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Más notícias para o planeta: gases de efeito estufa continuam a aumentar

Foi registado o maior aumento de sempre na emissão de gases com efeito estufa, sendo que os níveis atmosféricos de dióxido de carbono, de metano e de óxido nitroso atingiram recordes máximos em 2021. Os dados constam de um novo relatório da Organização Mundial da Meteorologia (OMM) 

Ainda que a razão para este aumento não seja clara, atribuindo-se a fatores biológicos e humanos, estes níveis continuam a aumentar em 2022 – o que é alarmante.   

O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, salientou o “enorme desafio e a necessidade de uma ação urgente para diminuir as emissões e prevenir o aumento das temperaturas mundiais”. Destacou ainda que “estamos a ir na direção errada” se o aumento contínuo das concentrações dos principais gases se mantiver. 

Além disso, um novo relatório da ONU sobre as Alterações Climáticas mostra que os países estão a diminuir a curva das emissões mundiais de gases com efeito de estufa. No entanto, evidencia que estes esforços continuam a ser insuficientes para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 Cº até ao final do século.  

Existem estratégias custo-eficientes para mitigar as emissões de metano, especialmente no setor dos combustíveis fósseis; contudo, a maior prioridade é reduzir as emissões de dióxido de carbono, que são o principal motor das alterações climáticas e catástrofes associadas. 

“É preciso transformar os sistemas industriais, energéticos e de transporte, assim como o nosso modo de vida” afirmou o secretário-geral da OMM, sublinhando que “as mudanças necessárias são economicamente acessíveis e tecnicamente possíveis” e que estamos a ficar sem tempo. 

Assim, é evidente não só a ação insuficiente, como a necessidade de uma ação urgente – é preciso diminuir as emissões destes gases se queremos alcançar os objetivos definidos e assim garantir um futuro sustentável. 

Mensagem do secretário-geral por ocasião do Dia das Nações Unidas de 2022

As Nações Unidas são o produto da esperança.

A esperança – e determinação – após a Segunda Guerra Mundial de passar do conflito para a cooperação global.

Hoje, a nossa organização está a ser posta à prova como nunca.

Mas a ONU foi feita para momentos como este.

Agora, mais do que nunca, precisamos dar vida aos valores e princípios da Carta da ONU em todos os cantos do mundo.

Dando uma oportunidade à paz e acabando com os conflitos que colocam em risco vidas, futuros e progresso a nível mundial.

Trabalhando para acabar com a pobreza extrema, reduzir as desigualdades e salvar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Protegendo o nosso planeta, inclusive quebrando o nosso vício em combustíveis fósseis e iniciando a revolução das energias renováveis.

E equilibrando, por fim, a liberdade e as oportunidades das mulheres e meninas e garantindo os direitos humanos de todos.

Ao comemorarmos o Dia das Nações Unidas, vamos renovar a nossa esperança e convicção no que a humanidade pode alcançar quando trabalhamos unidos, em solidariedade mundial.

 

ONU: mortes e detenções de crianças no Irão são preocupantes

Um mês após o início dos protestos no Irão, as manifestações não parecem cessar. O uso da força pelas autoridades de segurança e pelo governo continuam também, acumulando consequências cada vez piores.

Como relata a porta-voz do Alto-Comissário para os Direitos Humanos, Ravina Shamsasani, a violência tem sido uma constante diária: “Os relatos de detenções arbitrárias e o assassinato e detenção de crianças são profundamente preocupantes.”

A representante relata que cerca de 23 crianças morreram, muitas outras estão feridas, inúmeras escolas foram invadidas e várias crianças foram detidas. “Nos tratados de direitos humanos aceites pelo Irão, o país tem a obrigação de proteger e respeitar o direito das crianças à vida, à liberdade de expressão e ao protesto pacífico em quaisquer circunstâncias”, reitera Ravina Shamsasani, evidenciado que isso não está a acontecer.

Além destas atrocidades, a porta-voz recebeu ainda relatos da detenção de pelo menos 90 civis, defensores de direitos humanos, jornalistas, advogados e opositores políticos. Aquando das detenções, existem relatos de tortura e espancamentos, sendo que muitos dos detidos são confinados ao isolamento sem direito a advogados.

“Prender pessoas por exercerem os seus direitos de reunião pacífica e de liberdade de expressão é uma privação arbitrária da liberdade” afirma a porta-voz. Neste sentido, o secretário-geral da ONU apelou às forças de segurança “para se absterem do uso da força desnecessário e desproporcional, pedindo a máxima contenção de modo a evitar a escalada da situação”.

As Nações unidas exigem assim a libertação de todos os detidos arbitrariamente, relembrando o princípio do direito internacional da obrigação de proteção da saúde dos reclusos e chamando à atenção das autoridades iranianas para conduzirem investigações imparciais na violência contra as crianças.

A ONU apela ainda ao governo para analisar as causas que levam aos protestos em vez de recorrer à violência.

Voluntários da ONU na Ucrânia: disponíveis 24h por dia, online e no terreno

Desde a sua criação, o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV) tem mobilizado voluntários da ONU para a paz e solidariedade. Trabalhando com os mais vulneráveis, os voluntários trazem esperança, mesmo em situações de destruição e de sofrimento. Nos últimos sete meses, as entidades da ONU na Ucrânia e na Europa Oriental acolheram 200 voluntários no local e 266 online. O contributo do UNV para a resposta do sistema das Nações Unidas à guerra na Ucrânia continua a crescer.

A guerra na Ucrânia desencadeou um aumento drástico nas necessidades humanitárias devido à disrupção dos serviços e à fuga dos civis. A ONU, organizações de refugiados e organizações não-governamentais, instituições de solidariedade e centros nacionais de voluntários têm trabalhado 24h por dia. Porém, quanto mais a guerra se prolongar, maiores serão as necessidades de ajuda, de saúde e de proteção.

