Nenhuma criança deveria arriscar a vida para aprender.
No entanto, este ano, à medida que a violência contra crianças em contextos de conflito armado continua a atingir níveis sem precedentes, a educação volta a estar sob fogo cruzado.
Nos últimos 12 meses, registou-se um aumento alarmante de 44% nos ataques a escolas, resultando na morte, rapto e trauma de milhares de professores e alunos. Cada violação tem consequências profundas — não apenas para os educadores e jovens estudantes, mas para o futuro de comunidades e países inteiros.
As Nações Unidas estão a trabalhar incansavelmente para pôr fim a esta calamidade e garantir que todas as crianças possam exercer o seu direito básico à educação, mesmo nos contextos mais perigosos. Mas não o podemos fazer sozinhos.
Os países devem investir em sistemas educativos que cheguem a todas as crianças e apoiar plenamente, e implementar, a Declaração sobre Escolas Seguras.
Apelo também a todas as partes envolvidas em conflitos para que cumpram as suas obrigações ao abrigo do direito internacional, respeitem as escolas como locais de segurança e responsabilizem os autores de ataques.
A caneta, o livro e a sala de aula são mais poderosos do que a espada.
Vamos continuar assim, protegendo o direito fundamental de cada criança a aprender com segurança e em paz.
A UNICEF lançou hoje uma análise preocupante que revela que os cortes no financiamento global à educação poderão forçar cerca de 6 milhões de crianças a abandonar a escola até ao final de 2026. Um terço destas crianças vive em contextos humanitários, onde a escola representa muito mais do que aprendizagem: é um espaço de proteção, de nutrição e de esperança.
Segundo o relatório, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD) destinada à educação deverá sofrer uma queda de 3,2 mil milhões de dólares – uma redução de 24% face a 2023. Apenas três governos doadores são responsáveis por quase 80% destes cortes. O impacto será devastador: o número de crianças fora da escola poderá subir de 272 milhões para 278 milhões – o equivalente a esvaziar todas as escolas primárias da Alemanha e Itália juntas.
“Cada dólar cortado na educação não é apenas uma decisão orçamental – é o futuro de uma criança em risco”, afirmou Catherine Russell, diretora executiva da UNICEF. “Em situações de emergência, a educação é uma tábua de salvação que liga as crianças a serviços essenciais e oferece a melhor oportunidade para escapar à pobreza.”
Regiões mais afetadas
A África Ocidental e Central será a região mais atingida, com 1,9 milhões de crianças em risco de perder acesso à educação. O Médio Oriente e Norte de África poderão ver mais 1,4 milhões de crianças fora da escola. No total, 28 países enfrentam perdas superiores a 25% no apoio à educação básica.
Entre os casos mais graves estão a Costa do Marfim e o Mali, onde a taxa de matrícula poderá cair 4%, afetando 340 mil e 180 mil alunos, respetivamente.
UNICEF alerta que programas essenciais como alimentação escolar, muitas vezes a única refeição nutritiva do dia para milhares de crianças, poderão ver o financiamento reduzido em mais de 50%.
Impacto no ensino primário e nos serviços essenciais
O ensino primário será o mais afetado, com uma redução de um terço no financiamento, agravando a crise de aprendizagem e colocando em risco 164 mil milhões de dólares em rendimentos futuros das crianças afetadas.
Em contextos humanitários, os cortes poderão representar 10% dos orçamentos nacionais para a educação, como no caso da resposta da UNICEF aos refugiados Rohingya, onde 350 mil crianças correm o risco de perder o acesso permanente à educação básica.
Programas essenciais como alimentação escolar, muitas vezes a única refeição nutritiva do dia para milhares de crianças, poderão ver o financiamento reduzido em mais de 50%. O apoio à educação das raparigas também está em risco de sofrer cortes significativos.
Consequências sistémicas
Os cortes ao nível dos sistemas educativos dificultarão a capacidade dos governos de planear com base em evidências, apoiar a formação de professores e monitorizar os resultados de aprendizagem. Mesmo os alunos que permanecerem na escola poderão ver a qualidade do ensino deteriorar-se, afetando 290 milhões de estudantes em todo o mundo.
