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Prémios “Campeões da Terra” 2022

*com UNEP

Foram atribuídos os prémios “Campeões da Terra” 2022 que celebram ideias e projetos que visam a restauração e proteção dos ecossistemas. Promovidos pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), estas distinções são atribuídas desde 2005 e contam já com 111 laureados.

Numa altura em que as alterações climáticas são uma das maiores ameaças que enfrentamos, estes prémios valorizam a proteção da natureza e os esforços dedicados em salvaguardar o meio ambiente. Distinguem-se, assim, líderes mundiais, indivíduos, ativistas, organizações ou até empresas – pessoas e entidades que demonstrem o seu trabalho e ambição pela conservação da natureza.

E os vencedores da edição deste ano são:

Arcenciel (Líbano), distinguida na categoria Inspiração e Ação é uma empresa ambiental cujo trabalho para criar um ambiente mais limpo e saudável lançou as bases para a estratégia nacional de gestão de resíduos do país. Atualmente, esta empresa recicla mais de 80% dos resíduos hospitalares potencialmente infeciosos do Líbano todos os anos.

Constantino (Tino) Aucca Chutas (Peru), também premiado na categoria Inspiração e Ação, foi pioneiro num modelo de reflorestação comunitária guiado pelas comunidades locais e indígenas, o que levou à plantação de três milhões de árvores no país. Está também a liderar esforços ambiciosos de reflorestação noutros países andinos.

Sir Partha Dasgupta (Reino Unido), distinguido na categoria Ciência e Inovação, é um proeminente economista cuja revisão histórica sobre a economia da biodiversidade apela a um repensar da relação entre a humanidade e a natureza, de forma a evitar a destruição de ecossistemas vitais.

Purnima Devi Barman (Índia), homenageada na categoria Visão Empreendedora, é uma bióloga da vida selvagem que lidera o “Exército de Hargila”, um movimento de conservação exclusivamente feminino dedicado a proteger a grande cegonha ajudante da extinção. As mulheres criam e vendem têxteis temáticos sobre a cegonha e ajudam a aumentar a sensibilização sobre a espécie, enquanto potenciam também a sua independência financeira.

Cécile Bibiane Ndjebet (Camarões), homenageada na categoria Inspiração e Ação, é uma defensora dos direitos das mulheres em África, particularmente o direito a possuírem terra, algo essencial para que possam desempenhar um papel na restauração dos ecossistemas, no combate à pobreza e na mitigação das alterações climáticas.  Lidera também esforços para influenciar o desenvolvimento de políticas sobre a igualdade de género na gestão florestal em 20 países africanos.

Inger Andersen, directora executiva do PNUMA afirma que os “ecossistemas saudáveis e funcionais são fundamentais para evitar que a emergência climática e a perda da biodiversidade causem danos irreversíveis ao nosso planeta.” Assim, estes prémios dão-nos esperança para a possibilidade de restaurar a relação entre a humanidade e a natureza, evidenciando que isso é possível e uma tarefa de todos nós:  governos, setor privado, cientistas, comunidades, ONG e indivíduos.

O que alcançou a COP27?

©UNFCCC

Chegada ao fim mais uma Conferência do Clima das Nações Unidas, há uma mistura de sentimentos sobre o que se alcançou e sobre o que ficou aquém das expetativas.

O feito mais complicado desta cimeira foi a assinatura de um acordo histórico e inovador que irá criar um fundo de “perdas e danos” para compensar financeiramente os países mais vulneráveis, aqueles que menos contribuem para as alterações climáticas, mas que mais sofrem os seus impactos. Além disso, o resultado da COP conta ainda com um pacote de decisões que reafirma o compromisso de limitar o aumento da temperatura mundial a 1,5ºC e que fortalece a ação dos países para cortarem na emissão de gases com efeito de estufa.

A COP27 registou também progressos significativos em relação à adaptação, com o estabelecimento de um acordo para alcançar o Objetivo Mundial de Adaptação, que será concluído na COP28. Em relação ao financiamento, foram feitas novas promessas, alocando mais de 230 milhões de dólares ao Fundo de Adaptação.

O presidente da COP27, Sameh Shoukry, anunciou ainda a Agenda de Adaptação de Sharm el-Sheikh, que visa aumentar a resiliência das pessoas que vivem em comunidades mais vulneráveis aos impactos climáticos até 2030. A Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (UNFCCC) irá preparar um relatório sobre a duplicação do financiamento da adaptação para a COP28.

No entanto, houve também desilusões face aquilo que ficou por fazer. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou-se agradado com a iniciativa de compensação das perdas e danos, mas sublinhou que isso não é suficiente para colmatar todas as questões ambientais latentes. O líder da ONU demostrou-se ainda desapontado face à ausência de novas medidas sobre a redução do aquecimento global, da dependência dos combustíveis fósseis e da redução dos gases com feito de estufa. Afirmando que “partilha a frustração” da sociedade civil, chamou à atenção das instituições financeiras declarando que “devem aceitar mais riscos e impulsionar o financiamento privado aos países em desenvolvimento a custos razoáveis”.

Apesar disso, é de salientar ainda o lançamento do primeiro relatório sobre os Compromissos de Neutralidade Carbónica das entidades não-estatais, que critica o greenwashing e as promessas ambientais que não passam do papel; o anúncio do Plano de Ação Executivo para a iniciativa “Alerta Precoce para Todos”, com um investimento inicial de 3.1 mil milhões de dólares entre 2023 e 2027; a apresentação de um plano para acelerar a descarbonização de cinco setores chave – energia, transporte rodoviário, aço, hidrogénio e agricultura; e a divulgação da Iniciativa Alimentação e Agricultura para uma Transformação Sustentável (FAST).

O secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, apelou à comunidade internacional, às partes envolvidas nas negociações, às delegações e às empresas, para que a ação seja de facto implementada, “não há necessidade de nos sujeitarmos a tudo o que acabámos de passar se vamos participar num exercício de amnésia coletiva no momento em que as luzes se apagam”.

©UNFCCC

Finalizando a Cimeira com sensação de vitória devido ao acordo promissor das perdas e danos, Sameh Shoukry pediu para que estes projetos não fiquem no papel, apelando “aos líderes das gerações atuais e futuras para que estabeleçam o ritmo e a direção certa para a implementação” dos acordos estabelecidos.

Outras iniciativas anunciadas na COP27:

O fim da COP27 é o início de uma ação climática fortalecida 

A COP27 deveria terminar já sexta-feira, porém, alguns assuntos estão ainda pendentes, razão pela qual o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou a todos os envolvidos para enfrentarem a urgência climática e tentarem chegar a um acordo sobre as soluções necessárias para combater esta crise.  