O UNV está a ajudar a capacitar a resposta da ONU, através de profissionais competentes. Estes voluntários da ONU juntam-se como peritos, especialistas, jovens, bem como voluntários comunitários e de apoio aos refugiados (estes últimos especificamente com o ACNUR).

Na Ucrânia, foram recrutados 107 voluntários da ONU nos últimos sete meses. Estes são especialistas nacionais e voluntários comunitários que ajudam entidades da ONU, como a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA), o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), a ONU Mulheres, Organização Mundial da Saúde (OMS), e outras entidades da ONU. Destas, 14 de 19 estão presentes na Ucrânia.

Uma equipa de 50 voluntários comunitários da ONU trabalha em 19 regiões no âmbito do programa “Recuperação do Desenvolvimento Inclusivo e da Construção da Paz” do PNUD. Estes voluntários apoiam atividades de resposta imediata, incluindo a mobilização e a distribuição de ajuda humanitária, apoio logístico e a prestação de serviços básicos para populações locais afetadas pela guerra e deslocadas internamente. Os voluntários trabalham em colaboração com as autoridades locais e com centros locais de coordenação de resposta a crises.

Outra equipa de voluntários nacionais da ONU, especialistas da iniciativa de Apoio aos Empresários e Meios de subsistência, ajuda as economias locais, aumentando as competências das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) em Lviv e na região de Ivano-Frankivsk.

A Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia (HRMMU) trabalha junto do sistema da ONU, de entidades nacionais e organizações internacionais na Ucrânia, incluindo o Conselho da Europa. Desde que a guerra começou, a missão alargou a sua presença não só no seu país, mas fora também, tendo aberto escritórios na Polónia e na Moldávia.

Atualmente, a missão acolhe seis voluntários da ONU, sendo que dois deles – Wiktorija Wislowska and Anna Trushkina – se encontram na Polónia.

“Ajudo a dar voz às vítimas e contribuo para a responsabilização dos culpados pelas violações de direitos humanos já cometidas.” — Anna Trushkina, Oficial Voluntária Júnior dos Direitos Humanos da ONU, Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia

As carreiras anteriores de Anna e Wiktorija estavam relacionadas com direitos humanos e a adesão à missão deu-lhes a oportunidade de apoiarem diretamente o seu país. Todos os dias, Wiktorija e Anna recolhem informações, incluindo de refugiados na Polónia, pesquisam e analisam as violações dos direitos humanos e do direito humanitário internacional na Ucrânia. Fazem parte da equipa que acompanha as violações graves contra crianças e a evacuação de pessoas de áreas afetadas pelas hostilidades.

“Eu preocupo-me com os direitos humanos e acredito que defendê-los é central para a humanidade, especialmente em tempo de guerra.” Wiktorija Wislowska, Oficial Voluntária da ONU para os Direitos Humanos, Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia

Através do UNV, 266 voluntários online colaboram com 14 entidades da ONU. Alguns têm apoiado o PNUD na criação de páginas web de emergência, mapas e chatbots. Outros voluntariam-se para ajudar a Iniciativa de Grãos do Mar Negro da ONU, que é fundamental para assegurar o fornecimento mundial de alimentos. Os voluntários online estão ainda a providenciar conhecimentos especializados para o Centro Conjunto de Coordenação em análise e visualização de dados, informação e relatórios públicos, e tradução de várias línguas.

A ONU está grata pela compaixão e a solidariedade dos vizinhos da Ucrânia, que estão a acolher aqueles que procuram a segurança. Apoiando os seus parceiros, o UNV continua o recrutamento de Voluntários Nacionais e Refugiados da ONU na Bulgária, República Checa, Hungria, Moldávia, Polónia, Roménia e Eslováquia.

Para as missões de voluntariado locais, o UNV procura uma vasta gama de perfis profissionais, incluindo Gestores de Informação, Especialistas em Comunicação de Risco e Comunicação Digital, Assistentes de Campo, Médicos de Emergência, Especialistas em Operações Logísticas, entre outros. Consulte as missões disponíveis na página dedicada à guerra na Ucrânia.

Convidamo-lo a juntar-se à nossa reserva nacional de recursos humanos, criando uma conta na nossa Plataforma de Gestão de Voluntários da ONU. Uma vez registadas, as pessoas deverão providenciar algumas informações, como dados pessoais, qualificações e competências, experiência profissional e referências, entre outros. Consulte aqui um guia em vídeo passo a passo.

O UNV entrará em contacto com os candidatos cujos perfis correspondam aos requisitos específicos das várias oportunidades disponíveis no momento da candidatura, os quais são atualizados diariamente e publicados na nossa página web.

Os Voluntários da ONU têm direito a um subsídio e a um seguro mensal, de modo a conseguirem manter um nível de vida modesto e seguro durante a sua missão, de acordo com as Condições Unificadas de Serviço.

A UNV também tem missões de voluntariado online, para possibilitar às pessoas a oportunidade de ajudarem virtualmente os programas de reposta de emergência da ONU na Ucrânia. Pode tornar-se um Voluntário Online sem a necessidade de viajar nem de fazer um compromisso a tempo inteiro ou a longo prazo. Consulte estas páginas para mais informações sobre o Voluntariado Online geral e sobre o Voluntariado Online da UNV para a Ucrânia especificamente.

Quer apoiar a resposta da ONU à guerra na Ucrânia? Voluntarie-se!

