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Receitas de migrantes superam ajuda externa mesmo em meio à pandemia 

As receitas enviadas por migrantes a países de origem, de rendas média e baixa em 2020, superaram o total recebido em ajuda externa. 

Foram US$ 540 bilhões no ano passado, numa tendência de alta desde 2018.

Assistência

Um novo relatório da Organização Internacional para Migrações, OIM, revela que os investimentos estrangeiros diretos no período analisado chegaram a US$ 259 bilhões. Já a ajuda externa ao desenvolvimento totalizou US$ 179 bilhões.

O estudo mostra que o número global de migrantes na força de trabalho mais do que triplicou na última década para os atuais 170 milhões. Em 2010, eram 53 milhões.

Remessas diminuíram apenas em 1,6% durante um ano

FMI/Lisa Marie David

Remessas diminuíram apenas em 1,6% durante um ano

A OIM considera o dinheiro ou os bens enviados por trabalhadores migrantes a seus países de origem “um elo mais direto e mensurável entre a migração e desenvolvimento”.

Crise 

Com os efeitos da pandemia sobre os migrantes, as remessas diminuíram apenas em 1,6%, contra quase 5% observados na crise financeira global de 2009. 

Em nações como El Salvador, Líbano, Quirguistão, Tajiquistão e Tonga essas os envios excederam 25% do total do Produto Interno Bruto, PIB, em 2020.

O relatório destaca o aumento da demanda por mão de obra migrante. O exemplo são funções “essenciais” na pandemia, como a de médicos estrangeiros que representam 33% desta classe de profissionais no Reino Unido. 

A dependência por funcionários de saúde também acontece em países de alta renda, incluindo Estados Unidos, Alemanha, França, Espanha e Itália.

Força de trabalho 

A OIM diz que os migrantes representam cerca de 5% da força de trabalho global atual, em comparação com menos de 2% em 2010.

Fluxo de venezuelanos na América Latina também foi causa de grande mobilidade

Acnur/Ilaria Rapido Ragozzino

Fluxo de venezuelanos na América Latina também foi causa de grande mobilidade

Em nível regional, 32,2% deles estão na Europa, 22,1% na América do Norte e 14,3% em Estados Árabes. 

A seguir vêm Ásia com 12,6%, África com 8,1% e Sudeste Asiático e o Pacífico com 7,2%. Por último, a América Latina e Caribe com 3,5% de trabalhadores migrantes. 

Conflitos e refugiados

Cerca de 82,4 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar, dentro dos países e além-fronteiras, por fatores como perseguição, conflito, violência, abusos de direitos humanos ou eventos graves que perturbaram a ordem pública. Trata-se de um aumento equivalente ao dobro em relação a 2010. 

A OIM indica que o aumento se deveu principalmente a conflitos na Síria, no Sudão do Sul, na Ucrânia ou na África Subsaariana. 

Os fluxos de refugiados rohingya para Bangladesh e de venezuelanos na América Latina também estão no topo das causas da mobilidade.

Estima-se que as chegadas de novos refugiados e requerentes de asilo tiveram uma baixa de 1,5 milhão comparado ao ano interior.

O dado indica que várias pessoas buscando proteção foram impedidas pelas medidas para conter a Covid-19. 
 

OMS nas Américas diz que proibição de viagens não é eficaz para conter Covid

A Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, afirma que a proibição de viagens não tem se mostrado eficiente na redução da transmissão de nenhuma variante do coronavírus.

Em entrevista à ONU News, de Washington, o vice-diretor da Opas, Jarbas Barbosa, afirmou ser “praticamente impossível” ter uma proibição de voos efetiva. Ele também reforçou que os fechamentos não podem ser uma medida punitiva contra os países que detectam e comunicam a existência de variantes, como aconteceu com a Ômicron.

Variantes

“Os países que detectam as novas variantes e comunicam, como fez a África do Sul, não podem ser punidos. Quando o mundo faz isso, a gente deixa de estimular a transparência, o compartilhamento de informações, que são medidas essenciais para que o mundo todo fique protegido.”

Barbosa voltou a afirmar que ampliar a cobertura vacinal ainda é a melhor maneira de evitar o surgimento de novas variantes. Ele lembrou que a meta da Organização Mundial da Saúde é vacinar 40% da população até 31 de dezembro e 70% até o próximo ano.

Com o possível aumento de trânsito de pessoas durante as festas de final de ano, o vice-diretor da Opas recomenda que apenas viagens essenciais sejam mantidas, especialmente se o destino for países com altos índices de transmissão.

