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Europa Ocidental registou o junho mais quente de sempre

Anomalias da temperatura à superfície na Europa, junho de 2026 ECMWF/Serviço de Alterações Climáticas Copernicus (C3S)

Junho de 2026 foi o mês de junho mais quente alguma vez registado na Europa Ocidental e o segundo mais quente à escala global, segundo o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus (C3S). O fenómeno foi impulsionado pelas temperaturas recorde da superfície dos oceanos, que atingiram os valores mais elevados já observados para este mês, contribuindo para um aumento significativo do calor atmosférico.

A vaga de calor prolongou-se para julho e continua a afetar várias regiões da Europa, alimentando incêndios florestais devastadores em França e na Península Ibérica. Em Barcelona, o Observatório Fabra registou 40,5°C a 8 de julho, a temperatura mais elevada em mais de um século de observações. Em França, as autoridades emitiram alertas devido ao calor extremo e ao elevado risco de incêndios associado à seca e à baixa humidade.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), as ondas de calor extremas estão a tornar-se mais frequentes, intensas e duradouras devido às alterações climáticas. Nos últimos 50 anos, a Europa aqueceu cerca de 2°C, tornando-se o continente com o aquecimento mais rápido. Os especialistas alertam que episódios como o atual são consistentes com as projeções científicas para um clima em mudança.

Durante junho, a Europa Ocidental enfrentou simultaneamente ondas de calor terrestre e marítima. O Mediterrâneo Ocidental e parte da costa atlântica registaram temperaturas oceânicas excecionalmente elevadas. A nível global, a temperatura média da superfície do mar foi a mais alta já registada para junho, ultrapassando ligeiramente o recorde anterior estabelecido em 2024.


Proteção Solar. Uma mulher caminha por uma rua de Torremolinos, em Espanha, protegendo-se o melhor que pode do sol escaldante.
David Montero Rodriguez/GHHIN-EJN Concurso de Fotografia sobre Calor Extremo 2025.

O calor extremo bateu recordes em vários países europeus. A Alemanha registou temperaturas até 41,7°C e centenas de estações meteorológicas reportaram máximos históricos. França alcançou uma temperatura média nacional recorde de 30°C num único dia, enquanto Espanha, Reino Unido, Países Baixos, Áustria, Suíça, Hungria, Polónia, Chéquia e Dinamarca também registaram novos máximos para o mês de junho.

Além das temperaturas elevadas, a combinação de calor extremo e falta de precipitação agravou as condições de seca em vastas áreas da Europa, aumentando o risco de incêndios florestais. A vaga de calor teve ainda impactos significativos na saúde pública, incluindo mortes relacionadas com o calor. Os especialistas destacam que as temperaturas mínimas noturnas elevadas são particularmente perigosas, pois impedem a recuperação do organismo após dias de calor intenso.

Perante este cenário, a OMM, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde e outros parceiros internacionais, está a reforçar sistemas de alerta precoce e planos de ação para proteger as populações mais vulneráveis. As Nações Unidas apelam a uma maior cooperação internacional para enfrentar o risco crescente associado ao calor extremo, sublinhando que a adaptação e a mitigação das alterações climáticas são cada vez mais urgentes.

Mensagem por ocasião do Dia Mundial Contra o Terrorismo

Foto ONU/ Manuel Elias

O SECRETÁRIO-GERAL

30 de julho de 2026

Neste Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, chamamos a atenção para a forma de tráfico humano que mais rapidamente cresce: a burla online forçada.

Em todo o mundo, há pessoas que são atraídas por falsas promessas de trabalho digno, apenas para descobrirem que ficaram presas em redes criminosas e coagidas a praticar burlas contra outras pessoas.

As operações de burla defraudam milhões de pessoas, gerando enormes lucros ilícitos para o crime organizado transnacional. Novas e poderosas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, estão a ajudar os autores destas fraudes a expandirem as suas atividades a uma velocidade alarmante.

Esta ameaça crescente exige uma resposta global unida, que reúna serviços de informação, autoridades de aplicação da lei e entidades reguladoras do setor financeiro, para identificar as redes criminosas e privar os perpetradores dos seus recursos financeiros.

Em 2024, os Estados-membros adotaram a Convenção das Nações Unidas contra o Cibercrime, um acordo histórico destinado a reforçar a colaboração transfronteiriça. Apelo aos governos de todo o mundo para que ratifiquem a Convenção, combatam a corrupção que facilita a atuação dos criminosos e assegurem que as empresas tecnológicas controlem os abusos cometidos nas suas plataformas. Ao mesmo tempo, devemos apoiar os sobreviventes de burlas para que possam recuperar e reconstruir as suas vidas.

O tráfico de pessoas, em todas as suas formas, constitui uma grave violação dos direitos humanos. Trabalhando em conjunto, podemos pôr fim à exploração, de uma vez por todas.

Secretário-geral da ONU pede novo impulso para resolver a questão de Chipre

Foto: Banco Mundial / Grant Ellis

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou esta terça-feira a um reforço dos esforços para alcançar uma solução abrangente e duradoura para a divisão de Chipre, sublinhando que existe entre os cipriotas um desejo claro de progresso e reconciliação. No final da sua visita oficial à ilha, em Nicósia, Guterres afirmou ter encontrado uma população determinada a construir “um futuro mais pacífico e partilhado”, apesar das cicatrizes deixadas por décadas de divisão.

Durante a visita, o líder da ONU reiterou o empenho das Nações Unidas em apoiar as comunidades cipriota grega e cipriota turca na procura de um acordo político. Recordando os sucessivos esforços diplomáticos desenvolvidos ao longo dos últimos anos, Guterres defendeu que este é o momento de reconstruir a confiança entre as partes através da adoção de medidas concretas que produzam benefícios no quotidiano dos cidadãos. “Este é o momento em que devem ser feitos todos os esforços para reconstruir a confiança”, afirmou.

