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ONU apaga as luzes de sua sede neste sábado para a “Hora do Planeta” 

Este sábado, 27 de março, a sede das Nações Unidas apagará as luzes da sua sede, em Nova Iorque, para fazer parte da “Hora do Planeta”.  

Durante uma hora no horário local de 20h30, em qualquer país, todos as luzes são desligadas para chamar a atenção para soluções de proteger o planeta e construir um futuro sustentável. 

Mudança de rumo 

A iniciativa global que une centenas de milhões de indivíduos, empresas, organizações e governos em todo o mundo. 

Em mensagem de vídeo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o mundo precisa fazer as pazes com a natureza. Segundo ele, sem a ajuda dela não se pode prosperar nem sobreviver no planeta Terra.  


Guterres afirma que “as perturbações climáticas, a perda de biodiversidade e a poluição ameaçam vidas, empregos e saúde.” Para ele, “é hora de reavaliar e redefinir a nossa relação com a natureza.” 

O secretário-geral acredita que “2021 é um ano para mudar de rumo.” Ele contou que “as soluções estão disponíveis e são acessíveis, práticas e realistas.” 

O chefe da ONU lembra que o mundo pode fornecer energias renováveis e sistemas alimentares sustentáveis para todos. Reduzir as emissões e usar soluções baseadas na natureza para ajudar a construir um mundo mais resiliente e neutro em carbono. 

Austrália 

Para Guterres, todos devem fazer a sua parte para proteger o planeta e, juntos, é possível “construir um futuro mais brilhante e próspero.” 

O chefe da ONU afirmou ainda que a organização tem orgulho de se juntar à Hora do Planeta, dizendo que a iniciativa lembra “que as pequenas ações podem fazer uma grande diferença.” 

NASA

O chefe da ONU afirmou ainda que a organização tem orgulho de se juntar à Hora do Planeta

A Hora do Planeta ocorreu pela primeira em 2007, em Sidney, na Austrália, organizada pela Rede WWF, antes conhecida como Fundo Mundial para a Natureza. 

Segundo a organização, a Hora do Planeta é hoje “o maior movimento de base do mundo para o meio ambiente, inspirando milhões de pessoas a agirem em defesa do planeta e da natureza.” 

Biodiversidade 

A Rede WWF lembra que “a maioria dos recursos que usamos vem do ambiente” e que as pessoas precisam “voltar a ter contato com as suas raízes e cultivar a natureza ajudando a preservar a vida selvagem e seus habitats.” 

Além disso, a organização afirma que “a variedade de vida e lugares onde vivem é a melhor defesa contra as alterações climáticas”, porque “essa variedade fornece ainda mais recursos para melhorar vidas.” 

À medida que a mudança climática acelera e a perda de biodiversidade ameaçam o planeta, a Hora do Planeta pretende incentivar conversas sobre o meio ambiente e a necessidade urgente de protegê-lo. 

Investimento em economia verde deve ajudar África na recuperação da pandemia

A Comissão Econômica da ONU para África, ECA, recomendou aos países do continente a adotarem políticas que levem a investimentos verdes para aumentar a produtividade facilitando a recuperação da pandemia e alcançar a industrialização sustentável.

O analista-chefe da Divisão de Especialistas em Macroeconomia e Governança apresentou o relatório atualizado do desenvolvimento econômico em África, no qual nomeou o apoio a pequenas e médias empresas como decisivo para revitalizar sustentos e reforçar sistemas de proteção social. 

OMM/Cornel Vermaak

Comissão da ONU estima que cerca de 49 a 161 milhões de pessoas caiam em pobreza extrema

Avaliação

A recomendação foi feita no 39º encontro do Comitê de Peritos da Comissão Africana.

Hopestone Kayisha Chavula disse que países precisam construir e fortalecer sistemas de monitoramento e avaliação estatísticos para refinar a mitigação e medidas de recuperação. Ele indicou que o reforço dos sistemas de saúde através de criação de centros regionais de última geração é também crucial.

Ele destacou a necessidade de apoio da comunidade internacional para resolver a liquidez e promover a recuperação, que pode ser possível com a emissão e revogação de direitos especiais de saque, redução dos custos de crédito, reestruturação da dívida e recapitalização dos Bancos Multilaterais.

Rémi Chapman @WIA Initiative

África tem uma alta taxa de desemprego, cerca de 15%, que afeta principalmente mulheres e jovens

Efeitos Negativos

Por outro lado, o Chefe da Seção disse que a Covid-19 afetou de forma significativa o desenvolvimento socioeconômico no continente, interrompendo ou revertendo progressos alcançados nos últimos anos na educação, saúde e erradicação da pobreza.

Em consequência da crise, a Comissão da ONU estima que cerca de 49 a 161 milhões de pessoas caiam em pobreza extrema, contudo as perspectivas de recuperação mantêm-se positivas para 2021. 

No último semestre de 2020, o desempenho da economia melhorou e o Produto Interno Bruto, PIB, recuperou-se e para os analistas o fato deve-se a disponibilidade de vacina da Covid-19 e gastos em viagens. No primeiro semestre, o PIB havia contraído e desvantagens da segunda vaga de infecções, preços de comodidades mais baixos, riscos fiscais e conflitos são o motivo.

O déficit fiscal também subiu, devido ao aumento de gasto para travar a propagação do vírus, colocando um crescente número de países em risco de endividamento. 

