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Mensagem do secretário-geral para o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia

17 de maio de 2026

“No Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia, afirmamos uma verdade simples: ser quem somos nunca deve ser crime.

Nas últimas décadas, foram feitos enormes progressos na promoção da igualdade de direitos das pessoas LGBTIQ+.

No entanto, em todo o mundo, assistimos a esforços concertados para fazer recuar os seus direitos humanos — restringindo a liberdade de expressão e de reunião pacífica, fomentando o ódio, visando defensores dos direitos humanos e reduzindo o financiamento de serviços essenciais. Pela primeira vez em anos, aumentou o número de países que criminalizam relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo.

Quando os direitos estão sob ataque, as pessoas LGBTIQ+ são frequentemente das primeiras a sofrer — usadas como bodes expiatórios e expostas a maiores riscos para a sua segurança, saúde e bem-estar.

O tema deste ano, “No Coração da Democracia”, é um poderoso lembrete de que todas e todos devem poder viver livres do medo e participar em igualdade na sociedade.

As Nações Unidas orgulham-se de estar ao lado de todos os membros da família humana, sem discriminação de qualquer tipo. Juntos, vamos escolher a segurança, a dignidade e a igualdade para todos.”

-Mensagem do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Casos de Hantavírus: “Não se trata de uma nova COVID-19”

Foto:OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em colaboração com o Governo de Espanha, deu início ao desembarque dos passageiros a bordo do cruzeiro MV Hondius, no passado domingo Esta operação de saúde internacional está a decorrer em Tenerife e surge como resposta ao surto de hantavírus detetado na embarcação.

Cerca de 150 pessoas estavam a bordo do cruzeiro MV Hondius, quando eclodiu o surto de hantavírus que vitimou três pessoas. Perante a crise sanitária, foi criada um grupo de trabalho pela OMS e pelo Governo espanhol para coordenar o desembarque dos passageiros no Porto Industrial de Granadilla, em Tenerife.

A ilha foi o destino escolhido pela OMS devido à sua capacidade de infraestruturas médicas, solidariedade da população e conectividade logística da região. Após o desembarque, os passageiros, serão transportados em veículos isolados e repatriados para os seus países de origem em voos ferry e posteriormente, monitorizados ativamente por seis semanas. 

De acordo com Diana Rojas, responsável pelas operações de saúde da OMS em Tenerife, os cidadãos de Espanha, Canadá, França e Países Baixos estão entre os primeiros a ser repatriados, devido à disponibilidade de voos de repatriação.

Mensagem de Agradecimento a Tenerife

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Ghebreyesus, deixou uma mensagem de agradecimento à população de Tenerife e garantiu que o controlo da situação sanitária.

“Não se trata de outra COVID-19. O risco atual para a saúde pública associado ao hantavírus continua a ser baixo”. O responsável acrescentou ainda que a população “não deve ter medo nem entrar em pânico”. 

O HantaVírus é uma infeção associada à exposição a roedores infetados e pode causar complicações respiratórias graves. A variante Andes é a única com transmissão documentada entre humanos.

Portugal abriga o primeiro bairro social do mundo embaixador dos ODS

ONU News/Sara de Melo Rocha

Artigo da ONU News, por Sara de Melo Rocha*

O bairro do Zambujal, na Amadora, perto da capital do país, transformou as paredes dos prédios numa iniciativa ligada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; a proposta incluiu moradores e artistas num processo que mudou a forma como o bairro se vê e é visto.

À entrada do bairro do Zambujal, no Concelho da Amadora, perto de Lisboa, não há bilheteira nem mapa turístico. Há prédios, roupa estendida, crianças a jogar à bola e muita cor.

Nas fachadas, é possível ver murais que ocupam vários andares, com rostos, símbolos e histórias que hoje atraem turistas a um bairro durante anos estigmatizado. Integrado no Zambujal 360, esta é uma iniciativa que junta arte urbana, inclusão social e sustentabilidade.

O primeiro bairro embaixador dos ODS 

A ONU News conversou com Vítor Monteiro, um dos coordenadores do projeto, sobre o uso da arte urbana com um objetivo maior. Foi a partir desta visão que a equipa integrou os ODS da ONU, no projeto, como explica Vítor Monteiro. 

“Começámos a contar os murais e vimos que eram 17. Então pensámos: em vez de pintarmos por pintar, porque não ter aqui um tema por trás?”

Já Mário Linhares, também coordenador da iniciativa e responsável pela componente artística, explica que cada mural passou a ter uma temática e uma história ligada ao bairro.

“Começámos a perceber que podíamos ter histórias reais ligadas aos 17 ODS e, sobretudo, que podíamos criar um sítio onde todas as pessoas pudessem visitar para conhecer melhor os ODS”.

O Zambujal pretende ser o primeiro bairro social embaixador dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, do mundo.

A proposta é reforçar o sentimento de pertença através da expressão artística, mas também fortalecer a economia do bairro. 

Ideias que vêm de fora

A ideia surgiu durante a pandemia de Covid-19 e rapidamente se transformou num projeto concreto promovido pela associação “CAZAmbujal”, em parceria com o Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) e outros patrocinadores.

Vítor Monteiro lembra que nem todos aceitaram a ideia à primeira vista: “Sendo um bairro social, há sempre esta desconfiança do que vem de fora”.

Ana Martins, residente no Zambujal há quase 30 anos, lembra-se bem desse momento. “No prédio, tínhamos duas opiniões distintas. No início do projeto, algumas pessoas não levaram muito a sério o projeto.”

O bairro foi convidado a conhecer melhor a iniciativa e, a partir daí, o envolvimento aumentou com reuniões, visitas guiadas e conversas entre vizinhos.

Pintar com quem lá vive

Mário Linhares explica que uma das condições do projeto foi o envolvimento direto da comunidade em todas as fases: “Era impossível um artista vir cá pintar sem reunir com os moradores, sem discutir os temas com a comunidade.”

Igor Ramos, morador no bairro desde 1999, recorda o momento em que a artista cabo-verdiana Gildoca Barros apresentou ideias para o mural sobre o ODS 14, que defende a proteção da vida marinha. 

“Curiosamente, a primeira proposta que ela fez foi a que foi aceite, por causa das cores, das ideias e a da proteção dos oceanos”, conta.  