O secretário-geral destacou igualmente o trabalho da sua enviada pessoal para o Chipre, María Ángela Holguín, que tem mantido contactos com ambas as partes e recolhido opiniões diretamente junto da população. Segundo Guterres, a mensagem recebida dos cipriotas foi inequívoca: “Querem progresso. Querem ver os seus líderes fazer compromissos e percorrer esse último quilómetro em direção a uma solução para a questão de Chipre.”

Nas reuniões realizadas com o presidente da República de Chipre, Nikos Christodoulides, e com o líder cipriota turco, Tufan Erhürman, o secretário-geral afirmou ter recebido garantias de que ambos continuarão a trabalhar seriamente com a enviada das Nações Unidas. Na sequência desses contactos, anunciou a intenção de convocar uma nova reunião no formato “5+1”, envolvendo as duas partes cipriotas e os três Estados garantes, Grécia, Turquia e Reino Unido, sob a mediação da ONU.

Contudo, Guterres deixou claro que não pretende repetir encontros sem resultados concretos. “Não quero ter mais reuniões 5+1 sem resultados. Quero uma reunião 5+1 bem-sucedida que abra caminho a uma solução”, declarou aos jornalistas. O responsável adiantou que ainda não foi estabelecido um calendário para o encontro, explicando que serão primeiro desenvolvidos trabalhos preparatórios em áreas como a criação de confiança, a metodologia negocial e os aspetos substantivos do processo.

O líder das Nações Unidas aproveitou ainda para sublinhar a importância da Missão de Manutenção da paz da ONU no Chipre (UNFICYP), presente na ilha há mais de seis décadas, apelando ao respeito pela sua autoridade tanto na zona tampão como nas linhas de cessar-fogo definidas pelas Nações Unidas. Destacou igualmente o trabalho do Comité para as Pessoas Desaparecidas e dos comités técnicos bicomunais, considerando-os exemplos de cooperação prática entre as duas comunidades.

Referindo-se ao contexto geopolítico mais amplo, Guterres alertou para a instabilidade crescente no Mediterrâneo Oriental e no Médio Oriente, defendendo que uma solução para Chipre teria impacto muito além da ilha. “Acredito que uma solução para Chipre é absolutamente crucial não apenas para preservar os interesses e a paz do povo cipriota, mas também como um fator de estabilidade numa região que se está a tornar perigosamente instável”, afirmou. Apesar das dificuldades, o secretário-geral garantiu que a ONU continuará plenamente empenhada em apoiar os cipriotas na procura de uma paz duradoura.

75 anos da Convenção sobre os Refugiados, 75 vozes globais unem-se ao ACNUR para lançar “A Promessa”

“A Promessa” é uma declaração pública de solidariedade que reúne figuras de destaque de vários setores da sociedade para reafirmar o apoio aos refugiados e ao direito de procurar proteção. Lançada a 28 de julho, quando a Convenção sobre os Refugiados assinala o seu 75.º aniversário, a iniciativa pretende criar uma coligação diversificada em prol da proteção dos refugiados até ao Fórum Global sobre os Refugiados de 2027. Os primeiros signatários incluem líderes religiosos, laureados com o Prémio Nobel, artistas e figuras culturais, atletas e dirigentes desportivos, líderes empresariais, líderes refugiados e defensores dos direitos humanos.

 

Enquanto o mundo assinala o 75.º aniversário da Convenção sobre os Refugiados, numa altura marcada por níveis recorde de deslocação forçada e por uma pressão crescente sobre os sistemas de asilo, 75 figuras de referência de diversos setores da sociedade juntaram-se ao ACNUR, a Agência da ONU para os Refugiados, para lançar A Promessa, uma declaração global de solidariedade para com os refugiados.

Promovida pelo alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Barham Salih, a iniciativa visa criar uma coligação global de apoio à proteção dos refugiados num momento em que o sistema internacional enfrenta desafios cada vez maiores. Através de “A Promessa”, os signatários reafirmam os princípios duradouros da Convenção sobre os Refugiados e o compromisso de proteger as pessoas que fogem de conflitos, violência e perseguição.

Entre os primeiros 75 signatários encontram-se os atores e cineastas Cate Blanchett, Angelina Jolie e Ben Stiller; a campeã olímpica e presidente do Comité Olímpico Internacional, Kirsty Coventry, os empresários Hamdi Ulukaya, Mo Ibrahim e Tadashi Yanai, os laureados com o Prémio Nobel da Paz Malala Yousafzai, Nadia Murad, Dr. Denis Mukwege e Ellen Johnson Sirleaf, também membro do grupo The Elders e Sarah Mullally, Arcebispa de Canterbury. A sua participação reflete o amplo apoio da sociedade à proteção do direito de procurar asilo e à solidariedade para com os refugiados.

“A Convenção sobre os Refugiados salvou milhões de vidas ao longo das décadas; está no cerne da nossa humanidade comum”, afirma Barham Salih, alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados. “Há setenta e cinco anos, o mundo fez uma promessa de proteger as pessoas forçadas a fugir. A nossa responsabilidade agora é manter essa promessa viva para todas as gerações futuras.”

Mais de 41 milhões de refugiados continuam deslocados à força em todo o mundo. À medida que conflitos antigos persistem e novos eclodem, os países de acolhimento assumem uma responsabilidade enorme, enquanto os sistemas de asilo em muitos locais enfrentam dificuldades devido à pressão excessiva e à escassez de recursos.

Com “A Promessa”, os signatários reafirmam o compromisso consagrado na Convenção sobre os Refugiados: as pessoas forçadas a fugir da guerra, da violência e da perseguição devem poder procurar segurança e reconstruir as suas vidas. Apelam a um mundo onde todos possam procurar proteção, onde os refugiados sejam integrados nas comunidades, onde as soluções para a deslocação comecem desde as primeiras fases de cada crise e onde todos os setores da sociedade desempenhem o seu papel. Comprometem-se a escolher a “ação, a compaixão e a solidariedade. Até que todos estejam em segurança”.

