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Líbano: um conflito que não poupa civis nem capacetes azuis

UN Photo/Martine Perret

O Líbano enfrenta uma das crises humanitárias mais graves dos últimos anos. A escalada de violência tem agravado o sofrimento humano e provoca milhares de deslocados, mortos e feridos. Este cenário empurra o país para o “ponto de ruptura”, numa conjuntura crítica em que até capacetes azuis da ONU têm sido alvos de ataques fatais.

As tensões continuam a aumentar no Líbano, com ataques aéreos a devastar partes do sul do país, desde os subúrbios de Beirute até ao Vale de Bekaa. Ao chegar à capital, o subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e Coordenador de Ajuda de Emergência das Nações Unidas (OCHA), Tom Fletcher, afirmou ter encontrado “níveis de ansiedade e tensão que não testemunhava há muitos anos”, numa altura em que a atividade militar continua a abalar a região.

Consequências do conflito

O conflito está a gerar uma crise humanitária de proporções alarmantes. Desde o mês passado, mais de mil pessoas morreram e 3 mil ficaram feridas no Líbano, devido à escalada das hostilidades entre o Hezbollah e Israel.

Mais de um milhão de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas e cerca de 200 mil já cruzaram a fronteira com a Síria para escapar à violência. O impacto reflete-se no colapso dos serviços básicos como o encerramento de hospitais e clínicas e na conversão de escolas em centros de abrigo.

No Conselho de Segurança das Nações Unidas, Tom Fletcher fez um apelo urgente para a proteção dos civis no Médio Oriente e transmitiu ainda uma mensagem para as pessoas afetadas, ao afirmar: “As pessoas querem segurança. Querem dignidade. Querem que isto acabe.”

A ajuda humanitária

Apesar da gravidade da crise e dos severos constrangimentos de financiamento, as agências humanitárias têm intensificado as operações no terreno para apoiar quem mais precisa. Para além das organizações de ajuda humanitária, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) desempenha aqui um papel vital.

A UNIFIL ou Capacetes Azuis são forças de manutenção da paz que, para além de manterem a segurança no país, têm também ajudado a realocar civis para zonas mais seguras. Através das patrulhas constantes para monitorizar, a força da ONU tem sido fundamental na ajuda de ONGs a distribuir milhões de refeições e bens essenciais.

“Há organizações que ajudam a distribuir alimentos, medicamentos e produtos de higiene e a UNIFIL está a ajudar a coordenar os deslocamentos para garantir que possam chegar em segurança aos locais onde precisam de ir”, disse a porta-voz da UNIFIL, Kandice Ardiel.

A morte de capacetes azuis no Líbano

Apesar da ajuda prestada, os capacetes azuis enfrentam ameaças e perigos constantes. A ONU lamenta profundamente os ataques contra membros da UNIFIL, nomeadamente a explosão contra um comboio logístico da UNIFIL que provocou duas mortes e dois feridos. 

“Capacetes azuis jamais devem ser um alvo”, afirmou em Nova Iorque o subsecretário-geral para as Operações de Paz da ONU, Jean-Pierre Lacroix. O responsável garantiu ainda que a UNIFIL está a conduzir investigações rigorosas para determinar as circunstâncias destes acontecimentos.

Estes episódios evidenciam os graves perigos que correm os cerca de 10 mil militares que constituem a UNIFIL. Ainda assim, Lacroix assegurou que as forças de manutenção da paz “permanecem no terreno, a desempenhar as tarefas que lhes foram atribuídas pelo Conselho de Segurança, nestas condições extremamente perigosas”. 

Desde o início desta escalada, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, tem alertado que esta crise corre o sério risco de «desencadear uma cadeia de acontecimentos que ninguém pode controlar na região mais volátil do mundo».

O mundo desperdiça mil milhões de refeições por dia e Portugal destaca-se negativamente

Apesar de 9% da população mundial enfrentar uma situação de fome extrema, mil milhões de refeições são desperdiçadas todos os dias. No Dia Internacional do Desperdício Zero, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou para a crise alimentar global e apelou a ações urgentes para travar o desperdício.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO)cada pessoa desperdiça, no mundo, uma média de 74 kg de alimentos por ano. A nível global, isto resulta em 570 milhões de toneladas de desperdício alimentar. Esta crise crescente coloca em risco a sustentabilidade ambiental e ameaça a segurança alimentar das gerações futuras. 

Perante este cenário, o secretário-geral da ONU apela para a mudança urgente de comportamentos, através de ações simples diárias. Segundo António Guterres, “os consumidores podem fazer compras mais sustentáveis. Os comerciantes podem potencializar as operações e distribuir excedentes alimentares. As cidades podem ampliar a rede de separação de resíduos orgânicos e os governos promover iniciativas de combate ao desperdício alimentar”, defendeu. 

Para apoiar esta transformação, iniciativas da FAO como o programa Food Waste Breakthrough, lançado na COP30, visam cortar o desperdício alimentar em metade até 2030, reduzir as emissões de metano em 7% e construir sistemas de alimentação mais resilientes. 

“Estamos a proteger o ambiente, a criar empregos verdes, a reduzir a insegurança alimentar e os impactos climáticos”, acrescentou o secretário-geral.

O Desperdício Alimentar em Portugal

Em Portugal, o desperdício alimentar atinge níveis preocupantes. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), cada português desperdiça cerca de 183 quilogramas de alimentos por ano, um valor que contrasta com os 130 kg registados, em média, por um cidadão da União Europeia. 

No contexto Europeu, Portugal ocupa o quarto lugar na tabela de países que mais desperdiçam alimentos, ultrapassado apenas pelo Chipre, Dinamarca e Grécia. Para além disso, à escala global, cerca de um terço de todos os alimentos produzidos para consumo humano são perdidos ou desperdiçados, segundo dados da FAO.