“Evitar viajar para países que estão com uma transmissão comunitária forte. Se não é uma viagem essencial, é melhor adiar essa viagem. Quando a gente olha pelo mundo, temos situações bem diferentes, há países em que a transmissão está mais controlada e outros em que ainda é muito forte. Segundo, só viajar se estiver completamente vacinado, de maneira a estar protegido. Terceiro, manter o uso de máscaras, evitar lugares fechados e aglomerações”

Vacinação

O médico brasileiro, Jarbas Barbosa, afirmou que a taxa de imunização completa nas Américas está caminhando para 60%, mas que ainda há grandes lacunas na região.

Ele destacou o Haiti, em que apenas 1% da população recebeu doses contra a Covid-19.

Segundo o vice-diretor, a Opas está atuando com países da América Latina e Caribe para reduzir a desigualdade. A agência segue recebendo as doses do mecanismo Covax e por meio de relações bilaterais.

O Fundo Rotatório de Vacina também é válido para imunizantes contra o coronavírus e está disponível a todos os países das Américas.

A recomendação da Opas é acelerar a vacinação dos grupos prioritários, evitando casos graves e internações, e que todos cumpram o esquema completo de imunização, tomando as duas doses da vacina.

Relembrar a importância do desarmamento nuclear

UN Photo/Eskinder Debebe

por António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas 

Artigo de Opinião publicado no Público

Vivemos tempos preocupantes. A crise climática, as desigualdades gritantes, os conflitos sangrentos, as violações dos direitos humanos e a devastação pessoal e económica causada pela pandemia da covid-19 puseram o mundo numa situação de stress inédita durante o meu tempo de vida.  

No entanto, a ameaça existencial que assombrou a primeira metade da minha vida já não recebe a atenção que merece. As armas nucleares desapareceram das manchetes dos jornais e dos guiões de Hollywood, mas o perigo que representam continua tão elevado como sempre e aumenta a cada ano. A aniquilação nuclear está a apenas um mal-entendido ou erro de cálculo de distância, uma espada de Damocles que ameaça não apenas o sofrimento e a morte a uma escala horrível, mas o fim de toda a vida na Terra. 

Através de uma combinação de sorte e de bom senso, as armas nucleares não foram usadas desde que incineraram Hiroshima e Nagasaki em 1945, mas com mais de 13.000 armas nucleares mantidas em arsenais ao redor do mundo, quanto tempo poderá durar a nossa sorte? A pandemia da covid-19 trouxe uma nova consciência do impacto catastrófico de um evento inesperado. 

Após o fim da Guerra Fria, os arsenais nucleares foram drasticamente reduzidos e até mesmo eliminados. Regiões inteiras declararam-se zonas livres de armas nucleares. Houve um repúdio profundo e generalizado aos testes nucleares. Na qualidade de primeiro-ministro do meu país, ordenei que Portugal votasse pela primeira vez contra o reinício dos testes nucleares no Pacífico. 

Contudo, o fim da Guerra Fria também nos deixou com uma falsa ideia que é perigosa: que a ameaça de uma guerra nuclear é coisa do passado. 

Nada poderia ser mais errado. Essas armas não são problema de ontem, continuam a ser hoje uma ameaça crescente. 

O risco de que armas nucleares sejam usadas é maior agora do que em qualquer momento, desde os exercícios de fuga e os abrigos criados durante a Guerra Fria. 

As relações entre alguns países que possuem armas nucleares são definidas hoje pela desconfiança e pela competição. O diálogo é praticamente inexistente. A transparência está a diminuir e as armas nucleares estão a assumir maior importância à medida que as estratégias de segurança nacional encontram novos contextos para o seu uso. 

Enquanto isso, os avanços tecnológicos e o surgimento de novas arenas de competição no ciberespaço e no espaço sideral expuseram vulnerabilidades e aumentaram o risco de uma escalada nuclear. Carecemos de estruturas e ferramentas internacionais que possam lidar com estes desenvolvimentos e a ordem mundial multipolar de hoje significa que as crises regionais com conotações nucleares ameaçam atrair outras potências nucleares. 

A paisagem nuclear é um barril de pólvora. Um acidente ou erro de cálculo pode incendiá-lo. 

A nossa maior esperança de reverter este rumo e desviar o nosso mundo do cataclismo nuclear é o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares – mais conhecido como TNP – que data do auge da Guerra Fria em 1970. 

O TNP é uma das principais razões pelas quais as armas nucleares não são usadas desde 1945. Este contém compromissos juridicamente vinculativos para alcançar o desarmamento nuclear, inclusive pelos cinco maiores países com armas nucleares. É também um catalisador para o desarmamento – a única maneira de eliminar essas armas horrendas de uma vez por todas. 