“A Convenção sobre os Refugiados oferece aos governos um quadro prático para gerir um dos desafios mais difíceis que qualquer Estado pode enfrentar. Aplicando-a de forma eficaz e trabalhando em conjunto, os Estados podem cumprir a Convenção de forma a proteger aqueles que são forçados a fugir, preservando simultaneamente a segurança, a estabilidade e a confiança pública”, acrescenta Salih.

“A Convenção também diz respeito à procura de soluções, e isso significa que todos devemos atuar em conjunto nas fases iniciais da deslocação, para que os refugiados não sejam deixados numa situação de abandono. Devemos apoiar os países e as comunidades de acolhimento, ampliar as oportunidades para os refugiados e criar condições para o regresso voluntário e para outras soluções duradouras.”

O ACNUR continuará a convidar indivíduos e organizações a subscrever “A Promessa” no período que antecede o Fórum Global sobre os Refugiados de 2027.

Dia Internacional Nelson Mandela: celebrar a vida e legado do líder sul-africano

NFoto de capa: “A nossa marcha para a liberdade é imparável. Não podemos permitir que o medo se coloque em nosso caminho”. Nelson Mandela, então vice-presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), da África do Sul, levanta o punho no ar enquanto discursa para o Comitê Especial contra o Apartheid no Salão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de junho de 1990. Créditos: © ONU/Pernaca Sudhakaran.

Citações inspiradoras de Mandela

Confira e partilhe 10 citações que marcaram a vida e o legado de Mandela:

“Enquanto a pobreza, a injustiça e a grande desigualdade persistirem em nosso mundo, nenhum de nós poderá realmente descansar.”  Discurso de Nelson Mandela durante o Show Live 8, em Joanesburgo, 2 de julho de 2005. 

Nelson Mandela é ovacionado pelos delegados dos Estados-membros após seu discurso perante a Comissão Especial contra o Apartheid, em 22 de junho de 1990.
Foto: © ONU/Pernaca Sudhakaran

“A paz não é apenas a ausência de conflito; a paz é a criação de um ambiente em que todos possam prosperar, independentemente de raça, cor, credo, religião, género, classe, casta ou qualquer outro marcador social de diferença.” – Discurso de Mandela em Nova Délhi, Índia, 31 de janeiro de 2004. 

“Eu prezo o ideal de uma sociedade democrática e livre na qual todas as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. Esse é um ideal pelo qual espero viver e alcançar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.” – Declaração de Mandela no banco dos réus no Julgamento de Rivonia, 20 de abril de 1964. 

“O fato de o crime do apartheid ter ocorrido permanecerá para sempre como uma mancha indelével na história da humanidade. As gerações futuras certamente perguntarão: Que erro foi cometido para que esse sistema se estabelecesse na esteira da adoção de uma Declaração Universal de Direitos Humanos? Permanecerá para sempre como uma acusação e um desafio a todos os homens e mulheres de consciência o fato de ter levado tanto tempo até que todos nós nos levantássemos para dizer ‘basta.’” Discurso de Nelson Mandela ao Comitê Especial das Nações Unidas contra o Apartheid, 22 de junho de 1990.

“Por mais difícil que seja a batalha, não nos renderemos. Seja qual for o tempo que levaremos, não nos cansaremos. O próprio facto de o racismo degradar tanto o agressor quanto a vítima exige que, se formos fiéis ao nosso compromisso de proteger a dignidade humana, continuemos lutando até que a vitória seja alcançada.” – Discurso de Nelson Mandela na Assembleia Geral da ONU, 3 de outubro de 1994.

O então secretário-geral Kofi Annan (à direita) se reúne hoje com o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela em Joanesburgo, em 15 de março de 2006.
Foto: © ONU/Eskinder Debebe

“A nossa liberdade nunca poderá ser completa ou nossa democracia estável a menos que as necessidades básicas de nosso povo sejam atendidas. Todos nós devemos perguntar o seguinte: Fiz tudo o que estava ao meu alcance para gerar paz e prosperidade duradouras na minha cidade e no meu país.”– Discurso de Mandela em Durban, 16 de abril de 1999.

“Não podemos mais esperar. Agora é o momento de intensificar a luta em todas as frentes. Relaxar os nossos esforços agora seria um erro que as gerações futuras não conseguirão perdoar. A visão da liberdade que se aproxima no horizonte deve  incentivar-nos a redobrar nossos esforços.” – Discurso de Mandela ao sair da prisão, na Cidade do Cabo, 11 de fevereiro de 1990.

“É tão fácil quebrar e destruir. Os heróis são aqueles que fazem a paz e constroem.” – Discurso de Mandela em Soweto, 12 de julho de 2008. 

“Nascida após a derrota do crime nazi e fascista contra a humanidade, a Declaração Universal dos Direitos Humanos alimentou a esperança de que todas as nossas sociedades seriam, no futuro, construídas sobre os alicerces da gloriosa visão explicitada em cada uma de suas cláusulas.” – Discurso de Mandela na Assembleia Geral da ONU, 21 de setembro de 1998. 

“O sistema do apartheid acabou por cair devido à unidade daqueles que tiveram seus direitos negados e porque todos os setores da sociedade reconheceram que tinham mais a ganhar trabalhando juntos do que lutando uns contra os outros.” – Discurso em Bothaville, 14 de outubro de 1998. 

Regras de Mandela

Em dezembro de 2015, a Assembleia Geral decidiu ampliar o escopo do Dia Internacional de Nelson Mandela para que também fosse utilizado para promover condições humanas de encarceramento, aumentar a consciencialização sobre o facto de os presos serem uma parte contínua da sociedade e valorizar o trabalho dos agentes penitenciários como um serviço social de particular importância.

A resolução A/RES/70/175 da Assembleia Geral estipula as Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Prisioneiros. Conhecidas como “Regras de Nelson Mandela”, elas honram o legado do ex-presidente da África do Sul, que passou 27 anos na prisão como prisioneiro político.