Ainda assim, foram estabelecidas um conjunto de metas a atingir até 2030, que inclui a redução de 10% do desperdício oriundo do processamento alimentar. Para António Guterres, “não podemos tomar os alimentos como garantidos. Juntos, vamos construir os sistemas alimentares de desperdício zero que precisamos para nutrir as pessoas e o ambiente”, terminou o secretário-geral.

Mensagem para o Dia Internacional em Memória da Vítimas da Escravatura 2026

“Hoje prestamos homenagem às vítimas de um crime absolutamente estarrecedor:

Milhões de pessoas arrancadas às suas famílias e comunidades em África.

Traficadas através do Atlântico.

E, caso sobrevivessem à travessia, escravizadas nas Américas.

Milhões de pessoas mais nasceram já na escravidão, brutalmente exploradas pelo seu trabalho e privadas da sua humanidade básica.

Honramos a sua resiliência silenciosa e os seus corajosos atos de resistência.

Esta ordem global prevaleceu durante mais de 400 anos e continua a assombrar o nosso mundo ainda hoje.

Nos sistemas e nas instituições moldados e enriquecidos pela escravatura como propriedade. Nas desigualdades sociais e económicas enraizadas em injustiças passadas.

E nos preconceitos que permeiam a nossa cultura e têm impacto sobre todas as pessoas.

Neste Dia Internacional Em Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Escravos, somos chamados a enfrentar estes legados.

Rejeitando as falsas narrativas da diferença racial e da terrível mentira da supremacia branca.

Desmantelando o racismo online, nos mídia, nas escolas, no trabalho, na política e dentro de nós próprios.

E trabalhando pela verdade, pela justiça e pela reparação.

Acolho com satisfação os primeiros passos dados por alguns governos para enfrentar as consequências da escravatura.

Mas são necessárias ações muito mais arrojadas por parte de muitos mais Estados‑membros.

Incluindo compromissos para respeitar a soberania dos países africanos sobre os seus próprios recursos.

E medidas para garantir a sua participação e influência em igualdade de condições na arquitetura financeira mundial e no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Juntos, vamos comprometermo-nos com um mundo onde todas as pessoas possam viver e prosperar com dignidade.”

Mensagem de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas.

OMM: O planeta Terra atravessa os 11 anos mais quentes da história

UN Photo/Evan Schneider

Calor extremo, tempestades mais frequentes, concentração de gases de efeito de estufa, aquecimento dos oceanos e desequilíbrio energético foram alguns dos alertas divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) no Relatório Global do Clima 2025. O documento revela as mudanças climáticas na Terra e adverte para o estado crítico do planeta.

O mais recente relatório da OMM confirma que o sistema climático da Terra está a atingir um ponto de rutura. Entre 2015 e 2025, o planeta registou os 11 anos mais quentes desde que existem registos. Este aquecimento levou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a deixar um aviso claro: “Quando a história se repete onze vezes, já não é uma coincidência. É um apelo à ação”.

Porém, o principal motor do aumento constante da temperatura é o desequilíbrio energético da Terra. Este desequilíbrio deve-se à elevada concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera, que retém a energia solar e impedem a dissipação natural para o espaço. Este fenómeno registou níveis sem precedentes em 2025.

Outro dado alarmante do relatório refere-se ao papel dos oceanos na absorção de calor. Nas últimas duas décadas, as águas oceânicas retiveram anualmente cerca de 18 vezes o consumo total de energia de toda a humanidade. Esta sobrecarga afeta a vida marinha e contribui para a contínua subida do nível médio das águas do mar, tal como o degelo.

O secretário-geral das Nações Unidas reforçou a gravidade da situação: “O estado do clima global encontra-se em estado de emergência. O planeta Terra está a ser levado para além dos seus limites. Todos os indicadores climáticos estão em sinal de alerta”, alertou.

O impacto nos humanos

Todas as alterações no clima têm graves repercussões no quotidiano da vida humana através de fenómenos climáticos cada vez mais intensos e frequentes, como tempestades, secas ou inundações. 

Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, “as condições meteorológicas tornaram-se mais extremas. Em 2025, as ondas de calor, os incêndios florestais, a seca, os ciclones tropicais, as tempestades e as inundações causaram milhares de mortes e afetaram milhões de pessoas”, afirmou.

Desta forma, o Relatório Global do Clima 2026, lançado no dia mundial da meteorologia, levanta a importância da urgente integração de dados meteorológicos nos sistemas de saúde para permitir uma transição da resposta reativa para uma prevenção proativa, capaz de salvar vidas. 

“Fazemos as nossas monitorizações, não nos limitamos a prever o tempo e estamos a proteger o amanhã. As pessoas do amanhã. O planeta do amanhã!”, concluiu Celeste Saulo.

Mensagem para o Dia Mundial da Meteorologia

 O SECRETÁRIO-GERAL 

  

23 de março de 2026 

 

Neste Dia Mundial da Meteorologia, somos relembrados que as previsões salvam vidas. 

O caos climático está a reescrever as regras do clima, com níveis de calor recorde, secas mais prolongadas, o aumento do nível médio das águas do mar e desastres cada vez mais frequentes e extremos. A ciência precisa e confiável é a nossa primeira linha de defesa. 

A Organização Meteorológica Mundial e os serviços nacionais ajudam a manter a segurança através de uma rede global de dados provenientes da terra, do mar, do ar e do espaço – que transforma as medições em previsões e previsões em alertas precoces. Contudo, o sistema global de monitorização enfrenta pressões, com lacunas críticas especialmente em países menos desenvolvidos e em pequenos ilhas em desenvolvimento. 