FAO/Petterik Wiggers

Sistemas alimentares em África foram afetados por choques climáticos, conflitos e, mais recentemente, a pandemia de Covid-19

Resposta

Em resposta, Chavula afirma que políticas monetárias adaptáveis foram mantidas para atenuar os efeitos negativos da pandemia na atividade econômica, apesar da pressão inflacionária em alguns países. A expectativa é que o comércio africano se recupere da queda com a implementação da Zona de Livre Comércio.

Sobre riscos e incertezas, ele salientou, que a segunda onda de infecções, medidas ficais expansionistas e o aumento dos custos de dívida representaram riscos negativos para o crescimento de muitos países. 

A instabilidade pós-eleitoral e ansiedade, resultantes sobretudo de dificuldades econômicas ligadas a pandemia, e o cansaço do confinamento, levaram a incertezas, acrescentou.

Num momento em que vários países estão em risco de eventos climáticos extremos, o analista macroeconômico lembra que os riscos das mudanças climáticas podem minar o crescimento econômico. 

Para Chavula, o acesso ao financiamento concessionário será vital na restauração de vidas, sustentos e recuperação do ímpeto para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2063.

 *Amatijane Candé, de Bissau para a ONU News
 

FESTIVAL DE AÇÃO GLOBAL ODS, 25-26 DE MARÇO DE 2021

‘Um momento de mudança pelas pessoas e pelo planeta’

Sob o tema ‘Um Momento de Mudança pelas Pessoas e pelo Planeta’’, o quinto Festival de Ação Global ODS, promovido pela Campanha de Ação ODS da ONU, decorrerá nos dias 25 e 26 de março.

O Festival procura encontrar novas maneiras de inspirar, mobilizar e ligar a comunidade global para agir de acordo com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Este será realizado virtualmente em seis diferentes palcos, com workshops interativos, exposições, performances e oportunidades de networking com líderes, ativistas, membros do setor privado e muito mais.

Para aceder ao programa completo do Festival, visite globalfesitvalofaction.org. O programa do palco principal será também transmitido ao vivo em inglês na UN WebTV e na UN YouTube.

Os principais oradores serão:

  • Amina J Mohammed, subsecretária-geral das Nações Unidas
  • Achim Steiner, administrador do PNUD
  • Eddie Ndopu, ativista dos ODS

O Festival contará com atuações dos artistas Patti Smith, Yoko Ono e B o m b a Estéreo.

Para uma lista completa, consulte o programa online.

Pela primeira vez, haverá também um programa especial produzido pelas agências da ONU sediadas no Japão. Este focar-se-á no intercâmbio de inovações e melhores práticas sustentáveis entre as partes interessadas japonesas e especialistas internacionais. Este novo programa trará perceções internacionais ao público local e conectará inovações locais com participantes e redes globais.

O Festival de Ação Global ODS tem o objetivo de realçar como 2021 deve ser um ano de mudança para as pessoas e o planeta. A covid-19 virou as nossas vidas de pernas para o ar e exige que todos trabalhemos juntos para uma melhor recuperação, com os ODS como modelo de ação. Centrado no conceito de mudança, o Festival vai promover debates e impulsionar ideias e ações sobre quatro temas que vão determinar o seu progresso: devemos #Mudar para combater as alterações climáticas, defender a igualdade de género, acabar com a pobreza e as desigualdades, e conseguir sistemas económicos sustentáveis e inclusivos.

Covid-19 pode levar a uma década perdida para o desenvolvimento 

O Relatório de Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável de 2021 afirma que a economia global teve a pior recessão em 90 anos, com os segmentos mais vulneráveis ​​da sociedade afetados de forma desproporcional.  

Segundo a pesquisa da ONU, cerca de 114 milhões de empregos foram perdidos e 120 milhões de pessoas voltaram a uma situação de pobreza extrema. 

Importância 

Em comunicado, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, disse que a pandemia provou que “os desastres não respeitam as fronteiras nacionais.” 

ONU/Daniel Getachew

A vice-secretária-geral da ONUAmina Mohammed fala com menina em Borno, na Nigéria, durante visita este ano.

Segundo ela, “um mundo divergente é uma catástrofe para todos” e “é moralmente correto e do interesse econômico de todos ajudar os países em desenvolvimento a superar esta crise.” 

A pesquisa detalha como a resposta desigual à pandemia ampliou enormes disparidades e injustiças dentro e entre países. 

No total, cerca de US$ 16 trilhões foram investidos para combater os piores efeitos da crise, mas menos de 20% desse valor foi gasto em países em desenvolvimento. Em janeiro deste ano, apenas nove dos 38 países com campanhas de vacinação contra a Covid-19 eram países desenvolvidos. 

Alto risco 

Cerca de metade dos países menos desenvolvidos e de outros de baixa renda corriam alto risco de sobre-endividamento antes da crise. Agora, a queda das receitas fiscais fez os níveis da dívida dispararem. 

Segundo a pesquisa, a situação nos países mais pobres do mundo é profundamente preocupante. Nesses Estados-membros, a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pode demorar mais 10 anos do que o previsto. 

O relatório inclui recomendações concretas, pedindo a ação imediata dos governos.  

UNICEF

Doses da vacina AstraZeneca sendo entregues no Sri Lanka, como parte da iniciativa Covax

Uma das propostas é financiar totalmente o Acelerador de Ferramentas de Acesso à Covid-19, que ainda precisa de mais US$ 20 bilhões para 2021. Além disso, os países devem cumprir o compromisso de 0,7% de Assistência Oficial ao Desenvolvimento e criar novos financiamentos para os países em desenvolvimento.  Os Estados também podem apoiar alívio da dívida para esses mesmos países.  