Apelo à ação
A UNICEF apela aos países doadores e parceiros para que protejam a educação, propondo:
– Direcionar pelo menos 50% da ajuda à educação para os países menos desenvolvidos;
– Proteger o financiamento humanitário para a educação, reconhecendo-a como uma intervenção vital;
– Focar o apoio na aprendizagem fundamental, especialmente na educação pré-escolar e primária;
– Simplificar a arquitetura financeira global, alinhando-se com a Iniciativa UN80;
– Expandir o financiamento inovador, sem substituir o financiamento central da educação.
“Investir na educação das crianças é investir no futuro de todos”, concluiu Catherine Russell. “Os países prosperam quando as suas crianças são educadas e saudáveis. É um contributo direto para um mundo mais estável e próspero.”
Este dia importante chega num momento de crescentes tensões geopolíticas e de riscos nucleares cada vez maiores — incluindo a preocupante possibilidade de um regresso aos ensaios nucleares.
Em 2025, assinalamos o 80.º aniversário do primeiro ensaio nuclear. Nunca devemos esquecer o legado de mais de 2.000 testes de armas nucleares realizados ao longo dos últimos 80 anos.
Os efeitos destas explosões têm sido horríveis.
Os ensaios nucleares provocam deslocações populacionais e contaminam terras e oceanos.
Semearam crises de saúde a longo prazo, incluindo cancros e outras doenças crónicas. E abalaram as bases da confiança, da estabilidade e da paz globais.
Não podemos aceitar isto.
O Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares continua a ser o único instrumento internacionalmente acordado e juridicamente vinculativo para pôr fim a todos os ensaios nucleares. A sua entrada em vigor, há muito aguardada, é mais urgente do que nunca. Apelo a todos os países que o ratifiquem — imediatamente e sem condições.
A minha mensagem aos líderes é simples: parem de brincar com fogo. É tempo de silenciar as bombas antes que voltem a falar.
Apesar dos progressos registados na última década, milhares de milhões de pessoas em todo o mundo continuam sem acesso a serviços essenciais de água, saneamento e higiene (WASH), o que as expõe a doenças evitáveis e aprofunda desigualdades sociais.
Um novo relatório conjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do UNICEF, intitulado Progressos em Água Potável e Saneamento Doméstico 2000–2024: Foco Especial nas Desigualdades, lançado nesta Semana Mundial da Água 2025, revela disparidades persistentes, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, como populações em países de baixo rendimento, comunidades rurais, contextos vulneráveis, crianças e grupos étnicos minoritários e indígenas.
Principais Conclusões do Relatório
2,1 mil milhões de pessoas continuam sem acesso a água potável gerida de forma segura, incluindo 106 milhões que dependem de fontes superficiais não tratadas.
3,4 mil milhões de pessoas não têm acesso a saneamento gerido de forma segura, sendo que 354 milhões ainda praticam a defecação ao ar livre.
1,7 mil milhões de pessoas não têm serviços básicos de higiene em casa, incluindo 611 milhões sem qualquer tipo de instalação.
As pessoas em países menos desenvolvidos têm mais do dobro da probabilidade de não ter acesso a serviços básicos de água e saneamento, e mais do triplo da probabilidade de não ter acesso a higiene básica.
Em contextos frágeis, a cobertura de água potável gerida de forma segura é 38 pontos percentuais inferior à dos restantes países.
Embora tenha havido melhorias nas zonas rurais, estas continuam atrás das zonas urbanas, onde o progresso estagnou. A cobertura de água potável gerida de forma segura nas zonas rurais aumentou de 50% para 60% entre 2015 e 2024, e a cobertura de higiene básica passou de 52% para 71%.
Dados de 70 países mostram que, embora a maioria das mulheres e raparigas adolescentes tenha acesso a materiais menstruais e locais privados para se higienizar, muitas não têm recursos suficientes para fazer a troca com a frequência necessária.
As raparigas adolescentes (15–19 anos) têm menos probabilidade do que as mulheres adultas de participar em atividades como escola, trabalho ou lazer durante a menstruação.
Na maioria dos países, mulheres e raparigas são as principais responsáveis pela recolha de água, com muitas na África Subsariana e na Ásia Central e Meridional a gastar mais de 30 minutos por dia nesta tarefa.
