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Iémen à beira do conflito: Guterres pede contenção e libertação de pessoal da ONU

© UNICEF/Ahmed Haleem | O pessoal da ONU continua a trabalhar no Iémen, apesar da ameaça de retomada do conflito no país.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou aos líderes do Iémen para regressarem ao caminho da paz e libertarem todo o pessoal das Nações Unidas detido no país, após uma reunião com o Conselho de Segurança na quarta-feira.

Dirigindo-se aos jornalistas fora da sala do Conselho, Guterres referiu as tensões crescentes no Iémen e os “novos desenvolvimentos dramáticos” nas suas regiões orientais, que “estão a aumentar a pressão”.

Desde 2014, as forças do governo iemenita, apoiadas por uma coligação militar liderada pela Arábia Saudita, combatem os rebeldes Houthi, apoiados pelo Irão e que controlam a capital, Sana’a.

Risco de escalada mais ampla

Este mês, forças afiliadas a um grupo separatista chamado Conselho de Transição do Sul (STC) avançaram sobre duas regiões ricas em recursos, Hadramawt e al-Mahra.

“Como disse ao Conselho de Segurança, ações unilaterais não abrem caminho para a paz”, afirmou o secretário-geral. “Elas aprofundam divisões, endurecem posições e aumentam o risco de uma escalada mais ampla e de maior fragmentação.”

O líder da ONU  alertou que uma retomada completa das hostilidades poderia ter sérias consequências para a segurança regional.

“Exorto todas as partes a exercerem a máxima contenção, a desescalar as tensões e a resolver as diferenças através do diálogo”, disse.

“Isto inclui os atores regionais, cujo envolvimento construtivo e coordenação em apoio aos esforços de mediação da ONU são essenciais para garantir interesses de segurança coletiva.”

Necessidade de uma solução política

O secretário-geral destacou que a soberania e a integridade territorial do Iémen devem ser preservadas.

Salientou a necessidade de “um acordo político sustentável e negociado” que abrace as aspirações de todo o povo do país e ponha fim ao conflito.

Os combates já mataram milhares e desencadearam uma das piores crises humanitárias do mundo. Quase metade da população, 19,5 milhões de pessoas, necessita de assistência humanitária e cerca de cinco milhões foram forçados a abandonar as suas casas.

Os esforços da ONU para apoiar o povo iemenita enfrentam enormes desafios, particularmente nas áreas controladas pelos Houthi, onde “o ambiente operacional se tornou insustentável”.

Libertação de pessoal detido

O secretário-geral condenou fortemente a detenção arbitrária contínua de 59 funcionários da ONU e de organizações parceiras, bem como de pessoal de ONG, organizações da sociedade civil e missões diplomáticas, e pediu a sua libertação imediata e incondicional.

As autoridades de facto Houthi encaminharam recentemente três funcionários da ONU para um tribunal criminal especial. Foram acusados no âmbito do desempenho das suas funções oficiais da ONU. Guterres afirmou que esta decisão deve ser revogada e todas as acusações retiradas.

“A detenção contínua dos nossos colegas é uma injustiça profunda para todos aqueles que dedicaram as suas vidas a ajudar o povo do Iémen”, disse.

“As Nações Unidas e os seus parceiros nunca devem ser alvo de prisão ou detenção em relação às suas funções oficiais. Devemos poder realizar o nosso trabalho sem interferências.”

Compromisso com a paz

O secretário-geral reiterou o compromisso da ONU em fornecer apoio vital a milhões de pessoas em todo o Iémen, apesar dos desafios.

Desde janeiro, mais de 5,3 milhões de pessoas receberam assistência alimentar, nutricional, de água e de saúde, e “com financiamento adequado e espaço operacional, podemos fazer muito mais”.

Recordou que as partes iemenitas estiveram perto da paz antes, durante o cessar-fogo de 2022 e os compromissos acordados em 2023.

Embora “os desenvolvimentos subsequentes tenham complicado gravemente a situação”, o caminho para a paz é possível e a ONU mantém o seu compromisso com esses esforços.

Apelou a todas as partes para se envolverem de forma construtiva com o Enviado Especial da ONU para o Iémen, “priorizarem o diálogo em vez da violência e evitarem quaisquer ações unilaterais que possam agravar esta situação frágil”, acrescentando que “o povo do Iémen exige e merece paz”.

Mensagem para o Dia Internacional dos Migrantes

OIM | Migrantes da Líbia recebem assistência da OIM.

O SECRETÁRIO-GERAL

18 de dezembro de 2025

A migração é um poderoso motor de progresso: impulsiona economias, conecta culturas e beneficia tanto os países de origem como os de destino.

No entanto, quando a migração é mal gerida ou mal representada, pode alimentar ódio e divisão, pondo em risco a vida de pessoas que procuram segurança e oportunidades.