O envolvimento no terreno

A moradora Ana Martins acompanhou a iniciativa de perto. “Acompanhei todo o processo de pintura do prédio. Envolvi-me, eu e mais duas ou três vizinhas.”

O trabalho implicou presença constante, incluindo apoio logístico aos artistas durante a execução dos murais, como conta Igor Ramos. 

“Oferecemos todo o apoio possível como casa de banho, água, comida e tudo o possível para garantir as melhores condições possíveis aos artistas.”

ONU News/Sara de Melo Rocha | Os murais não são ilustrações genéricas dos ODS, partem de histórias reais das pessoas que vivem no bairro do Zambujal.

Histórias reais 

Os murais não são apenas ilustrações genéricas dos ODS, mas partem de histórias reais, das pessoas que vivem no bairro do Zambujal. 

Uma das histórias mais marcantes está ligada à igualdade de género. “Este é o conto de uma senhora, da comunidade cigana, que perante as adversidades lutou com todas as suas forças para conseguir levar avante o amor da sua vida”, explica Vítor Monteiro.

Há também murais sobre paz, educação, solidariedade e outros ODS da ONU. 

De bairro estigmatizado a espaço visitado

O bairro do Zambujal tem cerca de três mil habitantes e começou a ser construído na década de 1970 para acolher populações vindas de diferentes zonas do país e, mais tarde, comunidades migrantes que iam chegando das antigas colónias africanas. 

O Zambujal tem uma forte diversidade cultural e social mas também carregou durante décadas uma imagem negativa, associada a problemas sociais, o que contribuiu para um estigma persistente, tanto dentro como fora do bairro.

Hoje, o estigma está a desaparecer e o impacto nota-se com a chegada de visitantes, conta Mário Linhares. “Há claramente uma perceção de que já não vivem num bairro invisível”. 

O olhar de fora

O Zambujal passou a receber visitas interessadas em conhecer o percurso dos murais e as histórias associadas.

Uma delas foi Melissa Fleming, subsecretária-geral da ONU para as Comunicações Globais, que destacou a importância do projeto e a capacidade de passar a mensagem.

“Primeiro, somos cativados pelas cores e pela arte. Depois, o passo seguinte é perceber como é que isto se relaciona comigo e questionar: Será que eu também tenho o direito de igualdade? Que todas as crianças têm o direito de ir à escola? Que nós temos o direito de um ambiente limpo e de justiça? É uma forma indireta das pessoas sentirem que fazem parte.”

Melissa Fleming defende que o Zambujal 360 pode ser replicado noutros contextos. 

“Não é apenas um projeto local. É um projeto que podemos escalar. Há tantos talentos, artistas e pessoas que gostariam de recriar algo assim no seu próprio bairro, para inspirar e dar esperança à população, especialmente nas comunidades marginalizadas”, concluiu a subsecretária-geral.

ONU News/Sara de Melo Rocha | Melissa Fleming, subsecretária-geral da ONU para a Comunicação Global, visitou Zambujal.

“Cada vez gosto mais de aqui viver”

O Zambujal continua a ter os desafios de um bairro social, mas hoje tem uma comunidade mais envolvida e orgulhosa.  

“Nestes bairros as pessoas sentem-se mais ou menos marginalizadas mas, de repente, as pessoas começaram a sentirem-se importantes e a acreditar que é possível realizar qualquer coisa”, conta Igor Ramos.

Para Ana Martins, o impacto é claro: “Acho que somos um bom exemplo para o mundo. Cada vez gosto mais de aqui viver”.

Entre paredes pintadas e histórias partilhadas, a transformação não aconteceu de um dia para o outro, mas deixou marcas tanto para quem ali vive como para quem chega de fora.

*Sara de Melo Rocha é correspondente da ONU News em Lisboa.

Nova Rota ODS em Évora: “Fazemos coisas grandes a partir de meios pequenos”

Foto: IMVF

Évora, a Capital Europeia da Cultura de 2027, recebe a primeira Rota dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) do mundo. A iniciativa, que visa promover a cidadania global ativa junto dos mais jovens, foi desenvolvida por alunos do 2.º ano do curso de Apoio Psicossocial da Escola Secundária Severim de Faria, pelo Centro de Inovação Social da Fundação Eugénio de Almeida e pelo IMVF – Instituto Marquês de Valle Flôr.

15 alunos aceitaram o desafio de criar este percurso, que tem base no projeto europeu “Jovens 2030 – Mobilizar para Agir”, cofinanciado pela União Europeia e apoiado pelo Instituto Camões e implementando em Portugal, pelo IMVF. O desafio resultou na criação de uma rota gratuita e acessível a todos na capital alentejana, que consolida o compromisso da região com a sustentabilidade e a participação jovem.

Criação da Rota ODS

A Rota dos ODS distingue-se pelo papel central assumido pelos jovens em todo o processo, uma vez que foram os próprios alunos que identificaram locais e monumentos da cidade e criaram a rota onde se estabelece a ligação entre estes espaços e os 17 ODS.

“Esta aventura começou porque queríamos levar a temática da cidadania global para os territórios mais afastados dos grandes centros urbanos”, explica à ONU Portugal a Coordenadora da Unidade de Cidadania Global do IMVF, Ana Castanheira.

“E não seria incrível que Évora, que vai ser a Capital Europeia da Cultura 2027, tivesse a primeira rota de ODS do mundo?”, pergunta Mónica Santos Silva. Gestora de projetos,  da Unidade de Cidadania Global do Instituto Marquês de Valle Flôr. Após a apresentação da ideia aos jovens, “eles adoraram e disseram que passariam a ver Évora sob o olhar de outras inspirações e temas”, afirma a responsável.

Foto: IMVF

Os Objetivos e os lugares

Lara Alegria, aluna da Escola Secundária Severim de Faria e participante do projeto, explica como foi o processo de organização: “Somos 15 alunos divididos em duplas, e cada grupo ficou responsável por 2 ODS. Quisemos ir além da história óbvia dos edifícios e escolhemos lugares menos conhecidos para dar a conhecer uma outra face de Évora”.

A interligação entre os locais da cidade de Évora e os ODS foi feita através de narrativas comuns e históricas da cidade. “Tentámos ligar as histórias dos locais com os temas como a alimentação, a pobreza, a sustentabilidade e a renovação de infraestruturas. Foi assim que fomos criando as conexões. A aluna exemplifica ainda:

A Oliveira da Paz, pelo seu contexto histórico de ter sido plantada em tempo de guerra como símbolo de esperança, foi conectada ao ODS 16 da Paz, Justiça e Instituições Eficazes.