Durante o seu discurso, o chefe da ONU relembrou os líderes presentes na COP que a forma mais eficaz de reconstruir a confiança entre o Norte e o Sul é encontrar acordos ambiciosos e credíveis para compensar as perdas e os danos dos países menos desenvolvidos. Neste sentido, afirmou que “não podemos continuar a negar justiça climática àqueles que menos contribuíram para esta crise e que mais sofrem com ela.” 

O líder da ONU abordou também a importância de se atingir a meta de manter o aquecimento global abaixo dos 1.5Cº, acrescentando que, para isso ser possível, é necessário investir na transição energética. Por conseguinte, não só salientou a importância das energias renováveis declarando que estas “são a saída de emergência da autoestrada do inferno climático”, como também criticou a expansão das empresas de combustíveis fósseis que estão a “apoderar-se da humanidade”.  

Não deixando de parte a questão financeira, Guterres pediu que os 100 mil milhões de dólares anuais prometidos na COP15 de Copenhaga fossem entregues. Apelou, por isso, às partes envolvidas que duplicassem o investimento na adaptação e reforma climática. 

O secretário-geral terminou recordando que o “relógio climático não para” e que ainda há a possibilidade de fazer a diferença, mas a ação tem de ser rápida.  

Plásticos e Alterações climáticas – qual a relação? 

Unsplash Picture

Quando se pensa na poluição do plástico, imaginamos logo animais marinhos a serem sufocados por sacos de plástico ou garrafas de plástico a darem à costa. No entanto, os impactos da poluição do plástico começam no início da sua produção e agravam-se ao longo do ciclo de vida dos produtos. Além disso, a indústria do plástico é a fonte de gases industriais com efeito de estufa que cresce mais rapidamente no mundo.  

Assim sendo, esclarecemos algumas dúvidas sobre a produção do plástico para a melhor compreensão do seu impacto na crise climática: 

De que são feitos os plásticos? 

Os plásticos não são um só material, mas sim um grupo de materiais com diferentes características. No entanto, cerca de 99% dos plásticos que usamos de atualmente são feitos a partir de combustíveis fósseis (como petróleo, gás ou carvão). Desta forma, é clara a ligação entre a produção de plástico e a indústria dos combustíveis fósseis, sendo que muitas empresas de combustíveis fósseis possuem, gerem ou investem em indústrias de produção de plástico.  

Na realidade, os plásticos podem também ser produzidos a partir de fontes renováveis, como fibras de madeira ou algas, contudo, esta indústria não tem ainda uma representação significativa na produção mundial. 

Qual a quantidade de plástico produzida? 

Os cientistas estimam que entre 1950 e 2017, o mundo produziu 9,2 mil milhões de toneladas de plástico, ao passo que, atualmente, fabricamos cerca de 438 milhões de toneladas de plástico todos os anos. Dado não existirem perspetivas que indiquem o abrandamento deste ritmo, prevê-se que este número aumente para 34 mil milhões de toneladas até 2050. 

Quanto desperdício de plástico é reciclado? 

Estima-se que menos de 10% de todos os resíduos plásticos mundiais seja reciclado. Cerca de 79% dos resíduos acabam em aterros ou na natureza e cerca de 12% são incinerados. 

Em teoria, a maioria dos materiais plásticos pode ser reciclada, no entanto, a realidade é bem diferente, dado que existem muitas barreiras à prática de uma reciclagem eficaz: desde a contaminação de resíduos plásticos, à existência de aditivos químicos nocivos, até à falta de incentivos económicos. Como resultado, grande parte da “reciclagem” que é feita atualmente apenas adia a eliminação final dos materiais para aterros ou incineradoras, contribuindo para a acumulação do desperdício de plástico. 

Porque é que o plástico é mau para o ambiente? 

Para além de contribuir negativamente para a crise climática (devido às emissões de gases com efeito estufa de todo o seu processo de produção), o plástico pode prejudicar gravemente os ecossistemas. 

Isto inclui impactos físicos, tais como animais que se emaranham ou ingerem plástico, danos químicos causados por aditivos perigosos, ou danos biológicos provocados por partículas de plástico que transportam espécies invasoras. 

O que deve ser feito para combater a poluição plástica? 

Para mitigar estes impactos, devemos ir ao fundo da questão e eliminar a poluição na sua origem, não só reduzindo a sua utilização ao nível individual, mas cortando também a sua produção à escala mundial. 

Existem muitas formas de pôr isto em prática: eliminar a produção e consumo de plásticos de utilização única, reduzir o uso de embalagens não essenciais, responsabilizar os produtores e incluir o setor dos plásticos nas estratégias da redução das emissões de gases com efeito de estufa.  

 

Como podes ajudar? 

Muitas ações começam a ser cada vez mais comuns, como a utilização das próprias garrafas para evitar comprar garrafas de plástico, a escolha de produtos de higiene pessoal sem embalagem, o apoio a alternativas locais sustentáveis. 

No entanto, as ações mais impactantes que podemos ter para combater a poluição do plástico são: 

  • defender e apoiar a implementação de políticas e de legislação para reduzir a produção de plástico, melhorar a gestão do desperdício e responsabilizar os poluidores; 
  • apoiar iniciativas que forneçam soluções críticas para reduzir a poluição plástica; 
  • usar a própria voz em favor da causa e ajudar a mudar os comportamentos dos outros. 

Na 5ª Assembleia das ONU para o Ambiente, 175 nações concordaram em iniciar negociações sobre um tratado das Nações Unidas juridicamente vinculativo sobre a poluição plástica.
Este acordo poderá vir a ajudar não só na responsabilização, mas também na implementação de um processo mais transparente que permita transformar a produção, o consumo e a destruição de plástico. 

Dicionário do Clima

©Nações Unidas

Entre siglas e termos técnicos, às vezes é difícil entender os mecanismos e as consequências do aquecimento global, bem como os meios de combatê-lo. 

Para entender os debates que acontecem sobre o assunto, há alguns conceitos que devem ser compreendidos. 

Primeiro, os quatro temas principais da COP27: 

Adaptação: A adaptação às alterações climáticas envolve fazer ajustes nos sistemas, processos e práticas ecológicos, sociais e económicos para se adaptar tanto aos efeitos reais das alterações climáticas quanto aos possíveis danos futuros. Além disso, trata-se também de aproveitar ao máximo todas as potenciais oportunidades benéficas associadas às alterações climáticas. 