*artigo do Programa de Voluntários das Nações Unidas

Mensagem do secretário-geral sobre o Dia Mundial da Alimentação

O Dia Mundial da Alimentação de 2022 chega numa altura desafiante para a segurança alimentar mundial. O número de pessoas afetadas pela fome mais que duplicou nos últimos três anos.

Quase um milhão de pessoas vivem em condições de escassez alimentar, sendo a fome e a morte uma realidade diária.

3 mil milhões de pessoas, um número impressionante, não têm meios para ter uma dieta saudável. As comunidades mais vulneráveis estão a ser atingidas pela pandemia da Covid-19, a crise climática, a degradação ambiental, os conflitos e o agravamento das desigualdades.

A guerra na Ucrânia acelerou o aumento dos preços dos alimentos, dos fertilizantes e da energia. Mas podemos reverter todas estas tendências, se agirmos em conjunto.

Este ano, há alimentos suficientes para todos no mundo mas os agricultores precisam de ter acesso urgente a fertilizantes, a um custo razoável, para garantir alimentos suficientes no próximo ano.

O tema do Dia Mundial da Alimentação deste ano é “Não deixe ninguém para trás. Melhor produção, melhor nutrição, um ambiente melhor e uma vida melhor.” Governos, cientistas, setor privado e sociedade civil precisam trabalhar juntos para tornar dietas nutritivas disponíveis e acessíveis a todos.

As instituições financeiras precisam de aumentar o seu apoio aos países em desenvolvimento, para que possam ajudar a sua população e investir em sistemas alimentares.

É necessário acelerar ação para erradicar a pobreza 

A erradicação da pobreza é um objetivo atingível que nos últimos 25 anos se tem vindo a concretizar, com o constante declínio do número de pessoas a viverem em situação de pobreza extrema a nível mundial (de 38% em 1990 para 8% em 2019). 

Porém, a pandemia da covid-19 veio mudar tudo isso, afetando muito do progresso alcançado – tendo a percentagem aumentado para 9,1%. Assim, atualmente, existem cerca de 1,3 mil milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza (com menos de $2,15 por dia) e 700 milhões vivem em pobreza extrema. (com menos de $1,90 por dia)

O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável nº1 é precisamente a erradicação da pobreza em todas as suas formas, sendo este considerado o maior desafio mundial. 

A pobreza é um fenómeno multidimensional que se mede não só através da falta de rendimentos, mas também pela falta de acesso a serviços básicos, como boas condições de trabalho, saneamento, habitação segura, acesso a cuidados de saúde, igualdade de oportunidades, entre (muitos) outros.  

No ano que passou, com a pandemia, a falta de condições e as desigualdades aumentaram, acentuando o fosso entre ricos e pobres: enquanto milhões lutavam pelos seus direitos e condições laborais, outros – a minoria bilionária – registou aumentos de riqueza sem precedentes. Se isto continuar assim, então o ODS nº1 jamais será atingido.  

Além disso, a emergência climática, a guerra e a inflação constituem mais ataques às pessoas que vivem na pobreza, uma vez que são sobrecarregadas por maiores riscos de catástrofes naturais e de degradação, levando à destruição das suas casas, culturas e meios de subsistência.  

Portugal não é exceção a esta tendência, dado que pela primeira vez desde 2014 o número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social aumentou: em 12,5%, de 2019 para 2020. Estes valores colocam Portugal na lista dos países que mais sofreram com a pandemia no contexto europeu.  

No 30º aniversário do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza é importante reconhecer as desigualdades que imperam no mundo e agir conscientemente para as eliminar. Não é moralmente aceitável a coexistência de tanta pobreza e de tanta riqueza na mesma realidade – se é para erradicar a pobreza, devemos garantir a dignidade de todos.  

Mensagem sobre o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

O SECRETÁRIO-GERAL

17 de outubro de 2022

Ao assinalarmos o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, enfrentamos uma dura realidade: o mundo está a andar para trás.

O covid-19 mergulhou milhões na pobreza, atrasando mais de quatro anos de progresso duramente conquistado. As desigualdades estão a aumentar. As economias nacionais e domésticas são atingidas por perdas de empregos, preços vertiginosos de alimentos e de energia e a ameaça crescente de uma recessão global.

Ao mesmo tempo, a crise climática e os conflitos violentos estão a causar um enorme sofrimento, com as pessoas mais pobres a carregarem o fardo.

Os países em desenvolvimento estão a ser esmagados, sem acesso a recursos e ao alívio da dívida para investir na recuperação e no crescimento

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estão a ficar fora de alcance.

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza é um alerta para o mundo. O tema deste ano – “Dignidade para todos na prática” – deve ser um grito de guerra para uma ação global urgente.

Ação para investir em soluções centradas nas pessoas – da saúde e trabalho digno à igualdade de género, proteção social e melhores sistemas alimentares e educativos.

Ação para transformar um sistema financeiro mundial moralmente falido e garantir acesso ao financiamento e ao alívio da dívida para todos os países.

Ação para apoiar os países em desenvolvimento na sua transição de combustíveis fósseis que matam o planeta para energias renováveis e economias verdes que geram empregos.

Ação para acabar com conflitos, aliviar divisões geopolíticas e promover a paz.

E ação para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Neste dia importante, devemos renovar o nosso compromisso com um mundo melhor para todos.

Vamos fazer com que a pobreza fique para a história.

Mensagem do secretário-geral sobre o Dia Internacional para a Redução do Risco de Catástrofes

As catástrofes climáticas estão a afetar os países e as economia como nunca. As crescentes emissões de gases com efeito estufa estão a contribuir para os eventos climáticos extremos em todo o planeta.

Vi em primeira mão a devastação desencadeada pelas cheias no Paquistão. Estas calamidades crescentes custam vidas e milhares de milhões de dólares em perdas e prejuízos.