Foto: IMVF

A Caixa de água, pela sua antiga função de armazenamento de água e gestão de recursos, foi ligada ao ODS 6 da Água Potável e Saneamento.

Mónica Santos Silva reforça a complexidade do desafio: “A rota exige uma dupla leitura. Foi um trabalho incrível porque os alunos tiveram de investigar, ser criativos. Tiveram que olhar para os monumentos e procurar neles as ligações aos ODS, e também aos temas do projeto, nomeadamente a interligação entre solo, igualdade de género e cidadania global.”

Esta rota surge também como um recurso valioso para os turistas que desejam conhecer Évora de uma forma diferente, especialmente com a cidade a preparar-se para ser Capital Europeia da Cultura em 2027.

“Eu considero-me uma agente de mudança”

Para Lara Alegria, o projeto foi uma revelação sobre o poder da juventude. “Percebemos que a nossa voz, enquanto jovens, é muito significativa e que as grandes mudanças começam assim. É importante que estas oportunidades existam para tornar os jovens mais participativos”.

A aluna destaca ainda o impacto na coesão do grupo. “Trabalhar em comunidade permite-nos promover a inclusão e discutir os temas que realmente importam. Na minha turma, pessoas muito introvertidas tiveram de mudar a sua forma de pensar para apresentarem o projeto perante tanta gente. Provámos que conseguimos fazer coisas grandes a partir de meios pequenos”, concluiu.

Um exercício prático de cidadania

Mais do que um percurso urbano, esta iniciativa é um exercício de cidadania global. Permite aos jovens compreender como a inclusão, a sustentabilidade e a justiça social manifestam no território onde vivem. Como prémio pelo esforço, o grupo terá a oportunidade de viajar até Sevilha para divulgar o projeto internacionalmente.

Visite o website todos poderão fazer o download da própria rota do PDF da rota e explorar mais, de forma totalmente gratuita.

Versão digital da Rota dos ODS Évora

 

 

Mensagem do secretário-geral para o Dia Mundial da Língua Portuguesa 2026

ONU News/Alexandre Soares

“No Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebramos uma língua que percorreu o mundo e criou raízes em muitas sociedades.

De Lisboa a Luanda, de São Paulo a Díli, o português tem sido constantemente renovado por milhões de falantes e tornou-se um espaço de pertença que nenhuma fronteira pode conter. Como afirmou José Saramago: “Não há uma língua portuguesa, há línguas em português.” Esta pluralidade é a sua maior força.

Em tempos de fragmentação, isto reveste‑se de particular importância. Uma língua falada em quatro continentes é, por si só, um exercício de diálogo.

Nas Nações Unidas, sabemos que o multilinguismo é essencial para a compreensão mútua e para um multilateralismo eficaz. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa reflete este espírito de diálogo e de parceria e as Nações Unidas valorizam profundamente o seu contributo.

Neste dia, saúdo os falantes de português em todo o mundo. Que a língua portuguesa continue a enriquecer a nossa humanidade comum e a ajudar a construir um mundo mais justo, pacífico e unido.”

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas.

Mensagem para o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

“Costuma-se dizer que, na guerra, a verdade é a primeira vítima.

Mas, com demasiada frequência, as primeiras vítimas são os jornalistas que arriscam tudo para relatar a verdade, não apenas na guerra, mas em todas as situações onde aqueles que detêm o poder receiam o escrutínio.

Em todo o mundo, os profissionais da comunicação social da enfrentam os riscos de censura, vigilância, assédio legal e até a morte.

Os últimos anos registaram um aumento acentuado no número de jornalistas mortos, muitas vezes visados deliberadamente em zonas de guerra.

Oitenta e cinco por cento de todos os crimes cometidos contra jornalistas não são investigados e ficam sem sentença: um nível de impunidade inaceitável.

Pressões económicas, novas tecnologias e manipulação ativa estão também a colocar a liberdade de imprensa sob uma pressão sem precedentes.

Quando o acesso a informação fidedigna acaba, a desconfiança ganha raiz.

Quando o debate público é distorcido, a coesão social enfraquece.

E quando o jornalismo é sabotado, as crises tornam-se mais difíceis de prevenir e de resolver.

Toda a liberdade depende da liberdade de imprensa.

Sem ela, não existem direitos humanos, nem desenvolvimento sustentável, nem paz.

Neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, vamos proteger os direitos dos jornalistas e construir um mundo onde a verdade, e as pessoas que dizem a verdade, estejam em segurança.”

-Mensagem do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Começam as apresentações formais dos candidatos a secretário-geral na ONU

Foto: ONU/Loey Felipe

Por Daniel Dickinson, artigo da ONU News

A seleção do décimo secretário(a)-geral da ONU, que irá assumir o cargo em janeiro de 2027, poderá moldar a diplomacia global, a resposta a crises em todo o mundo e a direção do sistema multilateral, na próxima década.

As principais questões atuais são: De qual país será o próximo chefe da ONU? Será que uma mulher será escolhida para liderar as Nações Unidas pela primeira vez em mais de 80 anos de história? E como é que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança irão superar as diferenças políticas que os dividem, num mundo cada vez mais fragmentado?

O papel do secretário-geral da ONU

O secretário-geral das Nações Unidas é o principal cargo oficial administrativo e diplomata da ONU e tem como funções:

  • Liderar o secretariado e as operações globais; 
  • levar ao Conselho de Segurança questões que ameaçam a paz internacional;
  • Atuar como mediador, defensor e porta-voz público em crises globais;
  • Implementar as decisões dos Estados-membros;

Quatro candidatos foram indicados para concorrer ao posto que será deixado pelo atual secretário-geral António Guterres: Michelle Bachelet (Chile), Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica) e Macky Sall (Senegal).

Foto: Nações Unidas / Quatro candidatos foram nomeados para suceder António Guterres como próximo secretário-geral das Nações Unidas, a partir do dia 1 de janeiro de 2027. Os candidatos são Michelle Bachelet (Chile), Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica) e Macky Sall (Senegal).

Quando são as eleições?

O(a) candidato(a) vencedor(a) irá assumir o cargo a 1 de janeiro de 2027 e o processo de seleção já está em andamento.