Desde 2014, quase 70.000 migrantes morreram ou desapareceram ao longo de rotas terrestres e marítimas, sendo que o número real é provavelmente muito mais elevado. As fronteiras estão a apertar, os traficantes e contrabandistas prosperam, e mulheres e crianças estão entre os mais vulneráveis.

Há sete anos, a comunidade internacional adotou o Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular, um esforço para maximizar os benefícios da migração enquanto se gerem os seus desafios.

Podemos e devemos aproveitar o poder da migração para promover o desenvolvimento sustentável e construir sociedades mais resilientes. Isto começa por desafiar as narrativas que desumanizam os migrantes e substituí-las por histórias de solidariedade.

Neste Dia Internacional dos Migrantes, permaneçamos unidos pelos direitos de cada migrante e façamos da migração um processo digno e seguro para todos.

Corrupção custa vidas: a importância da cimeira da ONU em Doha

© Rabik Upadhayay | Young Nepalis a protestar contra a corrupção endémica na capital Catmandu, no início deste ano.

No ano passado, uma em cada cinco pessoas que lidou com um funcionário público foi obrigada a pagar um suborno, de acordo com um relatório da ONU. O mundo está a agir sobre esta questão.

Chefes de Estado, representantes da sociedade civil e líderes do setor privado irão discutir as questões mais prementes relacionadas com a corrupção e como combater este problema, numa conferência da ONU contra a corrupção (COSP11) que se realiza esta semana em Doha, Qatar.

“Quando a corrupção infecta o sistema judicial, os casos são mal geridos, a justiça é adiada ou negada e as vítimas são silenciadas”, afirmou a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, na abertura da conferência.

O que é a COSP?

A decorrer de 15 a 19 de dezembro deste ano, a COSP é o maior encontro internacional dedicado ao combate à corrupção e ao crime económico.

É o principal órgão decisório da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, o único tratado universal anticorrupção com carácter legalmente vinculativo.

Esta sessão, intitulada Shaping Tomorrow’s Integrity (Moldar a Integridade do Amanhã), irá abordar o papel da IA e das novas tecnologias para corresponder à realidade dos padrões complexos de crime de hoje.

As ligações entre a corrupção e o crime financeiro e organizado também estarão em foco, bem como as medidas que os países podem adotar para melhorar a transparência dos seus sistemas financeiros públicos e os esforços anticorrupção no setor privado.

A tecnologia pode ajudar ou prejudicar 

“O rápido avanço da tecnologia oferece aos agentes corruptos novas ferramentas para esconder ativos, falsificar documentos e operar entre jurisdições”, alertou John Brandolino, diretor executivo interino do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Reconheceu, no entanto, que a tecnologia também pode ser uma força “transformadora” contra a corrupção, especialmente ao apoiar investigações.

“Os governos precisam de trabalhar para colher os benefícios de soluções inovadoras”, disse Brandolino, acrescentando que estas soluções tecnológicas devem respeitar os direitos humanos e fechar as brechas que permitem aos criminosos usar indevidamente as ferramentas digitais.

© UNODC | Local da décima primeira sessão da Conferência dos Estados Partes da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, realizada em Doha, Qatar.

Por que é que a COSP é importante

A corrupção priva as pessoas de necessidades básicas, como educação, saúde, água potável e infraestruturas.

A conferência pretende transformar compromissos internacionais em ação, avaliando como os países aplicam o tratado anticorrupção e reforçando a cooperação entre fronteiras.

As decisões da COSP têm levado a mudanças reais, incluindo a criação de um sistema de revisão por pares que ajudou 146 países a melhorar as suas leis e políticas anticorrupção.

“Moldar a integridade do amanhã significa proteger as pessoas de serem exploradas pelo crime e pela corrupção”, afirmou Brandolino. “E também significa proteger as nossas aspirações partilhadas para o futuro.”

*Artigo de autoria da ONU News

Guterres apela à coragem e ao diálogo no 11.º Fórum da Aliança das Civilizações

UNAOC | Secretário-geral da ONU, António Guterres, faz declarações na abertura do 11.º Fórum Global da Aliança de Civilizações da ONU, em Riade, Arábia Saudita.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, proferiu um discurso marcante na abertura do 11.º Fórum Global da Aliança das Civilizações que teve lugar este domingo em Riade, na Arábia Saudita. O evento assinala o vigésimo aniversário desta iniciativa e reúne líderes internacionais para promover o diálogo entre culturas e religiões.

Guterres destacou que a missão da Aliança das Civilizações é essencial e mais urgente do que nunca e alertou para os desafios do mundo atual, marcado por avanços tecnológicos e inovação, mas também por divisões antigas, desinformação, ódio e conflitos.

O secretário-geral sublinhou a importância de três grupos para promover mudanças positivas. Destacou os jovens, que representam 40% da população mundial, conectados e ativos na inovação, ação climática e defesa dos direitos humanos, mas frequentemente excluídos das decisões que moldam as suas vidas.