Com apenas cinco anos restantes para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), alcançar o acesso universal a serviços básicos de água, saneamento e higiene até 2030 exigirá uma aceleração urgente. A cobertura universal de serviços geridos de forma segura parece cada vez mais fora de alcance.
“Água, saneamento e higiene não são privilégios, são direitos humanos fundamentais”, sublinha o diretor interino de Ambiente, Alterações Climáticas e Saúde da OMS, Dr. Ruediger Krech. “Devemos acelerar a ação, especialmente para as comunidades mais marginalizadas, se quisermos cumprir a promessa dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”
Também a diretora de WASH do UNICEF, Cecilia Scharp, acrescenta que: “Quando as crianças não têm acesso a água segura, saneamento e higiene, a sua saúde, educação e futuro ficam em risco. Estas desigualdades são especialmente graves para as raparigas, que muitas vezes carregam o fardo da recolha de água e enfrentam barreiras adicionais durante a menstruação. Ao ritmo atual, a promessa de água e saneamento seguros para todas as crianças está cada vez mais distante — lembrando-nos que devemos agir com mais rapidez e ousadia para alcançar quem mais precisa.”
Sobre a Semana Mundial da Água 2025
A Semana Mundial da Água 2025 (24 a 28 de agosto) tem como tema “Água para a Ação Climática”, destacando como as crises crescentes das alterações climáticas, da degradação ambiental e da perda de biodiversidade estão profundamente interligadas com a gestão da água. A Semana irá explorar como a água não é apenas um recurso, mas também uma via estratégica para estabilizar o clima, proteger os ecossistemas e promover resultados equitativos para comunidades vulneráveis.
Tal como em edições anteriores, o Secretariado da Convenção da Água organiza e participa em várias sessões, este ano com destaque para o papel fundamental da cooperação transfronteiriça na operacionalização da ação climática.
Shaima, de 8 anos, espera a sua vez entre a multidão para receber uma refeição de um centro de solidariedade que distribui comida gratuitamente na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza.
“Estou aqui à espera há duas horas, mas ainda não consegui comida. A minha mãe e a minha irmãzinha estão à minha espera. Não comem desde ontem.” Foto: UNOCHA
As Nações Unidas confirmaram esta sexta-feira que está em curso uma situação de fome em Gaza e que esta deverá alargar-se aos de Deir Al-Balah e Khan Younès até ao final de setembro.
Cerca de 500.000 pessoas encontram-se em situação catastrófica, segundo um relatório tornado público durante uma conferência de imprensa em Genebra.
As condições no norte de Gaza são consideradas tão graves, ou até piores, do que na cidade de Gaza. No entanto, a falta de dados impediu qualquer classificação segundo a escala IPC, sublinhando a urgência de acesso a informação.
Israel está a bloquear a entrada da maior parte da ajuda humanitária das Nações Unidas e dos seus parceiros, tendo confiado a distribuição de alimentos a uma organização israelo-americana, a Gaza Relief Foundation, muito criticada pelas suas práticas. Desde julho, as entregas de alimentos e ajuda humanitária em Gaza aumentaram ligeiramente, mas continuam muito insuficientes, irregulares e inacessíveis face às necessidades existentes.
Urgência de uma resposta imediata
Várias agências da ONU¹ destacaram de forma coletiva e sistemática a extrema urgência de uma resposta humanitária imediata e em larga escala, tendo em conta o aumento das mortes relacionadas com a fome, a rápida degradação dos níveis de desnutrição aguda e o colapso acentuado do consumo alimentar, com centenas de milhares de pessoas a passarem vários dias sem comer absolutamente nada.
A desnutrição entre as crianças em Gaza está a agravar-se “a um ritmo catastrófico”, segundo as agências das Nações Unidas, que sublinham que, só no mês de julho, mais de 12.000 crianças foram identificadas como sofrendo de desnutrição aguda — o número mensal mais elevado jamais registado e seis vezes superior ao do início do ano.
Catástrofe provocada pelo Homem
“Isto não é um mistério, é uma catástrofe provocada pelo ser humano, uma condenação moral e um fracasso da própria humanidade. A fome não diz apenas respeito à comida — trata-se do colapso deliberado dos sistemas essenciais à sobrevivência humana. As pessoas estão a morrer de fome. As crianças estão a morrer. E quem tem o dever de agir está a falhar no seu dever”, declarou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, em comunicado.
