residuais totalmente funcional.
A agência acrescentou que há esgotos a transbordar “em muitas áreas, aumentando os riscos para a saúde pública em Gaza”.
Uma avaliação recente conduzida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que analisou 75 locais em Rafah, concluiu que um terço das 750 mil pessoas que habitam esses espaços consomem água de fontes impróprias. Além disso, a disponibilidade média de água é de apenas três litros por pessoa por dia.
Nível de destruição de hospitais é “de partir o coração”
Após a retirada das forças israelitas do sul de Gaza no início deste mês, os profissionais humanitários expressaram preocupações com uma operação militar pelas Forças de Defesa Israelitas na cidade de Rafah.
Esta quarta-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou como a missão de segunda-feira à Cidade de Gaza foi “severamente atrasada, deixando menos tempo” para avaliar os danos e as necessidades no destruído hospital Al-Shifa e no Hospital Indonésio.
Tedros Ghebreyesus afirmou que “a remoção dos cadáveres em Al-Shifa continua em andamento”. Segundo o responsável, “o departamento de emergência está a ser limpo por profissionais de saúde e os leitos queimados foram removidos”, mas ainda falta uma avaliação de engenharia completa. O chefe da OMS mencionou ainda esforços em curso para reabrir o Hospital Indonésio.
Tedros declarou que “o nível de destruição dos hospitais de Gaza é de “partir o coração” e apelou para que os hospitais sejam protegidos e não “atacados ou militarizados”.
O apelo de 2,8 mil milhões de dólares representa apenas parte dos 4,1 mil milhões que a ONU e os parceiros estimam ser necessários para satisfazer as necessidades dos mais vulneráveis. O valor reflete o que as equipas humanitárias acreditam ser exequível nos próximos nove meses.
UN Photo/Evan Schneider | O secretário-geral António Guterres e a Diretora Executiva do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP), Inger La Cour Andersen, dão uma conferência de imprensa à margem da décima quinta reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Diversidade Biológica (COP15) em Montreal, Canadá. À esquerda, Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral.
"A guerra da humanidade contra a natureza é, em última análise, uma guerra contra nós próprios. [...] Só investindo no Planeta Terra é que podemos salvaguardar o nosso futuro. Chegou o momento de o mundo adotar um quadro ambicioso em matéria de biodiversidade - um verdadeiro pacto de paz com a natureza - para proporcionar um futuro verde e saudável para todos", afirmou o secretário-geral.
22 de abril de 2024
A humanidade está a agir como um filho delinquente da Mãe Terra.
Dependemos da natureza para obter os alimentos que comemos, o ar que respiramos e a água que bebemos. No entanto, trouxemos o caos ao mundo natural: envenenando o nosso planeta com poluição, abandonando e destruindo espécies e ecossistemas e desestabilizando o nosso clima com emissões de gases com efeito de estufa.
Estas ações prejudicam a natureza e a humanidade. Estamos a pôr em perigo a produção de alimentos, a poluir os oceanos e o ar, a criar um ambiente mais perigoso e menos estável e a atrasar o desenvolvimento sustentável.
Juntos, devemos restaurar a harmonia com a natureza, abraçar a produção e o consumo sustentáveis e proteger-nos dos danos – criando empregos, reduzindo a pobreza e, ao fazê-lo, impulsionar o desenvolvimento sustentável.
Isso significa travar a perda de biodiversidade, pôr fim à poluição e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa a nível mundial. Significa apoiar os Povos Indígenas, as comunidades locais e outros que são mais duramente atingidos pelas crises de poluição, do clima e da biodiversidade. Significa proporcionar justiça climática aos países que estão na linha da frente do caos climático e mobilizar rapidamente o financiamento e o apoio de que os países necessitam para agir em matéria de clima, proteger a natureza e promover o desenvolvimento sustentável.
Os países devem produzir novos planos climáticos nacionais que se alinhem com a limitação do aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius. Estes podem funcionar como planos nacionais de transição e planos nacionais de investimento, sustentando o desenvolvimento sustentável para as gerações vindouras. E o G20 deve liderar uma eliminação progressiva global rápida, justa e financiada dos combustíveis fósseis e pôr fim aos subsídios que destroem a natureza, como os que financiam a produção descontrolada de plásticos que sufocam o planeta.
Reparar as relações com a Mãe Terra o maior de todos os desafios da humanidade. Devemos agir – agora – para criar um futuro melhor para todos nós.
Hoje, 800 mulheres morrem todos os dias ao dar à luz, um quarto das mulheres não pode recusar relações sexuais com o seu parceiro e quase uma em cada 10 mulheres não pode tomar as suas próprias decisões sobre contraceção.
Os progressos mundiais alcançados em termos de saúde e direitos sexuais e reprodutivos nos últimos trinta anos estão manchados por uma dura verdade: milhões de mulheres e de raparigas não beneficiaram destes avanços por serem quem são ou por terem nascido onde nasceram, de acordo com o relatório sobre a Situação da População Mundial em 2024, publicado hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA). Mónica Ferro, a portuguesa que dirige o escritório da agência em Londres, afirma que “apesar dos impressionantes ganhos verificados nas últimas três décadas, o progresso em questões como a autonomia corporal e redução da mortalidade materna desacelerou – e em alguns lugares até retrocedeu. Milhões foram excluídos do progresso.”