Referiu também a relevância de mulheres e raparigas, que sofrem desproporcionalmente nos conflitos, mas cuja liderança é central para uma paz justa e duradoura. Lembrou iniciativas como o Common Pledge for Women’s Full, Equal, and Meaningful Participation in Peace Processes, encorajando maior participação feminina em processos de decisão e construção da paz.

Por fim, Guterres destacou o papel das pessoas de fé como agentes de compaixão, dignidade humana e reconciliação. Sublinhou a importância do diálogo entre líderes religiosos de diferentes tradições para promover a harmonia, reforçando o potencial da fé como força de unidade e entendimento no mundo.

O secretário-geral concluiu lembrando que o trabalho de diálogo e diplomacia, embora muitas vezes silencioso e imperfeito, é essencial para mediar conflitos, garantir acesso à ajuda humanitária e plantar as sementes da reconciliação. Finalizou apelando à coragem, à clareza e à esperança para continuar a missão da Aliança das Civilizações e reforçar os valores que unem a humanidade.

Crise no Afeganistão agrava-se com recuo de direitos e corte de ajuda

© UNICEF/Madina Qati Musadiq | As necessidades humanitárias no Afeganistão estão a aumentar num contexto de redução das liberdades fundamentais. Na imagem, uma mulher aquece água fora de sua casa, que foi danificada por cheias no norte do Afeganistão.

A crescente crise humanitária no Afeganistão está a ser impulsionada pela aceleração da erosão dos direitos fundamentais, especialmente para mulheres e raparigas, juntamente com deslocações em massa, declínio económico e redução da ajuda, alertaram altos responsáveis da ONU esta quarta-feira.

Num briefing ao Conselho de Segurança, Georgette Gagnon, representante especial adjunta do secretário-geral para o Afeganistão, e Tom Fletcher, coordenador de socorro de emergência da ONU, afirmaram que quase metade da população precisará de proteção e assistência humanitária em 2026.

As mulheres e as raparigas continuam “sistematicamente excluídas” de quase todos os aspetos da vida pública, disse Gagnon, uma vez que a proibição do ensino secundário e superior para raparigas já entrou no seu quarto ano, privando o país de futuras médicas, professoras e líderes.

“A liberdade de imprensa está cada vez mais restringida. Os jornalistas enfrentam intimidação, detenção e censura, reduzindo o espaço para o debate público e para a participação cívica”, acrescentou.

Os afegãos, tanto mulheres como homens, também enfrentam intrusões diárias sob a lei das autoridades de facto sobre a “promoção da virtude e prevenção do vício”, descrevendo um padrão de interferência sistemática na vida privada.

Aumento das necessidades humanitárias

Ao mesmo tempo, as necessidades humanitárias estão a aumentar. Fletcher afirmou que quase 22 milhões de pessoas precisarão de assistência no próximo ano, com o Afeganistão a figurar agora entre as maiores crises humanitárias do mundo.

“Pela primeira vez em quatro anos, o número de pessoas que enfrentam a fome aumentou”, alertou. Cerca de 17,4 milhões de afegãos estão agora em situação de insegurança alimentar, enquanto cortes massivos no financiamento deixaram a resposta “no limite da rutura”.

Mais de 300 pontos de atendimento nutricional foram encerrados, deixando 1,1 milhão de crianças sem nutrição vital, enquanto 1,7 milhão correm risco de morte sem tratamento. O sistema de saúde também está a colapsar: 422 unidades de saúde fecharam em 2025, cortando o acesso a cuidados essenciais para três milhões de pessoas.

© ACNUR/Oxygen Empire Media Production | O ano de 2025 registou um aumento significativo no número de refugiados a regressar ao Afeganistão. Na imagem, uma cena no posto fronteiriço de Islam Qala, entre o Afeganistão e o Irão.

Refugiados a regressar para condições difíceis

A agravar a pressão, o Afeganistão registou um número recorde de regressos de refugiados, com mais de 2,6 milhões de pessoas a regressarem só em 2025, elevando o total de dois anos para mais de quatro milhões. A maioria chega com poucos bens e é acolhida por comunidades já empobrecidas.

“Mulheres e crianças representaram 60 por cento de todos os regressos este ano”, observou Fletcher, regressando a um país onde as mulheres estão proibidas de estudar, trabalhar e, em alguns casos, de aceder a cuidados de saúde.

As pressões económicas estão a piorar apesar de um crescimento modesto. Embora o PIB deva aumentar 4,5 por cento, o rendimento per capita cairá cerca de quatro por cento devido ao crescimento populacional, segundo dados do Banco Mundial citados por Gagnon.

Os meios de subsistência rurais também foram devastados pelo terceiro ano da proibição do cultivo de ópio. Apesar de a medida ser bem acolhida internacionalmente, as agências da ONU reportam uma queda de 48 por cento nos rendimentos rurais, com necessidade de mais apoio para meios de vida alternativos.