As catástrofes climáticas deslocam três vezes mais pessoas do que a guerra. Metade da humanidade já se encontra na zona de perigo.

O mundo está a falhar em investir na proteção de vidas e dos meios de subsistência daqueles que estão na linha da frente.

Aqueles que menos contribuíram para a crise climática são os que pagam o preço mais elevado.

Há populações inteiras que são apanhadas desprevenidas por sucessivas catástrofes climáticas sem terem meios de alerta prévios.

As pessoas precisam de avisos adequados de modo a estarem preparadas para eventos climáticos extremos.

É por isso que apelo a uma cobertura universal de alerta precoce nos próximos cinco anos. Os sistemas de aviso prévio – e a capacidade de agir sobre eles – comprovadamente salvam vidas.

Isto é claramente demonstrado por um novo relatório da Organização Mundial da Meteorologia e pelo Gabinete das Nações Unidas para a Redução de Risco de Catástrofe. O relatório revela que estes serviços são lamentavelmente insuficientes para aqueles que mais precisam.

Na Conferência sobre o Clima COP27 no Egito, lançarei um plano de ação para fornecer sistemas de alerta precoce para todos no espaço de cinco anos.

Apelo a todos os governos, instituições financeiras internacionais e à sociedade civil para que o apoiem. Este novo relatório relembra que a ação concreta e real sobre a perdas e danos deve ser uma prioridade mundial.

A demonstração das perdas e dos danos na COP27 será um importante teste para reconstruir a confiança entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Neste Dia Internacional da Redução do Risco de Catástrofes, apelo a todos os países que invistam em sistemas de aviso prévio e que apoiem aqueles que não têm capacidade para tal.

Haverá eventos climáticos extremos, mas não precisam de ser catástrofes mortais.

 

Alterações climáticas: OMM apela a uma transição energética mais rápida

A Agência Climática da ONU lançou um apelo urgente a todos governos sobre a mudança para energias mais sustentáveis, como a solar, a eólica e a hidroelétrica.

 

Num novo relatório, a Organização Mundial da Meteorologia (OMM) declara que para se conter o aumento das temperaturas mundiais, que são prejudiciais à segurança elétrica, se deverá duplicar o uso de energia proveniente de fontes sustentáveis nos próximos oito anos.

Tendo em conta que o setor da energia é responsável por cerca de 75% das emissões de gases de efeito de estufa mundiais, a líder da OMM, Petteri Taalas afirmou que a mudança para energias sustentáveis e a melhoria da eficiência energética são “vitais, se queremos prosperar no século XXI”.

“O objetivo é a neutralidade carbónica até 2050, mas só chegaremos lá se duplicarmos o uso de energias de baixas emissões nos próximos oito anos”.

Luta contra o tempo

O Estado dos Serviços Climáticos de 2022, que inclui contributos de 26 organizações diferentes, foca-se na energia – um fator chave para o entendimento de acordos internacionais sobre o desenvolvimento sustentável, as alterações climáticas e a saúde do planeta.

Para fortalecer a resiliência da infraestrutura energética e dar respostas à crescente procura, que aumentou 30% nos últimos dez anos, o acesso a informações fidedignas sobre o tempo, a água e o clima, será cada vez mais importante.

“O tempo não está do nosso lado e o clima está a alterar-se diante de nós” disse a líder da OMM apelando a uma “transformação integral do sistema de energia mundial”.

Segurança energética

As alterações climáticas afetam diretamente o abastecimento de combustíveis, a produção de energia e a resiliência física das infraestruturas energéticas, atuais e futuras.

As ondas de calor e as secas estão já a colocar a produção de energia sob uma pressão acrescida, o que torna ainda mais importante não só a redução das emissões de combustíveis fósseis, mas também o alerta sobre o impacto dos eventos climáticos extremos, cada vez mais intensos e frequentes.

Impulso na adaptação

No entanto, apesar destes riscos, somente 40% dos planos de ação climática submetidos pelos governos à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC), dá prioridade à adaptação do setor energético – e o investimento é correspondentemente baixo.

A transição para energias renováveis ajudará a aliviar o crescente stress no abastecimento de água, dado que a quantidade de água utilizada para gerar eletricidade pelo sol ou pelo vento é muito inferior à que as centrais elétricas convencionais necessitam, sejam abastecidas por combustíveis fósseis ou nucleares.

Contudo, os atuais compromissos sobre energias renováveis dos vários países ficam muito aquém do que é necessário para atingir o objetivo de se conseguir o acesso universal a energia acessível, fiável, sustentável e moderna até 2030, declarou a OMM.

Este relatório conclui também que, para se a alcançar a neutralidade carbónica até 2050, os investimentos em energias sustentáveis devem triplicar até lá.

Escassez de água

Em 2020, 87% da energia mundial gerada a partir de sistemas termais, nucleares e hidroelétricos dependia diretamente da disponibilidade hídrica.

Ainda assim 33% das centrais termais dependentes do uso direto de água doce para arrefecimento, 11% de operações hidroelétricas e aproximadamente 26% de barragens hidroelétricas, encontram-se localizadas em zonas de grande escassez hídrica.

Sendo que, as centrais nucleares, que dependem da água para arrefecimento, estão frequentemente situadas em zonas costeiras baixas, deixando-as vulneráveis à subida do nível do mar e a inundações causadas por eventos climáticos.

Investimentos renováveis

Este relatório conclui também que, para se a alcançar a neutralidade carbónica até 2050, os investimentos em energias sustentáveis devem triplicar até lá.

Contudo, os fluxos financeiros internacionais de apoio à transição energética para os países em desenvolvimento têm diminuído.