“Enquanto potência ocupante, Israel tem obrigações inquestionáveis ao abrigo do direito internacional, incluindo a de garantir o fornecimento de alimentos e cuidados médicos à população. Não podemos permitir que esta situação continue impunemente”, acrescentou.
“Esta é uma fome que poderíamos ter evitado se nos tivessem deixado. No entanto, os alimentos acumulam-se nas fronteiras devido à obstrução sistemática por parte de Israel”, afirmou Tom Fletcher, responsável pela Coordenação das Assuntos Humanitários das Nações Unidas.
Um cessar-fogo “agora”
“Não há mais desculpas. Não é amanhã que temos de agir, é agora. Precisamos de um cessar-fogo imediato, da libertação imediata de todos os reféns e de acesso humanitário total e sem entraves“, declarou António Guterres.
A ONU define uma situação de fome com base nos seguintes critérios: pelo menos 20% dos agregados familiares enfrentam escassez extrema de alimentos, pelo menos 30% das crianças com menos de 5 anos sofrem de desnutrição aguda e pelo menos duas pessoas em cada 10.000 morrem de fome por dia.
¹ As agências das Nações Unidas envolvidas incluem a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a UNICEF, o Programa Alimentar Mundial (PAM) e a Organização Mundial da Saúde (OMS)
Em todo o mundo, continuam a existir pessoas que são assediadas, atacadas – e até assassinadas – simplesmente por causa das suas crenças.
Locais de culto são profanados. Comunidades são aterrorizadas. As plataformas digitais são inundadas de ódio.
Estes atos não são apenas repugnantes – são uma ameaça à nossa humanidade comum.
Quando as pessoas são alvo por causa da sua fé, quando o discurso de ódio não é combatido, quando a impunidade prevalece – todos corremos perigo.
Devemos enfrentar esta ameaça de forma direta.
Os governos devem adotar e aplicar leis rigorosas contra a discriminação – e investir numa educação que promova o respeito, a inclusão e os direitos humanos para todos.
Os líderes políticos, religiosos e comunitários devem rejeitar táticas divisórias e promover o diálogo dentro e entre comunidades.
E as plataformas digitais devem assumir responsabilidades e incorporar salvaguardas para evitar que se tornem megafones de ódio.
Neste Dia Internacional, recordamos as vítimas e renovamos o nosso compromisso com a ação.
Vamos unirmo-nos na construção de um mundo onde a diversidade seja celebrada e todos possam viver com segurança e dignidade.
Neste dia solene, homenageamos as vítimas e sobreviventes do terrorismo em todos os lugares – saudando a sua coragem, reconhecendo a sua dor e reafirmando o nosso compromisso duradouro com a paz, a justiça e os direitos humanos.
O tema deste ano, “Unidos pela Esperança”, reflete a força das vítimas que se unem para transformar o sofrimento em solidariedade e a angústia em ação.
Elas mostram o caminho: apoiando-se mutuamente, manifestando-se e defendendo os direitos de todos os afetados.
Saúdo o lançamento da Rede de Associações de Vítimas do Terrorismo – apoiada pelas Nações Unidas – que promove parcerias, amplifica as vozes das vítimas e as capacita a moldar decisões que afetam as suas vidas.
Governos, sociedade civil e a comunidade internacional devem corresponder à sua coragem – defendendo os direitos das vítimas, fazendo justiça e apoiando-as em cada passo de sua jornada de recuperação.
Unidos pela esperança, podemos construir um futuro livre do terrorismo, onde todas as pessoas vivam com dignidade e sem medo.
Os povos indígenas são guardiões do conhecimento ancestral, defensores do patrimônio cultural, guardiões da biodiversidade e seres essenciais para o nosso futuro compartilhado.
O tema deste ano foca nos riscos e recompensas da Inteligência Artificial para os povos indígenas.
A IA pode ajudar a preservar línguas e histórias orais ameaçadas de extinção, mapear terras ancestrais e ampliar a sabedoria indígena para combater as mudanças climáticas.
Mas, sem a participação significativa dos povos indígenas, essas mesmas tecnologias correm o risco de perpetuar antigos padrões de exclusão, deturpar culturas e violar direitos fundamentais.
Devemos garantir que a IA seja desenvolvida e governada de maneiras inclusiva, ética e justa.