Entrega de ajuda paralisada

Embora as condições de segurança pareçam mais calmas do que em décadas anteriores, as tensões com o Paquistão estão a aumentar em meio a confrontos transfronteiriços ligados a atividade militante. Ao mesmo tempo, o fecho de postos fronteiriços durante dois meses prejudicou o comércio e a vida civil em ambos os lados.

Entretanto, a participação das mulheres no trabalho humanitário permanece sob ataque direto. Desde setembro, funcionárias nacionais da ONU foram proibidas de aceder a instalações da organização em todo o país, uma restrição que Fletcher classificou como “inaceitável” e que está a paralisar a entrega de ajuda.

“Não pode haver uma resposta humanitária eficaz sem mulheres”, disse. “O Afeganistão precisa delas.”

© UNAMA/Fraidoon Poya
| Uma família corre por uma rua empoeirada em Herat, Afeganistão.

Direitos cada vez mais fora de alcance

A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) também alertou que os direitos no país permanecem “fora de alcance para demasiados”, especialmente para mulheres e raparigas. Os regressos involuntários também colocam jornalistas, antigos funcionários e figuras da sociedade civil em maior risco de represálias.

“Os direitos humanos não são opcionais. São os elementos essenciais do quotidiano que sustentam a vida”, disse Gagnon num comunicado separado da UNAMA. “Para o Afeganistão, garantir que mulheres e raparigas possam aprender, trabalhar e participar plenamente é indispensável para a recuperação.”

Apelo ao apoio internacional

Apesar das graves restrições, a ONU continua a prestar ajuda. Mais de 40 milhões de dólares em financiamento de emergência foram disponibilizados nos últimos meses para responder a sismos, secas e regressos em massa.

Mas Fletcher alertou que a falta de financiamento está agora a custar vidas.

“À medida que olhamos para 2026, corremos o risco de uma contração ainda maior da ajuda vital num momento em que a insegurança alimentar, as necessidades de saúde, a pressão sobre os serviços básicos e os riscos de proteção estão todos a aumentar”, afirmou.

Sublinhou ainda que, sem atenção urgente e apoio da comunidade internacional, a crise só se irá agravar.

Dia Internacional dos Direitos Humanos lembra o essencial de cada dia

© Ben Lau

Comemorado esta quarta-feira sob o tema “O essencial de cada dia”, o Dia Internacional dos Direitos Humanos assinala também o 80.º aniversário da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas.

O lema escolhido destaca a relevância contínua dos direitos humanos como elementos presentes nas rotinas diárias, desde o acesso à informação até à alimentação, educação e liberdade de expressão.

Campanha com apelo à ação coletiva

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos lançou o tema de 2025 sublinhando que, num contexto de desigualdades crescentes, conflitos e emergência climática, é fundamental manter os direitos humanos como referência central.

Para o alto comissário, Volker Turk, os direitos humanos continuam a ser uma “bússola em tempos de incerteza” e apelou ao reforço da solidariedade e da participação cívica.

© UN Photo/Loey Felipe| Volker Turk, alto comissário para Direitos Humanos

Direitos humanos como parte da vida diária

O Dia dos Direitos Humanos sublinha que ações simples como ler notícias, circular livremente, beber água potável ou partilhar uma refeição estão diretamente ligadas a direitos consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Entre eles estão o direito a um nível de vida adequado, à liberdade de opinião e expressão, à educação e ao descanso. O objetivo é aproximar os princípios universais da experiência concreta das pessoas.

Na mensagem pela data, o secretário-geral das ONU, António Guterres, defende que a proteção dos direitos humanos exige o envolvimento de todos e o reforço das instituições que os tornam realidade.

 

Participação pública e partilha de experiências

Durante a comemoração, o público é convidado a partilhar o que considera essencial no seu quotidiano através do preenchimento de um formulário e usando o hashtag da campanha #OurEverydayRights.

Testemunhos, mensagens e imagens recolhidos ao longo da campanha formarão um mosaico de experiências sobre como os direitos humanos se manifestam no dia a dia em diferentes partes do mundo.

Mensagem para o Dia dos Direitos Humanos

Universal_Declaration of Human Rights

O SECRETÁRIO-GERAL

10 de dezembro de 2025

Há quase oitenta anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos definiu aquilo de que cada pessoa precisa para sobreviver e prosperar. Foi um avanço filosófico e politico, e desde então tem sido a base da nossa comunidade global.

Os direitos humanos —  civis, políticos, económicos, sociais e culturais — são inalienáveis, indivisíveis e interdependentes. Mas os últimos anos trouxeram um encolhimento do espaço cívico. Temos graves violações que revelam um desrespeito flagrante pelos direitos e uma indiferença cruel perante o sofrimento humano.