Intitulado “Vidas Entrelaçadas, Fios de Esperança: Acabar com as desigualdades em matéria de saúde e direitos sexuais e reprodutivos”, o relatório salienta o papel que o racismo, o sexismo e outras formas de discriminação continuam a ter como maiores fatores que limitam a vida de muitas mulheres.
Uma mulher africana que tenha complicações na gravidez e no parto tem cerca de 130 vezes mais probabilidades de morrer do que uma mulher da Europa e da América do Norte.
Estima-se que mais de metade de todas as mortes maternas evitáveis ocorram em países com crises humanitárias e conflitos, isto é, quase 500 mortes por dia.
Em todo o continente americano, as mulheres de ascendência africana têm mais probabilidades de morrer durante o parto do que as mulheres brancas. Nos Estados Unidos, a taxa é três vezes mais elevada do que a média nacional.
Este ano assinala-se o 30º da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento no Cairo – um momento marcante em que 179 governos se comprometeram a colocar a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos no centro do desenvolvimento sustentável. Mas os resultados continuam longe de serem ideais: 800 mulheres morrem todos os dias ao dar à luz, sem alterações desde 2016; um quarto das mulheres não pode dizer não a relações sexuais com o seu parceiro e quase uma em cada 10 mulheres não pode tomar as suas próprias decisões sobre contraceção. Em 40 por cento dos países com dados recolhidos, a autonomia corporal das mulheres está a diminuir.
Desigualdades persistem
Os dados apresentados no relatório apontam para uma realidade preocupante: o acesso a contracetivos, serviços de parto seguro, cuidados de maternidade dignos e outros serviços essenciais de saúde sexual e reprodutiva permanece inacessível para demasiadas mulheres e raparigas. A título de exemplo, na Albânia, mais de 90% das mulheres de etnia cigana dos grupos socioeconómicos mais marginalizados tiveram grande dificuldade no acesso aos cuidados de saúde, em comparação com apenas 5% das mulheres de etnia albanesa dos grupos socioeconómicos mais privilegiados. As mulheres e raparigas portadoras de deficiência, os migrantes e os refugiados, as minorias étnicas, as pessoas LGBTQIA+, as pessoas que vivem com o VIH e as castas desfavorecidas enfrentam todos maiores riscos para a saúde sexual e reprodutiva e também um acesso desigual aos cuidados necessários. A sua vulnerabilidade é ainda agravada por outros fatores como as alterações climáticas, as crises humanitárias e a migração em massa, que têm frequentemente um impacto elevado e desproporcional nestas mulheres.
Face a esta realidade, o relatório sublinha a importância de adaptar os programas às necessidades das comunidades – em vez de abordagens de grande escala e de tamanho único – e de capacitar as mulheres e as raparigas para que criem e implementem soluções inovadoras. “Mas podemos criar um futuro mais equitativo” acrescenta Mónica Ferro, “melhorando o acesso a serviços de saúde materna de qualidade e a preços acessíveis. Aumentando a taxa de cobertura de parteiras.” O documento indica também que se fossem gastos mais 79 mil milhões de dólares em países de baixo e médio rendimento até 2030, seriam evitadas 400 milhões de gravidezes não planeadas, salvas 1 milhão de vidas eproduzidos 660 mil milhões de dólares em benefícios económicos.
WFP/World Relief WFP and its partner World Relief provide emergency food supplies in West Darfur.
A situação humanitária no Sudão está à beira de uma catástrofe desde o início do conflito em abril de 2023. O povo sudanês está hoje a sofrer aquela que se tornou a maior crise de deslocados do mundo, deixando quase 25 milhões de pessoas – mais de metade da população do país – numa situação de carência inimaginável.
Esta guerra teve tanto de repentina como de previsível. A tensão política começou após a destituição do ditador Omar al-Bashir em 2019, quando o exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF) se juntaram e se revoltaram conduzindo a uma violência generalizada e ao caos. Exatamente há um ano estas duas fações do regime militar desentenderam-se e a RSF agiu rapidamente, ocupando a capital, Cartum, num momento sem precedentes na história do país. Logo de seguida avançou pelo resto do território, roubando, agredindo e assassinando civis.
Com milhões de sudaneses apanhados pelo conflito esta já não se trata apenas de uma guerra civil, mas contra civis, cujas casas, meios de subsistência e as próprias vidas têm sido os danos colaterais. Mais de 12.000 pessoas morreram e cerca de 8,2 milhões fugiram das suas casas, refugiando-se dentro e fora do país, sendo metade crianças. Esta situação colocou também uma pressão adicional nos recursos de saúde, serviços de água, saneamento e higiene o que originou uma grave epidemia de cólera. 17,7 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar. A organização Save the Children alerta para o facto de 230 000 crianças e mulheres grávidas ou que foram mães recentemente poderem morrer nos próximos meses devido à fome, a não ser que a ajuda e o financiamento para salvar vidas respondam às suas necessidades. Existe também um número incalculável de relatos de violência sexual no Sudão, incluindo violações, raptos e casamentos forçados.