  • Em Novembro de 2025: Os Estados-membros são convidados a indicar candidatos até dia 1 de abril de 2026, contudo este prazo é flexível;
  • Entre 21 e 22 de abril de 2026: Os candidatos são questionados pelos Estados-membros da ONU e membros da sociedade civil em “Diálogos Interativos” televisionados na sala do Conselho de Tutela.
  • Final de julho de 2026: O Conselho de Segurança, composto por 15 membros, informa publicamente a escolha do nome a ser encaminhado numa carta à Assembleia Geral para votação.
  • Final de 2026: A Assembleia Geral da ONU formaliza a nomeação com o voto de pelo menos metade dos 193 Estados-membros.

Quem são os candidatos?

A lista geralmente inclui diplomatas, primeiros-ministros, membros da ONU e figuras internacionais de alto nível.

Até ao momento, foram indicados quatro candidatos, entre eles:

  • Michelle Bachelet, do Chile e apoiada pelo México e Brasil;
  • Rafael Grossi, da Argentina e apoiado pelo próprio país;
  • Rebeca Grynspan, da Costa Rica e apoiada pelo mesmo país;
  • Macky Sall, do Senegal, apoiado pelo Burundi;
UN Photo/Loey Felipe: Brasão da ONU no salão da Assembleia Geral.

Como funciona a votação:

  • Os candidatos devem ser indicados por, pelo menos, um Estado-membro da ONU;
  • Cada país pode apresentar um candidato (individualmente ou em conjunto);
  • A autoindicação não é permitida;
  • Candidatos adicionais podem ser indicados após o prazo de dia 1 de abril;

Regras informais:

  • Nacionais dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos), não são indicados;
  • Não existe uma política oficial de rotação regional em relação à origem do secretário(a)-geral, embora alguns defendam que é a “vez” da América Latina; Argumento apoiado pelo facto de três dos candidatos declarados serem da região;
  • A intermediação de poder na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança;
  • O secretário(a)-geral é nomeado pela Assembleia Geral, composta por 193 Estados-membros, mediante a recomendação do Conselho de Segurança (conforme estabelecido no Artigo 97 da Carta da ONU). Embora o Conselho de Segurança tenha cinco membros permanentes com poder de veto, a nomeação final é feita pela Assembleia-Geral;

Para se tornar secretário(a)-geral, um candidato deve:

  • Obter apoio da maioria no Conselho de Segurança;
  • Evitar o veto de qualquer um dos membros permanentes do Conselho de Segurança;
  • Votações informais são realizadas entre os membros do Conselho de Segurança para indicar se apoiam, desencorajam ou não têm uma opinião específica sobre o candidato.
  • As votações informais continuam até que haja um candidato com maioria de votos, sem nenhum veto de um membro permanente do Conselho de Segurança.
Foto: ONU/Trygve Lie, da Noruega, foi o primeiro secretário-geral da ONU.

É provável que uma mulher seja eleita?

A pressão está a aumentar, mas não há garantias.

  • Desde a fundação da ONU, nove secretários-gerais ocuparam o cargo mas nenhuma mulher esteve na liderança;
  • Os Estados-membros são incentivados a indicar mulheres;

Contudo, o género não é um critério formal de seleção, embora seja encorajado em todos os editais de postos de trabalho das Nações Unidas, que incentiva o equilíbrio de género como o Objetivo 5 de Desenvolvimento Sustentável.

Política do Conselho de Segurança

A decisão final ainda depende do consenso dos membros permanentes do Conselho de Segurança. A discordância entre ou o impasse no CS sobre as recentes crises em Gaza, Ucrânia e Irão, refletem o desafio da tarefa. 

O(a) décimo(a) secretário(a)-geral seguirá os passos de:

  • António Guterres (Portugal), que tomou posse em janeiro de 2017;
  • Ban Ki-moon (República da Coreia), 2007 a 2016;
  • Kofi Annan (Gana), 1997 a 2006;
  • Boutros Boutros-Ghali (Egito), 1992 a 1996;
  • Javier Pérez de Cuéllar (Peru), 1982 a 1991;
  • Kurt Waldheim (Áustria), 1972 a 1981;
  • U Thant (Birmânia, hoje Mianmar), 1961 a 1971;
  • Dag Hammarskjöld (Suécia), 1953 a 1961;
  • Trygve Lie (Noruega), 1946 a 1952.

 *Daniel Dickinson é redator-sénior da ONU News Inglês.

 

Mensagem para o Dia Mundial da Terra

UN Photo/Manuel Elías

O nosso Poder, o nosso Planeta

“A Mãe Terra deu-nos tudo. Nós retribuímos com destruição desenfreada, ao poluir o seu ar, envenenar as suas águas, destabilizar o seu clima e ao levar inúmeras espécies ao limite.

O planeta está a acionar o alarme – através de incêndios, inundações, secas, calor mortífero e do aumento dos níveis médios da água do mar. Contudo, a nossa resposta continua a ser perigosamente insuficiente.

Nós temos as soluções. Em quase todo o mundo, as energias renováveis são hoje a fonte de eletricidade mais barata. A ação climática está a criar empregos, a fortalecer economias e a salvar vidas. Mas não estamos a agir suficientemente rápido. Temos de acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, proteger e restaurar a natureza em grande escala e garantir a justiça climática para aqueles que menos contribuíram para a crise, mas que são os que mais sofrem.

Ao redor de todo o mundo, jovens ativistas, Povos Indígenas, cientistas e sociedade civil estão a guiar o caminho. O poder deles é o nosso poder. Governos e empresas devem corresponder a essa coragem com ação urgente – pelo nosso planeta, por todos que dependem dele e para todas as gerações que virão.”

– Mensagem do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Quem se segue? Começa a corrida para encontrar o próximo secretário-geral da ONU

Foto: UN Photo/Manuel Elías

A corrida para encontrar o sucessor de António Guterres na liderança da Organização das Nações Unidas já está em curso. Esta semana, o mundo volta as atenções para Nova Iorque, com o início dos diálogos interativos com os quatro candidatos ao cargo de secretário/a-geral, que poderão ser acompanhados em direto pela UN WebTV.