O tema deste ano Observar o Hoje, Proteger o Amanhã, é um apelo à ação. Os Governos, os bancos de desenvolvimento e o setor privado devem reforçar o apoio ao nosso sistema global de monitorização, que engloba estações na superfície terrestre até satélites e garantir que os dados são partilhados abertamente e equitativamente. Devemos também acelerar os “Aviso Prévio para Todos”, de modo a que, até 2027, todas as pessoas estejam protegidas por alertas capazes de salvar vidas. Investir em monitorização traz vantagens multiplicadas – fortalece a paz, a segurança, a resiliência e o desenvolvimento sustentável.  

Ao monitorizar o hoje, podemos proteger o amanhã – para as pessoas, para o planeta, para a prosperidade e para as gerações do futuro. 

Mensagem sobre o Relatório do Estado do Clima Global 2025

“O Planeta Terra está a ser puxado para além dos seus limites.

Todos os principais indicadores climáticos estão em alerta vermelho. Esta é a mensagem clara do mais recente relatório da Organização Meteorológica Mundial.

O relatório confirma que o desequilíbrio energético da Terra – a diferença entre o calor absorvido e o calor libertado – é o mais elevado de que há registo.

Por outras palavras, o nosso planeta está a reter calor mais rapidamente do que consegue libertá-lo.

As concentrações de gases de estufa estão mais elevadas do que em qualquer outro momento nos últimos centenas de milhares de anos. As temperaturas globais continuam a aumentar.

A humanidade acabou de atravessar os onze anos mais quentes de que há registo.

Quando a história se repete onze vezes, deixa de ser uma coincidência.

É um alerta para a ação.

Entretanto, os oceanos estão a absorver níveis épicos de calor, alimentando tempestades mais intensas.

Os glaciares e o gelo marinho estão a desaparecer.

E os níveis médios de água do mar estão a aumentar.

Estes dados não estão limitados a tabelas e gráficos.

Eles refletem-se no quotidiano da vida das pessoas.

Em famílias que enfrentam dificuldades devido às secas e às tempestades que aumentam o preço de alimentos;

Em trabalhadores levados ao limite pelo calor extremo;

Em agricultores que vêm as plantações a definhar;

Em comunidades e lares arrasados pelas inundações.

As equipas na linha da frente precisam urgentemente de financiamento para adaptação para enfrentar os impactos imediatos da crise climática.

E, nesta altura de guerra, o stress climático revela também outra verdade: o nosso vício em combustíveis fósseis que está a desestabilizar tanto o clima como a segurança global.

Agora, mais do que nunca, devemos acelerar uma transição justa para energias renováveis.

As energias renováveis garantem segurança climática, energética e nacional.

O relatório de hoje deveria vir com uma etiqueta de perigo: o caos climático está a acelerar e atrasar a ação é mortal.

O caminho a percorrer deve ser talhado na ciência, senso comum e coragem para agir.”

– Mensagem do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Médio Oriente: conflito ameaça 45 milhões com fome aguda

© WFP/Khadija Dia Alimentos são distribuídos a famílias refugiadas numa escola em Tariq Jdide, Beirute.

Artigo de autoria da ONU News em Português

Os confrontos no Médio Oriente interrompem o trabalho das Nações Unidas e colocam a rede global de assistência humanitária no nível mais crítico desde a pandemia de COVID-19. O alerta partiu de Carl Skau, vice-diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Estima-se que cerca de 45 milhões de pessoas em todo o mundo poderão entrar em situação de fome aguda, devido às interrupções nas operações das Nações Unidas (ONU). Esta previsão aplica-se caso o conflito se prolongue até junho deste ano, segundo o responsável do PMA. 

Efeitos indiretos sobre operações

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou para o fim do conflito no Médio Oriente, na sequência dos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, seguido pela retaliação iraniana contra os estados vizinhos.

Perante este cenário, a ONU exigiu o respeito pela Carta das Nações Unidas e a implementação de todas as resoluções do Conselho de Segurança relativas ao fim dos conflitos no Oriente Médio, incluindo a Resolução 2817, que apela ao cessar dos ataques do Irão.  

Dificuldades na entrega de alimentos

Carl Skau sublinha ainda que o conflito está também a afetar as operações humanitárias a nível global. As cadeias de abastecimento do PMA estão perto de alcançar a interrupção mais grave desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.  

Para além dos atrasos nos prazos de entrega de alimentos, foi também registado um aumento dos custos das rações alimentares. Juntamente com o aumento do preço dos combustíveis, as Nações Unidas dispõem de menos recursos para adquirir alimentos ou apoiar as pessoas em necessidade.

Esta crise levou a ONU a cortar as rações alimentares para pessoas em situação de fome no Sudão e só consegue atualmente apoiar uma em cada quatro crianças gravemente desnutridas no Afeganistão (país que enfrenta atualmente a pior crise de desnutrição do mundo).

Contudo, apesar de todas as dificuldades, milhares de caminhões continuam a circular diariamente para garantir a entrega de ajuda humanitária. 

Fertilizantes e o Estreito de Ormuz

O vice-diretor do PMA afirma que uma outra preocupação está relacionada com a interrupção dos mercados globais de fertilizantes, principalmente para a região da África Subsaariana. Cerca de um quarto do fornecimento mundial de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz, que está paralisado.

Carl Skau acrescentou ainda que “o aumento nos custos globais de alimentos e combustíveis pode deixar milhões de famílias sem acesso a alimentos básicos, principalmente em países dependentes de importações, como a África Subsaariana e a Ásia”, concluiu.

O impacto dos ataques do Golfo

Os efeitos humanitários da interrupção do tráfego aéreo continuam a atingir de forma particularmente grave um dos países no epicentro do conflito: o Líbano

O coordenador humanitário das Nações Unidas no Líbano, Imran Riza, afirmou que “no início do conflito, a ONU recebia ajuda do Kuwait e de outros países da região do Golfo como a Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Oman e Bahrain. Mas agora, essa ponte aérea foi desfeita.”

Também os deslocamentos forçados e as necessidades humanitárias no Líbano agravaram-se como resultado dos ataques aéreos israelitas e das ordens de evacuação que abrangem porções cada vez maiores do território.