Isto significa remover barreiras às novas tecnologias para os povos indígenas, proteger sua soberania de dados e direitos de propriedade intelectual e apoiar sua inclusão significativa na aplicação da IA.
Neste dia importante, vamos construir um futuro onde a tecnologia apoie a preservação cultural e o conhecimento indígena, proteja direitos e promova a dignidade – para hoje e para as gerações futuras.
Do Mediterrâneo aos Balcãs, o calor implacável e a seca têm alimentado incêndios intensos por toda a Europa. Portugal, Grécia, Espanha, Turquia, Albânia, Montenegro, Chipre, Reino Unido, França e Itália, entre outros — as comunidades enfrentam ondas de fogo, deslocamentos e respostas de emergência.
Mais do que uma crise sazonal
Embora os incêndios florestais sejam comuns no verão, esta situação vai além de uma crise sazonal. Ondas de calor impulsionadas pelas alterações climáticas, secas prolongadas, padrões de vento intensos e vegetação seca abundante estão a convergir para criar uma “nova normalidade” de incêndios extremos.
Desde o início de 2025, mais de 450.000 hectares arderam na Europa — mais do dobro da área queimada no mesmo período do ano passado, com impactos severos em paisagens, cidades e comunidades, propagando-se com uma rapidez e gravidade alarmantes.
Enquanto as comunidades lutam para proteger vidas e meios de subsistência, a urgência da prevenção nunca foi tão grande.
Portugal é o país com a maior percentagem de território ardido na UE em 2025. Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais indica que 2,35% do território português já ardeu este ano. Em números absolutos, só é ultrapassado por Espanha.
A questão é: como podemos reforçar os esforços de prevenção a longo prazo e reduzir o risco antes que as chamas comecem?
Cinco ações-chave para a prevenção de incêndios florestais:
Gestão florestal
Criar corta-fogos, eliminar ou reduzir material seco e inflamável através de pastoreio controlado, poda ou queimas prescritas.
Por exemplo, investigadores em França analisaram os corta-fogos como uma medida proativa para futuros incêndios. Estas áreas artificiais com menor carga de combustível atuam como barreiras para travar ou abrandar a propagação do fogo. Também oferecem zonas seguras de acesso e retirada para os bombeiros durante as operações. (Documento de trabalho GAR 2019)
Urbanismo resiliente
Garantir que os novos empreendimentos considerem os riscos, com espaços defensivos e materiais resistentes ao fogo.
Por exemplo, na República Checa, a nível local, os licenciamentos de construção próximos de zonas florestais exigem o consentimento da autoridade florestal estatal e do serviço de bombeiros.
Sistemas de alerta precoce
Expandir e interligar redes de deteção locais com previsões regionais para detetar e travar incêndios rapidamente.
Por exemplo, a Suécia opera um sistema automático de deteção de incêndios em tempo real, utilizando dados de satélite VIIRS. Os incêndios são detetados em 15 minutos e os alertas são enviados aos serviços municipais de bombeiros através de um portal nacional e do SOS Alarm. Em 20–25% dos casos, os incêndios são detetados mais rapidamente do que com métodos tradicionais, especialmente em áreas remotas, permitindo uma resposta mais rápida e precisa.
Consciência comunitária
É crucial que os cidadãos estejam conscientes do risco e equipados com conhecimentos sobre práticas seguras, evacuação e comunicação de perigos.
A resiliência inclusiva com grupos vulneráveis (idosos, pessoas com deficiência, comunidades de baixos rendimentos) deve estar no centro do planeamento e da resposta.
Por exemplo, Portugal realiza campanhas de sensibilização, combinadas com visitas porta a porta e educação nas escolas. Os governos locais também monitorizam proativamente populações vulneráveis para garantir que recebem apoio atempado durante emergências por incêndios.
Planeamento multirriscos
Os incêndios podem aumentar o risco de outros perigos, como inundações, uma vez que a vegetação destruída reduz a absorção da água da chuva e os solos tornam-se repelentes à água.
Reparar os danos e planear estes riscos em cascata reforça a resiliência a longo prazo.
Exemplo: na Turquia, após os grandes incêndios de 2024, o Ministério da Agricultura e Florestas comprometeu-se a plantar 500 milhões de sementes e mudas por ano para restaurar a vegetação, reduzir o escoamento e reforçar a resiliência contra inundações e erosão pós-incêndio.