Pela primeira vez em dez anos, as Nações Unidas preparam-se para eleger um novo secretário-geral para liderar a organização, num momento de desafios geopolíticos e guerras sem precedentes. Nos dias 21 e 22 de abril, os candidatos irão apresentar na Assembleia Geral da ONU a visão e responder a perguntas dos Estados-membros e da sociedade civil. 

“Numa altura de desafios crescentes em que os princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas são postos em causa, o mundo precisa mais do que nunca das Nações Unidas e de um secretário-geral capaz de exercer uma liderança forte, baseada em princípios e eficaz”, afirmou a presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock. “Em tempos em que a ONU e o direito internacional estão sob ataque direto, o papel do secretário-geral é crucial. Ele ou ela deve ser o mais forte defensor da Carta das Nações Unidas, que é a base da ordem internacional baseada em regras”, concluiu.

Os protagonistas da corrida 

Créditos: Wikicommons/Gobierno de Chile

Michelle Bachelet: A ex-Presidente do Chile exerceu já funções como alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos. Conta com o apoio do Brasil e do México na sua candidatura, contudo o Chile absteve-se. A candidata defende uma ONU “mais eficiente, orientada para resultados e capaz de antecipar crises” e defende que um secretário-geral que “mantenha uma forte presença em campo, possa contribuir significativamente para a diplomacia preventiva”. O diálogo interativo da candidata decorrerá dia 21 de abril, das 10h às 13h.

Foto: WikiCommons/Dean Calma /IAEA

Rafael Grossi: O argentino é diretor da Agência Internacional de Energia Atómica e ex-embaixador do seu país na Áustria. Apoiado por Buenos Aires, afirma que “o mundo ainda precisa das Nações Unidas. Mas uma ONU que funcione”, rematou na carta em que explica a sua visão. Defende uma “abordagem imparcial e orientada para os resultados” e critica a organização por “ter acumulado mandatos sobrepostos e funções fragmentadas”. O diálogo interativo do candidato decorrerá dia 21 de abril, das 15h às 18h. 

Foto: UNCTAD

Rebeca Grynspan: É ex-vice-presidente da Costa Rica e atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Foi nomeada pelo seu país de origem e afirma que “defender a ONU é ter a coragem de a mudar”. Propõe o uso de novas ferramentas tecnológicas como sistemas de alerta precoce com base em dados e análises com apoio de Inteligência Artificial para identificar riscos. O diálogo interativo do candidato decorrerá dia 22 de abril, das 10h às 13h. 

foto: Horacio Villalobos Corbis via Getty Images

Macky Sall: Foi presidente do Senegal, mas conta com o apoio de Burundi na sua candidatura. Considera que o mundo “atravessa hoje uma crise profunda” e defende uma agenda que dê prioridade à paz e uma liderança assente no “pragmatismo” e no “respeito pela soberania dos Estados”. O diálogo interativo do candidato decorrerá dia 22 de abril, das 15h às 18h. 

As fases de candidatura 

A seleção do secretário-geral da ONU é um processo complexo e faseado. Diferente de outros cargos, as candidaturas não são individuais: têm de ser apresentadas oficialmente por um ou mais Estados-membros. 

Após a formalização da candidatura, os candidatos devem apresentar uma “Declaração de Visão”, onde demonstram as suas perspectivas para o cargo e participar nos Diálogos Interativos. Nestas sessões, cada candidato dispõe de três horas para responder a perguntas dos Estados-membros e da sociedade civil.

A decisão final passa depois pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral. Para o CS eleger um candidato, deve obter 9 votos dos 15 membros do Conselho de Segurança, incluindo o apoio ou a abstenção dos cinco membros permanentes: França, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e China.

Após a recomendação do CS, para ser formalmente eleito, necessita de recolher pelo menos metade de votos a favor dos 193 Estados-membros da Assembleia Geral das Nações Unidas.

A voz de 8 mil milhões de pessoas

“A escolha do secretário-geral irá também demonstrar se as Nações Unidas representam verdadeiramente os 8 mil milhões de pessoas a quem prestamos serviço e a diversidade da comunidade global no século XXI. A este respeito, a participação da sociedade civil é fundamental”, afirmou a presidente da Assembleia Geral, já que durante os diálogos interativos, a sociedade civil terá a oportunidade direta de questionar quem poderá vir a ser esse novo rosto do multilateralismo global.

Este escrutínio público ganha ainda mais relevo num ano em que a pressão por uma liderança feminina é histórica. Com candidatas, como Michelle Bachelet e Rebeca Grynspan, o processo de 2026 poderá culminar na eleição da primeira mulher para o cargo. 

Português participa no Fórum da Juventude para a escolha de novo líder da ONU

Antonio Pedro Pinho/Arquivo Pessoal

*Artigo da autoria de Felipe de Carvalho, via ONU News.

O jovem médico, António Pedro Pinho, contou à ONU News como a campanha pretende influenciar a escolha do próximo secretário ou secretária-geral das Nações Unidas. Mais de 2 mil jovens trabalham para criar o “Edital do Cargo” que será usado na interação direta com os candidatos. A campanha é coordenada pela Fundação das Nações Unidas.

A incidência dos jovens na escolha da próxima liderança da ONU “está a avançar” a todo vapor. O médico português, António Pedro Pinho, de 24 anos, participa ativamente nestes esforços e enfatiza que as gerações futuras serão as mais impactadas pelo rumo que as Nações Unidas tomarem a partir de 2027, ano em que a organização terá uma nova liderança.

Foto: Nações Unidas | Jovens participam do Fórum da Juventude do ECOSOC na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque

Jovens criam “Edital do Cargo” 

Na semana passada, o jovem António Pedro Pinho esteve presente na sede da ONU para o Fórum da Juventude, realizado em Nova Iorque. 

Segundo o participante, os jovens devem interagir com os candidatos ao cargo de secretário-geral da ONU numa sessão programada para 23 de abril, um dia após o encerramento dos diálogos com os Estados-membros com os quatro candidatos ao posto.

“Nós estamos a tentar realizar uma campanha relativa à escolha do próximo secretário-geral das Nações Unidas. Queremos projetar os desejos da juventude na escolha da próxima personalidade, até porque o processo de escolha, muitas vezes, exclui os mais jovens.” António Pedro Pinho acrescenta: “Estamos, por isso, a realizar um inquérito global e um conjunto de diálogos para recolher a opinião dos jovens sobre aquilo que queremos, bem como a personalidade e a visão que a pessoa traz para o cargo”, afirmou. 