Imran Riza afirma que cerca de 132 mil pessoas estão refugiadas em aproximadamente 622 centros de acolhimento. Ainda assim, o número total de deslocados deverá ultrapassar um milhão de pessoas, o que equivale a quase 20% da população libanesa. 

Cerca de 70% dos deslocados não estão em centros de abrigo, o que apresenta sérios desafios para as equipas humanitárias das Nações Unidas que tentam levar ajuda até toda a população.

 

Em Beirute, António Guterres apela ao cessar-fogo da guerra no Médio Oriente

UN Photo/Haidar Fahs

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, esteve este fim de semana na capital do Líbano para visitar famílias deslocadas devido à guerra no Médio Oriente. Durante a visita, Guterres reiterou a necessidade de solidariedade internacional, proteção de civis e de um fim imediato das hostilidades que intensificaram a crise humanitária na região.

Duas semanas após a destruição provocada pelos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, António Guterres alertou que a campanha israelita de bombardeamentos foi “devastadora”. Centenas de libaneses morreram e mais de 800 mil pessoas foram forçadas a deslocar-se, após ordens de evacuação emitidas por Israel.

“A guerra tem de parar”, exigiu o secretário-geral da ONU. “Não há solução militar – apenas diplomacia, diálogo e a plena implementação da Carta das Nações Unidas e das resoluções do Conselho de Segurança da ONU”.

Solidariedade para com o Líbano 

Em visita a centros de abrigo e após ouvir testemunhos de famílias e pessoas deslocadas, o secretário-geral apelou à solidariedade, generosidade e ao espírito de coexistência no Líbano. “Fiquei profundamente entristecido com os testemunhos das pessoas deslocadas que visitei hoje no abrigo. Os libaneses não escolheram esta guerra, foram arrastados para ela”, garantiu.

Segundo Guterres, as Nações Unidas estão a fazer tudo o que está ao alcance para promover uma desescalada imediata do conflito e a cessação das hostilidades. Guterres sublinhou ainda que os civis devem ser respeitados e protegidos em todas as circunstâncias e que as infraestruturas devem ser poupadas.

“O povo do Líbano — assim como o de Israel e todos os outros povos da região — merece viver sem medo. Criar filhos sem o som de sirenes nem ataques. Regressar a casa sem se questionar quando terão de fugir novamente”, declarou o secretário-geral.

O apelo humanitário de emergência no Líbano

O secretário-geral anunciou ainda o lançamento de um apelo humanitário de emergência (Flash Appeal) no valor de 308,3 milhões de dólares, para apoiar a população do Líbano. Este é um mecanismo de financiamento de emergência lançado pelas Nações Unidas com o objetivo de mobilizar recursos financeiros urgentes.

O apelo humanitário lançado pela ONU pretende garantir assistência vital durante os próximos três meses com alimentos, água potável, cuidados de saúde, educação e proteção. As Nações Unidas estão a trabalhar em colaboração com as autoridades nacionais para responder com urgência às necessidades da população.

UN Photo/Haidar Fahs

O apelo internacional

António Guterres dirigiu-se à comunidade internacional e apelou por um maior envolvimento no apoio ao Líbano. “É preciso reforçar o Estado libanês e apoiar as Forças Armadas para que tenham os recursos e capacidades de que necessitam”, afirmou, ao pedir uma resposta internacional ao apelo humanitário urgente da ONU.

“O povo do Líbano mostrou ao mundo o verdadeiro significado de hospitalidade, solidariedade e resiliência”, concluiu Guterres. “Agora o mundo precisa de mostrar ao povo libanês o nosso maior apoio nesta hora de perigo e de necessidade”.

PNUD e ILGA World procuram “Heroís da Igualdade” para os International Pride Awards 2026 

Unsplash

Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) e a ILGA World anunciam a segunda edição dos International Pride Awards 2026. Esta iniciativa global pretende reconhecer ativistas, líderes e aliados que contribuem para a promoção da igualdade e dos direitos da comunidade LGBTQI+ em todo do mundo. 

International Pride Awards nasceu em 2024 com o objetivo de destacar pessoas e projetos que contribuem para a promoção do direito de igualdade para pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexo (LGBTIQ+) ao redor do mundo. A iniciativa procura dar visibilidade a esforços que promovem avanços sociais e que reforçam a proteção dos direitos humanos.  

Mais do que um reconhecimento global, os prémios pretendem valorizar e amplificar o trabalho de quem atua na linha da frente na defesa dos direitos humanos. A missão passa por reconhecer os “heróis da igualdade” e inspirar a comunidade na criação de uma sociedade mais justa. 

Segundo a diretora executiva da ILGA World, Julia Ehrt, a parceria com o PNUD reforça a importância de reconhecer o trabalho concretizado pelos heróis da comunidade. “Estamos orgulhosos de trabalhar com o PNUD para honrar os corajosos indivíduos que estão a abrir caminho para o progresso e mudança positiva para todos”, afirmou a responsável. 

Contudo, apesar do progresso notável da comunidade nas últimas décadas, ainda existem obstáculos a superar. Segundo dados da ILGA World, centenas de milhares de pessoas LGBTQI+ ainda enfrentam discriminação, violência, exclusão social e pobreza em diferentes países. 

Categorias 2026 

As categorias de prémios de 2026 distinguem iniciativas e personalidades que se destacam e contribuem dentro das seguintes categorias: “Movimento de resistência”, “Celebração da Diversidade”, “Líder Emergente”, “Aliado Extraordinário” e “Uma Vida Dedicada à Igualdade”. 

A edição do ano passado contou com vencedores de vários países, incluindo Angola, Rússia, Nepal, Brasil e Namíbia. O evento recebeu ainda nomeações de 58 países, provenientes de todos os continentes. 