Juntos, temos o poder de enfrentar estas injustiças: protegendo as instituições que tornam os direitos humanos uma realidade concreta.

Todos os dias, as Nações Unidas ajudam pessoas em todo o mundo a concretizar os seus direitos mais básicos. Em conjunto com a sociedade civil e os governos, fornecemos alimentos e abrigo, apoiamos a educação e as eleições, removemos minas, defendemos o ambiente, capacitamos mulheres e trabalhamos pela paz.

Mas não podemos fazê-lo sozinhos. Este trabalho depende de todas as pessoas, em todo o lado, a tomarem uma posição. Quando protegemos os mais vulneráveis, quando recusamos virar o olhar, quando defendemos as instituições que nos defendem, mantemos os direitos humanos vivos.

Os nossos direitos nunca devem ficar em segundo plano face ao lucro ou ao poder. Unamo-nos para os proteger, pela dignidade e liberdade de todos.

ONU pede 23 mil milhões de dólares para salvar 87 milhões de pessoas em 2026

© UNICEF/Mohammed Jamal | Famílias a fugir da violência em Darfur, Sudão, chegam a um campo para pessoas deslocadas.

A ONU e os seus parceiros estão a procurar 23 mil milhões de dólares para fornecer apoio vital no próximo ano a 87 milhões de pessoas em todo o mundo afetadas por guerras, desastres climáticos, terramotos, epidemias e falhas nas colheitas.

Esta é a prioridade imediata do Global Humanitarian Overview 2026, no valor de 33 mil milhões de dólares, lançado na segunda-feira, que visa alcançar 135 milhões de pessoas em 50 países.

“Este apelo indica onde precisamos concentrar a nossa energia coletiva primeiro: vida por vida”, afirmou o subsecretário-geral da ONU para a Ajuda Humanitária, Tom Fletcher, 

Milhões em necessidade

O GHO atualizado surge após um ano marcado por cortes brutais nas operações humanitárias e um número recorde de ataques mortais contra trabalhadores humanitários.

Inclui 29 planos detalhados, sendo o maior para o Território Palestino Ocupado, onde são necessários 4,1 mil milhões de dólares para alcançar cerca de três milhões de pessoas.

No Sudão, são necessários 2,9 mil milhões de dólares para fornecer ajuda vital a 20 milhões de pessoas apanhadas na maior crise de deslocamento do mundo, com mais 2 mil milhões de dólares para os sete milhões de sudaneses que fugiram do país.

O maior dos planos regionais é para a Síria, com 2,8 mil milhões de dólares para 8,6 milhões de pessoas.

Cortes e consequências

Fletcher recordou que o apelo de 2025 recebeu apenas 12 mil milhões de dólares, o financiamento mais baixo em uma década. Como resultado, os humanitários chegaram a 25 milhões de pessoas a menos do que no ano anterior.

As consequências foram imediatas, incluindo aumento da fome e sistemas de saúde sobrecarregados, “mesmo quando fomes atingiam partes do Sudão e Gaza”, disse ele numa conferência de imprensa antes do lançamento deste ano.

“Os programas para proteger mulheres e meninas foram cortados, centenas de organizações humanitárias fecharam. E mais de 380 trabalhadores humanitários foram mortos, o número mais alto de sempre.”

Humanitários sob ataque

O responsável da ONU descreveu os humanitários como “sobrecarregados, subfinanciados e sob ataque”, algo que ele já tinha sublinhado várias vezes.

Segundo ele, no passado existiam crises humanitárias como consequência de outros fatores, mas atualmente, existem também consequências negativas geradas pelas próprias crises, como a migração forçada.

“Apenas 20% dos nossos apelos são apoiados. E nós conduzimos a ambulância para o fogo em vosso nome”, disse ele. “Mas agora também nos estão a pedir para apagar o fogo. E não há água suficiente no tanque. E estamos a ser alvejados.”

Apoio dos Estados-Membros

Os humanitários levarão agora o apelo aos Estados-Membros da ONU e pedirão o seu apoio. Isto acontecerá nos próximos 87 dias, “um por cada milhão de vidas que vamos tentar salvar”, afirmou.

Os países serão também instados a reforçar a proteção dos humanitários, “não com declarações de preocupação, mas responsabilizando aqueles que nos matam e aqueles que armam os que nos matam”, acrescentou.

Mensagem para o Dia Internacional da Comemoração e Dignidade das Vítimas de Genocídio e Prevenção deste Crime

ONU/Manuel Elias | Chama da Esperança de Kwibuka em homenagem às vítimas do Genocídio de 1994 contra os Tutsis em Ruanda instalada na sede da ONU

O SECRETÁRIO-GERAL

9 de dezembro de 2025

O genocídio é uma abominação. É um crime horrendo. E é dever solene de todos os Estados preveni-lo e puni-lo.