Os 191 países que aderiram ao TNP – representando a grande maioria do mundo – comprometeram-se a não adquirir ou desenvolver armas nucleares e essas promessas são policiadas e cumpridas pela Agência Internacional de Energia Atómica. (AIEA) 

Daqui a um mês, os países membros do TNP irão reunir na sua conferência quinquenal regular para examinar o progresso do Tratado. Mais uma conferência das Nações Unidas sobre um tratado com uma sigla pode não parecer particularmente interessante, mas o TNP é fundamental para a segurança e a prosperidade de todas as pessoas na Terra. 

Devemos aproveitar a oportunidade da Conferência de Revisão do TNP de janeiro para reverter as tendências perigosas e crescentes e escapar da longa sombra lançada por essas armas desumanas. 

A conferência deve tomar medidas ousadas em seis frentes: traçar o caminho a seguir para o desarmamento nuclear;  acordar novas medidas de transparência e de diálogo, para reduzir o risco de guerra nuclear; abordar as crises nucleares latentes no Médio Oriente e na Ásia; trabalhar para fortalecer as estruturas globais que apoiam a não proliferação, incluindo a AIEA; promover o uso pacífico da tecnologia nuclear para fins médicos e outros, um dos motivos pelos quais o TNP conquistou a adesão de países que não possuem armas nucleares; e lembrar a todos, especialmente aos jovens, que eliminar as armas nucleares é a única maneira de garantir que estas nunca serão usadas. 

Apelo aos governos que participem nesta conferência com um espírito de solidariedade, diálogo franco e flexibilidade. O que vai acontecer nas salas de negociação do TNP, em janeiro, é importante para todos, porque qualquer uso de armas nucleares nos afetará a todos. A fragilidade do nosso mundo nunca foi tão evidente. 

Espero que as pessoas em todos os lugares pressionem os governos a recuar do abismo e a criar um mundo mais seguro para todos: um mundo livre de armas nucleares. 

Organização Mundial de Meteorologia anuncia novo recorde de temperatura ártica de 38ºC

WMO/Karolin Eichler (Deutscher Wetterdienst)

Foi registada a temperatura ártica mais alta de sempre na cidade russa de Verkhoyansk a 20 de Junho de 2020, onde se fizeram sentir 38ºC, segundo a Organização Mundial de Meteorologia (OMM).

WMO/Kim Kenny

A temperatura, mais adequada à zona Mediterrânea do que ao Árctico, foi medida numa estação de observação meteorológica durante uma excepcional e prolongada onda de calor siberiana. As temperaturas médias na Sibéria árctica atingiram até 10 °C acima do normal durante grande parte do Verão do ano passado, alimentando incêndios devastadores, provocando uma perda maciça de gelo marinho e desempenhando um papel importante em 2020, sendo um dos três anos mais quentes de que há registo.

“Este novo recorde árctico provém de uma série de observações reportadas ao Arquivo da OMM de Extremos Climáticos e Meteorológicos que soam os sinais de alarme sobre as alterações climáticas. Em 2020, também existiu um novo recorde de temperatura (18,3°C) para o continente antárctico”, afirmou o secretário-geral da WMO, Prof. Petteri Taalas.

“Os investigadores da WMO procuram actualmente verificar leituras de temperatura de 54,4°C registadas tanto em 2020 como em 2021 no local mais quente do mundo, o Vale da Morte na Califórnia, e validar um novo recorde europeu de temperatura de 48,8°C na ilha italiana da Sicília, durante este Verão. O Arquivo da OMM de Extremos Climáticos e Meteorológicos nunca teve tantas investigações simultâneas em curso”, acrescentou o secretário-geral da agência.

O Árctico está entre as regiões de aquecimento mais rápido do mundo e está a aquecer mais do dobro da média global. A temperatura extrema e as alterações climáticas em curso levaram um painel de peritos da OMM a acrescentar uma nova categoria climática “a temperatura mais elevada registada a 66.5⁰, o Círculo Polar Árctico” ao seu Arquivo Internacional de Meteorologia e Extremos Climáticos.

O Arquivo de Extremos Meteorológicos e Climáticos inclui as temperaturas mais altas e mais baixas do mundo, chuva, granizo mais pesado, período seco mais longo, rajada de vento máxima, relâmpagos mais longos e a taxa de mortalidade relacionada com o clima.