A coordenaora residente e humanitária das Nações unidas para o Sudão, Clementine Nkweta-Salami, alerta que “A violência contínua está fora de controlo. O sofrimento de milhões de pessoas no Sudão tem de acabar de uma vez por todas.”
No entanto, é possível encontrar esperança na forma como o povo sudanês reuniu os seus poucos recursos, se entreajuda, como os voluntários criaram cozinhas comunitárias e os comités de resistência, unidades locais de desobediência civil que foram criadas antes e prosperaram durante a revolução de 2019, foram reaproveitadas para fornecer ajuda médica, alimentos e abrigo.
Numa altura em que se assinala um ano de conflito, a responsável da ONU explica ainda que “Apesar de um ambiente operacional extremamente difícil e perigoso, as agências das Nações Unidas e os seus parceiros conseguiram que mais de 8 milhões de pessoas recebessem assistência vital durante o último ano.”
UNICEF/Ahmed Elfatih Mohamdee Women and children collect water in eastern Sudan.
Se quiser ajudar pode fazê-lo através dos seguintes programas:
A secretária-geral da ONU Comércio e Desenvolvimento, Rebeca Grypnspan, mostra o novo logótipo da organização numa conferência de imprensa em Genebra, Suíça, a 9 de abril.
No seu 60.º aniversário, a Comissão das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) muda a sua designação para “ONU Comércio e Desenvolvimento” e convoca o Fórum de Líderes Mundiais que contará com a presença do secretário-geral da ONU, chefes de Estado, economistas de renome e Prémios Nobel em junho de 2024.
A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) anunciou hoje a mudança de nome para “ONU Comércio e Desenvolvimento “, com o intuito de celebrar o seu 60º aniversário. Esta mudança estratégica sublinha o compromisso da organização para com um maior impacto e uma nova e mais clara identidade visual, com o objetivo de refletir melhor o seu trabalho e os seus valores. Esta nova imagem tem também como objetivo ampliar a voz da instituição a nível mundial em nome dos países em desenvolvimento.
Um novo rumo
Sob a liderança da secretária-geral Rebeca Grynspan, a organização tem vindo a adaptar-se a um panorama de comércio global em rápida transformação, afetado pela pandemia da COVID-19, pelas tensões geopolíticas e pelas alterações climáticas, utilizando iniciativas que reforçam a capacidade da organização para analisar rapidamente novos desafios e apoiar os esforços dos países em desenvolvimento.
Na apresentação da nova imagem da organização, a secretário-geral Grynspan sublinhou que “o nosso objetivo é uma mudança visível e transformadora. Estamos a celebrar as conquistas da UNCTAD nos últimos 60 anos como uma organização renovada e virada para o futuro, com base no nosso legado, mas pronta a responder às novas complexidades da economia mundial. Continuaremos a trabalhar para garantir que o desenvolvimento esteja no centro das decisões económicas internacionais e que a voz dos países em desenvolvimento seja ouvida”.
A organização adotará o seu novo nome e logótipo em todos os canais oficiais, nas seis línguas da ONU, marcando a sua primeira alteração de nome e imagem em sessenta anos.
Fórum de Líderes Globais
A mudança de imagem marca o início do 60º aniversário da organização. A ONU Comércio e Desenvolvimento convocará um Fórum de Líderes Globais de 12 a 14 de junho no Palácio das Nações em Genebra. O fórum será inaugurado pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e pela secretária-geral da ONU Comércio e Desenvolvimento, Rebeca Grynspan, juntamente com chefes de Estado e de Governo, e com a participação de organizações da sociedade civil, representantes do setor privado e alguns dos principais economistas do mundo. Sob o tema “Traçar um Novo Rumo para o Desenvolvimento num Mundo em Mudança”, o Fórum terá ênfase na abordagem integrada da organização em relação ao comércio e ao desenvolvimento, abordando o financiamento, a tecnologia, o investimento e o desenvolvimento sustentável, com um destaque especial nas necessidades dos países em desenvolvimento e no trabalho da UNCTAD em África, nos países menos desenvolvidos, nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento (SID) e nos países em desenvolvimento sem litoral.
Será também uma ocasião importante para explorar abordagens inovadoras e soluções pioneiras com os principais líderes políticos e peritos na área.
Para mais informações sobre a ONU Comércio e Desenvolvimento, clique aqui.
A ONU Comércio e Desenvolvimento (anteriormente conhecida como UNCTAD) dedica-se a promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável através do comércio e do investimento. Com uma grande diversidade de membros, capacita os países a aproveitar o comércio para a prosperidade.
Três mulheres palestinianas falam sobre o impacto da guerra em Gaza na vida das mulheres, num contexto de fome crescente e de apelos a um cessar-fogo imediato.