Mais informações: 

Nas redes sociais, use #MandelaDay #NelsonMandela para partilhar conteúdo positivo e histórias de inspiração!

*Artigo da autoria da ONU Brasil

OMS junta 37 países em Lisboa para debater regulação da IA 

A conferência internacional de alto nível sobre Inteligência Artificial (IA) na saúde, organizada pela Organização Mundial de Saúde/Europa e pelo Governo de Portugal, começou hoje e reuniu responsáveis de 37 países das seis regiões da OMS. Este evento tem como objetivo regulamentar a IA e garantir que o acesso à tecnologia é universal para todos os doentes. 

Este encontro surge numa altura em que a avaliação da OMS/Europa revela que quase dois terços dos países aplicam IA em diagnósticos, mas apenas 8% dispõem de IA específica para a saúde e normas que definem quem é responsável quando o sistema de IA falha.

As conclusões vão de encontro ao relatório preliminar do Painel Científico Internacional Independente sobre IA do secretário-geral da ONU, que apela a uma governação mais forte e coordenada, à medida que a adoção da IA acelera a um ritmo superior ao da regulamentação.

“O que traz 37 países a Lisboa não é a falta de uma direção partilhada”, afirmou o diretor regional da OMS para a Europa, Dr. Hans Henri P. Kluge. “Este é o espaço onde a OMS ouve as necessidades dos Estados-membros para sairmos com uma agenda de trabalho, não com um comunicado”, terminou.

Uma agenda de trabalho comum

A conferência baseia-se na discussão de três pilares específicos, entre eles:

  • As regras que governam a forma como a IA é regulada e responsabilizada;
  • As ferramentas e infraestruturas necessárias para uma implementação de IA segura;
  • A força de trabalho, os profissionais de saúde e instituições que a vão pôr em prática.

Os responsáveis definem de que forma é que a OMS deve apoiar os Estados-membros, para que os participantes encontrem as soluções necessárias.

A IA e a Lusofonia

Também uma reunião de trabalho de alto nível dedicada aos países de língua portuguesa, entre eles Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, está a lançar as bases para uma cooperação lusófona na área da IA e da saúde. Esta sessão reflete que nenhum país deve navegar sozinho pela transformação digital da IA.

“A IA é uma oportunidade histórica para fortalecer os sistemas de saúde e melhorar a vida das pessoas”, afirmou a ministra da saúde de Portugal, Ana Paula Martins. “Esta reunião em Lisboa reafirma o nosso compromisso partilhado de garantir que a IA serve as pessoas e ajuda a construir sistemas de saúde mais seguros, justos e resilientes.”

Da implementação à regulamentação

A urgência na regulação deve-se à rápida disseminação da IA, já que os cidadãos recorrem a modelos de IA para avaliar sintomas antes de consultarem um médico. O diretor regional da OMS para a Europa alerta que a falta de regulamentação pode resultar em danos para os doentes, perda de confiança e no agravamento das desigualdades globais. 

Assim, a OMS/Europa defende que a regulamentação da IA é um passo obrigatório e urgente e que a tecnologia serve para aproximar os sistemas de saúde e apoiar a prestação de cuidados de forma justa e segura.

Mensagem para o Dia Mundial das Competências dos Jovens: “Competências para um Futuro Partilhado”

Foto: UNESCO-UNEVOC/Reu Dawner Flores

“Neste Dia Mundial das Competências dos Jovens, celebramos as contribuições da juventude por todo o mundo.

Enquanto inovadores, líderes, agentes de mudança, os jovens procuram construir comunidades e sociedades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis.

É essencial que adquiram as competências, as práticas e a educação que precisam e merecem.

O nosso mundo está a ser profundamente transformado por tecnologias digitais, alterações climáticas e por uma crescente incerteza e desigualdade económica.

Como nos recorda o tema deste ano, navegar por estas rápidas mudanças exige um novo conjunto de competência: da literacia digital à inteligência artificial, da comunicação ao pensamento crítico.

Desbloquear o potencial máximo das gerações mais jovens requer um grande investimento em educação e formação inclusiva e de qualidade.

Colmatar a lacuna de competências pode ajudar a criar empregos dignos e meios de subsistência sustentáveis à escala global.

Neste Dia Mundial das Competências dos Jovens, comprometemo-nos a dotar os jovens com as competências que o nosso mundo em mudança exige, para que possam ajudar a construir um “amanhã” melhor, para todos.”

– O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Mensagem para o Dia Internacional de Reflexão e Memória do Genocídio de 1995 em Srebrenica

Foto:© UNICEF

No Dia Internacional de Reflexão e Memória do Genocídio de 1995 em Srebrenica, honramos a memória de mais de 8.000 homens e meninos bósnios muçulmanos que foram sistematicamente assassinados e das milhares de mulheres, meninas e idosos que foram forçadamente deslocados.

A intenção de aniquilar os bósnios muçulmanos de Srebrenica não teve sucesso. Permanecemos em solidariedade com os sobreviventes e com as famílias das vítimas, incluindo as Mães de Srebrenica, cuja coragem manteve a verdade viva perante o mundo.

Os Tribunais Internacionais estabeleceram que os crimes cometidos em Srebrenica constituem genocídio. Afirmaram também que a responsabilidade criminal é individual e que nunca pode ser atribuída a qualquer grupo étnico ou religiosos.

Relembrar Srebrenica significa salvaguardar estas verdades contra a negação e o revisionismo, procurar a responsabilização e reconhecer o sofrimento de cada vítima. Significa também confrontar o discurso de ódio e a discriminação e renovar a nossa determinação em fazer do “nunca mais”, uma realidade para todos.

Neste dia solene, relembremos as vítimas, ouçamos os sobreviventes e atuemos para avançar com a justiça, a reconciliação e a paz. Que a memória de Srebrenica fortaleça o nosso compromisso com a dignidade humana, hoje e para as gerações futuras.

– O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres

Agenda 2030 e os ODS em risco

A Organização das Nações Unidas (ONU) deixa um aviso claro: sem um reforço urgente do financiamento global, o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, está em risco.