Foi este o compromisso assumido pelo mundo com a adoção da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio de 1948, um compromisso para garantir que nenhum grupo corra o risco de ser erradicado devido à sua nacionalidade, etnia, raça ou religião.

Prometemos “nunca mais”. Contudo, essa promessa está perigosamente perto de ser quebrada em demasiados lugares. Conflitos violentos, falta de responsabilização e tecnologias digitais que amplificam o ódio e a desinformação tornam mais fácil o regresso do espectro do genocídio.

Os Estados têm a obrigação primordial de prevenir e punir o genocídio, e apelo aos governos que ainda não o fizeram que adiram à Convenção. Exorto também todos os governos a implementarem plenamente a Convenção e a responsabilizarem os perpetradores.

Mas a prevenção é uma responsabilidade partilhada. Exige educar as novas gerações sobre os fatores que conduzem ao genocídio, incluindo discurso de ódio, desigualdade e desinformação. Significa também fazer tudo para identificar sinais de alerta precoce e soar o alarme. Líderes comunitários, a sociedade civil e os meios de comunicação, incluindo as plataformas de redes sociais, têm todos o dever moral de agir.

Ao permanecermos unidos contra este crime hediondo, honramos as suas vítimas e sobreviventes, e defendemos a promessa mais fundamental da nossa comunidade internacional: o direito de todas as pessoas viverem com segurança, dignidade e paz.

Dia Internacional do Voluntário destaca o desenvolvimento sustentável

ONU News/Daniel Dickinson | Integrante da equipe dos Voluntários das Nações Unidas explica o papel da organização

Comemorado esta sexta-feira, o Dia Internacional do Voluntário coincide este ano com o lançamento global do Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável, IVY 2026 na sigla em inglês.

Sob o tema “Toda a Contribuição Importa”, a ONU destaca a importância do voluntariado como força motriz para enfrentar desafios globais e reforçar a coesão social.

“Cada contribuição conta”

Na mensagem, o secretário-geral, António Guterres, sublinha que, num período marcado por divisões políticas e isolamento social, o voluntariado “fortalece a nossa humanidade partilhada” e aproxima comunidades através da solidariedade.

O líder das Nações Unidas prestou tributo aos milhões de voluntários em todo o mundo e agradeceu especialmente aos mais de 14 mil participantes do programa ONU Voluntários.

Guterres apelou ainda para que, ao longo do próximo ano, cada pessoa contribua para uma causa significativa, reforçando que o voluntariado deve ser “um movimento global capaz de construir um futuro mais solidário e inclusivo”.

IVY 2026

O lançamento oficial do IVY 2026 acontece nesta sexta-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Na Resolução A/RES/78/127, a ONU convida os Estados-membros a integrarem o voluntariado nos seus planos de desenvolvimento e a impulsionarem campanhas que valorizem a participação dos seus cidadãos.

O Dia Internacional dos Voluntários será acompanhado por mobilizações em vários países, reforçando a ideia de que o voluntariado, formal ou informal, é essencial para acelerar o progresso dos ODS.

Um movimento global que une gerações

A ONU destaca que existem cerca de mil milhões de voluntários em todo o mundo, dos quais 70% atuam de forma informal, apoiando diretamente as suas comunidades.Os restantes 30% integram organizações formais, projetos locais, plataformas digitais ou iniciativas internacionais.

A ONU lembra que o voluntariado contribui para fortalecer laços comunitários, promover soluções, aproximar gerações em torno dos ODS e responder a crises humanitárias e ambientais com criatividade e resiliência. Independentemente da idade, género ou origem, “voluntariar-se é possível para todos”, ressalta a organização.

Construir um futuro mais solidário

Guterres termina a mensagem reforçando que, num mundo em transformação, cada ato de voluntariado ajuda a enfrentar desafios comuns e a promover uma sociedade mais justa e compassiva.

Para o secretário-geral, o Dia Internacional do Voluntário é um convite global, onde “em tempos de incerteza, cada pessoa pode ser a mudança que deseja ver”, e juntos, “construir um futuro mais humano para todos.”

*Artigo de autoria da ONU News

Mensagem para o Dia Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Económico e Social

© UN Women

O SECRETÁRIO-GERAL

5 de dezembro de 2025

Num período de divisão política e de isolamento social, o voluntariado oferece uma forma poderosa de criar ligações e de fomentar a nossa humanidade partilhada.

Neste Dia Internacional do Voluntário, homenageamos as milhões de pessoas em todo o mundo que se dedicam a servir as suas comunidades e a promover o bem comum.

O tema deste ano, “Cada Contribuição Conta”, lembra-nos que todos têm algo significativo para oferecer e que cada causa, desde a fome, às alterações climáticas, à ação humanitária, beneficia do entusiasmo e da experiência dos voluntários.