Mitigação: A mitigação das alterações climáticas refere-se a todas as ações ou esforços empreendidos para reduzir os níveis de emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, a fim de evitar um maior aquecimento do planeta. A mitigação pode consistir na redução das fontes desses gases, por exemplo, com o uso de novas tecnologias e de energias renováveis, ou na valorização dos “sumidouros” como florestas e solos que armazenam esses gases. 

Financiamento climático: o financiamento climático permite que os países reduzam as emissões de gases de efeito estufa, por exemplo, financiando energias renováveis, como eólica ou solar. Com esse financiamento, as comunidades também podem adaptar-se aos efeitos das alterações climáticas. 

Perdas e danos associados às alterações climáticas: eventos extremos e eventos de início lento em países em desenvolvimento que são particularmente vulneráveis ​​aos efeitos adversos das alterações climáticas. 

Outras palavras-chave para entender melhor (em ordem alfabética): 

Agricultura inteligente para o clima: A agricultura inteligente para o clima (CSA) é uma abordagem que identifica as ações necessárias para transformar e reorientar os sistemas agrícolas com o objetivo de apoiar efetivamente o desenvolvimento da agricultura e garantir a segurança alimentar no contexto das alterações climáticas. Tem três objetivos principais: o aumento sustentável da produtividade e do rendimento agrícola (segurança alimentar); adaptação e construção de resiliência aos impactos das alterações climáticas (adaptação); e a redução e/ou remoção de emissões de gases de efeito estufa (mitigação). 

Antropoceno: O Antropoceno representa a época geológica mais recente da história da Terra, durante a qual os humanos se tornaram as espécies mais influentes e tiveram um impacto significativo no clima e nos ecossistemas do planeta. A intensificação dos impactos antropogénicos resultou numa rutura com as condições relativamente estáveis ​​que caracterizaram a época do Holoceno. 

Biodiversidade: A biodiversidade refere-se à variedade de todo o mundo vivo organizado de acordo com três níveis (diversidade de genes, espécies e ecossistemas), bem como as interações dentro desses três níveis e entre esses níveis. 

Alterações climáticas: as alterações climáticas referem-se a variações lentas das características climáticas de um determinado local, ao longo do tempo: aquecimento ou arrefecimento. Algumas formas de poluição do ar, decorrentes das atividades humanas, ameaçam modificar significativamente os climas, na direção do aquecimento global. 

Clima: as condições climáticas típicas de uma região específica durante um determinado período, com um período mínimo de 20 a 30 anos. 

Conferência das Partes (COP): A Conferência das Partes, ou COP, é o órgão supremo decisório de uma convenção. Todos os Estados que são partes de um tratado estão representados na COP. Durante essas reuniões, geralmente anuais, é avaliada a implementação do tratado e de instrumentos jurídicos associados. Além disso, são tomadas decisões para promover a sua efetiva implementação, incluindo instrumentos institucionais e administrativos. As mais conhecidas são as COPs da Convenção das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC) e da Convenção sobre a Biodiversidade. 

Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC): desde o Acordo de Paris em 2015, os Estados apresentam as suas metas de redução de gases de efeito estufa a nível nacional. Cada país determina e submete à Secretaria do Clima da ONU (UNFCCC) a cada cinco anos as ações climáticas que pretende realizar para reduzir suas emissões nacionais e se adaptar às alterações climáticas. 

Desenvolvimento sustentável: Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que garante as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de garantir as suas próprias necessidades. 

Ecossistema: um ecossistema é uma unidade composta de organismos vivos e componentes não vivos, bem como as interações entre eles. Uma floresta é um exemplo de ecossistema. 

Energia fóssil: a energia fóssil é produzida por rochas formadas pela fossilização de espécies orgânicas mortas há vários milhões de anos. O facto de que estas energias levam muitos milhões de anos para a formar significa que são finitas e não renováveis. São também ricas em carbono e podem causar danos irreparáveis ​​ao meio ambiente. Entre os combustíveis fósseis estão o carvão, o petróleo, o gás natural e as areias betuminosas. 

Equidade intergeracional: A equidade intergeracional um conceito que reconhece que os efeitos das emissões, vulnerabilidades e políticas passadas e atuais impõem custos e benefícios às pessoas no futuro e através das gerações. 

Finanças verdes: finanças verdes é um conceito que define ações e operações financeiras que promovem a transição energética e o combate ao aquecimento global. 

Gases de efeito estufa: gases presentes na atmosfera que retêm parte do calor recebido pela energia solar na atmosfera e levam ao aquecimento global. Os principais gases de efeito estufa são: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e ozono (O3). Os gases de efeito estufa resultam principalmente de atividades humanas e dos combustíveis fósseis. 

Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC): o IPCC reúne, sob os auspícios da ONU, especialistas de todo o mundo encarregados de avaliar o conhecimento sobre as alterações climáticas. Identifica os pontos sobre os quais a comunidade científica concorda e aqueles sobre os quais é necessária mais investigação sobre os temas das alterações climáticas. Através das suas avaliações regulares, fornece aos decisores políticos conhecimento científico sobre as alterações climáticas, as suas implicações e potenciais riscos futuros, e propõe opções de adaptação e mitigação. 

Justiça ambiental: o tratamento justo e a participação significativa de todas as pessoas, independentemente da raça, cor, cultura, nacionalidade, rendimento e nível de educação, no desenvolvimento, implementação e aplicação de leis, regulamentos e políticas de proteção ambiental. 

Impacto climático: as consequências das alterações climáticas nos aspetos sociais e económicos, nos ecossistemas e nas espécies. Bens e serviços económicos, sociais e dos ecossistemas também são afetados. Esses impactos podem ser negativos ou benéficos e podem ser vistos como consequências ou resultados das alterações climáticas. 

Mercado de carbono regulamentado: é regulamentado de acordo com diretrizes obrigatórias nacionais, regionais ou internacionais para redução de emissões de carbono. 

Mercado voluntário de carbono: mercados que comercializam reduções de carbono, mas não estão sujeitos a requisitos oficiais e obrigatórios. 

Neutralidade carbónica: a neutralidade carbónica é um equilíbrio entre as emissões de carbono produzidas e sua absorção na atmosfera pelos sumidouros de carbono. 

Sumidouro de carbono: Um sumidouro é um reservatório onde os gases de efeito estufa são armazenados. Os sumidouros podem ser naturais ou resultantes da atividade humana nos ecossistemas terrestres e marinhos. Os oceanos e as florestas são exemplos de sumidouros naturais, enquanto os sumidouros resultantes da atividade humana estão ligados a processos como o reflorestamento. 