WMO/Karolin Eichler (Deutscher Wetterdienst)

Verkhoyansk situa-se a cerca de 115 quilómetros a norte do Círculo Polar Árctico e a estação meteorológica tem vindo a registar temperaturas desde 1885. Está localizada na parte norte da República de Sakha (Yakutia), que se situa numa região da Sibéria Oriental e tem um clima continental seco e extremamente rigoroso (invernos muito frios e verões quentes).

“Fundamentalmente, esta investigação destaca o aumento de temperaturas que ocorre numa região climática importante para o mundo. Através da monitorização e avaliação contínua dos extremos de temperatura, podemos continuar a estudar as mudanças que ocorrem no Árctico polar”, disse o Prof. Randall Cerveny, Relator de Extremos Climáticos e Meteorológicos para a OMM.

“Destaca a necessidade de manter observações a longo prazo que nos forneçam referências sobre o estado do sistema climático”, disse o Prof. Cerveny.

Relatora alerta sobre processo contra duas ONGS de direitos humanos na Rússia

Uma nova baixa na situação dos ativistas e defensores de direitos humanos na Rússia. Foi assim que a relatora especial* sobre o tema, May Lawlor, classificou a notícia da dissolução iminente de duas organizações civis no país.

Em comunicado, divulgado na terça-feira, Lawlor disse que o Memorial Internacional e o Centro Memorial de Direitos Humanos, conhecidos na Rússia como Memoriais, estão prestes a deixar de funcionar.

Lawlor disse que o Memorial Internacional e o Centro Memorial de Direitos Humanos, conhecidos na Rússia como Memoriais, estão prestes a deixar de funcionar

ONU

Lawlor disse que o Memorial Internacional e o Centro Memorial de Direitos Humanos, conhecidos na Rússia como Memoriais, estão prestes a deixar de funcionar

Eventos

As entidades estão entre as mais antigas e respeitadas do país. Segundo ela, o possível fechamento é apenas o último de uma série de eventos contra ativistas de direitos humanos.

A especialista contou que os dois centros receberam a notificação de audiência na justiça com menos de duas semanas de antecedência. Eles foram informados, no tribunal, em 23 e 25 de novembro, por promotores que o caso se devia a “violações múltiplas da Lei de Agentes Estrangeiros”. 

O Centro de Direitos Humanos foi acusado também de justificar terrorismo e extremismo ao defender o direito de presos políticos com base na resolução 1900, adotada em 2012, no Conselho da Europa. 

O caso agora está no Supremo Tribunal da Rússia, que não permite a entrada de jornalistas no local por causa da Covid-19.

Redes sociais

Novas audiências estão marcadas para esta semana e devem ser concluídas em 16 de dezembro. Vários órgãos das Nações Unidas pediram à Rússia para revisar a lei e ajustá-la a padrões internacionais de justiça.

Pela legislação, entidades que recebem fundos de outros países devem discriminar que os materiais são “produzidos por um agente estrangeiro”. Mas a informação não teria sido incluída nas páginas de internet dos Memoriais, livros e postagens de mídia social.

Cidade de Moscou, na Rússia

ONU News/Anton Uspensky

Cidade de Moscou, na Rússia

Uma das entidades foi fundada nos últimos anos da então União Soviética, dissolvida em 1991. A ONG documentou vários incidentes de repressão política durante a Era Soviética, e mais recentemente, alegações de violações de direitos humanos na Rússia.

Dissolução

Para a relatora, esses dois casos colocam o futuro de todas as ONGs na Rússia num limiar de incerteza.

Lawlor disse esperar que as autoridades não se decidam pela dissolução das organizações, no fim do processo. Mas, segundo ela, qualquer que seja o resultado, o espírito dos defensores de direitos humanos que trabalham nos Memoriais não será abalado.

A especialista afirmou que está em contato com autoridades na Rússia sobre o caso.

O comunicado de Mary Lawlor foi endossado por quatro outros relatores de direitos humanos.
 
*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

Novo recorde no Ártico faz soar o alarme sobre mudança climática

Agência da ONU, OMM, confirma temperatura histórica de 38 ° C registrada em cidade da Sibéria no ano passado; verão de 2020 na região teve média de 10 ° C acima do normal; agência continua verificando possíveis recordes nos Estados Unidos e na Itália. 

FAO: mais 14 milhões sem acesso a alimentos diários na Europa e na Ásia Central

Dentre as causas estão pandemia e interrupções de fornecimento aos mercados e nas cadeias de abastecimento devido à crise de saúde; prevalência de baixo peso no nascimento manteve-se em cerca de 50 países.  