Expresso a minha mais profunda gratidão aos mais de 14.000 indivíduos que serviram através do Programa de Voluntários das Nações Unidas, assim como aos inúmeros outros que dão o seu tempo e talento para ajudar vizinhos e estranhos. O vosso compromisso, solidariedade e compaixão estão a moldar um mundo melhor.

Esta semana marca também o lançamento do Ano Internacional do Voluntariado 2026.

Ao longo dos próximos doze meses, incentivo todos, em todo o lado, a voluntariar-se por uma causa que lhes seja importante. Em tempos de crise e de incerteza, podem ser a mudança que desejam ver.

Juntos, podemos fazer crescer um movimento global de voluntários e construir um futuro mais solidário e brilhante para todos.

Inclusão em destaque no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Unmiss/Isaac Billy | Mensagem alerta para as barreiras sistêmicas ainda persistentes como a discriminação

Debates promovem a participação deste grupo em favor de sociedades mais acessíveis e resilientes; a acessibilidade é considerada um fator central para o progresso social.

As Nações Unidas assinalam, neste dia 3 de dezembro, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, com o lema: “Promover sociedades inclusivas para pessoas com deficiência, visando o avanço do progresso social.”

Numa mensagem sobre a data, o secretário-geral, António Guterres, afirma que “quando a inclusão é real, todos beneficiam”, podendo construir em conjunto sociedades mais acessíveis e resilientes, onde todos prosperem.

Respostas humanitárias

O líder das Nações Unidas sublinha que as pessoas com deficiência impulsionam o progresso benéfico para todos. Destacou que a liderança do grupo melhorou a preparação para catástrofes, expandiu a educação e o emprego inclusivos e garantiu que as respostas humanitárias cheguem aos que estão em maior risco.

OMS

Guterres recordou que muitas inovações que moldam o dia a dia, desde mensagens de texto a tecnologias de comando por voz, começaram como soluções desenvolvidas por e para pessoas com deficiência.

Por outro lado, alertou para as barreiras sistémicas ainda persistentes, como a discriminação, a pobreza e os serviços inacessíveis, que continuam a limitar a participação de mais de 10 milhões de pessoas com deficiência em todo o mundo.

Fator central do progresso social

Neste Dia Internacional, a ONU enfatiza a importância de integrar os direitos das pessoas com deficiência em todos os aspetos do desenvolvimento, garantindo um mundo mais equitativo e inclusivo para todos.

Com foco na inclusão, as Nações Unidas destacam que a ampla participação das pessoas com deficiência é um fator central do progresso social. Isto significa assegurar maior presença do grupo na vida social e económica, promovendo ações para aumentar a consciência da população e gerar mudanças nas políticas públicas.

Em vários eventos, os debates deverão abordar como implementar medidas práticas, como adaptações físicas para acessibilidade em edifícios, educação, emprego e serviços públicos.

Mensagem para o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Criança com incapacidade auditiva

O SECRETÁRIO-GERAL 

3 de dezembro de 2025

As pessoas com deficiência estão a transformar sociedades, liderando a inovação, influenciando políticas e mobilizando-se pela justiça. No entanto, muitas vezes, são privadas de um lugar na tomada de decisões.

A Declaração Política de Doha, adotada no mês passado durante a Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social, reafirma uma verdade fundamental: não pode haver desenvolvimento sustentável sem a inclusão das pessoas com deficiência.

As pessoas com deficiência impulsionam o progresso benéfico para todos. A sua liderança melhorou a preparação para catástrofes, expandiu a educação e o emprego inclusivos e garantiu que as respostas humanitárias cheguem aos que estão em maior risco.

Muitas das inovações que moldam o nosso dia a dia, desde mensagens de texto a tecnologias de comando por voz, começaram como soluções desenvolvidas por e para pessoas com deficiência.

Ainda assim, há barreiras sistémicas que persistem: a discriminação, a pobreza e os serviços inacessíveis continuam a limitar a participação de mais de mil milhões de pessoas com deficiência em todo o mundo.

Neste Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, comprometamo-nos a trabalhar lado a lado com as pessoas com deficiência, em toda a sua diversidade, como parceiros iguais.

Quando a inclusão é real, todos beneficiam. Juntos, podemos construir sociedades mais acessíveis e resilientes, onde todos prosperamos.

Mensagem para o Dia International para a Abolição da Escravatura

Uma jovem visitante assina um painel no Palácio das Nações, em Genebra, para apoiar a campanha “50 pela Liberdade”, que apela à ratificação global do Protocolo sobre Trabalho Forçado da OIT, de modo a ajudar a acabar com a escravidão moderna que afeta 21 milhões de pessoas em todo o mundo. UN Photo/Jean Marc Ferré

O SECRETÁRIO-GERAL

 2 de dezembro de 2025

A escravatura é um horror dos livros de história e uma crise contemporânea implacável.