Correção 

O subsecretário-geral do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa, Liu Zhenmin, afirmou que “o fosso crescente entre os países ricos e pobres é preocupantemente retrógrado e requer uma correção de curso imediata.” 

Zhenmin disse ainda que “para reconstruir melhor, os setores público e privado devem investir em capital humano, proteção social e infraestrutura e tecnologia sustentáveis.” 

Segundo a pesquisa, o investimento sustentável e inteligente, por exemplo em infraestrutura, pode reduzir os riscos e tornaria o mundo mais resistente a choques futuros. Além disso, criaria crescimento, uma vida melhor para milhões de pessoas e ajudaria a combater a mudança climática. 

Investir entre US$ 70 bilhões e 120 bilhões nos próximos dois anos, e entre US$ 20 bilhões e 40 bilhões anualmente depois, reduziria significativamente a probabilidade de outra pandemia, em contraste com trilhões de dólares em danos econômicos já causados pela Covid-19. 

ONU/Eskinder Debebe

O secretário-geral adjunto para os Assuntos Económicos e Sociais, Liu Zhenmin.

Mudança 

A pesquisa afirma que a resposta a esta crise é uma oportunidade para redefinir os sistemas globais e prepará-los para o futuro.  

O relatório recomenda uma solução global para a tributação da economia digital como forma de combater a fuga fiscal, reduzir a concorrência prejudicial e combater os fluxos financeiros ilícitos. 

Também propõe uma estrutura global para responsabilizar as empresas por seu impacto social e ambiental e incorporar os riscos climáticos à regulamentação financeira. 

Além disso, as estruturas regulatórias devem ser revistas, para reduzir o poder de mercado das grandes plataformas digitais, e o mercado de trabalho e as políticas fiscais devem refletir a realidade de uma economia global em mudança.  

Terminando, Liu Zhenmin afirma que “para mudar a trajetória, é preciso mudar as regras do jogo.” Ele avisa que “depender das regras de antes da crise levará às mesmas armadilhas do passado.” 

Quarteto para o Oriente Médio tenta revitalizar negociações de paz na região

O Quarteto para o Oriente Médio reuniu-se na terça-feira para avaliar as possibilidades de retorno das negociações de paz entre israelenses e palestinos.

O grupo é representado por enviados dos Estados Unidos, da Rússia, da União Europeia e das Nações Unidas.

ONU

Reunião avalia o retorno das negociações de paz no Iêmen.

Resolução

A crise causada pela pandemia da Covid-19 foi um dos temas da reunião virtual assim como disparidades econômicas entre os habitantes de Israel e dos Territórios Palestinos.

O objetivo do Quarteto, que antes era representado por um enviado apenas, é ajudar a criar as condições para negociações de paz que levem a uma resolução do conflito israelense-palestino e à criação de dois Estados vivendo lado a lado pacificamente.

Os enviados do Quarteto para o Oriente Médio também debateram detalhes sobre etapas do processo que promovam liberdade, segurança e prosperidade para ambos os lados.

OIM/Olivia Headon

Cerca de 21 milhões de iemenitas precisam de algum tipo de assistência e proteção.

Arábia Saudita  

E em nota separada, também na terça-feira, a ONU elogiou o anúncio pela Arábia Saudita sobre iniciar um processo de paz que acabe com o conflito no Iêmen.

O secretário-geral António Guterres afirma que iniciativa está alinhada com esforços de seu enviado especial ao Iêmen, Martin Griffiths, para promover um cessar-fogo no país e pôr fim à maior crise humanitária do mundo.

Os combates no Iêmen começaram em 2015 quando uma coalizão liderada pelos sauditas em apoio ao governo iemenita passou a luta contra rebeldes houthis, apoiados pelo Irã.

Dezenas de milhares morreram e cerca de 21 milhões de iemenitas precisam de algum tipo de assistência e proteção, de acordo com o Escritório de Coordenação Humanitária da ONU, Ocha, incluindo 11,3 milhões de crianças.

Outros objetivos do Enviado Especial da ONU que se alinham com a iniciativa saudita incluem a reabertura do aeroporto de Sanaa e o fluxo regular de combustível e outras mercadorias para o Iêmen através do importante porto de Hodeida no Mar Vermelho. Ambos estão atualmente sob o controle dos houthis.

Guterres disse que vê positivamente qualquer movimento que traga um processo político inclusivo para chegar a um acordo negociado abrangente que ponha fim ao conflito.
 

ONU pede US$ 5,5 bilhões para combater fome que deve aumentar em 20 países 

Sem assistência urgente e ampliada, a fome aguda deve aumentar em mais de 20 países nos próximos meses.  

O alerta é da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e do Programa Mundial de Alimentos, PMA, num relatório publicado esta terça-feira.  

Crise global 

Iêmen, Sudão do Sul e norte da Nigéria estão no topo da lista e enfrentam níveis catastróficos de fome aguda, com algumas famílias já em risco de morte.  

PMA/Mohammed Awadh

David Beasley em visita a hospital no Iêmen

Embora a maioria dos países afetados esteja na África, a fome aguda deve aumentar vertiginosamente na maior parte do mundo: do Afeganistão, na Ásia, à Síria e Líbano, no Oriente Médio passando por Haiti, no Caribe. 

Em todo o mundo, mais de 34 milhões de pessoas lutam contra os níveis de emergência de fome aguda, IPC 4, que significa a um passo da fome. 