O alerta surge com o lançamento do Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2026,  durante  o Fórum Político de Alto Nível sobre o Desenvolvimento Sustentável, que avalia os progressos e os retrocessos alcançados desde a adoção da Agenda 2030, O documento destaca ainda que os conflitos, a instabilidade económica e as alterações climáticas continuam a dificultar a concretização das metas definidas.

A importância dos ODS

Desde 2015 que os ODS têm impulsionado melhorias significativas em diversas áreas do desenvolvimento humano. O relatório demonstra que, quando há investimento e coordenação internacional, os ODS funcionam como um motor de transformação em massa na vida de mil milhões de pessoas. Entre os principais progressos alcançados desde a adoção da agenda, destacam-se:

  • Cerca de 1,2 mil milhões de pessoas passaram a ter acesso a saneamento seguro e quase um mil milhão obtiveram acesso de água potável;
  • O acesso à eletricidade aumentou e cobre 92% da população mundial e 74% da tem, atualmente, acesso à internet;
  • As novas infeções por VIH diminuíram 30%, na última década;
  • Regiões como Médio Oriente ou Norte de África estão mais próximas de erradicar a pobreza extrema, até 2030.
  • O trabalho laboral infantil diminui em mais de 20 milhões de casos, entre 2020 e 2024;
  • Trabalhos para a igualdade de género, saúde e energias; 
  • Também foram registados avanços na igualdade de género, na saúde, no acesso à educação e na expansão das energias limpas.

Apesar destes resultados, o relatório alerta que, com menos de cinco anos até 2030, o ritmo de progresso continua insuficiente e desigual para cumprir com as metas estabelecidas.

Consequências da falta de financiamento

O mundo enfrenta desafios cada vez mais complexos, desde conflitos armados, à regressão económica e ao caos climático. Os dados atuais revelam uma realidade preocupante:

  • Uma em cada dez pessoas continua a viver em situação de pobreza extrema. 
  • Cerca de 2,3 mil milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave;
  •  Mais de 150 milhões de crianças sofrem de atrasos no crescimento;
  • A mortalidade materna permanece três vezes superior à meta definida;
  • O número de pessoas afetadas por desastres climáticos duplicou desde 2015.

Assim que, para salvar a Agenda 2030, o relatório aponta para a necessidade urgente de colmatar o défice anual de financiamento dos ODS, estimado em cerca de 4 biliões de dólares por ano, ao utilizar mecanismos internacionais de mobilização de recursos, assumidos na Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento.

A menos de cinco anos do prazo final da Agenda 2030, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou aos líderes mundiais para transformarem o encontro num ponto de viragem. “Guiados pelos dados deste relatório, a nossa visão da Agenda 2030 continua ao nosso alcance. Juntos, vamos fazer um esforço final decisivo para alcançar os ODS e construir um futuro próspero para todos”, terminou.

Mali, Burkina Faso e Níger: 3 países no limite

Adolescentes desacompanhados lêem panfletos informativos em Lampedusa, Itália, após atravessarem o Mediterrâneo por Mali ou Níger e Líbia. Foto: UNICEF/Niccolò Corti

A região do Sahel Central, que integra Mali, Burkina Faso e Níger, tem enfrentado uma prolongada crise afastada das manchetes desde 2012. Estes três países, semi-áridos e marcados pela pobreza e insegurança, são governados por juntas militares que formaram uma aliança.

De que se trata a crise?

O Sahel Central é uma região Africana que inclui também o norte da Nigéria, na qual o grupo armado jihadista, Boko Haram, está ativo. A África permanece como “o epicentro global do extremismo violento”, de acordo com as Nações Unidas, sendo que a maior parte dos assassinatos relacionados com o terrorismo em todo o mundo, ocorrem em Sahel.

A situação de segurança no Mali deteriorou-se ainda mais no final de abril, quando o grupo armado jihadista e o movimento separatista Tuaregue atacaram várias cidades por todo o país. Os ataques assassinaram membros da junta governante de Kati, perto de Bamaco. Esta foi uma repetição do cenário de 2012 que tinha mergulhado o país na crise na qual vive atualmente.

No Burkina Faso e no Níger, as juntas militares estão no poder após os golpes de Estado de setembro de 2022 e julho de 2023, respetivamente. Os três países criaram então a Aliança dos Estados do Sahel, em 2023.

Os três países da região partilham ainda muitas outras semelhanças. Os vastos territórios que incluem áreas desérticas representam uma rota para os migrantes subsaarianos que têm como destino a Europa, via Líbia. São também zonas sem lei onde o tráfico prospera, particularmente o tráfico de cocaína da América Latina, para a Europa.

Os três países têm regimes repressivos que restringem liberdades públicas, enquanto que os grupos armados multiplicam as violações de Direitos Humanos.

Qual é o contexto da crise?

Trata-se de uma profunda crise de confiança entre certos segmentos da população e instituições de Estado que são acusadas de negligenciar o desenvolvimento das regiões remotas e de falhar na redistribuição da riqueza. 

A emergência e a proliferação de grupos armados pela região do Sahel tem gerado uma crise complexa desde 2012. Esta crise, inicialmente localizada no norte de Mali, espalhou-se pelas regiões centrais do país, antes de gradualmente envolver o norte de Burkina Faso e oeste de Níger e ameaçar a estabilidade de todos os países vizinhos.

Os ataques incessantes e os confrontos entre atores estatais e não-estatais, para além de obrigarem à deslocação de milhões de pessoas, complicam também o acesso humanitário e os esforços de proteção. A insegurança persistente nas zonas fronteiriças (particularmente entre Burkina Faso e Níger) está a piorar a crise humanitária.

Qual é o impacto da crise?

Refugiados de Mali em Niger. Tabareybarey camp. © UNHCR/H.Caux

A região do Sahel Central acolhe quase 3 milhões de pessoas deslocadas internamente (2 milhões no Burkina Faso, 548 mil no Níger e 415 mil no Mali), de acordo com os dados mais recentes do Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR). Para além disso, 1 milhão de refugiados residem em países vizinhos.