Esta é a crise climática em movimento. Mas não é inevitável.
Devemos agir agora para reduzir as emissões globais e investir na redução do risco.
Os trabalhadores humanitários são a última tábua de salvação para mais de 300 milhões de pessoas apanhadas em conflitos ou catástrofes.
Contudo, o financiamento dessa tábua de salvação está a esgotar-se. E aqueles que prestam ajuda humanitária estão cada vez mais sob ataque. No ano passado, pelo menos 390 trabalhadores humanitários — um número recorde — foram mortos em todo o mundo.
Desde Gaza ao Sudão, passando pelo Mianmar, entre outros. O direito internacional é claro: os trabalhadores humanitários devem ser respeitados e protegidos.
Nunca podem ser alvo de ataques. Esta regra é inegociável e vinculativa para todas as partes em conflito, sempre e em qualquer lugar. No entanto, há linhas vermelhas a serem ultrapassadas com impunidade.
Os governos comprometeram-se a agir — e o Conselho de Segurança traçou um caminho para proteger os trabalhadores humanitários e o seu trabalho crucial. As regras e as ferramentas existem.
O que falta é vontade política — e coragem moral. Neste Dia Mundial da Ajuda Humanitária, honremos os que caíram com ação:
Para proteger cada trabalhador humanitário — e investir na sua segurança.
Para pôr fim às mentiras que custam vidas. Para reforçar a responsabilização e levar os perpetradores à justiça.
Para acabar com o fluxo de armas entre as partes que violam o direito internacional.
Juntos, digamos a uma só voz: Um ataque aos humanitários é um ataque à humanidade. E vamos #AgirPelaHumanidade.
Um novo relatório das Nações Unidas lança um alerta urgente sobre a escalada da violência sexual em contextos de conflito. Em 2024, mais de 4.600 sobreviventes foram vítimas de violência sexual perpetrada por atores estatais e não estatais, representando um aumento de 25% face ao ano anterior.
O documento, que cobre 21 países com dados verificados pela ONU, revela que mulheres, raparigas, homens, rapazes, pessoas com diferentes orientações sexuais e identidades de género, minorias étnicas e raciais, e pessoas com deficiência foram alvo de abusos, com idades entre 1 e 75 anos. As mulheres continuam a ser as principais vítimas, representando 92% dos casos registados.
Entre os países com maior número de ocorrências estão a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, o Haiti, a Somália e o Sudão do Sul. Em muitos casos, os ataques sexuais foram acompanhados por violência extrema, incluindo execuções sumárias após os abusos. O estigma social agrava ainda mais a situação, levando à exclusão económica e social das sobreviventes e dos seus filhos, muitos dos quais nascem como resultado de violações em tempo de guerra.
O relatório destaca também a prática de violência sexual em centros de detenção, formais e informais, usada como método de tortura, humilhação e extração de informação. Grupos armados não estatais recorrem a estes crimes para consolidar poder territorial, controlar recursos naturais e disseminar ideologias extremistas.
A proliferação de armas ligeiras, a fome e o deslocamento forçado aumentam os riscos para mulheres e raparigas. Casos de raptos e tráfico humano para fins de escravidão sexual, inclusive por grupos terroristas, são também referidos como tendência crescente.
Apesar da gravidade da situação, o acesso a ajuda humanitária continua a ser bloqueado ou severamente limitado. A destruição de infraestruturas de saúde e os ataques a profissionais de primeira linha dificultam o acesso a cuidados essenciais, especialmente nas primeiras 72 horas após uma violação, período crítico para intervenções médicas e psicológicas.
A representante especial do Secretário-Geral da ONU para a Violência Sexual em Conflitos, Pramila Patten, sublinha que os serviços mais necessários são frequentemente os menos financiados. O relatório apela a um financiamento sustentável através do Fundo Fiduciário da ONU e à presença de Conselheiras de Proteção das Mulheres em todas as zonas de preocupação.
O relatório identifica 63 partes estatais e não estatais suspeitas de envolvimento em padrões de violência sexual. Recomenda ainda que os comités de sanções do Conselho de Segurança considerem sistematicamente estes crimes, e que os perpetradores persistentes sejam alvo de sanções específicas.