Risco climático: a possibilidade de consequências negativas de magnitude indeterminada que coloquem em risco um ativo valioso. Os riscos dependem da vulnerabilidade (predisposição para ser afetado adversamente), exposição (condição em que o sistema está exposto ao fenómeno ou tendência climática) e perigo (evento natural ou causado pelo homem que pode ter efeitos adversos nos sistemas). 

Resiliência: Resiliência pode ser definida como a capacidade de um sistema, comunidade, sociedade ou país de gerenciar alterações diante de choques ou tensões, mantendo ou transformando os padrões de vida, de forma eficiente e sem comprometer as perspetivas de longo prazo. 

Sistema climático: O sistema climático é formado pelas interações de seus cinco componentes: a atmosfera (a mistura de gases que envolve a Terra), a hidrosfera (água líquida da Terra, incluindo água doce e água salgada), a criosfera (as massas da Terra de gelo e neve), a litosfera (os continentes e o fundo do mar) e a biosfera (a biodiversidade marinha e terrestre da Terra). 

Transição energética: todas as alterações realizadas para reduzir o impacto ambiental da produção, distribuição e consumo de energia (eletricidade, gás, etc.) 

Emissões líquidas zero: Significa que as emissões de gases com efeito de estufa são reduzidas ao nível mais próximo de zero possível, enquanto as emissões presentes na atmosfera são reabsorvidas, por exemplo, pelos oceanos e florestas.  

 

Fontes: CCNUCC, Dicionário do Ambiente, FAO, GIEC, Ministério do Ambiente de França, Ministério da Economia de França, ONU, UNICEF e PNUMA. 

A desigualdade de género na luta climática 

Op-ed: três pedidos sobre a igualdade de género à COP27 

A questão do género é o tema principal do dia de hoje na COP27, por isso, a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, expõe o que esta Conferência do Clima deve fazer para promover a igualdade de género: 

Estudos indicam que o mundo não está no caminho para alcançar o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 5 – na realidade, está a 300 anos de distância. Contudo, a participação e liderança das mulheres e meninas é fundamental para acelerar a ação sustentável e proteger o planeta. A igualdade de género é o elo de ligação que está em falta para alcançar todos os planos e estratégias estabelecidas. 

Na COP27 temos a oportunidade de reconhecer e melhorar a forma como mulheres e meninas contribuem com ações climáticas inovadoras, de compreender como as estruturas sociais atuais colocam barreiras ao envolvimento feminino e de responder com medidas de investimento e políticas realistas. 

As mulheres têm um papel transformador na adaptação e na mitigação das alterações climáticas e estão na vanguarda dos movimentos de justiça ambiental, liderando abordagens inovadoras que não só promovem a transição energética, como também protegem os ecossistemas locais. No entanto, os processos de tomada de decisão estão ainda muito desequilibrados, sendo que estas desigualdades estão presentes em todos os setores vitais: energia, agricultura, infraestruturas hídricas e educação.  

“O meu primeiro pedido à COP27 é a necessidade de tomar medidas especiais, incluindo quotas, que aumentem a participação e liderança plena, igualitária e significativa das mulheres e meninas a todos os níveis de tomada de decisão. É preciso também abordar as desigualdades, incluindo o acesso e controlo de recursos, como finanças, tecnologia e terra. Além disso, devem ainda ter-se em conta outros fatores que excluem a ação das mulheres, como é o caso da violência. As crises trazem consigo uma intensificação de todas as formas de violência – incluindo violência doméstica, tráfico, casamento infantil e ciberviolência. As crises também aumentam significativamente a carga dos cuidados domésticos, fardo este que incide desproporcionalmente nas mulheres, que acabam por ver o seu trabalho fora do lar dificultado – nomeadamente uma impossibilidade de contribuir para a ação climática. 

UN Photo

“O meu segundo pedido à COP é, portanto, o de apoiar uma transição justa para as mulheres, mediante um modelo de desenvolvimento alternativo. Este modelo aumentaria os serviços públicos de apoio às mulheres, a proteção social universal, os sistemas de saúde e de cuidados, através de medidas que contribuam para uma economia de cuidados e para a prevenção e eliminação da violência contra mulheres e raparigas. Promoveria ainda transportes e infraestruturas sustentáveis que garantissem emprego. As conclusões da 66.ª sessão da Comissão sobre o Estatuto das Mulheres da ONU (CSW66) foram claras: devemos integrar uma perspetiva de género na elaboração, financiamento, implementação, monitorização e avaliação de todos os planos, políticas e ações climáticas. Alertou também os seus Estados-membros a aumentarem o financiamento de estratégias relacionadas, como o Plano de Ação de Género da UNFCCC. Estima-se que apenas 0,01 % da ajuda oficial ao desenvolvimento mundial abrange tanto as alterações climáticas como os direitos das mulheres, não obstante, são necessários investimentos internacionais que apoiem as organizações e programas de e para as mulheres. 

“O meu terceiro pedido é que as decisões da COP sobre investimentos mundiais, especialmente para mulheres e meninas nos países em desenvolvimento, ampliem e fomentem as competências, a resiliência e o conhecimento das mulheres, que assegurem o apoio e a proteção das organizações de mulheres e que incluam investimentos específicos para a eliminação de barreiras que inibem as mulheres de alcançar o seu potencial máximo. A melhor contramedida que temos para combater as ameaças cada vez mais intensas das alterações climáticas, é a aposta nos múltiplos benefícios da igualdade de género 

Façamos disto a base da nossa solidariedade internacional e da nossa resposta mundial. 

 

8 MIL MILHÕES DE PESSOAS 

Hoje, dia 15 de novembro, vivemos mais um momento histórico da humanidade:  a população mundial chega ao marco das 8 mil milhões de pessoas. Apesar do abrandamento do ritmo de crescimento, prevê-se que cheguemos às 9 mil milhões em 2037 e às 10 mil milhões por volta de 2058. 

Existem, então, oito tendências que nos ajudam não só a compreender o crescimento populacional até ao presente, mas também perceber as previsões do crescimento humano para o futuro. 

1 Crescimento lento – apesar do aumento da população mundial, as taxas de natalidade continuam a decrescer e o envelhecimento a aumentar, devido às melhores condições de vida e à redução da taxa de mortalidade infantil. Em 1963 o acrescimento populacional anual era de 2,3% e em 2022 foi de 0,8%. 