Em comunicado, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, disse que “a magnitude do sofrimento é alarmante.” Para ele, “é responsabilidade de todos agir agora e rapidamente para salvar vidas, proteger meios de subsistência e evitar o pior.” 

Já o chefe do PMA, David Beasley, acredita que três passos são precisos, urgentemente, para impedir que milhões morram de fome. Primeiro, parar os combates, depois, ter acesso a comunidades vulneráveis e, por fim, apoio dos doadores para angariar os US$ 5,5 bilhões necessários para ajuda humanitária.  

Angola 

Angola e Moçambique fazem parte da lista de países onde a insegurança alimentar deve aumentar. 

Em Angola, os principais motivos são condições de seca, desafios econômicos e um surto de gafanhotos do deserto, que devoram as plantações. 

© Unicef Angola/2019/Carlos César

Seca em Angola deixou famílias desesperadas e crianças sem tempo para educação.

Outra estação seca deve prejudicar as famílias nas províncias do sudoeste do país. A baixa precipitação danificará a produção agrícola, incluindo nas principais regiões produtoras de cereais, bem como a criação de animais. 

Já o surto de gafanhotos do deserto migratórios deve agravar a situação. Relatos iniciais mostram que nuvens gigantes arrasaram várias colheitas na província do Cuando Cubango, no sudeste de Angola, e continuam sendo uma ameaça.  

Atividade empresarial 

Os desafios econômicos por causa da Covid-19, condições de crédito e redução da atividade empresarial são outros empecilhos no caminho. 

O relatório prevê um aumento do preço dos alimentos e informa que o valor cobrado pela farinha de mandioca e de milho, os principais alimentos básicos do país, já subiu 30% e 25% no ano passado, respectivamente.  

As agências estimam que 1 milhão de pessoas sofrerão de insegurança alimentar em 2021, cerca de 17% acima da média de cinco anos.  

Em Moçambique, os principais fatores são tempestades e ciclones, a crise da Covid-19 e a insegurança na província de Cabo Delgado 

Os desastres naturais causaram deslocamentos e destruíram infraestrutura e colheitas. Segundo avaliações iniciais, 100 mil hectares de terras cultivadas foram afetados. Nas províncias do sul, os agricultores não tiveram sementes suficientes para uma segunda temporada. 


Cabo Delgado 

Em Cabo Delgado, a violência abrandou em janeiro e fevereiro, mas deve se intensificar com o fim da estação das chuvas esse mês, aumentando o número de deslocados, que estava em 668 mil no final do ano passado.  

Um total de 2,9 milhões de pessoas devem enfrentar altos níveis de insegurança alimentar aguda, IPC Fase 3 e acima, entre janeiro e março. O valor está acima dos 2,7 milhões de pessoas nos três meses anteriores. 

Esse número deve diminuir para 1,7 milhão entre abril e setembro, devido à época das colheitas e tendência de redução dos preços dos alimentos, mas as agências alertam para o possível impacto de vários fatores. 

Apesar do aumento do apoio humanitário, a resposta tem sido dificultada por várias restrições, como insegurança e fortes chuvas.  

Causas 

Em todo o mundo, conflitos e a pandemia de Covid-19 são as principais causas da crise alimentar. 

A situação de violência pode prolongar-se, ou aumentar, em partes do Afeganistão, República Centro-Africana, Sahel Central, Etiópia, norte da Nigéria, norte de Moçambique, Somália, Sudão do Sul e Sudão. 

A crise de saúde deve seguir ao redor do mundo. A América Latina, a mais afetada pelo declínio econômico, será a mais lenta para se recuperar. Iêmen, Síria e Líbano sofrem com uma rápida depreciação da moeda e inflação vertiginosa. 

© FAO/Haji Dirir

Praga dos gafanhotos do deserto continuará aumentando o risco de danos às pastagens e às plantações

Os extremos climáticos e o fenômeno La Niña provavelmente continuarão em abril e maio. Os surtos de gafanhotos do deserto na África Oriental e na costa do Mar Vermelho continuam a ser preocupantes e podem chegar a partes da África Austral, arrasando as colheitas de verão. 

Ação urgente 

O relatório recomenda ações de curto prazo em cada um dos locais mais afetados.  

As propostas vão desde o aumento da assistência alimentar, à distribuição de sementes, tratamento e vacinação dos rebanhos, esquemas de trabalho em troca de dinheiro e reabilitação de estruturas de coleta de água.  

Segundo as agências, a produção agrícola é essencial, especialmente onde o acesso é limitado e as pessoas dependem da produção local. 

Água e clima: resposta integrada da ONU à crise climática

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Lançada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), a nova Aliança para a Água e o Clima pretende incentivar políticas integradas mais eficazes num contexto em que as alterações climáticas, a degradação ambiental e o crescimento demográfico agravam os riscos de escassez de água. A aliança destina-se a conjugar esforços entre a OMM, 10 agências da ONU e um painel de líderes políticos, civis e representantes regionais.

A aliança foi anunciada num evento de alto nível da Assembleia Geral da ONU, a 18 de março, visando recuperar o atraso face aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados com a água e, em particular, o ODS6: água limpa e saneamento para todos. O evento teve lugar dias antes do Dia Mundial da Água, a 22 de março – cujo tema deste ano é a valorização da água. O Relatório do Desenvolvimento Mundial da Água da ONU dedica-se ao tema da campanha.