No Dia Internacional para a Abolição da Escravatura, lembramos as vítimas do passado, especialmente os mais de 15 milhões de homens, mulheres e crianças em África que foram capturados, acorrentados e vendidos como escravos para o outro lado do oceano ou que pereceram pelo caminho.

Recordamos as cicatrizes profundas que a escravatura deixou nas nossas sociedades, incluindo desigualdades estruturais e injustiças sistémicas que persistem há gerações.

Mobilizamo-nos para proteger os cerca de 50 milhões de pessoas que atualmente se encontram presas em formas contemporâneas de escravatura em todo o mundo, muitas delas mulheres e crianças.

E reiteramos o nosso apelo para prevenir violações dos direitos humanos, como o trabalho forçado e o casamento forçado, para que não façam mais vítimas.

As formas contemporâneas de escravatura são perpetuadas por organizações criminosas que exploram pessoas que lutam para sobreviver à pobreza extrema, à discriminação ou à degradação ambiental e por traficantes que aproveitam pessoas que fogem de conflitos armados ou que migram em busca de segurança e oportunidades. Rouba-se às pessoas os seus direitos e a sua humanidade.

Governos, empresas, sociedade civil e sindicatos devem unir-se para pôr fim a esta crise de uma vez por todas. E devem proporcionar reparação e compensação, com acesso real à justiça, indemnizações justas, reabilitação, restituição e garantias de que as vítimas e as suas famílias não voltarão a sofrer.

2026 assinala o 100.º aniversário da Convenção sobre a Escravatura, quando a comunidade internacional assumiu um compromisso audaz para acabar com a escravatura em todas as suas formas. Devemos agir com a mesma determinação para erradicar as formas contemporâneas de escravatura. Um mundo construído sobre a liberdade, a dignidade e a justiça para todos não é apenas possível, é uma responsabilidade partilhada por todos nós.

Dia Mundial de Luta Contra a SIDA com alertas sobre retrocessos e apelos a liderança política

© UNICEF/Adeokun Adesegun | Mulheres recebem terapia antirretroviral contra o VIH numa clínica no estado de Kaduna, na Nigéria.

A ONU adverte que, pela primeira vez em muitos anos, décadas de progresso estão em risco devido à interrupção de programas essenciais; a redução do apoio comunitário e a intensificação de leis punitivas limitam acesso aos cuidados, sobretudo para populações já vulneráveis.

Comemorado esta segunda-feira, o Dia Mundial de Luta contra a SIDA assinala-se este ano no contexto de uma crise global de financiamento que ameaça comprometer décadas de avanços na prevenção e no tratamento do VIH.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirma na sua mensagem oficial que o mundo “tem o poder de transformar vidas e de pôr fim à epidemia de uma vez por todas”. No entanto, alerta que milhões continuam excluídos dos serviços essenciais devido ao estigma, à discriminação e à falta de recursos.

Progresso real, mas ameaçado por cortes de financiamento

Guterres recorda que os progressos alcançados são significativos: desde 2010, as novas infeções diminuíram 40% e as mortes relacionadas com a SIDA caíram para menos de metade. O acesso ao tratamento atingiu um nível sem precedentes.

No entanto, o secretário-geral destacou que “a redução de recursos e serviços está a pôr vidas em risco”, sublinhando que o impacto dos cortes recentes de financiamento global já se reflete na interrupção de programas de prevenção e na diminuição dos serviços liderados pelas comunidades, cruciais para alcançar populações marginalizadas.

Crise global exige respostas transformadoras

De acordo com a ONU, “a resposta mundial ao VIH foi profundamente abalada” nos últimos meses, com a intensificação de leis punitivas que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo, identidades de género e o uso de drogas, dificultando o acesso das pessoas aos cuidados essenciais.

A ONU acredita que, para cumprir a meta de acabar com a SIDA como ameaça de saúde pública até 2030, os países precisam de mudanças radicais no financiamento, reforço de sistemas de saúde e remoção de barreiras legais e sociais.

Nesse sentido, Guterres apelou a uma resposta centrada nos direitos humanos, na inovação e no alargamento do acesso a novas ferramentas, como os tratamentos injetáveis de longa duração.

Public Health Alliance/Ucrânia | Símbolo da campanha global de combate ao VIH/SIDA

Comunidades no centro da resposta

A ONU reforça que acabar com a SIDA significa investir na prevenção, ampliar o tratamento e “capacitar as comunidades” que têm sustentado os avanços obtidos até agora.

Lembra também que campanhas de sensibilização, iniciativas lideradas pela sociedade civil e ações de apoio às populações vulneráveis são decisivas para evitar retrocessos.

Neste Dia Mundial de Luta contra a SIDA, a ONU defende que só com liderança política sustentada, cooperação internacional e políticas baseadas em direitos humanos será possível concretizar o objetivo de eliminar a epidemia até 2030.

*Artigo da autoria da ONU News