No marco da campanha, que é coordenada pela Fundação das Nações Unidas, foi realizada uma pesquisa que já ouviu mais de 2 mil jovens ao redor do mundo. Cerca de 60% dos entrevistados são mulheres. Com base nas respostas, foi criado um documento de “descrição do cargo ou edital”, que será usado pelos jovens nas interações com os candidatos a secretário-geral. 

António Pedro Pinho explicou que a população jovem reconhece a importância da ONU, mas que vê necessidade de uma liderança com ampla capacidade de transformar discursos em ações práticas. 

Expectativa e pragmatismo

“Nós queremos alguém que consiga trazer de volta a confiança às Nações Unidas. Daquilo que nós conseguimos recolher do nosso estudo, é que a confiança no multilateralismo ainda existe. As pessoas e os jovens ainda acreditam que existe a necessidade de diálogo. Mas falta implementação”, constatou António Pedro Pinho. 

Para colmatar, o jovem apontou ainda que “queremos um secretário-geral que seja prático na concretização do tão necessário ‘sentar-se à mesa’. Que esta vontade se traduza em ações concretas que sejam sentidas pelas pessoas. E essa ideia de pragmatismo está presente na ‘job description’ que temos”, ressaltou.

O jovem português acrescentou que a juventude quer alguém que consiga resolver os problemas do presente, mas que consulte as gerações futuras para moldar respostas com uma visão de longo prazo.

Para além disso, defendeu também um maior envolvimento dos jovens em discussões sobre a agenda pós-2030, o prazo definido para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. A maior parte dessas metas globais ainda está longe de ser alcançada.

Atuação em saúde pública

Com base na experiência em saúde pública em Portugal, António Pedro Pinho afirmou que os espaços multilaterais não devem ser “encapsulados em si mesmos” e devem garantir uma conexão entre questões locais e o âmbito internacional. 

“Enquanto médico, sempre valorizei a proximidade com as comunidades. No entanto, ao observar doentes, é possível evidenciar que os determinantes sociais desempenham um papel crucial. É frustrante tratar uma doença e sentir que não podemos fazer nada quando o doente regressa a um ambiente que lhe é desfavorável à saúde. Ao estar na ONU, sinto que consigo atuar numa escala mais ampla e influenciar as causas estruturais”, disse.

Durante o Fórum da Juventude do Conselho Económico e Social da ONU, ECOSOC, António Pedro Pinho ajudou também a organizar e foi orador no evento paralelo “Diálogo da Juventude com Estados-membros sobre o Próximo secretário-geral”, realizado na Missão Permanente de Portugal na ONU, liderada pelo embaixador Rui Vinhas.

Ele também intermediou a sessão “Por que a Saúde Mental da Juventude Importa”, na Zona de Média dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. 

“Um Laboratório de Atrocidades”: A Crise Humanitária no Sudão

© UNOCHA/Giles Clarke Mulheres que fugiram do conflito a recebem tratamento médico num centro de saúde em Tawila.

A Terceira Conferência de Berlim sobre o Sudão reuniu líderes mundiais para discutir uma das piores catástrofes humanitárias atuais. O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e Coordenador de Assistência de Emergência das Nações Unidas, Tom Fletcher, alertou para o cenário de violência extrema que o país enfrenta. 

A Alemanha acolheu a cimeira internacional dedicada à situação no Sudão, que reúne representantes da União Europeia, Reino Unido, Estados Unidos e da União Africana. O objetivo central deste encontro é coordenar a resposta humanitária e delinear um futuro político para o país, que entrou em guerra há três anos.

O conflito, que eclodiu entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF) em 2023, transformou o país num cenário de devastação. Segundo Tom Fletcher, o Sudão é hoje um “laboratório de atrocidades”. 

Tom Fletcher indicou que, neste contexto de guerra, a violência sexual é utilizada como arma de guerra. Cidades como El Fasher, em Darfur, enfrentam cercos que resultam na negação de alimentos e cuidados médicos à população e escolas e hospitais tornaram-se alvos de ataques. 

Os números do conflito

Só este ano, os ataques de drones já mataram 700 pessoas e, nos últimos três anos, mataram 130 trabalhadores humanitários. 34 milhões de pessoas – o equivalente a dois terços da população do Sudão – precisam de ajuda humanitária e 19 milhões de pessoas estão numa situação de insegurança alimentar. Além disso, cerca de 14 milhões de pessoas são refugiadas e 10 milhões de crianças não frequentam a escola.

Em resposta, o plano “Humanitarian Reset” das Nações Unidas para o Sudão definiu como prioridade imediata o apoio a 14 milhões de pessoas. Este plano tem como objetivo alcançar 20 milhões de sudaneses. No entanto, o financiamento continua a ser o maior obstáculo, com um fosso de financiamento de 2,2 mil milhões de dólares.

Num apelo final à comunidade internacional, Tom Fletcher reforçou a necessidade urgente de embargo de armas em Darfur e do cessar de transferências de armamento que alimentam o conflito.

Portugal abriga edição do Modelo ONU para investir em líderes do futuro

© Sara de Melo Rocha / Estudantes no exercício de debate do Modelo ONU.

Artigo da autoria de Sara de Melo Rocha.

O evento Modelo ONU realizou-se em Lisboa, no Iscsp, com dezenas de estudantes para simular trabalhos da Assembleia Geral. O debate ensina divergências, convergências e consensos para promover o diálogo num mundo cada vez mais polarizado.

Quem entra no principal auditório no Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas da Universidade de Lisboa, Iscsp, encontra alunos de bandeiras no ar, vestidos de fato e gravata e a pedir a palavra. Estão trajados a rigor para uma simulação das Nações Unidas, conhecida como Model UN ou Modelo ONU.

Este foi o cenário, durante os dias 9 e 10 de abril, do evento organizado  em parceria com a Associação das Nações Unidas, UNA Portugal, que junta estudantes numa recriação dos trabalhos da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Delegados, jornalistas e interessados

Ao todo, 39 delegações, cinco organizações e sete jornais participaram num exercício centrado no tema “Soberania Azul: O Futuro dos Mares e do Ártico”, num exercício de simulação e debate, como explica Mário Parra da Silva, secretário-geral da UNA Portugal, a associação portuguesa das Nações Unidas.