“Hoje, a nossa discussão não é sobre um líquido numa garrafa. A sua existência ou falta significa muito, muito mais. É sobre dignidade (…) é sobre a nossa saúde e a nossa capacidade de sobreviver” – presidente da Assembleia Geral da ONU, Volkan Bozkir.

No discurso de abertura, a subsecretária-geral da ONU, Amina Mohammad, pediu mais ambição aos governos na ação climática, destacando a prioridade de alcançar as metas da Agenda 2030. Amina Mohammad reiterou o apelo do secretário-geral da ONU, António Guterres, para alocar 50 por cento do orçamento da ação climática na adaptação, perante a desestabilização dos circuitos de água e saneamento.

De acordo com a OMM, cerca de 39 por cento da população mundial não tem acesso a água potável e estima-se que, em 2050, mais de 50 por cento das pessoas enfrentem stress hídrico. As alterações climáticas estão a ter impacto nos padrões de precipitação e a afetar o acesso à água, agravando os danos causados pelas enchentes e pelas secas em todo o mundo.

“Os maiores impactos das alterações climáticas est\ao relacionados coma água (…) Temos que nos adaptar às alterações climáticas. Uma das vias mais poderosas para nos adaptarmos é o investimento em serviços meteorológicos e hidrológicos”, declarou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, numa mensagem-vídeo

 

O derretimento de gelo

O derretimento de gelo e das calotas polares tem gerado riscos de curto prazo, ameaçando, no entanto, a segurança e o acesso à água de centenas de milhões de pessoas, a longo prazo.

No século passado, mais de 8% do território do Tajiquistão era coberto por glaciares, somando um total de 14.500 glaciares. Hoje, mais de 1.000 glaciares derreteram completamente, fazendo diminuir um terço do volume total – alertou o presidente do país, Emomaliji Rahmon, na Assembleia Geral da ONU, no evento de lançamento da nova aliança.

“Esta tendência pode ter consequências muito dramáticas a médio e longo prazo. Ao mesmo tempo, as alterações climáticas intensificaram a frequência de fenómenos hídricos e meteorológicos naturais, como a seca, as inundações, as correntes de lama, as avalanches e os deslizamentos de terra. Os desastres naturais causam enormes danos na economia e no meio ambiente do Tajiquistão, todos os anos, minando os esforços nacionais pelo desenvolvimento sustentável. Esses desafios também são típicos noutros países da Ásia Central”, acrescentou.

 

Acelerar o ritmo da ação climática

“Se quisermos cumprir os nossos compromissos com o ODS 6, temos de acelerar – e, em certas áreas, trabalhar quatro vezes mais rápido”, declarou o Presidente da Água da ONU, Gilbert F. Houngbo, também Presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola e um dos membros do painel de Líderes do Clima.

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Os Líderes da Água e do Clima fornecerão orientações práticas sobre integração, informação, cooperação e investimento adequados.

 

Colmatar a lacuna de informação

A falta de informação sobre os recursos hídricos é um dos principais obstáculos à tomada de medidas eficientes e sustentáveis ao nível da água. Os decisores políticos enfrentam o mesmo problema quando se trata de prevenir riscos de secas e enchentes. A liderança da OMM pode ajudar a colmatar esta lacuna.

 

Hoje, 60% dos Estados-membros da OMM relatam incapacidades na monitorização hidrológica e, consequentemente, na tomada de decisão sobre as relações entre a água, a alimentação e a energia. Mais de 50% dos países não possuem um sistema de gestão de qualidade para dados relacionados com a água e só 40% dos países têm bons sistemas de alerta precoce para secas e enchentes. Os líderes carecem de uma base de informação fidedigna para tomar decisões que tenham consequências jurídicas nas escalas das bacias hidrográficas.

Esta conjuntura ameaça seriamente a agenda de desenvolvimento sustentável.

A Water and Climate Coalition é um esforço voluntário para colmatar a lacuna de informações sobre a gestão da água, dos alimentos e da energia, no sentido de enfrentar os impactos crescentes das alterações climáticas. A aliança apoia a implementação da Década de Ação pela Água da ONU, por meio da Estrutura do Acelerador Global da Água da ONU para o ODS 6 com um mecanismo de ação concreto.

Destina-se a:

  • Disseminar os princípios da ação climática integrada, ambicionando uma nova política mundial pelo clima e pela água que aposte em abordagens integradas
  • Reunir uma aliança global para implementar e partilhar os benefícios da adaptação multilateral e da resiliência regional. Inclui o acesso universal e gratuito a informações e serviços relevantes, a capacidade para agir com base nessas informações e o investimento nas melhores soluções

 

As mensagens fundamentais da Aliança são:

  • O desenvolvimento sustentável obriga a soluções integradas de água, clima e meio ambiente
  • A informação sobre água é um bem público e deve ser gratuita
  • A cooperação internacional e intersetorial traz benefícios e maior resiliência
  • Investir em soluções eficazes de gestão de água a longo prazo ajuda a preparar o nosso planeta para o futuro

Investimento em mulheres e jovens empreendedores pode impulsionar crescimento da África  

Preparar mulheres e jovens empreendedores com habilidades, recursos e orientação irá impulsionar o crescimento da África. 

Essa foi a grande conclusão de um evento que reuniu no domingo, 21 de março,  ministros, banqueiros e especialistas em desenvolvimento durante a sessão anual da Comissão Econômica para Ministros Africanos das Finanças, Planejamento e Desenvolvimento Econômico.  