A vida em Gaza é hoje irreconhecível, entre crescentes apelos ao fim da guerra e à implementação da mais recente resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Esta exige um cessar-fogo imediato em Gaza, a libertação imediata e incondicional de todos os reféns e o acesso seguro e desimpedido a ajuda humanitária.
Atualmente, mais de um milhão de pessoas estão a viver uma catástrofe que originou fome extrema e escassez de água, de saneamento, de abrigo e de medicamentos. Os maiores especialistas mundiais em insegurança alimentar alertam para a fome “iminente” no norte de Gaza. No entanto, as Nações Unidas não podem prestar ajuda humanitária numa escala que se aproxime da necessária, uma vez que, não só o acesso da Organização à área é limitado, como também Gaza está a ser fortemente bombardeada pelas forças israelitas.
Por cada dia de guerra em Gaza, em média, 63 mulheres perdem a vida.
Sataria nasceu e cresceu na Cisjordânia, mas a sua mãe é natural do campo de Jabalia, em Gaza. Até 2004, visitava Gaza todos os verões.
“A última vez que estive em Gaza, tinha nove anos”, explica Sataria. Desde então, foi difícil para a família obter uma autorização para visitar Gaza. “Tem sido uma luta durante toda a minha vida e faz parte da minha identidade.”
“Em Gaza, vai-se para visitar o mar” recorda Sataria. “Somos famílias grandes. Juntávamo-nos em casa da minha avó e dormíamos em colchões velhos [no chão]… eram noites fantásticas”.
Sataria lembra-se de brincar com os primos, de saltar do quintal improvisado da avó para a casa do tio que ficava ao lado. Lembra-se das plantas, do mar azul profundo, das noites cheias de histórias e de muitas canções. De manhã, as mulheres da família reuniam-se à volta da avó, a conversar.
Rana Khalil esteve na sede das Nações Unidad em Março de 2024 Foto: UN Women/Ryan Brown
ONU Mulheres e as suas atividades em Gaza
Sataria não pôde ver a sua avó antes de ela morrer. Não tinha autorização para visitar Gaza.
“As mulheres perderam o acesso à educação, a oportunidade de participar na tomada de decisões e de ter uma voz ativa na sociedade”, disse ela. “Também perderam os serviços de saúde e as que tentavam fazer FIV [fertilização in vitro para engravidar] tiveram de parar o processo a meio.”
“Já não vejo ruas. Não vejo escolas e universidades… Não vejo as mulheres a terem tempo para cuidar de si próprias. Deixaram de conseguir aproveitar as pequenas coisas do dia a dia”. – Shahd Sataria
As mulheres perderam também a sua privacidade em abrigos sobrelotados e o acesso a espaços seguros quando são vítimas de violência.
A PWWSD, um parceiro na execução das ações da ONU Mulheres, presta apoio psicossocial, assistência financeira e outros serviços a mulheres e jovens. Desde o ataque do Hamas a Israel, a 7 de outubro de 2023, seguido dos ataques das Forças Armadas israelitas a Gaza, a ONU Mulheres ajudou quase 100 mil mulheres e respetivas famílias com alimentos, cobertores, roupas de inverno, produtos de higiene e artigos sanitários.
A ONU Mulheres apoia também as organizações de mulheres palestinianas que continuam a ser agentes ativos para influenciar e participar na resposta humanitária. A organização lidera também os esforços nacionais de coordenação de género para garantir que as necessidades e os direitos das mulheres e jovens sejam integrados nas ajudas de emergência.
O caminho de Gaza para a reconstrução
Mais de 70% das infraestruturas civis de Gaza – incluindo casas, hospitais, escolas e instalações de água e de saneamento – foram destruídas ou gravemente danificadas.
Mayadah Tarazi, que trabalha com a YWCA Palestina, questiona-se sobre quantos anos, ou décadas, serão necessários para reconstruir Gaza. “Vai levar tempo para reconstruir Gaza… Esta é a pior guerra”. Os habitantes de Gaza estão a esperar regressar, mas as suas casas, empresas e serviços estão submersos em escombros.
“Viver na Cisjordânia e em Jerusalém não é fácil”, acrescentou Tarazi. “Atravessar os postos de controlo todos os dias não é fácil”. Segundo ela, as crescentes restrições e os postos de controlo tornaram as distâncias mais longas e a prestação de serviços mais difícil.
Gaza: uma catástrofe humanitária
Todos passam fome em Gaza. Mais de metade dos palestinianos – 1,1 milhões de pessoas – esgotaram completamente as suas reservas alimentares. A fome atinge as mulheres de forma diferente – quase 9 em cada 10 mulheres têm mais dificuldade em aceder a alimentos do que os homens, de acordo com dados da ONU Mulheres.
“A fome está a matar inúmeras pessoas em Gaza, especialmente no norte” – Rana Khalil
Tarazi tem familiares em Gaza, alojados numa igreja: “As quantidades de alimentos são muito limitados. Não têm alimentos, não têm farinha.” Quando recebem um pouco de farinha e conseguem cozer pão e é isso que toda a família come durante dois dias.