OMS: menos de US$ 1 dólar per capita, por ano, poderá salvar 7 milhões de vidas 

Em todo o mundo, 85% das mortes prematuras entre 30 e 69 anos por doenças crônicas ocorrem em países de renda baixa. O dado consta do novo relatório da Organização Mundial da Saúde, OMS, sobre Doenças Crônicas. 

O documento “Salvando vidas, gastando menos: uma defesa para investimentos em doenças crônicas” traz uma série de propostas para promover um estilo de vida saudável para todos. 

Fardo 

Uma das sugestões garante que se governos dessas regiões fizerem um investimento em saúde, no valor de menos de um dólar americano para cada cidadão, quase 7 milhões de mortes por câncer, doenças cardíacas, diabetes e problemas respiratórios, poderão ser evitadas até 2030. 

Tedros Ghebreyesus acredita que investimentos estratégicos corretos ajudem os países a mudar a trajetória da doença crônica

Unicef/Shehzad Noorani

Tedros Ghebreyesus acredita que investimentos estratégicos corretos ajudem os países a mudar a trajetória da doença crônica

Essas doenças causam 70% dos óbitos em todo o mundo e o fardo socioeconômico para os países é enorme. 

A vasta maioria das mortes pode ser evitada com ações testadas pela OMS para doenças crônicas, conhecidas como “Best Buy”.  

Elas incluem medidas baratas de intervenção para reduzir uso de tabaco e o consumo nocivo de álcool, melhorar a dieta das pessoas e aumentar os exercícios físicos, assim como diminuir os riscos de doenças cardiovasculares e diabetes.  

Produtividade 

Um outro exame preventivo necessário é o do câncer cervical ou câncer de cólon, responsável por milhões de mortes todos os anos. 

Em resumo: manter as pessoas saudáveis corta os custos com saúde, aumenta a produtividade e a expectativa de vida. 

O relatório da OMS analisou a situação de 76 países de rendas baixa e média baixa. O retorno para cada dólar investido por ano é de US$ 7, ou quase US$ 230 bilhões até 2030. 

Um oficial de saúde conduz um teste de diabetes na África

OMS África

Um oficial de saúde conduz um teste de diabetes na África

O chefe da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirma que com os investimentos estratégicos corretos, os países podem mudar a trajetória da doença crônica e levar mais ganhos e saúde para seus cidadãos ao fazerem um investimento num futuro saudável. 

Marketing e venda 

As propostas da lista de políticas de saúde Best Buy também ajudam a reduzir o impacto da Covid-19 e outras pandemias futuras sobre a população, uma vez que já está provado que o novo coronavírus é mais grave em pacientes com doenças crônicas. 

As sugestões da OMS incluem ainda medidas como aumento de impostos de saúde, restrições sobre marketing e venda de produtos nocivos, informação, educação e vacinação. 

Ações para gerenciar diabetes e hipertensão estão entre as medidas mais eficazes. 

A OMS afirma que para implementar as propostas os países não precisam de muita experiência, mas a agência oferece apoio técnico aos que solicitarem o apoio. 

Conferência contra Corrupção deve aprovar declaração para mais ação global

Crime rouba trilhões de dólares, por ano, com consequências sérias para serviços públicos como saúde, educação, combate à pobreza; chefe da ONU lembra que a prática também afeta a luta contra a Covid-19 e impede que o mundo alcance o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

Artigo de Opinião: O Afeganistão está à beira do colapso total, o que só poderá ser evitado com o envolvimento do resto do mundo

UN Photo/Eskinder Debebe

Este artigo de opinião foi escrito pelo Subsecretário-Geral para os Assuntos Humanitários e Coordenador da Ajuda de Emergência, Martin Griffiths, e pelo Presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha, Peter Maurer, e foi originalmente publicado online pelo The Hill.

O Afeganistão está em queda livre. A contração económica desencadeada pela tomada do poder pelos Talibãs não tem precedentes. Estima-se que possa haver uma perda de 30% do seu produto interno bruto dentro de um ano. A economia está a implodir e já não existe dinheiro para as transações diárias das pessoas.

Os trabalhadores humanitários estão numa corrida contra o tempo para ajudar as pessoas durante um inverno rigoroso. Este trabalho é vital, mas está longe de ser suficiente. Podemos ver claramente os limites do nosso mandato humanitário e a necessidade de um apoio mais sistémico e sustentável. Sem ambos, o caos instala-se.

O Afeganistão é um país historicamente sustentado pela ajuda externa. No entanto, está agora à deriva e sem auxílio exterior, uma vez que as posições políticas internacionais endureceram contra os novos governantes. Os salários dos principais trabalhadores do setor público – médicos, enfermeiros e professores – não são pagos há meses. As instalações de saúde não têm meios para pagar o combustível para geradores ou ambulâncias. A prestação de serviços básicos está em risco de colapso e as pessoas que dependem destes serviços são as suas vítimas involuntárias.