Prosperidade  

O painel de discussão enfocou os desafios que mulheres e jovens empreendedores enfrentam, como podem alavancar a tecnologia e quais práticas podem promover o empreendedorismo após a pandemia.  

Unicef/Michele Spatari/AFP-Services

Tecnologias digitais são um caminho para superar a crise da Covid-19

A chefe da seção de urbanização da Comissão Econômica da ONU para a África, ECA, Edlam Yemeru disse que informações sobre empreendedorismo, acesso a financiamento, ambiente propício e desenvolvimento de habilidades são essenciais para ajudar mulheres e jovens empreendedores a prosperar. 

Já a diretora executiva adjunta do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, para Atividades Populacionais, Diene Keita, disse que muito do potencial digital permanece inexplorado. 

Segundo ela, as tecnologias digitais são um caminho para superar a crise da Covid-19 e acelerar o progresso para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.  

Dificuldades 

África tem uma alta taxa de desemprego, cerca de 15%, que afeta principalmente mulheres e jovens. 

UIT

No continente africano, lacuna de gênero no acesso à internet aumentou de 20% em 2013 para 33% em 2019. de alta renda.

Globalmente, o continente tem uma posição elevada em termos de empresas recentes, conhecidas como startups, lideradas por mulheres e jovens.  No entanto, esses grupos têm contribuições econômicas limitadas devido a desafios como acesso limitado a financiamento, treinamento e tecnologia.  

Por exemplo, a lacuna de gênero no acesso à internet aumentou de 20% em 2013 para 33% em 2019. Ao mesmo tempo, os jovens representam 60% da população desempregada. As evidências mostram que essas desigualdades estão aumentando devido à pandemia. 

O painel de discussão sugeriu, entre outras propostas, que empreendedores tenham orientação personalizada, que parte dos fundos públicos seja destinada a startups de mulheres e que os bancos criem um critério especial de empréstimo para pequenas empresas. 

Covid-19: um ano após o encerramento das escolas – Qual a situação atual?

Há exatamente um ano, a pandemia da covid-19 paralisou os sistemas educativos em todo o mundo, criando a maior crise global de educação da história. No auge desta crise, a UNESCO equacionou que mais de 1.600 milhões de alunos em mais de 190 países estavam fora das salas de aula. Mais de 100 milhões de professores e funcionários foram afetados pelo repentino encerramento das escolas. Hoje, dois terços da população estudantil ainda é afetada pelo encerramento total ou parcial das instituições de ensino. Em 29 países, as escolas permanecem totalmente fechadas.

A pandemia expôs e ampliou as desigualdades já existentes na educação. Como sempre, foram os alunos vulneráveis ​​e marginalizados os mais afetados. Num momento em que é essencial aumentar o financiamento para a recuperação do ensino, a desaceleração económica está a reduzir os orçamentos nacionais para a educação e a ajuda social. De acordo com um relatório do Banco Mundial e da UNESCO, apesar das necessidades críticas de financiamento adicional, desde o início da pandemia, dois terços dos países de baixo e médio-baixo rendimento cortaram os seus orçamentos públicos para a educação.

Em outubro do ano passado, a UNESCO convocou um Encontro Global da Educação, onde líderes e parceiros mundiais comprometeram-se a proteger o financiamento da educação do impacto devastador da pandemia.

Desde o início da crise educacional, a UNESCO e os seus 160 parceiros, através da Coligação Global de Educação, mobilizaram-se em torno de três temas centrais – conectividade, género e professores – para garantir a continuidade da educação durante esta crise sem precedentes.

Desde manter as escolas abertas à redução da exclusão digital – de abordar evasões e perdas educativas a pedir mais financiamento para o ensino – a UNESCO traçou o caminho, durante o ano passado, através de parcerias e inovações, para a prevenção uma “catástrofe geracional” e a construção de sistemas de educativos mais inclusivos.

Manter as escolas abertas e apoiar os professores

Proteger a saúde física e mental dos alunos, professores e funcionários das instituições de ensino é essencial. O encerramento das escolas originou uma enorme perturbação na vida de crianças e jovens, afetando o seu desenvolvimento socioemocional e o seu bem-estar, assim como a sua vida social e os seus relacionamentos. Visto que dois terços da população estudantil mundial ainda é afetada pelo encerramento total ou parcial das escolas, a pandemia afeta cada vez mais a saúde mental das crianças e jovens.

Para permitir um regresso seguro à escola, os 100 milhões de professores e educadores do mundo devem ter prioridade nas campanhas de vacinação. A pandemia afetou diretamente 63 milhões de professores primários e secundários. Durante o encerramento das escolas, estes foram obrigados a ensinar à distância, sem tempo para se preparar para esta nova realidade e muitas vezes sem a orientação e os recursos necessários. Os professores tiveram que modificar os currículos e adaptar os planos de aula para continuar a ensinar usando soluções de alta, baixa ou nenhuma tecnologia. Estes necessitam de formação contínua em ensino remoto, acesso a tecnologia e pedagogias alternativas flexíveis para a aprendizagem online, combinada e offline.

Abandono escolar e perdas educacionais

A perdas educacionais já não estão a ser contabilizada em dias e semanas, mas em meses. Dois terços de um ano letivo foram, em média, perdidos em todo o mundo devido ao encerramento total ou parcial das instituições de ensino. Quanto mais tempo as escolas ficarem fechadas, maior o impacto no futuro das crianças e dos jovens. 24 milhões de crianças e jovens estão em risco de abandono escolar. Os professores precisam de formação e apoio no ajuste de currículos e métodos de avaliação para medir e mitigar as perdas educacionais e prevenir o abandono escolar de alunos vulneráveis.