“Consiste numa forma de levar os estudantes a penetrar o mundo das Nações Unidas, mas também a ganhar uma aproximação mais concreta ao que é o mundo da representação diplomática, da negociação e da análise de problemas complexos de carácter global.”

Aprender a ser cidadão do mundo 

Na prática, traduz-se num exercício em cada participante deixa de ser apenas aluno para passar a ser um Estado-membro da ONU. Cada estudante assume o papel de um país, com posições próprias e linhas diplomáticas que nem sempre coincidem com as suas convicções pessoais.

“O estudante que participa no Model UN é obrigado a sair de si próprio, da sua zona de conforto normal e interpretar o papel de um cidadão do mundo, que procura respostas globais no contexto de uma organização global, como é as Nações Unidas”, afirma Mário Parra da Silva.

Política externa e capacidade de debate 

À mesa da Assembleia Geral, Ana Luísa Monteiro, conduz os trabalhos e, entre pedidos de palavra e chamadas à ordem, mantém o ritmo do debate. A estudante brasileira, de 21 anos, explica que cada edição prevê meses de preparação, sessões de treino e simulações anteriores.

“Eu acredito que esse é um dos projetos que consegue, de forma mais exímia, desenvolver diversas competências que às vezes são um pouco mais difíceis da gente conseguir fazer durante a licenciatura, então participando de uma simulação, você consegue desenvolver oratória, habilidade de pesquisa, entendimento de política externa”, conta à ONU News.

É mais do que um teatro 

No plenário, as posições cruzam-se. Odara Brito, a representar Cabo Verde, traz para o centro da discussão a realidade dos pequenos Estados insulares. A estudante cabo-verdiana de 20 anos defende que este tipo de exercício é essencial para desenvolver capacidades essenciais para o futuro.

“Muitas pessoas acabam por pensar que modelos são apenas um teatro, mas de facto não são, porque primeiramente dão capacidades de negociação, de articulação, de análise crítica”, afirma.

Alcançar o bem-estar comum

Já Marta Barbeitos, na delegação da Dinamarca, destaca divergências estratégicas dentro do próprio debate. A estudante portuguesa de 19 anos aponta o caminho.

“Tentamos sempre ouvir várias opiniões, conseguir juntar todas numa só para garantirmos um bem-estar comum”.

Henrique Marques, que representa a Indonésia, descreve um ambiente mais intenso do que o esperado. O aluno português de 19 anos destaca uma simulação bem próxima da realidade.

“Já se estão a começar a formar blocos, já estamos a alinhar propostas, no geral está a ser um dia em que está a ser bastante acirrado, muitos ataques entre todas os estados”, exemplifica.

© Sara de Melo Rocha / Model UN no ISCSP

Saídas profissionais

Para o presidente do Iscsp, Ricardo Ramos Pinto, iniciativas como esta reforçam a ligação entre ensino e prática, permitindo aos estudantes experimentar, em contexto controlado, os desafios das relações internacionais.

“Para os nosso alunos é fundamental irem tendo estes momentos não só para ganharem algumas competências, mas para perceberem as dinâmicas e perceberem se é aquele tipo de carreira que ambicionam porque hoje em dia o curso de relações internacionais têm um espetro bastante largo de saídas profissionais”, disse à ONU News.

Bichinho da ONU

Para vários estudantes, o Model UN não é apenas um exercício académico, é um primeiro passo para uma possível carreira.

Marta Barbeitos assume esse sentimento e objetivo. “Nós estamos todos aqui hoje porque temos o bichinho das Nações Unidas, acho que é impossível negar que queremos todos ir para lá, é o nosso sonho”.

Também Ana Luísa Monteiro admite-o sem hesitação. “Eu gosto muito da ideia das Nações Unidas, principalmente das organizações especializadas, eu admiro muito todo o trabalho que é feito dentro das Nações Unidas, e quero sim poder, quem sabe um dia, fazer parte desse projeto, desse legado que é deixado”.

Formar as elites do futuro

Também para Mário Parra da Silva, é aqui que se começa a desenhar o futuro.

“O Model UN tem interesse académico, pedagógico e tem interesse como formação de elites. Quando se analisa as pessoas que realmente ocupam cargos internacionais, são muito poucas as que não passaram pelo Model UN algures na sua carreira académica”, remata.

Para muitos destes estudantes, a experiência não acaba ali. É apenas o início de um caminho que os leve um dia até às cadeiras da Organização das Nações Unidas.

Artigo de autoria de Sara de Melo Rocha, correspondente da ONU News em Lisboa.

Artigo retirado da ONU News em Português

Exposição da ONU: “Vidas Partilhadas, Futuro Partilhado” chega a Lisboa e ao Porto

Foto: Milan Pieteraerents

A exposição “Vidas Partilhadas, Futuro Partilhado” chega a Portugal para celebrar o 80º aniversário da Organização das Nações Unidas e os 70 anos da adesão de Portugal à ONU. A mostra, com entrada gratuita, vai estar patente ao público em Lisboa e no Porto, até 12 de abril.

De Portugal às montanhas do Afeganistão e das ruas do Brasil aos planaltos do Uzbequistão, a exposição da ONU percorre 25 histórias reais de pessoas de todos os continentes, etnias e faixas etárias cujas vidas foram transformadas positivamente pela ONU.

A Praça do Município, em Lisboa, recebe “Vidas Partilhadas, Futuro Partilhado” até 12 de abril. Foto: Milan Pieteraerents

Cada testemunho reflete o impacto direto que a organização tem na promoção da paz, na ação humanitária, no desenvolvimento sustentável e na defesa dos direitos humanos e da igualdade de género. Mais do que uma exposição documental, “Vidas Partilhadas, Futuro Partilhado” detalha como o trabalho global das Nações Unidas influencia diariamente milhões de pessoas e como promove a importância da cooperação internacional como o único caminho para um mundo mais seguro, saudável e justo. 

A mensagem da exposição é clara: partilhamos um só mundo. As nossas vidas estão conectadas, os nossos desafios são comuns e o nosso futuro está interligado. 

Esta mostra apresenta ainda as principais áreas de trabalho da ONU e alguns dos contributos de Portugal ao longo dos 70 anos enquanto Estado-membro

A exposição “Vidas Partilhadas, Futuro Partilhado” é uma iniciativa promovida pelo Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e com a Câmara Municipal do Porto, em colaboração com a JCDecaux Portugal.