2 Menos crianças – a taxa de fertilidade mundial tem vindo a decrescer, algo que que se deve ao aumento das oportunidades de educação e de trabalho para meninas e mulheres. Assim, a percentagem de crianças está a diminuir, no entanto a esperança média de vida continua a aumentar: 60% das pessoas vivem num país ou região onde a fertilidade é inferior ao nível de substituição geracional necessária.  

3 Vidas mais longas – a esperança média de vida (EMV) está a aumentar mundialmente: em 2019 era de 72.8 anos e prevê-se que aumente para 77.2 em 2050. Isto deve-se à baixa mortalidade, que por sua vez se deve a melhores condições de vida. No entanto, esta dinâmica varia significativamente, posto que nos países menos desenvolvidos a EMV é de 63 anos, quase menos 10 anos que a média mundial.  

4 Pessoas em movimento – a migração internacional está a mudar as populações. Em alguns países com baixas taxas de natalidade, a imigração é o que sustenta o crescimento populacional, ao passo que noutros, a emigração contribui para o decréscimo da população. Em 2020, 281 milhões de pessoas viviam fora do seu país de origem, mais 128 milhões do que em 1990. 

5 População envelhecida – com a queda das taxas de natalidade e o aumento da EMV, a população mundial tem envelhecido rapidamente. Assim sendo, a estrutura etária da população está a mudar – em 2018, pela primeira vez, existiam mais pessoas com mais de 65 anos do que crianças de 5 anos. No entanto, o envelhecimento ocorre de formas diferentes: a Europa e a América do Norte lideram o ranking de população mais envelhecida. 

6 As mulheres vivem mais tempo que os homens – mundialmente, nascem mais meninos do que meninas, porém, as mulheres vivem mais tempo do que os homens em quase todos os sítios.  Nascem 106 rapazes para cada 100 raparigas, contudo, ao longo da vida os jovens do sexo masculino morrem mais do que as mulheres devido a comportamentos de risco e a piores sistemas imunitários. Com uma EMV de 18.8 anos depois dos 65, comparativamente aos 15.9 dos homens, as mulheres são mais do que os homens em praticamente todas as populações envelhecidas. 

7 Duas pandemias – o covid-19 teve um grande impacto na mortalidade, especialmente nas regiões que tinham sido previamente afetadas com o vírus do VIH/SIDA. Entre 2020 e 2021 a pandemia da covid-19 levou a mais 14.9 milhões de mortes do que era esperado, sendo que mais de metade destas mortes foram em países mais pobres. Entre 2019 e 2021 a esperança de vida à nascença diminuiu 1.7 anos mundialmente, e desde 1980 a SIDA já matou mais de 40 milhões de pessoas. 

8 A mudança dos grandes centros – as regiões estão a crescer a ritmos diferentes o que faz com que a distribuição geográfica da população mundial se vá alterando. Desde 2022 metade da população mundial vive em África, sendo a Índia e a China os países mais populosos. Entretanto, a África subsariana tem sido a região com o mais rápido crescimento desde 1980, tendo registado 2,5% de crescimento em 2022, face aos 0,8 mundiais. É expectável que duplique até 2050, projetando ser a região mais populosa em 2060.  

Atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente os que estão relacionados com a saúde, a educação e a igualdade de género, pode contribuir para abrandar o crescimento da população mundial. As decisões políticas devem ter em consideração as tendências populacionais em todos os aspetos do planeamento, identificando áreas de crescimento onde os programas podem chegar a mais pessoas, bem como áreas onde as alterações do perfil demográfico podem significar oportunidades de acelerar o progresso para a realização dos ODS.  

Chegar às 8 mil milhões de pessoas significa desafios acrescidos: mais bocas para alimentar, mais casas para construir e mais pessoas para educar. Porém, chegar a este número significa também o fortalecimento da humanidade, o aumento da imunidade e a criação de muitas mais oportunidades para prosperar.  

O apoio humanitário é fundamental para a recuperação ucraniana

© UNICEF/Denys Vostrikov

Na Ucrânia, cerca de 13.5 milhões de pessoas afetadas pela guerra já receberam algum tipo de apoio humanitário, sendo que mais de 4.2 milhões de pessoas receberam também apoio financeiro. Com a ajuda do governo e com a retirada das forças militares russas da região de Kherson, os mercados e os serviços bancários estão a começar a reabrir. Porém, a normalidade ainda está longe.  

Os serviços de saúde foram dos mais afetados e destruídos durante a invasão, pelo que, a ajuda humanitária se tem esforçado particularmente em recuperar esta área. “Por exemplo, este mês, o Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA) forneceu 30 clínicas móveis onde se prestarão serviços de saúde reprodutiva em pelo menos 19 regiões”, afirmou a porta-voz associada da ONU Stéphanie Tremblay. Acrescentou ainda que a ONU e os seus parceiros não só ajudaram já mais de 8.6 milhões de pessoas ao nível da saúde, como também prestaram já assistência a mais de 5.7 milhões de pessoas em relação a questões de saneamento, água e higiene.  

A porta-voz disse ainda que mais de 70% dos 4.3 milhões de dólares solicitados para estas operações foram disponibilizados pelos contribuintes. Não obstante, com a continuação da guerra, as necessidades humanitárias irão persistir e o “apoio da comunidade internacional será fundamental para assegurar que as organizações de ajuda humanitária continuem o seu trabalho”. 

Estes apoios tornam-se ainda mais necessários considerando uma situação sobre a qual o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) demonstrou uma grande preocupação: o crescente número de incidentes que envolvem minas e explosivos. Nos últimos dois dias deste mês, ocorreram, pelo menos, 5 detonações que causaram mortos e feridos. Estas minas significam riscos acrescidos para a população, desde aqueles que tentam reconstruir as estradas até aqueles que começam a recuperar os terrenos agrícolas.  

Mais de 150 mil explosivos já foram removidos e destruídos, mas ainda restam milhões. A extração das minas poderá demorar décadas, o que deixará o país e a sua população num perigo constante, mesmo após a guerra terminar. 

Tolerância zero para o que se diz verde, mas não o é

O mais recente relatório apresentado na COP27, critica o greenwashing – as empresas que se dizem mais sustentáveis do que aquilo que verdadeiramente são, induzindo as pessoas em erro – assim como os fracos compromissos para a neutralidade carbónica (net-zero). Fornece ainda orientações para tornar mais íntegras as promessas da indústria, das instituições financeiras, das cidades e regiões, e para apoiar uma transição mundial equitativa para um futuro sustentável.

Os atores internacionais de peso não se podem afirmar net-zero enquanto continuam a investir em combustíveis fósseis ou a colaborar com atividades destruidoras do meio ambiente. Da mesma forma, não devem participar em lobbying contra as alterações climáticas ou omitir certos bens das suas empresas, apresentando apenas os mais convenientes.