O encerramento de escolas também ameaça décadas de progresso em direção à igualdade de género. Muitas meninas estão agora mais vulneráveis à violência de género, exploração sexual, gravidez na adolescência e casamento forçado. Os encerramentos dificultam ainda o acesso a serviços vitais de proteção, nutrição, saúde e bem-estar. A UNESCO e os seus parceiros lançaram uma campanha, no ano passado, com o objetivo de garantir que todas as meninas possam aprender enquanto as escolas estão fechadas e regressar, em segurança, às salas de aula quando estas reabrirem.

As preocupações imediatas incluem a perda educacional, como avaliá-la e corrigi-la. Mais deve ser feito para combater a exacerbação das lacunas e desigualdades de aprendizagem existentes, o surgimento de novas lacunas educacionais e o risco de aumento do abandono escolar. As Recomendações para a Reabertura de Escolas da UNESCO, UNICEF, Banco Mundial e do Programa Mundial de Alimentos (PMA) são uma importante referência nesta questão.

Transformação digital e o futuro da educação

Aproximadamente metade da população mundial (3,6 mil milhões de pessoas) ainda não tem acesso à internet. O que significa que pelo menos 463 milhões, quase um terço dos alunos em todo o mundo, não podem aceder ao ensino virtual. Isto deve-se fundamentalmente à falta de medidas de aprendizagem online ou à falta de equipamento necessário. A maioria dos alunos não tem a uma ligação adequada, dispositivos e conhecimentos digitais necessários para encontrar e usar conteúdos educacionais dependentes da tecnologia.

De acordo com estimativas da ONU, quase 500 milhões de alunos da pré-primária ao 3º ciclo não tiveram qualquer acesso à aprendizagem virtual – três quartos dos quais pertenciam a famílias pobres ou viviam em áreas rurais. Essa enorme exclusão digital mostra como a conectividade se tornou um fator chave na garantia do direito à educação. A educação informática deve ser incorporada nos sistemas educativos para combater a injustiça da exclusão digital. Esta questão crucial é uma entre muitas outras que estão a ser debatidas através da iniciativa Futuros da Educação da UNESCO, uma conversa global para a redifinição de como o conhecimento e a educação podem moldar o futuro da humanidade e do planeta. O relatório deve sair em novembro de 2021.

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Fundo das Nações Unidas para a Infância diz que que 20% das crianças do mundo não têm acesso à água, um total de 450 milhões de menores; agência identificou 37 países em situação crítica; Angola e Moçambique são únicos lusófonos na lista. 

ONU: prioridade no combate ao abuso sexual

UN Photo / Marie Frechon ©

No relatório anual sobre abuso e exploração sexual, o secretário-geral da ONU reafirma o compromisso da organização com a prevenção e a resposta no apoio às vítimas. O documento reflete o impacto da pandemia na vulnerabilidade ao risco de abuso sexual no sistema das Nações Unidas.

Lançado esta sexta-feira, 19 de março, o relatório de medidas especiais para proteção contra a exploração e o abuso sexual sintetiza informação sobre como fortalecer a resposta do sistema da ONU à violência sexual. Apresentada em 2017, a ‘nova abordagem’ estratégica do secretário-geral, António Guterres, dá prioridade aos direitos e dignidade das vítimas, com ação no terreno, apostando no fim da impunidade e na criação de redes de apoio, em parceria com os Estados-membros.

“Estamos comprometidos com a transparência e continuamos a iluminar este flagelo. Relatamos as alegações publicamente com regularidade. Em 2020, demos continuidade ao processo da apresentação de dados em tempo real em todo o sistema da ONU, para permitir um melhor acompanhamento das queixas”

Em 2020, a pandemia teve um duplo impacto na realidade do abuso sexual e da exploração: por um lado, veio agravar a situação de vulnerabilidade das vítimas, por outro, veio dificultar a investigação de denúncias e o préstimo de assistência. O número total de queixas de abuso (387) revelou-se superior ao de 2019 (362), com um aumento do volume de queixas ligadas a entidades parceiras da ONU (instituições locais e ONG) e uma diminuição das queixas ocorridas dentro do sistema das Nações Unidas (agências e missões de paz).

O relatório sublinha a capacidade da organização para adaptar os métodos de combate ao problema no contexto pandémico, mas chama a atenção para a necessidade de aprofundamento da colaboração entre a ONU, os Estados-membros e a sociedade civil.

“A exploração e o abuso sexual não são inevitáveis”

Para Guterres, a ocorrência de casos “mancha os valores consagrados na Carta das Nações Unidas e viola a confiança, minando a missão e os desígnios humanitários da paz e do desenvolvimento”. As queixas ameaçam a relação entre a ONU e as populações por quem a organização se move.

O relatório reflete melhorias no acompanhamento do problema, graças à maior mobilização de recursos, que permitiu o desenvolvimento de ferramentas e relatórios mais completos. A formação, a política de zero tolerância e a abordagem centrada na vítima mostram progressos, com o destacamento de especialistas de apoio e a criação de pontos locais de auxílio. Hoje, as vítimas têm mais confiança na investigação e no apoio local da ONU.