Os direitos humanos estão a ser violados nos três países. No Níger, o antigo presidente, deposto em julho de 2023, permanece detido. O Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial tem denunciado graves abusos contra o povo Fulani no Burkina Faso, devido à alegada associação da comunidade a grupo terroristas.

“Tais violações foram cometidas pelas Forças Armadas do Estado e pelos seus auxiliares, incluindo os Voluntários para a Defesa da Pátria, bem como por grupos armados não-estatais”, detalhou o Comité, num documento apresentado a 22 e 23 de abril, em Genebra.

Apesar dos progressos na saúde, educação e registo civil, “cerca de 7.5 milhões de crianças estão em necessidade urgente de assistência humanitária no Sahel Central. Esta é uma emergência que permanece demasiado longe da atenção da comunidade internacional”, alertou o diretor executivo adjunto da UNICEF, Ted Chaiban, no final de abril.

De acordo com o ACNUR, mais de 14.800 escolas fecharam na região, até meados de 2025, o que privou 3 milhões de crianças de ter acesso à educação e a espaços seguros.

A juventude descolada enfrenta desafios cada vez maiores de proteção e de subsistência. Os jovens estão particularmente vulneráveis ao recrutamento forçado, ao tráfico humano e ao acesso limitado a oportunidades de emprego, o que aumenta o risco de empreenderem por perigosas jornadas para fugir da região.

O Níger, encontra-se entre os países onde o alerta de fome foi emitido para 2026. “A redução do financiamento em 2025 aprofundou a fome e a desnutrição na região”, afirmou a diretora regional adjunta do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para a África de Ocidental e Central, Sarah Longford. “À medida que as necessidades superam o financiamento, aumenta também o risco de os jovens caírem no desespero.”

No Mali, a redução das rações alimentares levou a um aumento de 64% de fome em algumas áreas. A insegurança está a perturbar o abastecimento de bens essenciais, o que deixa 1.5 milhões de Malianos vulneráveis a uma crise alimentar.

O ACNUR nota ainda que os choques relacionados com as alterações climáticas estão a intensificar a competição pelo acesso a recursos como a terra e a água. Estes são obstáculos adicionais à coexistência pacífica e à coesão social entre as pessoas deslocadas e refugiados, com as comunidades acolhedoras.

A resposta da ONU

O staff do PAM e parceiros distribuem alimentos na região de Gao, no Mali. Foto: PMA/Mahamadou Abdourhamane

A insegurança no Sahel Central está a proliferar-se para Benin, Costa do Marfim, Gana, Togo e Mauritânia, o que torna a resposta a esta crise ainda mais crucial. Mais de 30 agências da ONU estão a trabalhar no Mali, Burkina Faso e Níger.

Uma missão de Manutenção da Paz da ONU (a Missão Multidimensional Integrada da ONU na Estabilização no Mali – MINUSMA), foi estabelecida em 2012 e tinha como objetivo estabilizar o país, proteger civis e apoiar o processo político. Contudo, a missão foi retirada em julho de 2023, a pedido das novas autoridades Malianas.

Face à crise humanitária na África Ocidental e Central, a ONU e os seus parceiros apelam para um financiamento de 5.1 mil milhões de dólares e ao fim da indiferença. O objetivo é ajudar 24 milhões de pessoas vulneráveis na África Ocidental e Central. Por todas estas regiões, 42 milhões de pessoas irão precisar de assistência, mas os cortes no financiamento não permitirão à ONU cobrir todas as necessidades.

ONU alerta para corrida desenfreada da IA e pede regras globais urgentes

Foto ONU/Elma Okic

Guterres diz que humanidade pode estar na última geração capaz de definir os limites entre humanos e máquinas

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, abriu esta segunda-feira, em Genebra, o primeiro Diálogo Global sobre Governação da Inteligência Artificial com um alerta contundente: a tecnologia está a avançar a um ritmo sem precedentes e a ser implementada mais rapidamente do que governos, instituições e até os próprios criadores conseguem acompanhar. Segundo Guterres, este é uma realidade “sem plano e sem consentimento”, situação que classificou como “insustentável” e “inaceitável”.

No seu discurso, Guterres destacou que a inteligência artificial já está a transformar economias, mercados de trabalho, processos democráticos e questões de segurança internacional. Para o chefe da ONU, o desafio central é saber se os países serão capazes de moldar esta transformação de forma coletiva ou se acabarão por ser moldados por ela. O encontro em Genebra, afirmou, representa um momento histórico por reunir todos os Estados-membros em torno de uma mesma base científica para discutir o futuro da tecnologia.

O líder das Nações Unidas apresentou três grandes alertas identificados pelo Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial. O primeiro refere-se à velocidade da expansão da IA, que alcançou um bilião de utilizadores em apenas dois anos, muito mais depressa do que a internet. O segundo diz respeito à concentração de poder, já que os recursos computacionais, os dados e os talentos necessários para desenvolver os sistemas mais avançados estão concentrados em poucas empresas e países. O terceiro alerta está ligado à erosão da verdade, num contexto em que conteúdos gerados por máquinas podem tornar-se tão persuasivos quanto factos reais.

ONU/Mark Garten O secretário-geral da ONU, António Guterres também voltou a defender a proibição internacional dos sistemas de armas autónomas letais, que descreveu sem rodeios como “robôs assassinos”.

Apesar das preocupações, Guterres enfatizou que o potencial positivo da inteligência artificial continua a ser extraordinário. Citando exemplos na saúde, educação e agricultura, afirmou que a tecnologia pode acelerar décadas de desenvolvimento em apenas alguns anos. “Usada de forma correta e amplamente partilhada, a IA pode tornar-se o grande igualador do século XXI”, declarou, defendendo que os benefícios devem chegar também aos países em desenvolvimento.