Rana Khalil, coordenadora de projetos da PWWSD, sediada na Cisjordânia, sente alguma dificuldade em alimentar-se nestes dias: “O que mais me preocupa é que a fome está a matar muitas pessoas em Gaza, especialmente no norte.”
Khalil também tem familiares e raízes em Gaza, a maioria dos quais estão deslocados e com muita dificuldade em aceder a comida ou água suficientes.
Khalil contou como as mulheres em Gaza não conseguem satisfazer as suas necessidades mais simples ou as mais básicas que tomamos como garantidas: “Tomar um duche. Ir à casa de banho. Comer bem. Ouvir música… Ter pensos [higiénicos]… Mudar de roupa…” acrescentar link que está no artigo
“A esperança é que haja um cessar-fogo já. Continuamos a apelar ao cessar-fogo, mas precisamos vê-lo a acontecer.” – Mayadah Tarazi
Grande parte das infraestruturas civis de Gaza foram destruídas ou gravemente danificadas.
Esperança num momento de adversidade
Apesar do horror da morte, da destruição e da fome, as mulheres palestinianas falam de esperança.
“Acredito que as pessoas em Gaza são resilientes. Se a guerra acabasse hoje ou amanhã, acredito que se ergueriam”, disse Sataria.
“A esperança é que haja um cessar-fogo agora. Continuamos a apelar ao cessar-fogo, mas precisamos de ações concretas. Precisamos do apoio dos governos para fazer pressão nesse sentido, porque esta situação não pode continuar assim”, alerta Tarazi.
“Acreditamos nas Nações Unidas e acreditamos que as pessoas estão connosco”, acrescenta Khalil.”
MENSAGEM PARA O DIA INTERNACIONAL DE REFELXÃO SOBRE O O GENOCÍDIO DOS TUTSI NO RUANDA
7 de abril de 2024
Neste dia de 1994, e durante os quase 100 dias que se seguiram, um milhão de crianças, mulheres e homens tutsis foram mortos pelos seus compatriotas ruandeses.
Famílias atacaram famílias, os amigos tornaram-se inimigos e um espírito sombrio de violência intencional e brutal entranhou uma nação.
Nunca esqueceremos as vítimas deste genocídio. Também nunca esqueceremos a bravura e a resiliência daqueles que sobreviveram, cuja coragem e vontade de perdoar continuam a ser uma explosão de luz e esperança neste capítulo sombrio da história humana.
Este ano, lembramo-nos da raiz repugnante do genocídio: o ódio.
Podemos traçar uma linha reta entre o massacre sem sentido de um milhão de tutsis – bem como de alguns hutus e outros que se opuseram ao genocídio – e as décadas de discurso de ódio que o precederam, inflamados por tensões étnicas e pela longa sombra do colonialismo.
Hoje, em todo o mundo, os impulsos mais sombrios da humanidade estão a ser despertados mais uma vez pelas vozes do extremismo, da divisão e do ódio.
Aos que procuram dividir-nos, devemos transmitir uma mensagem clara, inequívoca e urgente: nunca mais.
Neste dia solene de memória, comprometamo-nos a permanecer unidos contra todas as formas de ódio e discriminação.
Vamos garantir que os atos que começaram em 7 de abril de 1994 nunca sejam esquecidos – e nunca se repitam. Em nenhum sítio.
Abraçando o poder transformador de contar histórias, a Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) anunciam a abertura das inscrições para a edição de 2024 do PLURAL+ Youth Video Festival, convidando a juventude mundial a enviar vídeos curtos sobre questões sociais urgentes. Este ano, o PLURAL+ continuará a dar destaque aos temas das migrações, diversidade e inclusão social, com duas categorias especiais: o combate à xenofobia e a promoção de ações climáticas inclusivas.
“As migrações têm sido uma pedra angular da história da humanidade, moldando culturas, sociedades e economias. É também uma promessa de um futuro sustentável”, afirmou a diretora-geral da OIM, Amy Pope. “No entanto, frequentemente, os migrantes enfrentam muitos desafios, como a discriminação, o preconceito e a exclusão. Através do cinema, os contadores de histórias têm a capacidade única de captar as nuances destas experiências, promovendo a empatia e a solidariedade entre as comunidades.”
Agora na sua 16ª edição, o PLURAL+ incentiva os jovens a utilizarem técnicas inovadoras de narração de histórias – seja ficção narrativa, documentário, animação ou qualquer outro género – para desafiar estereótipos, promover o diálogo e defender a coesão social. Os trabalhos apresentados devem ter como objetivo desafiar preconceitos e ideias erradas sobre as migrações e a diversidade, promover o diálogo e a compreensão entre comunidades ricas em diversidade e defender a inclusão social e a igualdade para todos os indivíduos, independentemente da sua origem.
“No seu cerne, o PLURAL+ capacita os jovens criadores de conteúdos digitais não só a desafiarem os paradigmas existentes, mas também a destacarem diferentes perspetivas e a usarem as suas vozes para moldar um mundo mais inclusivo”, sublinha o subsecretário-geral e alto representante da UNAOC, Miguel Ángel Moratinos.