Pelo segundo ano consecutivo, em 2019, caíram para 10.9 mil milhões de dólares, o que significa um decréscimo de 23% face aos 14.2 mil milhões disponibilizados em 2018, e menos de metade do auge do valor de 24.7 mil milhões em 2017.

Foco em África

O continente africano enfrenta já impactos severos devido às alterações climáticas, incluindo a seca extrema. De forma a alcançar os seus objetivos energéticos e climáticos, o investimento na energia deverá duplicar ainda esta década, sublinha a OMM.

O relatório acrescenta que uma aplicação anual de 25 mil milhões de dólares, equivalente a 1% do investimento mundial energético, é agora necessário.

No entanto, África possui cerca de 60% dos ambientes mais ricos em energia solar do mundo, e os países africanos têm a oportunidade de capitalizar esse potencial inexplorado e tornarem-se importantes atores no mercado energético no futuro.

Olhar para o futuro

Os serviços climáticos relacionados com a produção de energia poderão incluir a compra de gás e energia elétrica; a gestão de respostas de emergência; e a otimização das centrais elétricas para fontes renováveis, especialmente reservatórios e operações hidroelétricas.

As previsões de temperaturas permitem a realização de cálculos mais precisos, que por sua vez permitirão uma melhor programação da produção de energia, de forma a satisfazer a procura a um custo inferior.

Entretanto, as previsões diárias, semanais e sazonais de chuva e dos fluxos de água, são úteis para otimizar as operações hidroelétricas.

Mensagem do secretário-geral sobre o Dia Internacional da Menina

No 10º aniversário do Dia Internacional da Menina celebramos as vidas e as conquistas das meninas do mundo inteiro.

Quando as meninas têm consciência dos seus direitos humanos, conseguem alcançar o seu potencial e criar um mundo melhor para si, para as suas comunidades e sociedades.

Quando as meninas têm acesso a educação, têm maior probabilidade de levar uma vida mais saudável, produtiva e gratificante.

Quando as meninas recebem cuidados de saúdes apropriados, crescem com mais autoconfiança e autonomia em relação ao seu corpo. Quando as meninas entendem os seus direitos, incluindo o direito de viver sem a ameaça de violência, há maior probabilidade de estarem em segurança e de denunciarem abusos.

Hoje, muitas meninas enfrentam enormes desafios. A sua educação pode ter terminado por causa da pandemia da covid-19. Podem ter sido forçadas a sair de suas casas devido a conflitos. Podem ter sido impedidas de exercer os seus direitos sexuais e reprodutivos. Estou extremamente preocupado pela contínua exclusão escolar das meninas no Afeganistão. Isto é profundamente prejudicial para as próprias meninas e para um país que precisa desesperadamente da sua energia e contributos.

Apelo, uma vez mais, aos Talibãs que deixem as meninas ir à escola. Agora, mais do que nunca, devemos renovar o nosso compromisso de trabalhar em conjunto para que as meninas exerçam e disfrutem dos seus direitos, e possam desempenhar um papel pleno e igualitário nas suas comunidades e sociedades.

Investir nas meninas é investir no nosso futuro comum. No Dia Internacional da Menina, vamos redobrar os nossos esforços para garantir que, em todo o lado, as meninas sejam saudáveis, instruídas e estejam em segurança.

Calor em excesso é sinal de alarme 

As ondas de calor extremo e as catástrofes climáticas já mataram mais de 410 mil pessoas nos últimos dez anos. Além disso, os analistas projetam um aumento mundial de 700% no número de pessoas a viverem em condições de calor extremo até 2050. 

As alterações climáticas são ameaças reais à sobrevivência da humanidade. O mais recente relatório do Gabinete de Coordenação Humanitárias das Nações Unidas (OCHA) com a Cruz Vermelha expõe o desafio das ondas de calor, fenómeno mortal que pode gerar novas necessidades de emergência num futuro não tão distante.  

Dado que os eventos ambientais estão todos interligados, com a intensificação das alterações climáticas (e a falta de ação sobre as mesmas), as ondas de calor tornar-se-ão mais intensas, mais frequentes e mais mortíferas. Das suas consequências destacam-se a seca extrema, que leva à falta de alimentos, o agravamento da insegurança alimentar e da crise de fome nos países em desenvolvimento, especialmente em África.  

Contudo, há que clarificar: ainda que as organizações humanitárias tentem melhorar as suas respostas às ondas de calor extremo, este não é um problema que possam resolver sozinhas. A prioridade deve focar-se em grandes e sustentados investimentos que mitiguem a generalidade das alterações climáticas a longo prazo, apoiando as suas vítimas mais vulneráveis.  

Assim sendo, este relatório deve servir não só de alerta, mas como um mapa que oriente a ação dos governos, empresas e das sociedades. O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU e a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho estão empenhados em trabalhar em conjunto para evitar um futuro de catástrofes ambientais, alertando para os riscos da inação e criando estratégias de prevenção. 

Saúde mental: cuidar em vez de julgar 

Embora a pandemia tenha tido, e continue a ter, um grande impacto na nossa saúde mental, existe ainda a oportunidade de reativar esforços e promover cooperação sobre o assunto, nomeadamente através do Dia Mundial da Saúde Mental de 2022 que se assinala a 13 de outubro.

Tendo em conta a sobrecarga dos serviços de saúde durante a pandemia, aliada às crescentes desigualdades económicas, aos conflitos prolongados e à violência, o cuidado de casos de saúde mental ficou relegado para segundo plano. Desta forma, não é surpreendente que os casos tenham vindo a aumentar e que os seus impactos, a nível económico ou social, se sintam com cada vez mais intensidade.  