Sem apoio internacional mais corajoso para manter as funções indispensáveis do Estado, não será possível evitar a morte de milhares de afegãos neste inverno. Devido à pior seca dos últimos 20 anos, dois terços da população dependerá de assistência alimentar em 2022, segundo as estimativas do Programa Alimentar Mundial. As crianças sucumbirão a níveis elevados de subnutrição, primeiro morrendo de doenças evitáveis e depois de fome total. Sem clínicas de saúde para onde ir, mais mulheres morrerão a dar à luz. As famílias enfrentarão temperaturas geladas sem eletricidade nem água limpa.

UN Photo/Eskinder Debebe

No final, os afegãos poderão perder toda a esperança e abandonar o país. O que é necessário para inverter esta perspetiva sombria?

Em primeiro lugar, os doadores devem continuar a financiar generosamente a resposta humanitária a esta catástrofe, tal como têm vindo a fazer desde Agosto. O plano humanitário para o Afeganistão estima dispender 4,47 mil milhões de dólares no país durante 2022, constituindo assim o maior apelo de sempre para este país. Mais de 24 milhões de pessoas necessitam de assistência urgente. As agências da ONU e os parceiros humanitários pretendem auxiliar mais de 90 por cento destas pessoas, uma impressionante quantidade de 22 milhões de pessoas, através do fornecimento de alimentos e de água, bem como de serviços de saúde, de proteção, de abrigo, de educação e de outras formas de apoio essencial. Para isso ser possível, é preciso o apoio dos doadores.

Em segundo lugar, deve haver maior flexibilidade relativamente às utilizações possíveis dos fundos doados, incluindo para pagar os salários dos trabalhadores do setor público e para o apoio de estruturas que prestam serviços básicos tais como de saúde, de educação e de assistência para a subsistência dos cidadãos. Isto proporcionará um incentivo para que as pessoas permaneçam onde estão e evitará uma onda caótica de migração em massa.

É importante que fique claro que apoiar estas estruturas não significa financiar quadros talibãs. A administração pública no Afeganistão é gerida por trabalhadores do setor público e quase todos eles ocupavam estes cargos antes da tomada do poder pelos Talibãs. As estruturas que eles mantêm são essenciais para evitar a desestabilização do Estado. Não vamos fingir nem por um minuto que os serviços estatais podem ser efetivamente mantidos ou substituídos por programas humanitários. O apoio humanitário é uma medida provisória e necessária para salvar vidas no terreno neste momento. Mas nunca é uma solução permanenten e a crise no Afeganistão já ultrapassou os limites da ajuda humanitária.

Em terceiro lugar, o envolvimento internacional precisa de estabelecer um diálogo cuidadosamente calibrado com as autoridades  afegãs. Isto poderia incluir a flexibilização ou o alívio de algumas sanções económicas ou uma reintrodução faseada da ajuda ao desenvolvimento a longo prazo em resposta ao progresso em questões de interesse internacional, tais como os direitos das mulheres e das raparigas.

UN Photo/Eskinder Debebe

O atual envolvimento internacional com o Afeganistão não é adequado ao fim a que se destina. O mundo fica à espera que os Talibãs façam progressos indefinidos sobre uma série de normas internacionais sem tomarem as medidas necessárias para o efeito. Os Talibãs, por outro lado, ou não estão dispostos a satisfazer estas expetativas ou não estão esclarecidos sobre as suas intenções.

As consequências são claras para qualquer um ver: o Estado está a desintegrar-se, a região está a ser desestabilizada e as pessoas estão a ficar sem esperança.

Uma abordagem de “business as usual” garante praticamente o fracasso internacional. Em vez disso, a comunidade internacional tem a responsabilidade de ser muito mais decisiva, mais exigente e mais empenhada do que é atualmente o caso neste processo diplomático reticente.

Nós estamos a deixar que isto aconteça perante os nossos olhos. Temos de tomar medidas para impedir que o povo do Afeganistão atinja o fundo do poço durante este inverno, financiando os serviços básicos necessários para a sua sobrevivência.

Quanto mais cedo iniciarmos um compromisso estruturado, significativo e recíproco com o Afeganistão, melhores serão as nossas hipóteses de o conseguirmos.