As distinções do Júri Internacional do PLURAL+ 2024 serão atribuídas a três vídeos, em diferentes categorias etárias (12 anos ou menos; 13 a 17 anos; e 18 a 25 anos). Estes vídeos serão selecionados por um painel de membros do Júri de renome e especialistas na sua área.
Para além disso, a UNAOC e a OIM irão atribuir dois Reconhecimentos Especiais este ano:
O Reconhecimento Especial para o Combate à Xenofobia e à Discriminação será atribuído a um filme que defenda o respeito mútuo e retrate as questões mundiais prementes da xenofobia e da discriminação, particularmente quando baseadas na etnia, religião ou crença, como o antissemitismo, a cristianofobia, a islamofobia ou outras formas de intolerância religiosa.
O Reconhecimento Especial para a Ação Inclusiva sobre a Migração Climática será atribuído à melhor curta-metragem que explore a relação entre os desafios e as oportunidades ligados às alterações climáticas e às migrações, defendendo ao mesmo tempo abordagens inclusivas que abordem os pontos fortes e as vulnerabilidades das diversas comunidades.
Os filmes selecionados serão exibidos na Cerimónia Anual do PLURAL+24, que está agendada para o outono de 2024, em Lisboa, Portugal, e será transmitida em direto através da UN Web TV e no site do PLURAL+. Durante a cerimónia, os jovens cineastas terão a oportunidade de apresentar o seu trabalho a uma audiência mundial.
O prazo para submeter vídeos à 16ª edição do PLURAL+ termina na sexta-feira, 31 de maio, às 11:59 EDT (hora de Nova Iorque).
O nosso planeta está a afogar-se numa torrente de lixo.
Todos os anos, a humanidade produz mais de 2 mil milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Alimentos podres, garrafas plásticas, aparelhos eletrónicos com componentes químicos e muito outros são deitados fora sem considerar a nossa água, terra e ar.
À medida que o lixo se decompõe, expele gases com efeito de estufa que aquecem o planeta na nossa atmosfera, envenena a nossa água e os solos e inflige doenças e até a morte a pessoas em todo o mundo.
O consumo excessivo está a matar-nos. A humanidade precisa de uma intervenção.
Desde o ano passado, o Conselho Consultivo sobre Desperdício Zero tem reunido parceiros em torno desta questão crítica e do que é necessário fazer para tornar o desperdício zero uma realidade.
As empresas devem repensar os seus produtos para minimizar o desperdício de embalagens e maximizar a sua longevidade e o seu ciclo de vida.
Os consumidores devem pensar duas vezes sobre os bens e produtos que compram e reciclar ou reutilizar sempre que possível.
Os governos, a todos os níveis, devem construir economias circulares que abordem o esgotamento e a gestão de recursos e investir em programas modernos de gestão de resíduos ancorados na reutilização, reprodução, recuperação e prevenção de resíduos.
E a comunidade global deve permanecer unida e trabalhar para alcançar um tratado juridicamente vinculativo para acabar com a poluição plástica.
Neste Dia do Lixo Zero, vamos comprometer-nos a acabar com o ciclo destrutivo do desperdício, de uma vez por todas.
Um assombroso terço de todos os alimentos produzidos globalmente é perdido ou desperdiçado.
As famílias de todos os continentes desperdiçaram mais de mil milhões de refeições por dia em 2022, enquanto 783 milhões de pessoas foram afetadas pela fome e um terço da humanidade enfrentou insegurança alimentar. O desperdício de alimentos continua a prejudicar a economia mundial e a alimentar as alterações climáticas, a perda da natureza e a poluição.
O Relatório do Índice de Desperdício Alimentar 2024 do PNUMA, em parceria com a organização não-governamental WRAP, indica a estimativa global mais precisa sobre o desperdício alimentar a nível do retalho e do consumidor. Dá também orientações aos países sobre a melhoria da recolha de dados e sugere melhores práticas para passar da medição à redução do desperdício alimentar.
Em 2022, foram gerados 1,05 mil milhões de toneladas de resíduos alimentares (incluindo partes não comestíveis), totalizando 132 quilogramas per capita e quase um quinto de todos os alimentos disponíveis aos consumidores.
Quem desperdiça?
Do total de alimentos desperdiçados em 2022, 60 por cento ocorreram ao nível familiar, sendo o setor da restauração responsável por 28 por cento e o retalho por 12 por cento. “O desperdício de alimentos é uma tragédia mundial. Milhões passarão fome hoje, à medida que há alimentos a serem desperdiçados em todo o mundo”, alerta Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA. “Esta não é apenas uma questão importante de desenvolvimento, mas os impactos desses resíduos desnecessários estão a causar custos substanciais para o clima e a natureza.
A boa notícia é que sabemos que se os países derem prioridade a esta questão, poderão reverter significativamente a perda e o desperdício de alimentos, reduzir os impactos climáticos e as perdas económicas e acelerar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”
Desde 2021, tem havido um fortalecimento das infraestruturas de dados com mais estudos que rastreiam o desperdício alimentar. Globalmente, o número de pontos de dados ao nível dos agregados familiares quase duplicou.