Há estudos que demonstram que antes da pandemia, mundialmente, 1 em 8 pessoas vivia com algum tipo de distúrbio mental, e que no primeiro ano da covid-19 se constatou um aumento de 25% das perturbações depressivas e da ansiedade. Segundo o INE, em 2021, quase 27% da população portuguesa manifestou o efeito negativo da pandemia sobre a saúde mental, sendo esta situação mais referida por mulheres do que homens. Em relação a 2019, dados do INE referem que a taxa de suicídio por 100 mil habitantes é de 9,7 (cerca de 10 pessoas por 100 mil), por sua vez mais alta nos homens do que nas mulheres.  

Na sua mensagem para este Dia Internacional, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembra que “alguns países têm apenas dois profissionais de saúde mental para cada 100.000 pessoas. As repercussões sociais e económicas são profundas.”

O líder da ONU sublinha ainda que “só a ansiedade e a depressão custam à economia mundial cerca de 1 bilião de dólares por ano” por isso, é necessário “fortalecer a capacidade dos serviços de saúde para oferecer cuidados de qualidade aos necessitados, em particular aos jovens. Incluindo serviços baseados na comunidade e a integração do apoio à saúde mental nos sistemas de saúde e de assistência social mais abrangentes.”

Pandemia da covid-19 continua a ter impacto na saúde mundial.

Além destes números, que por si só já são preocupantes, existe ainda o estigma e a discriminação, que são barreiras à inclusão social e ao acesso a cuidados adequados. Não levar a sério uma doença porque ela se manifesta mentalmente e não fisicamente é injusto e pode ter graves consequências (suicídio, isolamento social, violência doméstica, etc.). Assim, é importante o aumento da consciência sobre a realidade da saúde mental, como afeta as pessoas e quais as intervenções preventivas que funcionam. 

É necessário trabalhar por um mundo em que a saúde mental seja valorizada, promovida, protegida e onde todos possam ter acesso aos cuidados de saúde mental de que necessitam. Assim sendo, a OMS irá trabalhar com parceiros para lançar a campanha “Tornar a Saúde Mental e o Bem-Estar para Todos uma Prioridade Mundial”. Esta será uma oportunidade para pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno mental, governos, empregadores, entre outros, se reunirem para reconhecer não só o progresso neste campo, mas também delinearem estratégias, objetivos e planos de ação que visem promover a prevenção de doenças do foro mental e o seu devido cuidado. 

 

Mensagem do secretário-geral sobre o Dia Mundial da Saúde Mental

“Tornar a saúde mental para todos uma prioridade global”

10 de outubro de 2022

“Perto de mil milhões de pessoas vivem com uma condição de saúde mental. Mas a saúde mental continua a ser um dos aspetos mais negligenciados dos cuidados de saúde.

Alguns países têm apenas dois profissionais de saúde mental para cada 100.000 pessoas. As repercussões sociais e económicas são profundas.

Só a ansiedade e a depressão custam à economia mundial cerca de 1 bilião de dólares por ano.

Devemos fortalecer a capacidade dos serviços de saúde para oferecer cuidados de qualidade aos necessitados, em particular aos jovens. Incluindo serviços baseados na comunidade e a integração do apoio à saúde mental nos sistemas de saúde e de assistência social mais abrangentes.

Investir no bem-estar mental significa investir em comunidades saudáveis e prósperas. Devemos também abordar o estigma e a discriminação – e derrubar as barreiras que impedem as pessoas de procurarem cuidados e apoio.

E devemos prevenir as causas das condições de saúde mental, incluindo violência e abuso. As Nações Unidas estão empenhadas em trabalhar com os seus parceiros para promover o bem-estar mental.

Ao assinalar o Dia Mundial da Saúde Mental, vamos torná-lo uma prioridade global e agir com urgência para que todos, em todos os lugares, tenham acesso a cuidados de saúde mental de qualidade.”

UNCTAD alerta para possível recessão mundial

O Relatório Anual de Comércio e Desenvolvimento 2022 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) projeta um crescimento mundial de 2,5% em 2022, desacelerando para 2,2% em 2023, e descreve ações para evitar crises e apoiar os países em desenvolvimento. 

Com UNCTAD

 Os movimentos da política monetária e fiscal nas economias avançadas correm o risco de empurrar o mundo para uma recessão mundial e estagnação prolongada, causando danos piores do que a crise financeira de 2008 e o choque da Covid-19 em 2020, alerta a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) no seu Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2022. 

De acordo com este relatório, os rápidos aumentos das taxas de juros e o aperto fiscal nas economias avançadas, combinados com as crises em cascata resultantes da pandemia da Covid-19 e da guerra na Ucrânia, já transformaram uma desaceleração mundial num declínio económico.

Depois de uma década de taxas de juros ultrabaixas, os bancos centrais consistentemente ficaram aquém das metas de inflação e não conseguiram gerar um crescimento económico mais saudável. Acreditar que estes serão capazes de derrubar os preços contando com taxas de juros mais altas sem gerar uma recessão é uma aposta imprudente, sugere o relatório. 

Numa altura de queda dos salários reais, de aperto fiscal, de turbulência financeira e de apoio e coordenação multilaterais insuficientes, o aperto monetário excessivo pode inaugurar um período de estagnação e de instabilidade económica para muitos países em desenvolvimento e alguns desenvolvidos. 

Os aumentos das taxas de juros deste ano nos EUA devem cortar cerca de US$ 3,6 biliões de receita futura para os países em desenvolvimento (excluindo a China) e trazer outros  problemas, alerta o relatório. 