“Temos de ter tolerância zero para o greenwashing” afirmou o secretário-geral da ONU António Guterres na COP27, apelando à responsabilização das empresas que o fazem e incentivando o questionamento da credibilidade das empresas.

Na COP26 anunciou-se a criação de Grupo de Especialistas que iria averiguar um “excesso de confusão e um défice de credibilidade” em relação às metas da neutralidade carbónica estabelecidas pelas entidades não estatais. Através de 10 recomendações práticas, o relatório apresenta esclarecimentos quatro áreas-chave: integridade ambiental; credibilidade; responsabilização; e o papel dos governos.

As recomendações do relatório podem resumir-se da seguinte forma, de acordo com o secretário-geral:

1- As promessas não podem ser um encobrimento tóxico

2- Os planos devem ser detalhados e concretos

3- As promessas devem ser responsáveis e transparentes

4- As iniciativas voluntárias devem tornar-se o novo normal

Atualmente, mais de 80% das emissões mundiais são libertadas por entidades que se comprometeram em alcançar a neutralidade carbónica. Ainda assim, “demasiadas promessas de net-zero são pouco mais do que slogans vazios e publicidade enganosa” declarou a ex-ministra do Ambiente e das alterações Climáticas do Canadá, Catherine Mckenna, presidente do Grupo de Especialistas.

Tendo em conta que as pessoas que menos poluem e contribuem para a intensificação das alterações climáticas são as que mais sofrem com este fenómeno, foi anunciado um Plano Executivo de Ação para a iniciativa de Alerta Precoce para Todos, que prevê novos investimentos iniciais de 3,1mil milhões de dólares entre 2023 e 2027.

A Organização Mundial da Meteorologia (OMM) alertou para a urgência dos sistemas de alerta precoce, dado o número de catástrofes ter aumentado significativamente, em grande parte devido à (in)ação humana.

Considerando as catástrofes climáticas cada vez mais intensas e frequentes, a crise energética causada pela invasão da Ucrânia, o facto de os países e empresas mais poluentes estabelecerem compromissos que não cumprem, é compreensível não tolerar mais as promessas que são feitas em vão – apenas a ação concreta deverá ser valorizada.

COP27: o que precisa de saber sobre a Conferência do Clima da ONU

Secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa na abertura da COP27 em Sharm el-Sheik no Egito.

Este ano, a Conferência sobre o Clima da ONU terá lugar em Sharm el-Sheikh, no Egito. Tendo como pano de fundo os frequentes eventos climáticos extremos, uma crise energética impulsionada pela guerra na Ucrânia e dados científicos que provam que o mundo não está a fazer o suficiente para combater o aquecimento global, são vários os desafios que estão em cima da mesa. 

O secretário-geral afirmou que a COP27 deverá apresentar um “pagamento em atraso” de soluções que correspondam à verdadeira escala do problema climático. Por isso, será que os líderes irão apresentar resultados? 

Qual a origem das COPs? 

As COPs são as maiores e mais importantes conferências climáticas anuais. Na primeira, que ocorreu em 1992 no Brasil, adotou-se a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) e foi criada a sua agência coordenadora – que conhecemos agora como o Secretariado das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. 

Destas reuniões saíram vários tratados, como o Protocolo de Quioto em 1997 e o Acordo de Paris em 2015, no qual todos os países concordaram em intensificar esforços para tentar limitar o aquecimento global e impulsionar o financiamento das ações climáticas. 

Como é que esta COP é diferente das anteriores? 

A COP26 culminou no Pacto Climático de Glasgow que manteve vivo o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C. Foram feitos progressos para tornar o Acordo de Paris operacional, sendo que os países concordaram não só em estabelecer objetivos mais ambiciosos, como também cumprir os compromissos acordados. Contudo, até à data, apenas 24 dos 193 países apresentaram os seus planos à ONU. 

De acordo com a organização da COP27, esta pretende passar das palavras às ações. Para além de “planear a implementação” de todas as promessas feitas nas COPs anteriores, incluindo o financiamento de “perdas e danos”, para que os países mais afetados possam lidar com as consequências das alterações climáticas, e o cumprimento da promessa do financiamento de 100 mil milhões de dólares por ano dos países desenvolvidas para os países de baixo rendimento.  

Todas estas discussões abrirão o caminho para o primeiro Balanço Global na COP28, que em 2023 avaliará o progresso mundial coletivo na mitigação, adaptação e meios de implementação do Acordo de Paris. 

Então, quais são os maiores objetivos este ano? 

  1. Mitigação: Como é que os países estão a reduzir as suas emissões? 

Os esforços para reduzir ou prevenir a emissão de gases com efeito de estufa pode materializar-se através da utilização de novas tecnologias, de fontes de energia renováveis, da alteração das práticas de gestão e da mudança do comportamento dos consumidores. 

Espera-se que os países mostrem como estão a planear a implementação do Pacto de Glasgow, a revisão dos seus planos climáticos e a criação de um programa de trabalho relacionado com a mitigação. 

© Unsplash/Markus Spiske

2. Como é que os países se vão adaptar e ajudar os outros países a fazerem o mesmo? 

Os impactos das alterações climáticas variam em função da localização dos países, ou seja, tanto podem significar incêndios e seca extrema, como baixas temperaturas ou inundações. Isto obriga as várias comunidades a adaptarem-se a novas realidades climáticas.  

Na COP26 foi adotado um programa de trabalho sobre o objetivo mundial de adaptação: o plano foi posto em prática para equipar os países com mais conhecimentos e instrumentos, de forma a garantir que as ações de adaptação que tomam estão, de facto, a tornar o mundo mais resiliente. A Presidência da COP27 espera ainda que as nações averiguem como ajudar as comunidades mais vulneráveis, com base no seu próprio progresso.  

No ano passado, os países desenvolvidos concordaram em, pelo menos, duplicar o financiamento para a adaptação. No entanto, muitas partes interessadas estão agora a pedir níveis mais elevados de financiamento para a adaptação, de modo a corresponder aos montantes que estão a ser gastos na mitigação. Este será definitivamente um grande tema de conversa em Sharm el-Sheikh. 

A UNFCCC afirma que para dar resposta a estes riscos é necessário aumentar significativamente o financiamento a partir de todas as fontes – públicas e privadas (governos, instituições financeiras e o setor privado). 