No entanto, muitos países de baixo e médio rendimento continuam a não ter sistemas adequados para acompanhar o progresso no cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12.3 de reduzir para metade o desperdício alimentar até 2030, especialmente no comércio retalhista e nos serviços alimentares.
Apenas quatro países do G20 (Austrália, Japão, Reino Unido, EUA) e a União Europeia têm estimativas de desperdício alimentar adequadas para acompanhar o progresso até 2030. O Canadá e a Arábia Saudita têm estimativas familiares adequadas, sendo a estimativa do Brasil esperada para o final de 2024. Neste contexto, o relatório serve como um guia prático para os países medirem e reportarem consistentemente o desperdício alimentar.
De acordo com dados recentes, a perda e o desperdício de alimentos geram 8 a 10 por cento das emissões anuais globais de gases com efeito de estufa (GEE) – quase cinco vezes mais do que o setor da aviação.
Impacto no clima
Os dados confirmam que o desperdício alimentar não é apenas um problema dos “países ricos”, com os níveis de desperdício alimentar doméstico a diferirem dos níveis médios observados nos países de rendimento elevado, médio-alto e médio-baixo em apenas 7 kg per capita. Ao mesmo tempo, os países mais quentes parecem gerar mais desperdício alimentar per capita nos agregados familiares, potencialmente devido ao maior consumo de alimentos frescos com partes substanciais não comestíveis e à falta de cadeias de frio confiáveis.
De acordo com dados recentes, a perda e o desperdício de alimentos geram 8 a 10 por cento das emissões anuais globais de gases com efeito de estufa (GEE) – quase cinco vezes mais do que o setor da aviação – e uma perda significativa de biodiversidade, ao absorverem o equivalente a quase um terço da produção mundial. O custo da perda e do desperdício de alimentos na economia global é estimado em cerca de mil milhões de dólares.
Espera-se que as zonas urbanas beneficiem particularmente dos esforços para reforçar a redução do desperdício alimentar. As zonas rurais geralmente desperdiçam menos alimentos, sendo as explicações prováveis um maior desvio de restos de comida para animais de estimação, gado e compostagem doméstica.
Em 2022, apenas 21 países incluíram a perda de alimentos e/ou a redução do desperdício nos seus planos climáticos nacionais (NDC). O processo de revisão dos CDN para 2025 proporciona uma oportunidade fundamental para aumentar a ambição climática, integrando a perda e o desperdício de alimentos. O Relatório sobre o Índice de Desperdício Alimentar sublinha ainda a urgência de abordar o desperdício alimentar, tanto a nível individual como sistémico. São necessárias linhas de base sólidas e medições regulares para que os países demonstrem mudanças ao longo do tempo.
Exemplos de sucesso
Graças à implementação de políticas e parcerias, países como o Japão e o Reino Unido mostram que a mudança em grande escala é possível, com reduções de 31% e 18%, respetivamente. “Com o enorme custo para o ambiente, a sociedade e as economias globais causado pelo desperdício alimentar, precisamos de uma maior ação coordenada entre continentes e cadeias de abastecimento. Apoiamos o PNUMA no apelo a mais países do G20 para medirem o desperdício alimentar e trabalharem em prol do ODS12.3”, afirma Harriet Lamb, CEO da WRAP. “Isso é fundamental para garantir que os alimentos alimentem as pessoas e não os aterros sanitários.
Público e Privado
As parcerias são hoje uma ferramenta fundamental para a obtenção de resultados, mas requerem apoio: sejam filantrópicos, empresariais ou governamentais, os intervenientes devem apoiar programas que abordem o enorme impacto que o desperdício de alimentos tem na segurança alimentar, no nosso clima e nas nossas carteiras. O PNUMA continua a acompanhar o progresso a nível nacional para reduzir para metade o desperdício alimentar até 2030, com um foco crescente em soluções que vão além da medição em direção à redução. Uma dessas soluções é a ação sistémica através de parcerias público-privadas.
O chefe da ONU deslocou-se a Bruxelas de 20 a 22 de março para uma série de reuniões com chefes de governo, responsáveis da União Europeia (UE) e ministros belgas, por ocasião da cimeira da ONU Conselho Europeu, 21 e 22 de março.
Na agenda, definida pelo Conselho Europeu, estava a “continuação do apoio à Ucrânia face à guerra de agressão liderada pela Rússia, segurança e defesa, situação atual no Médio Oriente, alargamento, relações externas, migração, agricultura e o Semestre Europeu.
Numa declaração de imprensa conjunta com António Guterres a 20 de março, Ursula von der Leyen, pesidente da Comissão Europeia, destacou o facto de as crises atuais, “sejam da Ucrânia ou de Gaza, do Sudão ou do Haiti, dificultarem a cooperação entre a UE e os Estados Unidos”. Sobre o conflito israelo-palestiniano, lembrou que: “Gaza enfrenta fome. Isso é inaceitável. É fundamental chegar rapidamente a um acordo sobre um cessar-fogo, agora.”