Nomeações 

As nomeações para a segunda edição do evento estarão abertas entre 17 de março e 17 de abril de 2026, através do website oficial da iniciativa. Durante este período, membros da comunidade poderão submeter as suas nomeações para eleger os seus representantes favoritos. Posteriormente, o comité internacional de membros reconhecidos pela comunidade LGBTQI+ será responsável por avaliar as propostas e selecionar os vencedores. 

A Cerimónia dos Prémios WorldPride 

Os vencedores das diferentes categorias serão anunciados no dia 5 de agosto de 2026, durante a cerimónia integrada na WorldPride, nos Países Baixos.  

Além do reconhecimento internacional, os premiados provenientes de países de baixo e médio rendimento serão galardoados com apoios financeiros até 10.000 dólares americanos, destinados a fortalecer as suas iniciativas em prol da comunidade. 

Com esta distinção, os International Pride Awards oferecem uma plataforma global para reconhecer e ampliar o trabalho de indivíduos que procuram tornar o mundo num lugar mais inclusivo, expandir oportunidades e promover igualdade sem deixar ninguém para trás. 

Portugal presente na 70ª edição da Comissão sobre o Estatuto da Mulher

UN Photo/Eskinder Debebe

A sede da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque acolhe a 70ª edição da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW70), de 9 a 19 de março. Este é o maior encontro anual da ONU dedicado à igualdade de género e aos direitos das mulheres. 

Criada em 1946, a CSW é um órgão funcional da ONU que reúne representantes dos 193 Estados-membros e de diversas organizações internacionais. O principal objetivo deste evento é avaliar progressos na igualdade de género e definir políticas globais para a causa.

O tema central desta edição é “Garantir e Reforçar o Acesso à Justiça para Todas as Mulheres e Raparigas”. A atenção recai sobre a persistente desigualdade jurídica que afeta mulheres em todo o mundo, com debates focados para a implementação de medidas concretas.

Portugal participa na CSW desde 1955 e, na 70ª edição da comissão, está representado por uma delegação liderada pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes.

A ministra reafirmou o compromisso do país com a defesa dos direitos humanos, com especial atenção a temas cruciais como o acesso à justiça, o combate à violência contra mulheres e crianças e a segurança no espaço digital. “Defender os direitos das mulheres é defender os direitos humanos”, sublinha Margarida Balseiro Lopes.

Durante a CSW70, Portugal participará em reuniões, debates e iniciativas, com o objetivo de contribuir ativamente para a construção de soluções globais que promovam a igualdade de género.

Um relatório recente do secretário-geral da ONU reforça que nenhum país atingiu plena igualdade jurídica entre mulheres e homens e evidencia a urgência de implementar políticas e medidas concretas para garantir direitos universais. Dados indicam também apenas 28 países são atualmente liderados por mulheres e 101 que nunca tiveram uma líder feminina. 

UN Photo/Eskinder Debebe

Campanha Humanitária do OCHA: 87 Milhões de Vidas

Foto: ONU/Evan Schneider

Perante o cenário de conflitos e crises humanitárias globais, o subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e coordenador de Ajuda de Emergência das Nações Unidas, Tom Fletcher, alertou ontem em Genebra para a necessidade urgente de mobilizar 23 mil milhões de dólares para assistência humanitária. Este montante visa financiar a campanha de solidariedade “87 Milhões de Vidas”, instituída pelo Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A campanha “87 Milhões de Vidas” procura alertar a comunidade internacional para a dimensão das necessidades humanitárias globais. O número refere-se às milhões de pessoas ao redor do mundo que dependem de assistência devido a conflitos armados, crises prolongadas ou catástrofes naturais. 

“O mundo poderia gastar um pouco menos em armas e mais em fazer algo extraordinário e capaz de mudar o mundo”, afirmou Tom Fletcher, após reconhecer os tempos de brutalidade e de impunidade vividos atualmente. O subsecretário-geral reforçou ainda a importância das instituições humanitárias internacionais que asseguram a assistência direta às populações dos diferentes países afetados.

Em conferência de imprensa, o diplomata britânico destacou algumas das situações mais urgentes, entre elas:

Líbano: Situação humanitária alarmante

Com a intensificação da escalada de violência no Líbano, Tom Fletcher alertou para a urgência em proteger civis e de assegurar o acesso a bens essenciais, comida e água por parte da população. Dados recentes dos últimos 10 dias reportam que cerca de 570 pessoas morreram e mais de 1.400 ficaram feridos em ataques. Para responder a esta crise, foram alocados 15 milhões de dólares do Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas (CERF) para o Líbano. Face ao conflito, as Nações Unidas apelam ao cessar da violência e exigem o cumprimento do Direito Humanitário Internacional.

Território Ocupado da Palestina: Crise humanitária agravada

Em Gaza, o OCHA alerta que as restrições à assistência humanitária têm aumentado e comprometem o funcionamento de hospitais. Segundo o Ministério da Saúde em Gaza, foi registrado um aumento de infeções transmitidas por insetos em abrigos de refugiados, com 23.000 casos reportados em fevereiro. O material médico limitado, a escassez de combustível e as falhas em geradores de eletricidade em hospitais comprometem gravemente a prestação de serviços de saúde. Paralelamente, os altos níveis de violência persistem, o que obriga à deslocação forçada de palestinianos. Perante este cenário, as Nações Unidas continua a prestar apoio ao coordenar esforços e equipas e a oferecer bens essenciais a milhares de famílias na Cisjordânia.

República Democrática do Congo: Explosão fatal

A comunidade internacional humanitária recebeu com profundo pesar a notícia de uma explosão que ocorreu recentemente em Goma, na província de North Kivu, na República Democrática do Congo. O incidente atingiu um edifício residencial que resultou na morte de um membro da equipa de assistência internacional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). As Nações Unidas reitera que os trabalhadores humanitários não devem ser um alvo de ataque e exige o respeito pelo direito humanitário internacional.