Portugal espera compromissos com os oceanos antes de conferência em Lisboa

Cerca de sete meses antes da realização da 2ª. Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, Portugal pede mais compromissos da comunidade internacional para lidar com as ameaças atuais.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse à ONU News que o evento coorganizado pelo seu país e o Quênia incentiva a defesa da riqueza e da variedade do mundo natural.  

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva

Captura vídeo ONU News

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva

Preservação

“O que nós pretendemos é que todas as pessoas tenham consciência deste fato: os oceanos, a boa governação dos oceanos, o uso razoável dos oceanos, a defesa e preservação dos oceanos, o combate à poluição marinha, é absolutamente essencial para ação climática e para a preservação da biodiversidade. Portanto há esse nexo entre o clima e os oceanos. É muito importante ter sempre presente no nosso espírito.”

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, lançou a pesquisa enfatizando a urgência de uma ação global em favor de ecossistemas afetados por plásticos nos oceanos.
A publicação ressalta que mesmo com o conhecimento disponível, falta vontade política dos governos para enfrentar a crise crescente. 

Lixo marinho, incluindo plástico, papel e madeira, acaba indo para as profundezas dos oceanos.

Foto: UN News/Laura Quinones

Lixo marinho, incluindo plástico, papel e madeira, acaba indo para as profundezas dos oceanos.

Comunidade internacional

“É inacreditável saber que grande parte, a maior parte, da poluição dos mares é gerado em terra. Por exemplo através dos plásticos. Os cientistas dizem que não demorará muito tempo em que haja mais plástico nos mares de peixes e nós temos que contrariar isso. E para isso precisamos de ação, precisamos de criar zonas de proteção marinha. Precisamos de mudar as nossas pescas e precisamos de, mais uma vez, nos unirmos todos para esse problema comum que é a governação dos oceanos.  Há um Objetivo do Desenvolvimento Sustentável, o 14, que diz respeito aos oceanos. E é preciso preservar os oceanos, é preciso preservar a biodiversidade nos oceanos, é preciso gerir racionalmente os oceanos e temos que mobilizar a comunidade internacional para isso.”

Três meses antes do evento em Lisboa, o tema reunirá o mundo na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em março de 2022. Um dos destaques será definir como seguir na cooperação global sobre esta questão.

Em 2015, os plásticos estavam envolvidos na produção de 1,7 giga toneladas de CO2 equivalente. A previsão é que em 30 anos o número chegue a 6,5 giga toneladas, ou 15% do orçamento global de carbono.
 
 

Em Dia Internacional da Cobertura Universal de Saúde, ONU pede mais avanços 

Neste 12 de dezembro o mundo marca o Dia Internacional da Cobertura Universal de Saúde sob o lema “Não deixar a saúde de ninguém para trás: investir em sistemas de saúde para todos.” 

Para a ONU, a construção de um futuro mais seguro e saudável depende de sistemas fortes com equidade, resiliência e atendimento às necessidades gerais. 

Qualidade  

A organização incentiva a representantes de governos, entidades internacionais, sociedade civil, setor privado, academia e imprensa a ter maior responsabilidade na promoção da saúde de qualidade. 

O Dia Internacional marca a adoção de uma resolução sobre o tema, em 2017, pela Assembleia Geral. O documento é um apelo global para acelerar o progresso para a cobertura universal de saúde. 

Mais líderes do que nunca estão prestando a atenção e um recorde de cidadãos exigem mudanças na saúde

Unicef/Partha Mitra

Mais líderes do que nunca estão prestando a atenção e um recorde de cidadãos exigem mudanças na saúde

O texto ressalta cuidados de qualidade e preços acessíveis “para todos em todos os lugares”. O padrão de serviços também deve ser uma prioridade para o desenvolvimento internacional.  

As celebrações da data visam aumentar a consciência sobre sistemas de saúde fortes e resilientes, além de promover a cobertura universal. 

Nova urgência  

Em todo o mundo, vários ativistas evidenciam falta de acesso ao defenderem maiores investimentos e compromissos com a cobertura universal de saúde até 2030. 

De acordo com as Nações Unidas, a pandemia da Covid-19 tem sido um momento contínuo para avaliar os sistemas de saúde por se tratar de uma nova urgência de cobertura universal. 

Para a ONU, há pontos positivos, pois mais líderes do que nunca estão prestando a atenção ao tema, e um recorde de cidadãos exigem mudanças nessa direção. 