Para orientar a resposta internacional, o secretário-geral propôs quatro prioridades. A primeira é a segurança, incluindo uma nova iniciativa para proteger crianças dos riscos da IA. “Nenhuma criança deve ser uma cobaia de uma inteligência artificial não regulada”, afirmou, ao lançar um apelo para um Compromisso Global de Segurança Infantil na IA. As outras prioridades incluem a definição de linhas vermelhas para proteger os direitos humanos, o fortalecimento das capacidades dos países em desenvolvimento e uma maior transparência sobre os impactos ambientais dos sistemas de inteligência artificial.

Guterres também voltou a defender a proibição internacional dos sistemas de armas autónomas letais, que descreveu sem rodeios como “robôs assassinos”. Segundo ele, permitir que máquinas decidam sozinhas quem vive ou morre é “moralmente repugnante” e “politicamente inaceitável”. O chefe da ONU advertiu que algumas decisões devem permanecer para sempre nas mãos dos seres humanos, especialmente aquelas relacionadas com o uso da força letal.

Encerrando o discurso, o diplomata português rejeitou a ideia de que a regulação seja inimiga da inovação e argumentou que tecnologias poderosas só conquistam confiança pública quando existem mecanismos de responsabilização. Num dos momentos mais fortes da intervenção, advertiu que “podemos ser a última geração capaz de definir os termos da coexistência entre a humanidade e as máquinas”. Para Guterres, a reunião de Genebra deve marcar o início de uma nova era de governação global da inteligência artificial, tornando-a “mais segura, mais justa, mais acessível e mais ética” para todos.

Veja discurso na íntegra aqui (em inglês).

A Inteligência Artificial: nem boa, nem má

Foto: Unsplash/Aidin Geranrekab

A Inteligência Artificial (IA) está a evoluir a um ritmo exponencial e a sociedade não está a conseguir acompanhar o seu crescimento. Esta é uma das principais conclusões do relatório do Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial das Nações Unidas, elaborado por um grupo de 40 especialistas. 

Há alguns anos, a IA limitava-se a responder a perguntas simples e realizar cálculos matemáticos. Hoje, escreve códigos informáticos, gera imagens e vídeos realistas, analisa quantidades astronómicas de dados e apoia até investigações médicas. E quanto maior é o potencial, maiores são também as preocupações sobre a forma como esta tecnologia é utilizada.

Quais são os desafios da AI?

De acordo com este relatório, a IA está a transformar a sociedade: acelera o progresso científico, impulsiona a inovação e contribui para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Mas pode também representar riscos que ameaçam os Direitos Humanos.

O grande desafio passa por aproveitar os benefícios da IA, ao minimizar os riscos, entre eles: 

  • Abuso online, relativo à criação e divulgação de conteúdos sexuais;
  • Desinformação e manipulação da opinião pública, com impacto na democracia;
  • Aumento de ciberataques, fraudes e burlas digitais;
  • Riscos para a saúde mental, incluindo o agravamento do isolamento; 
  • Maior dificuldade em monitorizar e controlar sistemas de IA cada vez mais complexos;
  • Impacto ambiental devido ao elevado consumo de energia e às emissões de gases;
  • Transformações profundas no mercado de trabalho, com a substituição de profissões e a necessidade de novas competências.

Quais são as principais conclusões do relatório?

  1. Necessidade de regulação: atualmente, não existem garantias suficientes de que os seres humanos consigam manter controlo sobre os sistemas de IA mais avançados.
  2. Velocidade do desenvolvimento: A IA evolui tão rapidamente que, muitas vezes, quando uma nova regulamentação entra em vigor, a tecnologia já avançou e essa legislação corre o risco de ficar desatualizada. 
  3. Concentração de poder: O desenvolvimento da IA está concentrado num número reduzido de países e empresas. Segundo o relatório, os Estados Unidos e a China concentram cerca de 90% da capacidade mundial de computação dedicada à IA, o que pode agravar desigualdades entre países.
Foto: Adobe Stock/Southport l Um centro de dados no estado americano de Wisconsin

Qual é a resposta da ONU?

Perante este cenário, as Nações Unidas continuam a procurar uma resposta internacional baseada na evidência científica, capaz de maximizar os benefícios da Inteligência Artificial e reduzir os riscos. O secretário-geral da ONU apelou aos países para que “não percam tempo” e que utilizem estas recomendações para orientar as suas decisões.

Segundo o painel científico, a Inteligência Artificial não é, por si só, nem boa nem má. O seu impacto dependerá das escolhas dos governos, empresas e sociedades.

Alerta vermelho: ondas de calor atingem Portugal

Foto: Dados IPMA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertaram para uma nova e prolongada onda de calor que vai afetar todo o território de Portugal Continental. Este período vai durar entre 8 a 10 dias e a proteção contra este fenómeno, é essencial.

Durante a próxima semana, o IPMA prevê “um longo período de tempo quente e seco, com a temperatura máxima a atingir valores entre os 35 e 41ºC na generalidade do território, e entre os 41 e 44ºC no Vale do Tejo e no Alentejo.” Regiões como Lisboa e Setúbal irão entrar em alerta vermelho devido ao calor extremo e, até sexta-feira, todo o país estará sob aviso laranja.

Foto: Dados IPMA

Como consequência, aumenta o risco de exaustão por calor e de insolação. O esforço feito pelo corpo para arrefecer sobrecarrega o coração e os rins, podendo causar lesão renal aguda. Além disso, as altas temperaturas podem agravar o estado de saúde de pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias, mentais ou diabetes, podendo, em casos extremos, levar à morte.

O impacto do calor no corpo humano

O calor extremo provoca uma forte sobrecarga no organismo. Quando o corpo perde a capacidade de regular a temperatura interna e de eliminar o calor acumulado, os riscos para a saúde disparam.

Desta forma, aumenta o risco de exaustão por calor e insolação. Também o esforço feito pelo corpo para se arrefecer, sobrecarrega o coração e os rins, o que pode causar lesões renais agudas. Além disso, as altas temperaturas também agravam o estado de saúde de pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias, mentais ou diabetes. Em casos extremos, estas condições podem levar à morte.