Avaliar o progresso é, conclui o relatório, “uma tarefa complexa que não se pode resumir aos números. Ter zero queixas não está necessariamente ligado a um sistema robusto de proteção. O progresso terá de ser também medido pelos sistemas implantados para prevenir e responder ao comportamento”

A ONU continua a trabalhar na implementação da estratégia do secretário-geral para a prevenção da exploração e do abuso. Este “esforço coletivo de longo prazo” necessitará de mais investimento, assim como do total empenho e colaboração dos Estados-membros, das comunidades e da sociedade civil.

Mundo celebra Dia Internacional da Felicidade neste 20 de março

Este 20 de março é o Dia Internacional da Felicidade. A data, criada em 2013, foi inspirada pelo Reino do Butão, localizado nos Himalaias, entre a China e a Índia.

O país asiático promove o conceito de Índice da Felicidade para medir bem-estar socioeconômico e o Produto Interno Bruto, PIB.

Unicef/Frank Dejo

Para os idealizadores do “Índice da Felicidade”, o crescimento econômico tem de ser visto por um prisma mais inclusivo, equitativo e equilibrado

Relevância

O conceito foi amplamente discutido na ONU durante um Encontro de Alto Nível, em 2012, organizado pelo Butão, e que contou com a presença do Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz.

Com a proposta “Felicidade e Bem-Estar, um novo paradigma econômico”, os participantes ressaltaram a relevância da felicidade como aspiração universal e a importância dela também em metas de política pública.

Para os idealizadores do “Índice da Felicidade”, o crescimento econômico tem de ser visto por um prisma mais inclusivo, equitativo e equilibrado. 

Segundo ele, da mesma forma que os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, muitos são essenciais, diretamente, para o bem-estar e a felicidade dos povos.

A proposta, iniciada no Butão, que reconhece o valor da felicidade para a renda nacional, desde o início da década de 70, levou ao índice de “Felicidade Nacional Bruta”, FNB sobre o PIB.
 

Dia Internacional das Florestas promove restauração e bem-estar

As Nações Unidas celebram neste 21 de março o Dia Internacional das Florestas.

Este ano, o lema é: “Restauração florestal: um caminho para a recuperação e o bem-estar”. As florestas e seus produtos estão presentes em vários aspectos da vida como desde um simples copo d’água aos medicamentos e construção.

Unesco/Kologrivsky Biosphere Reserve

Florestas do planeta abrigam cerca de 80 por cento de todas as espécies selvagens terrestres

Biodiversidade

A ONU lembra que o manejo sustentável das florestas e o uso de seus recursos são essenciais para combater a mudança climática e contribuir para o bem-estar dos povos. 

As florestas também têm um papel importante na redução da pobreza e no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS. Mas apesar de todos esses benefícios, o desmatamento global segue a um ritmo alarmante.

Segundo a ONU, a restauração das florestas também evita crises de biodiversidade, geram empregos e melhoram as condições de subsistência das populações que vivem nela ou ao redor das matas. 

Este ano, marca o início também da Década das Nações Unidas sobre Restauração de Ecossistemas, que vai até 2030. Com isso, as Nações Unidas lançam um apelo para proteção e revitalização de todos os ecossistemas.

Foto ONU/Mark Garten

Restauração das florestas também evita crises de biodiversidade, geram empregos e melhoram as condições de subsistência das populações que vivem nela ou ao redor das matas

Campanhas

Neste Dia Internacional das Florestas, celebrado desde 2012, as metas são, cada vez mais, relevantes como aumentar a conscientização sobre a importância de todos os tipos de florestas, incentivas o cultivo e exploração sustentável dos recursos florestais e multiplicar as campanhas de conservação e plantio de árvores pelo mundo.

Os organizadores são o Fórum das Nações Unidas sobre Florestas e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, estão celebrando o Dia juntamente com governos locais e federais e a Parceria Colaborativa sobre Florestas além de outras entidades.

As florestas abrigam cerca de 80% da biodiversidade terrestre mundial, com mais de 60 mil espécies de árvores.

Foto ONU/Eskinder Debebe

Crianças brincam na Floresta Nacional de Tapajós, no Brasil.

Islândia

Cerca de 1,6 bilhão de pessoas dependem diretamente das florestas para obter alimentos, abrigo, energia, medicamentos e renda.

Todos os anos, o mundo perde 10 milhões de hectares de floresta. A área equivale ao tamanho da Islândia. Com isso, de 12% a 20% de emissões globais de dióxido de carbono, CO2, deixam de ser absorvidas pela floresta e são lançadas na atmosfera.

Já a degradação do solo afeta quase 2 bilhões de hectares,  uma área maior do que todo o tamanho da América do Sul.

Entrevista: Portugal ressalta urgência de se corrigir perdas da pandemia a meninas e mulheres 

A ministra de Estado e da Presidência de Portugal, Mariana Vieira da Silva, falou à ONU News após discursar e nome de seu país e da União Europeia na 65ª. Comissão sobre o Estatuto da Mulher, que ocorre em Nova Iorque; para ela, países precisam incentivar mais meninas na ciência e tecnologia, e mais mulheres na política. Acompanhe a conversa da ministra, de Lisboa, com Monica Villela Grayley, da ONU News. 

Portugal: aumento das mulheres em processos de decisão é vantajoso para todos 

Em conferência anual da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, ministra de Estado e da Presidência de Portugal, Mariana Vieira da Silva, diz que é importante não recuar nas conquistas já alcançadas pela igualdade de gênero; segundo ela, crise socioeconômicas pós-pandemia só pode ser vencida com participação das mulheres.