Ucrânia: Ataques de drones atingem civis e infraestruturas

Ataques noturnos de drones mataram 6 civis e feriram dezenas de pessoas num ataque na Ucrânia, segundo as autoridades locais. Estes ataques danificaram infraestruturas e afetaram a distribuição de energia elétrica em diferentes regiões do país. Simultaneamente, as rotas de evacuação continuam ativas e 440 pessoas evacuaram a região de Donetsk, esta quarta-feira. O apoio humanitário está atualmente a distribuir abrigos de emergência e a prestar assistência psicossocial às pessoas afetadas.

Ajude as agências da ONU e ONG’s a prestar apoio nos diversos países

Médio Oriente: o impacto da guerra na população

UNICEF/Dar al-Mussawir Famílias descansam numa rua em Beirute, no Líbano, após fugirem de casa devido às ordens de evacuação israelitas

Os conflitos armados no Médio Oriente continuam a causar graves consequências humanitárias que afetam milhares de pessoas e obrigam à deslocação forçada de civis em busca de segurança. A Organização das Nações Unidas (ONU) apela ao cessar dos ataques militares de forma a evitar o colapso dos sistemas de saúde e da assistência internacional, uma vez que a destruição de infraestruturas gera graves riscos para famílias e crianças.

Nesse sentido, a ONU reforçou medidas de forma a garantir a prestação de ajuda humanitária e apoio internacional a todos os afetados.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), está no terreno a apoiar as populações deslocadas de forma a garantir que as mesmas recebem assistência necessária. Contudo, estima-se que as hostilidades e os confrontos armados no Médio Oriente tenham obrigado cerca de 330,000 pessoas a abandonar as suas casas.

Entre os países mais afetados estão:

· Afeganistão com 115,000 pessoas deslocadas internamente devido ao conflito;

· Irão com 100,000 pessoas a abandonar a capital nos primeiros dias do ataque;

· Paquistão com 3,000 pessoas deslocadas dentro do próprio país;

· Líbano com 84,000 refugiados em 400 pontos de acolhimento e mais de 30,000 pessoas a passar a fronteira para a Síria.

Fonte: ACNUR
10 de março de 2026

O agravamento dos confrontos armados tem colocado os sistemas de saúde internacionais sob pressão e preocupação. A destruição de infraestruturas médicas e a escassez de recursos dificultam a prestação dos cuidados de saúde essenciais, enquanto o número de feridos e de pessoas em situação de vulnerabilidade, como as crianças, continuam a aumentar.

Impacto nas crianças

A situação de conflito é particularmente alarmante para as crianças. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em África e no Médio Oriente demonstrou a preocupação relativa aos ataques militares que expõem cada vez mais menores à violência direta e consequências indiretas da guerra.

De acordo com dados oficiais da UNICEF, até à data de 5 de março:

· 180 crianças foram mortas, com registo de um elevado número de feridos;

· Pelo menos 20 escolas foram danificadas;

· 10 hospitais sofreram danos de infraestruturas.

“De acordo com o Direito Internacional Humanitário, a vida e o bem-estar das crianças devem ser sempre protegidos (…) A UNICEF continua a acompanhar de perto a situação e está pronta para apoiar os esforços humanitários para ajudar as crianças e famílias afetadas pela escalada de violência”, afirmou o diretor regional da UNICEF para a África e o Médio Oriente, Edouard Beigbeder.

A destruição destas infraestruturas compromete o acesso à educação e aos serviços de saúde das crianças. A UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (OMS) reiteram a necessidade de proteção das famílias ao abrigo do Direito Internacional e mantêm o apoio para monitorizar e assistência aos civis em necessidade.

Impacto na Saúde

O diretor geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou a sua preocupação relativamente ao impacto na saúde nos países afetados pelo conflito, após terem sido verificados ataques aos sistemas de saúde no Irão e no Líbano, até ao dia 5 de março.

Para além disso, também a logística das organizações internacionais estão a ser afetadas tanto no Dubai como nas zonas do mediterrâneao de leste. A violência forçou à suspensão temporária do hub logístico de Emergência no Dubai o que interrompeu o acesso a milhões de dólares em medicamentos e apoio humanitário.

A OMS reforça a necessidade de proteger os civis, trabalhadores de saúde e infraestruturas, apesar de enfrentar um corte de financiamento de 70% que ameaça a continuidade dos serviços essenciais.

Apelo do secretário-geral da ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, conversou com o ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Irão, Seyed Abbas Araghchi, esta terça-feira, onde foi discutida a desmilitarização da região.

Neste encontro diplomático, Guterres recordou a necessidade de respeito pleno pelo direito internacional e o direito humanitário internacional e sublinhou ainda a necessidade de abstenção de ataques contra civis e infraestruturas.

Para além disso, o secretário-geral demonstrou ainda preocupação no alastramento regional do conflito e no impacto do conflito na economia global.

Nenhum país no mundo alcançou plena igualdade jurídica para mulheres e raparigas

Desde a proteção contra a violência baseada no género até à igualdade salarial, as mulheres e raparigas continuam a ser juridicamente desiguais, enquanto a impunidade por violações dos seus direitos persiste a nível mundial, afirmou hoje a ONU Mulheres.

 

No dia 8 de março de 2026, Dia Internacional da Mulher, a ONU Mulheres lança um alerta global: os sistemas de justiça destinados a defender os direitos e o Estado de direito estão a falhar mulheres e raparigas em toda a parte. Globalmente, as mulheres detêm apenas 64 por cento dos direitos legais dos homens, ficando expostas à discriminação, violência e exclusão em todas as fases das suas vidas.