E como nos devemos proteger?

Para garantir segurança e bem-estar durante os dias, a ONU deixa várias recomendações:

  • Manter o corpo hidratado;
  • Evitar o consumo excessivo de cafeína e álcool;
  • Observar a cor da urina, já que uma cor escura é sinal de que é necessário beber água.
  • Evitar estar no exterior nas horas mais quentes de calor;
  • Vestir roupas leves, de cores claras, folgadas e respiráveis e usar chapéu;
  • Aplicar regularmente protetor solar de proteção 30 ou superior;
  • Manter a casa protegida do calor ao fechar as janelas e as persianas durante o dia;
  • Ter atenção ao risco de afogamento e evitar nadar sozinho.
  • Conhecer os sinais de alerta de saúde como tonturas, náuseas ou confusão. 
  • Consultar o médico para saber que cuidados extra deve ter.

A onda de calor na Europa

Esta vaga de calor faz parte de um fenómeno maior que está a afetar a Europa com temperaturas recorde. Segundo dados da OMS, esta situação já provocou mais de 1.300 mortes desde o dia 21 de junho deste ano.

Face a este cenário, a OMS apelou a todos os países europeus para que reforcem os seus planos de prevenção e resposta a temperaturas extremas, ao integrar estas medidas nas estratégias de adaptação às alterações climáticas.

Venezuela: número de mortes continua a aumentar

Foto: UNOCHA/Luisana Solano

A Venezuela enfrenta uma das piores catástrofes naturais da sua história. Na última semana, o país foi fustigado por dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 na Escala de Richter, ao qual se seguiram mais de 500 réplicas.

O impacto dos abalos atingiu mais de sete estados do país e ainda os países vizinhos. Contudo, a cidade portuária de La Guaira foi a mais afetada, tendo sido declarada como “Zona de Desastre”. 

Foto: OCHA l Mapa da Venezuela com as áreas mais afetadas pelo conflito

O balanço humanitário e material

Até ao momento, as autoridades confirmaram um cenário devastador que continua a agravar-se:

  • Vítimas: 1.450 mortos, 3.100 feridos e mais de 50.000 pessoas desaparecidas.
  • Deslocados: Mais de 12.000 pessoas estão deslocadas devido aos escombros.
  • Infraestruturas: Mais de 200 edifícios ficaram completamente destruídos e 38 hospitais sofreram danos graves.

Várias zonas do país continuam totalmente privadas de serviços básicos, com cortes prolongados de eletricidade, água e telecomunicações.

A resposta da ONU

Face à emergência humanitária, a ONU está a mobilizar esforços para alcançar toda a população, através do trabalho das Agências que estão no terreno:

OCHA: Está a coordenar 44 equipas internacionais de busca e resgate urbano;

CERF: Alocou 15 milhões de dólares do Fundo Central de Resposta a Emergências;

UNICEF: Disponibilizou 1,5 milhões de dólares do Fundo Humanitário Global para ações imediatas de proteção;

ACNUR: Expandiu a distribuição de materiais de abrigo e ajuda de emergência para os deslocados;

PAM: Garantiu a entrega de alimentos a 10.000 famílias durante dois meses;

Paralelamente, a Cruz Vermelha Venezuelana já está no terreno, com equipas de busca e salvamento, apoio médico e serviços de localização de familiares. A IFRC lançou um Apelo de Emergência para assistir 300.000 pessoas.

A assistência portuguesa

O Governo de Portugal ativou de imediato mecanismos de assistência humanitária, com especial atenção à vasta comunidade portuguesa e luso-descendente no país (estimada em cerca de 220 mil cidadãos nacionais e entre 300 a 350 mil luso-descendentes).

As medidas de Portugal incluem:

  • Apoio financeiro: Com um envio de 400 mil euros para assegurar o apoio a médio prazo às populações afetadas;
  • Bens de primeira necessidade: Organização e envio de materiais e bens essenciais de emergência;
  • Repatriação: Operação de evacuação que já retirou 19 cidadãos portugueses da zona de crise, tendo estes aterrado em segurança no Aeroporto Figo Maduro, em Lisboa.

Mensagem Internacional para o Dia das Micro, Pequenas e Macro Empresas

Foto: Unsplash/Microsoft 365

“Hoje celebramos o papel crucial desempenhado pelas micro, pequenas e médias empresas — dinamizando comunidades, sustentando famílias e impulsionando o progresso económico. Como motores de criação de emprego, são essenciais para o futuro de todos os países, incluindo como principais empregadoras da juventude.

Mas estas empresas enfrentam grandes desafios — desde a dificuldade de acesso a financiamento para expandir as suas operações, aos efeitos transformadores da inteligência artificial nos atuais modelos de negócio, até a tarifas elevadas e ao aumento da inflação.

A instabilidade global também está a ter impacto. O conflito no Médio Oriente perturbou rotas comerciais e cadeias de abastecimento, aumentou os preços da energia e fez disparar os custos.

Os governos e as empresas precisam de trabalhar em conjunto para reforçar a resiliência face a choques globais, diversificar os mercados de exportação, aceder a novas fontes de matérias-primas e reforçar o desenvolvimento de competências para apoiar os empreendedores — especialmente mulheres e jovens.

Os sistemas financeiros devem ser fortalecidos para que as empresas possam aceder a crédito acessível e reduzir os custos de financiamento.

E, como nos recorda o tema deste ano, precisamos de ajudar as empresas a tirar partido do poder da inovação e das tecnologias digitais para competir e ter sucesso nos mercados globais.

Acima de tudo, num mundo cada vez mais incerto, é tempo de colocar a paz em primeiro lugar e permitir que os mercados globais e os sistemas de transporte funcionem de forma eficiente e segura.

Juntos, podemos assegurar que as micro, pequenas e médias empresas continuem a ser motores de prosperidade e de oportunidade para as gerações vindouras.”

-O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.