3. Financiamento Climático: o elefante que nunca sai da sala de negociação 

Este será outro tema central na COP27, dado que muitas discussões relacionadas com o financiamento já estão na ordem do dia, com os países em desenvolvimento a fazerem um forte apelo para que os países desenvolvidos garantam um apoio financeiro adequado. 

Provavelmente, vamos ouvir muito sobre a promessa que não está a ser cumprida de 100 mil milhões de dólares anuais por parte dos países desenvolvidos.  Os especialistas esperam que a COP27 torne finalmente este compromisso uma realidade, em 2023. 

O que é esta questão de “perdas e danos” de que tanto se fala? 

As alterações climáticas causam danos dispendiosos aos países, por isso, os países em desenvolvimento, por norma os mais afetados pelos eventos climáticos extremos, argumentam que deveriam receber uma compensação, dado que a intensificação das catástrofes climáticas tem origem na ação dos países mais ricos e industrializados.  

O grupo dos 77 e da China (que inclui essencialmente todos os países em desenvolvimento) solicitou que este assunto fosse acrescentado à agenda, o que exigirá consenso entre todos os países no primeiro dia das conversações.

© UN Photo

Como é que a guerra na Ucrânia está a afetar tudo isto? 

Como resultado da conjuntura da guerra atual, existem muitas medidas que vários países acordaram fazer, mas que agora simplesmente não podem, porque não têm meios para tal.

A invasão da Ucrânia causou uma crise mundial de inflação, energia, alimentação e cadeia de abastecimento. Consequentemente, vários objetivos climáticos a curto prazo foram suspensos, por não serem considerados prioritários.  

A COP27 verá, muito provavelmente, um retrocesso nas promessas e compromissos assumidos por alguns países no ano passado. 

No entanto, a guerra pode ser também um “alerta” para as nações se tornarem autossuficientes em energia, dado que a forma mais barata de o fazer é através das energias renováveis, que são fundamentais para reduzir as emissões, relembrou o Relator Especial Ian Fry, que acrescentou: “Estamos a ver Portugal a aproximar-se dos 100% renováveis, sabemos que a Dinamarca também o está a fazer, e penso que isso levará outros países a verem a necessidade de serem renováveis e autossuficientes em energia”. 

A sociedade civil também participa na COP, ou é apenas para delegados? 

Até ao momento, estão registadas mais de 30 mil pessoas em representação de governos, empresas, ONGs e grupos da sociedade civil. 

As 197 Partes do tratado da UNFCCC muitas vezes agem em grupos ou “blocos”, para negociar em conjunto, tais como: o G77 e a China, o Grupo África, os Países Menos Desenvolvidos, o Umbrella Forum, os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e a Aliança Independente da América Latina e das Caraíbas. 

As negociações incluem também observadores, que não têm nenhuma parte formal neles, mas fazem intervenções e ajudam a manter a transparência. Os observadores incluem agências da ONU, organizações intergovernamentais, ONGs, grupos religiosos e a imprensa.  

Como de costume, a conferência realizar-se-á em duas zonas: 

– A Zona Azul, um espaço gerido pela ONU, que contará com 156 pavilhões, o dobro da quantidade em Glasgow. Muitas agências, países e regiões da ONU estarão representadas, e haverá também pela primeira vez um pavilhão da Juventude e um pavilhão Agroalimentar. 

– A Zona Verde é gerida pelo Governo egípcio e aberta ao público registado. Incluirá eventos, exposições, workshops e palestras para promover o diálogo, a sensibilização, a educação e o empenho na ação climática. 

Como posso acompanhar as discussões e eventos a partir de casa? 

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“Muito pouco, muito devagar”

A adaptação climática está a acontecer de forma lenta e insuficiente. Esta é a principal conclusão do Relatório sobre a Lacuna de Adaptação 2022 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que mede o que cada país já fez e implementou para combater as alterações climáticas, assim como o que está por fazer. É então notória a diferença entre a ação dos países mais ricos e os países mais pobres, tornando-se evidente o grande fosso que (ainda) os separa. 

É sobre esta disparidade que é necessário agir.  

De pouco adianta que os países mais desenvolvidos muito façam para combater as alterações climáticas, se depois os países em desenvolvimento, com altos índices de industrialização, poluentes e com problemas estruturais aos níveis sociais e económicos, não têm a capacidade de implementar medidas semelhantes.  

Mais de 8 em cada 10 países possuem pelo menos um plano nacional de adaptação climática. No entanto, o ritmo do financiamento necessário para transformar esses planos em ações reais está a ser claramente insuficiente. Na realidade, os fluxos financeiros internacionais de adaptação dos países em desenvolvimento estão 5 a 10 vezes abaixo das necessidades estimadas e essa disparidade continua a aumentar.  

A implementação das ações de adaptação está a aumentar, porém, este crescimento não está a acompanhar o ritmo dos impactos das alterações climáticas.  Assim, serão necessárias mais medidas que considerem a adaptação e a mitigação em conjunto durante o planeamento, o financiamento e a implementação, com o objetivo de aumentar o potencial de benefícios mútuos e limitar possíveis contratempos. 

É necessária uma forte vontade política para aumentar os investimentos, nomeadamente por parte dos países mais desenvolvidos em relação aos países mais pobres, para que se comecem a ver os resultados da adaptação. 

A lacuna que existe em relação à adaptação climática dificulta o progresso para a sustentabilidade. Para garantir um futuro melhor, é necessário que quem dispõe de mais recursos ajude os países menos têm, e assim talvez comecemos um percurso de cooperação para se alcançar um objetivo comum.  

Europa: o continente mais pequeno e com o maior aquecimento

A Europa é o continente com o maior aumento das temperaturas no mundo. Nos últimos 30 anos, as temperaturas no Velho Continente aumentaram mais do dobro da média mundial.

As conclusões constam no relatório “Estado do Clima na Europa” da Organização Mundial da Meteorologia (OMM), produzido em conjunto com o Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas do Copernicus da União Europeia (UE), que se foca no ano de 2021 e fornece informação sobre os vários impactos e catástrofes climáticas que advém do aquecimento global.

Entre 1991 e 2021, as temperaturas na Europa aqueceram significativamente, com um aumento médio de cerca de + 0,5 °C por década. Consequentemente, entre 1997 e 2021, os glaciares alpinos perderam 30 metros de espessura e a camada de gelo da Gronelândia está a derreter, acelerando a subida do nível do mar.