Esta é uma das conclusões do novo relatório do secretário‑geral das Nações Unidas, “Garantir e Reforçar o Acesso à Justiça para Todas as Mulheres e Raparigas”. O mesmo relatório revela que, em mais de metade dos países do mundo – 54 por cento – o crime de violação ainda não é definido com base no consentimento, o que significa que uma mulher pode ser violada e a lei pode não o reconhecer como crime. Uma rapariga pode ainda ser forçada a casar, legalmente, em quase 3 em cada 4 países. E, em 44 por cento dos países, a lei não exige remuneração igual por trabalho de igual valor, o que significa que as mulheres ainda podem ser legalmente pagas menos pelo mesmo trabalho.

“Quando às mulheres e raparigas é negado o acesso à justiça, o dano vai muito além de qualquer caso individual. A confiança pública erode‑se, as instituições perdem legitimidade e o próprio Estado de direito enfraquece. Um sistema de justiça que falha a metade da população não pode alegar que defende a justiça”, afirmou a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous.

À medida que o retrocesso contra compromissos históricos em matéria de igualdade de género se intensifica, as violações dos direitos das mulheres e raparigas aceleram, alimentadas por uma cultura global de impunidade que se estende dos tribunais aos espaços online e aos conflitos. As leis estão a ser reescritas para restringir liberdades, silenciar vozes e permitir abusos sem consequências. À medida que a tecnologia ultrapassa a regulação, as mulheres e raparigas enfrentam violência digital crescente, num clima de impunidade onde os agressores raramente são responsabilizados. Em contextos de conflito, a violação continua a ser usada como arma de guerra, com o número de casos reportados de violência sexual a aumentar 87 por cento em apenas dois anos.

O relatório do secretário‑geral também demonstra que o progresso é possível: 87 por cento dos países já aprovaram legislação sobre violência doméstica, e mais de 40 países reforçaram as proteções constitucionais para mulheres e raparigas na última década. Mas as leis, por si só, não bastam. Normas sociais discriminatórias – estigma, culpabilização da vítima, medo e pressão comunitária – continuam a silenciar sobreviventes e a impedir o acesso à justiça, permitindo que até as formas mais extremas de violência, incluindo o femicídio, fiquem impunes. O acesso das mulheres à justiça é ainda dificultado por realidades quotidianas como custos, tempo, barreiras linguísticas e uma profunda falta de confiança nas próprias instituições que deveriam protegê‑las.

Dia Internacional da Mulher 2026

Neste Dia Internacional da Mulher 2026, sob o tema “Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as Mulheres e Raparigas”, a ONU Mulheres apela a uma ação urgente e decisiva: acabar com a impunidade, defender o Estado de direito e garantir a igualdade – na lei, na prática e em todas as esferas da vida – para todas as mulheres e raparigas.

Os direitos das mulheres nada significam se não os pudermos defender. O Dia Internacional da Mulher 2026 chega numa altura em que os sistemas de justiça estão sob pressão. Conflito, repressão e tensões políticas estão a enfraquecer o Estado de direito. O resultado: as mulheres e raparigas têm apenas 64 por cento dos direitos legais dos homens.

As mulheres são rejeitadas, desacreditadas, vitimizadas ou impedidas de obter apoio jurídico devido ao custo. A igualdade nunca chega. Quando a justiça falha, são as mulheres que pagam o preço.

A justiça não é cega. Protege o poder e continua a decidir contra mulheres e raparigas.

Em quase 70 por cento dos países analisados, as mulheres enfrentam mais barreiras no acesso à justiça do que os homens.
Não pode pagar um advogado? Justiça negada. Custos legais, transporte, cuidados infantis e perda de rendimentos impedem milhões de mulheres de recorrer aos sistemas de justiça.
Quer denunciar uma injustiça? Prepare‑se para ser ignorada, desacreditada ou – pior – culpabilizada e silenciada.
Para as 676 milhões de mulheres e raparigas que vivem a menos de 50 km de zonas de conflito ativo, os sistemas de justiça estão praticamente ausentes e os perpetradores atuam com impunidade.

Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW)

A 70.ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW) – o mais alto órgão intergovernamental das Nações Unidas responsável por definir normas globais para os direitos das mulheres e a igualdade de género – representa uma oportunidade única para inverter o retrocesso dos direitos das mulheres e assegurar justiça. “Agora é o momento de nos levantarmos, marcarmos presença e fazermos ouvir a nossa voz pelos direitos, pela justiça e pela ação – para que todas as mulheres e raparigas possam viver em segurança, expressar‑se livremente e viver em igualdade”, sublinhou a Diretora Executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous.

A comemoração do Dia Internacional da Mulher e a abertura da CSW70 terão lugar no mesmo dia, consecutivamente, a 9 de março de 2026, na Assembleia Geral das Nações Unidas, a partir das 9:00 (EST) e também online.

Mensagem para o Dia Mundial da Vida Selvagem

SECRETÁRIO-GERAL

 3 de março de 2026

Não é segredo que a atividade humana empurrou milhões de espécies animais para o limite da sobrevivência. Mas prestamos muito menos atenção às plantas — as arquitetas silenciosas do planeta.

Em todo o mundo, a flora sustenta economias, apoia a saúde humana e mantém quase todas as outras formas de vida. Isto é particularmente verdade no caso das plantas medicinais e aromáticas — o tema do Dia Mundial da Vida Selvagem deste ano.

As espécies terapêuticas são vitais tanto para a medicina tradicional como para a moderna, sustentando os meios de subsistência de milhões de pessoas e o bem‑estar de muitas mais. As plantas aumentam a biodiversidade, estabilizam os solos e representam séculos de conhecimento e de gestão cuidadosa por parte dos povos indígenas e das comunidades locais.

Mas hoje, este património vivo está ameaçado. A crise climática, a destruição de habitats, a colheita excessiva e o comércio ilegal estão a acelerar o declínio de milhares de plantas, colocando em risco rendimentos e ecossistemas.

Ao reforçarmos a governação ambiental global através de pactos como o Quadro Global de Biodiversidade de Kunming‑Montreal, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção e o Acordo sobre a Biodiversidade Marinha das Zonas para Além da Jurisdição Nacional, podemos tornar o nosso planeta mais seguro para todos os seres vivos.