“Ainda há tempo de sair da beira da recessão”, afirma a secretária-geral da UNCTAD, Rebeca Grynspan. “Temos as ferramentas para acalmar a inflação e apoiar todos os grupos vulneráveis. Esta é uma questão de escolhas de políticas e de vontade política. Mas o atual curso de ação está a prejudicar os mais vulneráveis, especialmente nos países em desenvolvimento, e corre o risco de levar o mundo a uma recessão mundial.” 

Desaceleração sincronizada da economia global afeta todas as regiões 

A UNCTAD espera que a economia mundial cresça 2,5% em 2022. As perspetivas estão a a deteriorar-se e o crescimento em 2023 deverá desacelerar ainda mais para 2,2%, deixando o PIB real ainda abaixo de sua tendência pré-pandemia até ao final do próximo ano e um déficit acumulado de mais de 17 trilhões biliões de dólares, cerca de 20% do rendimento mundial. 

A desaceleração sincronizada está a atingir todas as regiões, mas está a fazer soar o alarme para os países em desenvolvimento, onde a taxa média de crescimento deve cair abaixo de 3%, um ritmo insuficiente para o desenvolvimento sustentável, apertando ainda mais as finanças públicas e privadas e prejudicando as perspetivas de emprego. 

Os países de médio rendimento da América Latina, bem como os países de baixo rendimento, registarão algumas das desacelerações mais acentuadas este ano. O relatório observa ainda que os países que estavam a mostra sinais de sobre-endividamento antes da pandemia estão a sofrer alguns dos maiores golpes (Zâmbia, Suriname, Sri Lanka), com choques climáticos ameaçando ainda mais a estabilidade económica (Paquistão). 

Lidar com níveis alarmantes de sobre-endividamento e subinvestimento 

Os fluxos líquidos de capital para países em desenvolvimento tornaram-se negativos com a deterioração das condições financeiras desde o último trimestre de 2021, diz o relatório. Na liquidez, os países em desenvolvimento estão agora a financiar os desenvolvidos. 

Cerca de 90 países em desenvolvimento viram suas moedas enfraquecerem em relação ao dólar este ano – mais de um terço deles em mais de 10%; as reservas cambiais estão a cair e os spreads de títulos estão a aumentar, com um número crescente a apresentar rendimentos 10 pontos percentuais acima dos títulos do Tesouro dos EUA. 

Atualmente, 46 países em desenvolvimento estão severamente expostos a múltiplos choques económicos e outros 48 seriamente expostos, aumentando a ameaça de uma crise mundial da dívida. 

O relatório conclui que a situação nos países em desenvolvimento é muito mais ténue do que o reconhecido pelo G20 e outros fóruns financeiros internacionais, com conversas sobre uma rede de segurança financeira global cada vez mais em desacordo com sua realidade. 

Os países em desenvolvimento já gastaram cerca de 379 mil milhões de dólares em reservas para defender as suas moedas este ano, quase o dobro da quantidade de novos Direitos Especiais de Saque (Special Drawing Rights, ou SDR na sigla em inglês) recentemente alocados a eles pelo Fundo Monetário Internacional, e também sofreram um impacto significativo da fuga de capitais. 

A UNCTAD pede o aumento da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD, em inglês Official Development Assistance, ODA), um uso maior, mais permanente e mais justo dos SDRs, mecanismos de hedge (estratégia de redução de riscos) para lidar com a volatilidade da taxa de câmbio e maior alavancagem do capital multilateral para apoiar os países em desenvolvimento com programas sociais abrangentes. Mas, além disso, o progresso em um quadro legal multilateral para lidar com a reestruturação da dívida, incluindo todos os credores oficiais e privados, deve ser uma prioridade. 

O relatório recomenda um programa de reformas nas economias em desenvolvimento para aumentar o investimento produtivo e restringir o movimento de capital que explora as brechas fiscais, juntamente com novos arranjos para apoiar o comércio, o investimento e os laços financeiros regionais. 

Em muitos países em desenvolvimento, a inflação foi em grande parte impulsionada pelos preços da energia e pela depreciação da taxa de câmbio, o que tornou as importações mais caras.

Restrição monetária. Um apelo urgente para correção de rumos 

Em comparação com a crise financeira global, a recuperação da Covid-19 tem sido mais inflacionária para as economias avançadas do que para os países em desenvolvimento, onde as taxas de inflação são estruturalmente mais altas. 

Nos países desenvolvidos, a inflação tem sido impulsionada principalmente pelos preços das commodities – especialmente da energia – e estrangulamentos persistentes nas cadeias de abastecimentos, provocados pelo investimento insuficiente desde a crise financeira mundial. As medidas de inflação que excluem a energia são consideravelmente inferiores à inflação dos preços ao consumidor. 

Em muitos países em desenvolvimento, a inflação foi em grande parte impulsionada pelos preços da energia e pela depreciação da taxa de câmbio, o que tornou as importações mais caras. 

Grandes corporações multinacionais com considerável poder de mercado parecem ter aproveitado indevidamente o contexto atual, elevando as margens para aumentar os lucros. 

Nessas circunstâncias, diz o relatório, remontar à década de 1970 ou a décadas posteriores marcadas por políticas de austeridade em resposta aos desafios de hoje é uma aposta perigosa. 

“O verdadeiro problema enfrentado pelos formuladores de políticas não é uma crise de inflação causada por muito dinheiro para poucos bens, mas uma crise de distribuição, com muitas empresas a pagar dividendos muito altos, muitas pessoas a sobreviver com o salário mês a mês e muitos governos a sobreviver com cada pagamento de títulos”, sublinha Richard Kozul-Wright, chefe da equipa responsável pelo relatório. 

Com a inflação a começar a diminuir nas economias avançadas, a UNCTAD pede uma correção de curso em favor de políticas visando picos de preços de energia, alimentos e outras áreas vitais diretamente. 