A exposição aborda também as principais áreas de trabalho da ONU, como a promoção dos Direitos Humanos. Foto: Milan Pieteraerents

Melissa Fleming, subsecretária-geral das Nações Unidas para as Comunicações Globais, marcou presença na abertura oficial da mostra na capital portuguesa. “A ONU, ao longo dos seus 80 anos de história, tem sido definida pela frase na sua Carta: ‘Nós, o Povo’. Este é o povo de Portugal e o povo do mundo. E as Nações Unidas está aqui para todos”, afirmou a oficial da ONU, ao reforçar o sentimento de ligação entre a organização com as pessoas.

A subsecretária-geral da ONU para as Comunicações Globais, Melissa Fleming, participou na inauguração da exposição juntamente com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas. Foto: Milan Pieteraerents

Também a diretora da UNRIC, Sherri Aldis, comenta a importância da exposição no país: “esta exposição pretende lembrar-nos que o multilateralismo não é uma ideia abstrata — é algo que transforma vidas todos os dias. É uma honra trazer esta exposição ao coração de Lisboa e do Porto.”

A missão das Nações Unidas e dos municípios foca-se em reafirmar o compromisso conjunto de aproximar os cidadãos à ONU. A exposição convida todos os visitantes a refletir sobre o que significa partilhar um mundo e um futuro comum, bem como a importância de construir esse futuro juntos.

A exposição estará presente em Lisboa de 25 de março a 12 de abril na Praça do Município. No Porto, poderá ser visitada de 28 de março a 12 de abril, na Praça D. João I.

A cidade do Porto recebe “Vidas Partilhadas, Futuro Partilhado” na Praça D. João I, até 12 de abril. Foto: Milan Pieteraerents

Outras histórias para além das que estão presentes na exposição em Portugal podem ainda ser consultadas no website da ONU. 

Mensagem para o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio de 1994 contra os Tutsi no Ruanda

UN Photo/Manuel Elías

“Há trinta e dois anos, o Ruanda enfrentou um dos capítulos mais sombrios na história da humanidade. Em apenas 100 dias, mais de um milhão de pessoas foram assassinadas – principalmente os Tutsi, mas também os Hutu e outros que se opunham ao genocídio. Famílias inteiras foram brutalmente eliminadas.

No Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio de 1994 contra os Tutsi no Ruanda, lamentamos as vítimas e honramos a sua dignidade roubada. Prestamos tributo aos sobreviventes, cuja resiliência demonstra a força do espírito humano. E recordamos, com humildade e vergonha, o falhanço da comunidade internacional em responder aos avisos e em agir de imediato para salvar vidas.

Não basta relembrar os que morreram. Devemos aprender com os erros do passado e proteger os vivos – ao rejeitar o ódio, as retóricas inflamatórias e a incitação à violência; ao investir no tecido social para fortalecer a resiliência comunitária; e ao reforçar as instituições que ajudam a prevenir atrocidades em massa. Eu apelo a todos os países a aderirem à Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio sem mais demoras – e a implementá-la plenamente.

As Nações Unidas apoiam as pessoas do Ruanda e todos aqueles que, por todo o mundo, recusam a entregar o nosso futuro ao medo, à divisão ou ao silêncio.

Que este dia reafirme o nosso compromisso para recorder, para ouvir e para agir. Com a história como guia e a prevenção do genocídio como nosso objetivo.”

– Mensagem do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Investir na Paz: ONU apela à erradicação global das minas terrestres

UN Photo/John Isaac

No Dia Internacional de Sensibilização para as Minas Terrestres e Assistência na Ação Antiminas, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou a urgência de salvar vidas inocentes e aumentar a proteção de civis que vivem sob ameaça constante de dispositivos explosivos. Sob o lema de 2026, “Investir na Paz, Investir na Ação Contra as Minas”, Guterres apelou a todos os Estados-membros a aderirem à Convenção sobre a Proibição de Minas Antipessoal.

A Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu o dia 4 de abril como data oficial para assinalar esta causa. Há mais de duas décadas que o Serviço de Ação Antiminas das Nações Unidas (UNMAS) tem desempenhado um papel crucial na redução da ameaça dos riscos associados a explosivos em diversos países, o que contribui diretamente para a segurança e reconstrução de comunidades afetadas. 

Missão da UNMAS 

A ação antiminas é fundamental em cenários onde a paz é frágil e a resposta humanitária urgente. Como alertou o secretário-geral: “Estes engenhos não desaparecem com o fim dos conflitos. Permanecem escondidos em países como a Colômbia, Etiópia, Líbano e Mianmar; entre os escombros em Gaza; e em comunidades por toda a Síria. Matam milhares de pessoas todos os anos e ferem muitas mais – frequentemente, muito depois do fim das hostilidades.”

As operações de remoção de minas e dispositivos explosivos do UNMAS são o primeiro passo para a restauração de infraestruturas, para a recuperação dos meios de subsistência e para a manutenção da paz, através da remoção de explosivos e da reabilitação de terrenos contaminados.

Em 2024, as ações do UNMAS destruíram cerca de 59 mil resíduos explosivos, através da limpeza de 31,7 quilómetros quadrados de terreno e de 3 954 quilómetros de estradas.

“Temos de erradicar as ameaças impostas por estas armas – de forma a que todas as pessoas, em todo o mundo, possam viver em segurança e com esperança”, concluiu o secretário-geral da ONU.

Retirada de Países da Convenção

Apesar dos avanços, o panorama global enfrenta novos desafios. A guerra da Rússia contra a Ucrânia levou alguns países da União Europeia a reavaliar a possibilidade de utilização de minas contra a ofensiva russa.

Assim, cinco países do bloco europeu, entre eles, a Estónia, a Finlândia, a Letónia, a Lituânia e a Polónia anunciaram recentemente a intenção de retirada da Convenção que proíbe a utilização, o armazenamento, a produção e a transferência de minas.

Para além destes países, existem ainda 33 Estados-Membros que não participam na Convenção sobre a Proibição de Minas Antipessoal, entre eles a China, Índia, Irão, Israel, Coreia do Norte, Rússia, Coreia do Sul e os EUA, bem como vários países árabes.

Perante este cenário, António Guterres apelou a todos os Estados-Membros a aderirem à Convenção e que todos os países que se retiraram, que voltassem a aderir, em nome da vida humana.