“Temos de agir agora” em Gaza, diz António Guterres
“Reunimo-nos num momento particularmente sombrio, em que o papel da Europa na cena mundial é mais importante do que nunca”, afirmou o secretário-geral da ONU. Na Ucrânia, dois anos depois, a invasão em grande escala da Rússia está a causar um sofrimento terrível, alimentando tensões globais e minando o direito internacional e a Carta das Nações Unidas.
O chefe da ONU voltou a apelar a uma “paz justa – respeitando a soberania, a independência, a unidade e a integridade territorial da Ucrânia, dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.”
Sobre a guerra em Gaza, António Guterres reiterou que “nada justifica os atos hediondos do Hamas no dia 7 de outubro, e nada justifica a punição coletiva do povo palestiniano. Hoje, mais de metade da população, mais de um milhão de pessoas, enfrenta uma fome catastrófica. Devemos agir agora, antes que seja tarde demais.”
Reformar o sistema de governação global
Nestas duas crises, lembrou, “a União Europeia é a nossa fiel aliada na exigência de soluções consistentes com a Carta das Nações Unidas e com o direito internacional
Para além destas guerras, a desconfiança e a divisão reinam. As desigualdades estão a aumentar. As alterações climáticas estão a causar estragos e os líderes mundiais simplesmente não estão à altura.
Do Conselho de Segurança à arquitetura financeira global, devemos transformar as instituições internacionais para que possam responder aos desafios do nosso tempo e agir em nome de todos, incluindo os mais vulneráveis.
O multilateralismo e a solidariedade estão no ADN da União Europeia. E muitos veem a UE como uma força líder à escala global. Devemos estar unidos para silenciar as armas.”
No dia 20 de março, o secretário-geral reuniu-se com Jutta Urpilainen, comissária europeia para Parcerias Internacionais, Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, bem como com os ministros belgas Hadja Lahbib (Negócios Estrangeiros) e Caroline Gennez (Cooperação).
Na abertura da cimeira europeia, a 21 de março, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, sublinhou numa conferência de imprensa conjunta com o secretário-geral o facto de “a União Europeia e as Nações Unidas partilharem o mesmo sonho e as mesmas ambições. por um mundo baseado na cooperação, no respeito mútuo e nos valores fundamentais.” Agradeceu ao chefe da ONU pela sua “liderança”, especialmente tendo em vista a Cimeira do Futuro que se realizará em setembro próximo.
António Guterres regressou ao nosso “mundo caótico” em que existe uma “situação de impunidade, em que qualquer país ou grupo pode fazer o que quiser, porque não há responsabilização”.
Reafirmar princípios fundamentais sem “duas medidas”
Com base nos princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas, no direito internacional, nas Convenções de Genebra e no direito humanitário internacional, bem como na Declaração Universal dos Direitos Humanos, o secretário-geral reiterou o seu apelo à “paz” na Ucrânia e a uma “cessar-fogo” em Gaza.
Daí a necessidade de “respeitar o princípio básico do direito internacional, a proteção dos civis, na Ucrânia e em Gaza, “sem dois pesos e duas medidas”.
Continuando sobre a governação global, o secretário-geral disse que “devemos empurrar o mundo na direção de uma forma ordenada de multipolaridade com instituições multilaterais fortes”. Guterres considerou ainda que existe “apenas uma forma fundamental de ter um mundo multipolar, e essa forma é com a liderança de uma União Europeia forte e unida.”
O líder da ONU concluiu com um apelo à UE para “desempenhar um papel muito ativo nas questões centrais e existenciais do mundo de hoje: as alterações climáticas, o desenvolvimento descontrolado da inteligência artificial e as profundas desigualdades”.
A UE apela, pela primeira vez, a um cessar-fogo em Gaza a uma só voz
A 21 de março, no final do primeiro dia de reunião do Conselho Europeu, os líderes europeus apelaram pela primeira vez a uma só voz a uma “pausa humanitária imediata que conduza a um cessar-fogo duradouro” em Gaza. O apelo, ao qual a Hungria deixou de se opor, menciona também a libertação incondicional de todos os reféns e ao acesso à ajuda humanitária.
Os líderes da União disseram estar “profundamente preocupados com a situação humanitária catastrófica em Gaza e o seu impacto desproporcional sobre os civis, especialmente as crianças, bem como com o risco iminente de fome causado pela entrada insuficiente de ajuda em Gaza”.
Também instaram Israel a não lançar uma ofensiva terrestre em grande escala sobre Rafah, uma cidade localizada no sul da Faixa de Gaza.
No mesmo dia, 21 de março, os Estados Unidos apresentaram uma resolução ao Conselho de Segurança apelando também a um cessar-fogo, pela primeira vez, e a um acordo entre Israel e o Hamas sobre a tomada de reféns.
No último dia da sua visita a Bruxelas, o secretário-geral visitou o Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), que celebra o seu 20º aniversário. Cumpriu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos conflitos e acendeu uma vela pela paz.