Apelo a todos os países que se tornem jardineiros dos bens comuns globais. Juntos, podemos garantir que os ecossistemas que curaram a humanidade durante milénios nos continuem a sustentar por muitas gerações.

Sudão: UNICEF Portugal apela à solidariedade para levar ajuda humanitária a um país em colapso total

© Avaaz/Giles Clarke Uma jovem rapariga recebe tratamento num hospital em Cartum.
Cerca de 4 milhões de crianças estão subnutridas e 612 mil em risco iminente de morte. Até 80% das violações graves documentadas envolvem assassinatos e mutilações de crianças
 
A UNICEF Portugal apela à solidariedade da sociedade civil para ajudar as crianças do Sudão, um país mergulhado numa das piores crises humanitárias mundiais, onde a combinação de fome extrema, violência generalizada e deslocação forçada em massa da população ameaçam a sobrevivência de milhões de crianças. De acordo com dados da UNICEF atualizados em fevereiro, um total de 30,4 milhões de pessoas, incluindo 15,3 milhões de crianças, necessitam de ajuda humanitária urgente.
O país enfrenta a maior crise de deslocação interna forçada do mundo, com 9,3 milhões de pessoas deslocadas, das quais 5,6 milhões são crianças – 3 em cada 5 dos sudaneses deslocados.
Agravando os problemas inerentes à deslocação em massa, o Famine Review Committee confirmou a situação de fome em El Fasher (Darfur Norte) e Kadugli (Kordofan Sul), apontando para o colapso total dos meios de subsistência, subnutrição aguda grave e mortalidade elevada. No total, 21,2 milhões de pessoas enfrentam fome severa, cerca de metade da população do país. As crianças são as principais vítimas desta crise. Quase 4 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem de subnutrição e 730 mil sofrem de subnutrição aguda grave, com risco iminente de morte. Em várias zonas de Darfur e Kordofan, as taxas de subnutrição aguda ultrapassam os 30%.
De acordo com Catarina da Ponte, responsável de Comunicação da UNICEF Portugal, “O Sudão enfrenta uma das maiores crises humanitárias do mundo. O conflito intensifica-se de dia para dia e são as crianças quem mais sofre. O conflito destruiu a agricultura, os mercados, as infraestruturas e as rotas de abastecimento, cercando cidades inteiras e criando ‘ilhas de fome’, onde as famílias não conseguem comprar alimentos nem receber ajuda humanitária. Neste momento, vinte áreas de Darfur e Kordofan estão a colapsar, enfrentando fome extrema.”
Esta é também uma crise extrema de violência, à qual estão expostas 23 milhões de crianças. As violações graves contra crianças aumentaram mais de 1.000% em dois anos. Até 80% das violações graves documentadas envolvem assassinatos e mutilações de crianças, frequentemente resultantes de bombardeamentos e do uso de armas explosivas em áreas residenciais. A violência sexual é utilizada como tática de guerra, afetando meninas e meninos de todas as idades, incluindo bebés com menos de um ano.
O conflito levou ainda ao colapso generalizado dos serviços essenciais: “Cerca de 70% dos hospitais deixaram de funcionar. Para terem acesso a serviços de saúde, as pessoas caminham quilómetros e atravessam fogo cruzado”, refere Catarina da Ponte, acrescentando também que “7,9 milhões de crianças estão sem um espaço seguro, onde brincar e aprender, onde podem ser crianças – a escola”.
A destruição de infraestruturas e a falta de água potável potenciam infeções e surtos de doenças, incluindo mais de 94 mil casos de cólera, dificultando a absorção de nutrientes e, consequentemente, agravando a subnutrição e a mortalidade infantil.
Sem um cessar-fogo, sem acesso humanitário pleno e sem financiamento urgente, a fome e a violência continuarão a alastrar e isto compromete o futuro de toda uma geração no Sudão”, conclui.
Ajude a UNICEF a ajudar
Em 2025, a UNICEF manteve-se no terreno no Sudão, garantindo respostas essenciais num território devastado pela guerra. Prestou cuidados de saúde primários a 2,44 milhões de pessoas, distribuiu 6,3 milhões de doses de vacinas, tratou 500 mil crianças com subnutrição aguda grave e assegurou acesso a água potável a 12,2 milhões de pessoas. Paralelamente, prestou apoio psicossocial a mais de 2,6 milhões de crianças, adolescentes e cuidadores, essencial para proteger a saúde mental e a dignidade em plena crise humanitária.
Para responder à escala da crise, a UNICEF lança um apelo humanitário global de cerca de 950 milhões de dólares (aproximadamente 806 milhões de euros), com o objetivo de ajudar 14 milhões de pessoas, incluindo 8,7 milhões de crianças no Sudão. Este apelo centra-se no acesso humanitário total e seguro, na expansão urgente do tratamento da subnutrição infantil, na proteção das crianças em fuga e sob cerco, na restauração de serviços essenciais e na manutenção da educação e aprendizagem.
 
A UNICEF Portugal apela à sociedade civil para que se junte a este esforço global para salvar vidas das crianças do Sudão.
 
 
COMO AJUDAR:
A UNICEF Portugal apela ao apoio urgente dos portugueses à resposta humanitária para ajudar as crianças do Sudão:
  • Donativo online: https://donativos.unicef.pt/campanha/criancas-sudao/
  • MBWay: 919 919 939
  • Transferência ou depósito bancário: IBAN PT50 0033 0000 5013 1901 2290 5
  • Multibanco: Entidade 20 467 | Referência 777 777 777
  • Ser Solidário no Multibanco: Transferências – Ser Solidário – UNICEF
  • Donativo por correio – Cheque: Av. Barbosa du Bocage 87, 6º andar, 1050-030 Lisboa