Por fim, o secretário-geral da ONU apela a todos os envolvidos em conflitos para que implementem medidas concretas de prevenção, incluindo ordens claras nas cadeias de comando, responsabilização dos agressores e acesso irrestrito às equipas da ONU. A mensagem é clara: a violência sexual em conflitos não pode continuar a ser ignorada.
UN Photo/Eskinder Debebe | O secretário-geral António Guterres discursa durante a abertura ministerial do "Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável", organizado sob os auspícios do Conselho Económico e Social.
O SECRETÁRIO-GERAL
12 de agosto de 2025
No Dia Internacional da Juventude, celebramos a determinação, a criatividade e a liderança dos jovens em todo o mundo.
O tema deste ano – Ação Local da Juventude para os ODS e Além – recorda-nos que o progresso global começa nas comunidades. E, em todos os cantos do mundo, são os jovens que estão na linha da frente.
Estão a impulsionar o desenvolvimento sustentável, a construir comunidades mais inclusivas, a promover a paz e a exigir um futuro mais justo, mais verde e mais equitativo.
Os jovens são inovadores audazes, organizadores resilientes e parceiros essenciais na concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Este ano assinala também um compromisso renovado com o Programa de Ação Mundial para a Juventude – um reconhecimento de que, quando os jovens lideram, as sociedades prosperam.
A cada jovem: a tua voz, as tuas ideias e a tua liderança são importantes.
Trabalhemos juntos para apoiar soluções lideradas pela juventude e construir um mundo mais justo, pacífico e sustentável, a partir das comunidades locais.
Nadamos nele, caminhamos sobre ele, ingerimo-lo e até suspeitamos que o respiramos: o plástico está a sufocar o planeta e os seres vivos. Sem um acordo internacional, a poluição plástica tornar-se-á rapidamente uma grande ameaça ecológica e para a saúde.
Começou esta terça-feira, em Genebra, uma nova ronda de negociações para um tratado que visa regular todo o ciclo de vida dos plásticos, desde a produção ao consumo e à eliminação dos resíduos.
Produção exponencial de plástico
Sem uma ação urgente, 37 milhões de toneladas de plástico poderão ser lançadas nos oceanos todos os anos até 2040, segundo estimativas das Nações Unidas.
“Estamos a sufocar com o plástico”, alertou Jyoti Mathur-Filipp, secretária executiva do Comité Intergovernamental de Negociação (INC) sobre a Poluição Plástica, numa entrevista à UN News à margem da Cimeira dos Oceanos, em Nice.
Os resíduos plásticos já penetraram praticamente todos os ecossistemas do planeta — e, sob a forma de microplásticos, estão também a acumular-se no corpo humano.
Já foram encontrados microplásticos em artérias, pulmões, cérebro e até no leite materno.
Estima-se que 18 a 20% dos resíduos plásticos globais (entre 10 e 23 milhões de toneladas) acabem nos oceanos. Cerca de 13 milhões de toneladas acumulam-se anualmente nos solos.
Até 2025, prevê-se que o consumo global de plástico atinja as 516 milhões de toneladas.
Reciclagem não é solução milagrosa
Estima-se que apenas 21% dos plásticos sejam atualmente recicláveis de forma economicamente viável, ou seja, com valor suficiente para cobrir os custos de recolha, triagem e tratamento.
Globalmente, apenas 9% de todos os plásticos produzidos são realmente reciclados.
Apesar disso, muitos grupos de pressão e países produtores de petróleo — de onde deriva o plástico — tentam limitar o alcance do tratado à gestão dos resíduos, evitando a regulação da produção.
O processo de negociação foi lançado em 2022, por iniciativa da Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente, o principal órgão de decisão em matéria de política ambiental global.
Desde então, o Comité Intergovernamental de Negociação (INC) reuniu-se cinco vezes em menos de dois anos — um ritmo invulgarmente rápido para os padrões das Nações Unidas.
A crise humanitária em Gaza está a atingir proporções catastróficas. À medida que a fome se alastra no território devastado pela guerra, as agências das Nações Unidas alertam que os esforços recentes para aumentar a ajuda humanitária, ainda que bem-vindos, são manifestamente insuficientes para travar o agravamento da desnutrição e o número crescente de mortes por inanição.