A Iniciativa Grãos do Mar Negro (Black Sea Grain Initiative), liderada pelas Nações Unidas, teve um impacto significativo na redução dos preços dos alimentos – o Índice de Preços dos Alimentos da FAO caiu pelo quinto mês consecutivo para 138 em agosto de 2022, atingindo o nível mais baixo em sete meses, devido a uma queda generalizada no custo dos alimentos. Os preços dos cereais caíram 1,4%, liderados por uma queda de 5,1% nos preços internacionais do trigo ligada à retomada das exportações dos portos do Mar Negro na Ucrânia pela primeira vez em mais de cinco meses de interrupção. 

No entanto, o relatório destaca a necessidade de maior apoio a grupos vulneráveis, incluindo trabalhadores com salários mais baixos e famílias em dificuldades financeiras, alertando para os danos que o aperto monetário está causando aos objetivos económicos, sociais e climáticos, atingindo mais duramente os mais pobres. 

A UNCTAD pede uma estratégia mais pragmática que implemente controles estratégicos de preços, impostos não previstos, medidas antitruste e regulamentações mais rígidas sobre a especulação de commodities. 

Os preços dos cereais caíram 1,4%, liderados por uma queda de 5,1% nos preços internacionais do trigo ligada à retomada das exportações dos portos do Mar Negro na Ucrânia pela primeira vez em mais de cinco meses de interrupção.

30Acabar com a especulação de preços das matérias primas 

Os preços das matéria primas subiram durante grande parte dos últimos dois anos, com alimentos e energia mais caros representando desafios significativos para as famílias em todos os lugares. A pressão adicional de alta sobre os preços dos fertilizantes significa que o dano pode ser duradouro.  

A guerra na Ucrânia contribuiu para essa situação, mas os mercados de commodities estão num estado turbulento há uma década. 

O relatório destaca uma melhor regulamentação (algumas prometidas após a crise financeira global) e pede que impostos não previstos sejam parte da combinação de políticas que os governos implementam para conter os picos de preços que atingem duramente os consumidores no mundo em desenvolvimento, empurrando centenas de milhões de pessoas de volta à pobreza extrema ao mesmo tempo em que as corporações recolhem lucros recordes. 

Reivindicar o futuro 

De acordo com o relatório, as múltiplas crises que a economia global enfrenta atualmente estão conectadas por uma agenda política que falhou nas suas principais promessas de proporcionar estabilidade económica e impulsionar o investimento produtivo, tanto público quanto privado. 

Com os sinais de alerta ligados a uma série de indicadores económicos e ambientais, reivindicar o futuro com políticas inovadoras e ambiciosas, vontade política e apoio público e privado é um pré-requisito para alcançar metas de desenvolvimento ambiciosas, aponta o documento. 

O relatório apresenta uma estratégia de maior cooperação entre os países em desenvolvimento que, juntamente com reformas na arquitetura multilateral, pode ajudar a levar a economia global na direção certa. 

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Sobre a UNCTAD 

A UNCTAD é a principal organização da ONU que lida com comércio e desenvolvimento. É um órgão intergovernamental permanente estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1964. 

A UNCTAD faz parte do Secretariado da ONU e conta com 195 países membros, um dos maiores do Sistema ONU. A UNCTAD apoia os países em desenvolvimento a acederem aos benefícios de uma economia globalizada de forma mais justa e eficaz. 

A UNCTAD fornece ainda análises económicas e comerciais, facilita a construção de consenso e oferece assistência técnica para ajudar os países em desenvolvimento a usarem o comércio, o investimento, as finanças e a tecnologia para um desenvolvimento inclusivo e sustentável. 

Mensagem do secretário-geral sobre o Dia Mundial do Habitat

António Guterres discursa na sessão de abertura da 77º sessão da Assembleia Geral da ONU. Foto ONU/ /Evan Schneider

O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM PARA O DIA MUNDIAL DO HABITAT

3 de outubro de 2022

Todos os anos, o Dia Mundial do Habitat centra-se no estado dos assentamentos humanos.

O tema deste ano – ‘Atenção. Não Deixe Ninguém e Nenhum Lugar Para Trás’ – destaca as crescentes desigualdades nas condições de vida em todo o mundo.

A cascata de desafios – do caos e conflitos climáticos ao Covid-19 – está a atingir mais duramente as populações mais vulneráveis.

A urbanização rápida e sem planeamento está a exacerbar muitos desses desafios.

Hoje, mais de mil milhões de pessoas vivem em assentamentos superlotados com alojamento inadequado – e esse número aumenta de dia para dia.

Precisamos de mais medidas urgentes e de maiores investimentos para fornecer habitação a preços acessíveis a todos – juntamente com acesso a eletricidade, água, saneamento, transporte e outros serviços básicos.

Não deixar ninguém para trás é a principal promessa da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Tal significa fazer com que as cidades funcionem para as mulheres e para as crianças e se diminua os fossos existentes: entre os que têm e os que não têm; dentro e entre áreas urbanas e rurais; e dentro e entre regiões desenvolvidas e em desenvolvimento.

Cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis ​​são cruciais – e a ação local é fundamental.

Cidades, vilas e comunidades podem liderar soluções inovadoras para enfrentar as desigualdades, garantir abrigo adequado para todos, enfrentar a crise climática e impulsionar uma recuperação pandémica verde e inclusiva.

Tal inclui definir políticas centradas nas pessoas, promover padrões sustentáveis ​​de consumo e de produção e dar prioridade a infraestruturas verdes e resilientes.

No Dia Mundial do Habitat, vamos comprometermo-nos a cumprir a responsabilidade que temos uns para com os outros.