Ativistas evidenciam falta de acesso ao defenderem maiores investimentos e compromissos com cobertura universal de saúde

Unicef/Thomas Nybo

Ativistas evidenciam falta de acesso ao defenderem maiores investimentos e compromissos com cobertura universal de saúde

Centenas de parlamentares em 44 países sob ameaça em maior alta desde 2014

Pelo menos 673 parlamentares no mundo estão sob ameaça, a maioria dos casos ocorre em países afetados por instabilidade e divisões políticas internas. Os dados constam de um relatório da União Interparlamentar, UIP, divulgado à véspera do Dia dos Direitos Humanos.

Este é o maior número desde 2014, pela UIP que registra reclamações de abusos sofridos pelos políticos no exercício de sua função. 

UIP recebeu relatos de violações dos direitos humanos contra 55 parlamentares eleitos entre eles, a prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi

ONU/Rick Bajornas

UIP recebeu relatos de violações dos direitos humanos contra 55 parlamentares eleitos entre eles, a prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi

Afeganistão

Um dos casos recentes é a situação de deputadas no Afeganistão, que tiveram que fugir do país após o movimento talibã retomar o poder em Cabul, em 15 de agosto.

Muitos parlamentares no mundo são vítimas de maus tratos e até ameaças de morte. Se comparado ao ano anterior, 2021 registrou um aumento de 22% nesses casos. 

Os dados mostram que a maioria das violações partiu de forças do governo com suspensão ou revogação do mandato parlamentar.

Violações à liberdade de expressão, ameaças, intimidações e falta de um julgamento justo são outros exemplos.

Violações dos direitos humanos dos parlamentares em 2021

UIP

Violações dos direitos humanos dos parlamentares em 2021

Nobel da Paz

Na última Assembleia da UIP, a 143, que ocorreu em Madri, na Espanha, o Conselho Diretor, que é o órgão deliberativo da União, aprovou uma série de decisões submetidas à Comissão sobre Direitos Humanos dos Parlamentares.

Os casos eram relacionados a 13 países incluindo Brasil, Paquistão, Iraque, Líbia entre outros. Após o golpe militar em Mianmar e a dissolução do Parlamento, em fevereiro, a UIP recebeu relatos de violações dos direitos humanos contra 55 parlamentares eleitos entre eles, a prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi e o deputado Win Myint, condenados a dois anos de prisão por “incitação e desrespeito às regras de contenção da pandemia”.

O relatório cita ainda os casos da Tunísia e da Venezuela, no segundo semestre deste ano.

No Dia dos Direitos Humanos, ONU alerta para aumento de desigualdade

As Nações Unidas celebram, neste 10 de dezembro, o Dia dos Direitos Humanos. O tema desse ano é a redução das desigualdades.

Em mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o mundo está numa “encruzilhada” com pandemia, crise climática e a expansão das tecnologias digitais ameaçando os direitos humanos.

Exclusão

Para ele, a exclusão e a discriminação crescem em meio à diminuição da esfera pública. Guterres lembrou que a pobreza e a fome estão aumentando, pela primeira vez, em décadas e milhões de crianças estão perdendo o seu direito à educação. 

Há 73 anos, em 1948, a Assembleia Geral adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Os princípios estabelecidos no texto continuam a ser a chave para a realização de todos os direitos humanos, para todas as pessoas, em todos os lugares.

Para Guterres, a recuperação da pandemia deve ser uma oportunidade para expandir os direitos humanos e as liberdades e reconstruir a confiança na justiça e na imparcialidade das leis e das instituições. 

Ele reafirmou que as Nações Unidas defendem os direitos de cada membro da “família humana” e que continuará a trabalhar pela justiça, igualdade, dignidade e direitos humanos para todos.

Versão inicial da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Foto ONU/Greg Kinch

Versão inicial da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Esperança

Também em mensagem sobre a data, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que os dois últimos anos foram uma demonstração dolorosa do custo intolerável de desigualdades crescentes. 

Ao lembrar a Declaração Universal, ela citou os diversos progressos vistos, com mais crianças indo às escolas e mais mulheres conquistando autonomia. 

Mas as crises dos últimos 20 anos vêm atrasando o ritmo do progresso. Ela também avaliou que a pandemia deixou efeitos arrasadores, aprofundando as diferenças, a começar pela distribuição de vacinas.

Bachelet citou a crise climática, que afeta milhões de pessoas e aumenta o número que migra em decorrência dos efeitos das mudanças no clima. 

Para ela, a igualdade está no centro dos direitos humanos e que é preciso abraçar toda diversidade e exigir o fim de qualquer tipo de discriminação.
 

ONU quer mais envolvimento de jovens na luta contra a corrupção

Este 9 de dezembro é o Dia Internacional Anti-Corrupção sob lema: “Seu direito, seu papel: Diga não à corrupção”; prevenir a prática é essencial para alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.