Num apelo urgente feito esta semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou que “a fome alimenta a instabilidade e mina a paz”, sublinhando que nunca deve ser usada como arma de guerra. Na mesma linha, o Programa Alimentar Mundial (PAM) classificou a situação como “um desastre a desenrolar-se diante dos nossos olhos”, alertando que este cenário não é apenas um aviso, mas sim uma chamada à ação.
De acordo com os últimos dados da Plataforma de Classificação Integrada da Segurança Alimentar (IPC), dois dos três critérios que definem uma situação de fome já foram atingidos: o consumo alimentar em queda acentuada e a desnutrição aguda. O terceiro critério, mortes por inanição, poderá ser confirmado em breve, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a reportar 63 mortes por desnutrição apenas no mês de julho, incluindo 24 crianças com menos de cinco anos.
A UNRWA, agência da ONU de apoio aos refugiados palestinianos, confirmou que mais de 100 pessoas já morreram à fome e insiste que pelo menos 500 a 600 camiões com alimentos, medicamentos e artigos de higiene precisam de entrar diariamente para travar esta catástrofe. Muitos destes camiões permanecem bloqueados na Jordânia e no Egito, à espera de autorização para atravessar as fronteiras com Gaza.
Apesar de Israel ter anunciado a criação de “pausas humanitárias diárias” e o levantamento de algumas restrições alfandegárias, a ONU afirma que a entrada de ajuda continua a ser um “pingo” face à “maré” de necessidades. Uma em cada três pessoas em Gaza não come há dias, e os hospitais, sobrelotados e com escassos recursos, já trataram mais de 20 mil crianças com desnutrição aguda desde abril.
A devastação é quase total. Cerca de 90% da população de Gaza, 2,1 milhões de pessoas, já foi deslocada, muitas vezes mais do que uma vez. Desde o fim do cessar-fogo, em março, registaram-se mais de 760 mil novos deslocamentos. Com infraestruturas destruídas e corredores humanitários frequentemente bloqueados ou atacados, a entrega de ajuda continua a enfrentar enormes desafios.
Na véspera da Conferência de Alto Nível sobre a Palestina, o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, apelou a uma ação imediata para pôr fim à ocupação ilegal e à destruição contínua em Gaza. Classificou o território como “um cenário distópico de ataques mortais e destruição total”, onde crianças morrem à fome e famílias são abatidas enquanto procuram comida. “Os países que não usarem a sua influência podem ser cúmplices de crimes internacionais”, alertou, apelando a medidas concretas para pressionar Israel e reabrir caminho para a solução de dois Estados.
O tráficohumano é um crime horrível e uma grave violação dos direitoshumanos. É uma das formas de crime organizado que maiscresce – operadopor redes implacáveis que se aproveitam da vulnerabilidade e lucram com o sofrimento.
Esta é uma atividade brutal e altamente organizada, baseada na mentira, na coação e na exploração. E está a evoluir rapidamente.
Grupos criminosos atuam além-fronteiras com uma rapidez e sofisticação alarmantes. Aproveitam brechas legais, infiltram-se em indústrias e cadeias de abastecimento legítimas, tiram partido dos fluxos migratórios e utilizam a tecnologia para recrutar, controlar e abusar – incluindo através de exploração sexual online ou forçando as vítimas a participarem em burlas cibernéticas.
Devemos responder com unidade e urgência.
Podemos fazê-lo quebrando o modelo de negócio que sustenta o tráfico humano– pondo fim à impunidade, cortando o fluxo de lucros ilícitos e reforçando os sistemas de justiça e de aplicação da lei. Os responsáveis devem ser responsabilizados.
Devemos também construir alianças sólidas – com a sociedade civil e com o setor privado, incluindo as empresas tecnológicas – para aumentar a sensibilização, promover canais de denúncia, prevenir a exploração e proteger os mais vulneráveis.
Devemos ainda esforçar-nos por garantir justiça às vítimas sobreviventes, apoiar os deslocados e enfrentar as causas profundas – desde a pobreza e a desigualdade até aos conflitos e às perturbações climáticas.
Neste Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, unamo-nos para apoiar as vítimas, responsabilizar os autores e construir um mundo onde ninguém é comprado, vendido ou explorado.