É clara a ligação entre os vários eventos climáticos, dado que a intensificação de um pode significar a aceleração de outro, não esquecendo também os impactos dos eventos climáticos e meteorológicos extremos que provocaram inúmeras mortes e causaram prejuízos económicos superiores a 50 mil milhões de dólares

Existe, porém, algum progresso já alcançado: na UE as emissões de gases com efeito de estufa diminuíram 31% entre 1990 e 2020. Além disso, a Europa é um dos líderes mundiais na implementação de sistemas de alerta precoce eficazes, com cerca de 75% das pessoas protegidas, e é também uma das regiões mais avançadas na cooperação transfronteiriça, em particular nas bacias hidrográficas transnacionais.

Contudo, há ainda grandes desafios: “A Europa apresenta uma imagem viva de um mundo em aquecimento e lembra-nos que mesmo as sociedades melhor preparadas não estão a salvo das consequências dos eventos climáticos extremos.” relembrou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

O diretor do Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas do Copernicus da UE, Carlo Buontempo, afirmou ainda que “A sociedade europeia é vulnerável à variabilidade e às alterações climáticas, mas a Europa está também na vanguarda do esforço internacional para mitigar as alterações climáticas e desenvolver soluções inovadoras para a adaptação ao novo clima com que os europeus terão de viver”.

Apesar de todos os esforços – que devem continuar e certamente terão impactos positivos no futuro – o Estado Climático da Europa tem vindo a piorar. Por esta razão são necessários estudos científicos que forneçam informações fidedignas e análises realistas. Porém, de nada servem se não se desenvolverem recomendações e soluções políticas capazes de pôr em prática as estratégias necessárias para mitigar as alterações do clima e assim garantir a construção de um futuro melhor para este continente.

Mensagem do secretário-geral sobre o Dia Mundial das Cidades

UN Photo/Ichiro Mae

O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM POR OCASIÃO DO DIA MUNDIAL DAS CIDADES

31 de outubro de 2022

 

Neste Dia Mundial das Cidades, reconhecemos o papel fundamental das áreas urbanas para alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

No próximo ano, estaremos a meio caminho do prazo definido para atingir os ODSs.

Porém, um olhar honesto revela uma imagem sombria.

Em vários dos principais objetivos – desde a pobreza e fome à igualdade de género e à educação – não estamos a progredir, mas a retroceder.

As consequências são drásticas: caos climático crescente, aumento da pobreza, desigualdades mais profundas, e muito mais.

Temos, e podemos, mudar este rumo.

O tema deste ano para o Dia Mundial das Cidades destaca como ‘Agir localmente para impactar mundialmente’.

O âmbito dos objetivos é mundial, mas a implementação é local.

E isso significa que a implementação acontece maioritariamente nas cidades:

Hoje, mais de metade de todas as pessoas vive em áreas urbanas – em 2050, serão mais de dois terços.

As cidades geram mais de 80% do PIB mundial e são responsáveis por mais de 70% das emissões de carbono.

Muitas cidades lideram já a transição para energias renováveis, estabelecendo objetivos de neutralidade carbónica e construindo infraestruturas resistentes às alterações climáticas.

Encorajo-as a trabalharem com os seus governos e com as demais cidades em todo o mundo, para partilharem conhecimentos e promoverem a ambição.

As ações que as cidades implementam localmente para criarem um mundo sustentável terão impacto a nível mundial.

Hoje, as políticas transformadoras catalisadoras da mudança de que são pioneiras, amanhã salvarão vidas e meios de subsistência em todo o lado.

No Dia Mundial das Cidades trabalhemos com as cidades para a construção de um mundo sustentável, inclusivo e resiliente para todos.

COP27 – não é só mais uma conferência climática

A COP27 é um evento que junta países e organizações de todo o mundo para a discussão e definição de políticas climáticas, sendo considerado “um momento definitivo na luta contra as alterações climáticas”.

Com início marcado para 6 de novembro, este ano irá realizar-se em Sharm el-Sheikh, no Egito, e tem como principais objetivos: a mitigação, a adaptação, o financiamento e a colaboração.

A relevância deste evento reside no facto do seu âmbito estar claramente definido e os esforços de todos os participantes fluírem para um objetivo comum, a luta contra as alterações climáticas. Todos estão focados no mesmo, na urgência da ação.

Dada a frequência e a intensidade dos eventos climáticos extremos, que afetam cada vez mais a vida de milhões de pessoas, é fundamental passar das negociações e do planeamento para a implementação.

O esforço coletivo no combate aos impactos das alterações climáticas é crucial para garantir um futuro sustentável. Assim, a multilateralidade torna-se imprescindível, mediante a partilha de conhecimentos, do debate de ideias e da construção de estratégias conjuntas.

A COP27 será uma oportunidade para juntar a vontade política mundial, apoiada pela ciência, no rumo a uma mudança de paradigma. Estão mais que provados os riscos das ameaças climáticas e as consequências nefastas que deles advém, daí a necessidade urgente de transformar o modo como vemos e lidamos com o clima.

É urgente agir e a COP27 vai ser um dos pontos de viragem para avançarmos em direção à mudança, para um mundo mais sustentável.

O amanhã começa hoje – investimento sustentável é a solução

A Conferência da União Europeia sobre o Investimento Sustentável 2022 tem como tema “Construir o Amanhã” e decorrerá hoje em Bruxelas.

Os principais objetivos deste evento são a definição de ações que potenciem transição energética, a cooperação entre parceiros internacionais e o fortalecimento de políticas mais ecológicas.

Considerando o desafio climático mundial é fundamental a presença e colaboração dos vários atores internacionais, nomeadamente da Organização das Nações Unidas, que há muito trabalha para o desenvolvimento de um mundo mais sustentável.

Como afirma o secretário-geral António Guterres “o único caminho para um planeta habitável reside na transição energética”, salientando a importância da redução dos combustíveis fósseis, do aumento dos investimentos em energias renováveis e do apoio aos países em desenvolvimento.

A Europa lidera este processo com o Acordo Verde Europeu, com a lei climática e com o Pacote “Fit for 55”. Assim, é importante seguir o seu exemplo e expandir a criação e implementação de iniciativas semelhantes por todo o mundo.

A COP27, com início marcado para 6 de novembro, será outro momento importante na definição de políticas mais sustentáveis que promovam não só o progresso, mas também a mitigação e adaptação às alterações climáticas.

O evento europeu serve como ponto de partida para a mudança de paradigma no âmbito da política internacional. Quer a Conferência da UE sobre o Investimento Sustentável, quer a COP27 serão momentos de viragem na perceção e implementação das políticas climáticas – processo fundamental para se garantir um mundo e um futuro mais sustentáveis.

Assista ao vídeo da mensagem do secretário-geral para saber mais sobre os desafios climáticos mundiais e a necessidade da ação conjunta para os combater.