O Líbano enfrenta uma das crises humanitárias mais graves dos últimos anos. A escalada de violência tem agravado o sofrimento humano e provoca milhares de deslocados, mortos e feridos. Este cenário empurra o país para o “ponto de ruptura”, numa conjuntura crítica em que até capacetes azuis da ONU têm sido alvos de ataques fatais.
As tensões continuam a aumentar no Líbano, com ataques aéreos a devastar partes do sul do país, desde os subúrbios de Beirute até ao Vale de Bekaa. Ao chegar à capital, o subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e Coordenador de Ajuda de Emergência das Nações Unidas (OCHA), Tom Fletcher, afirmou ter encontrado “níveis de ansiedade e tensão que não testemunhava há muitos anos”, numa altura em que a atividade militar continua a abalar a região.
Consequências do conflito
O conflito está a gerar uma crise humanitária de proporções alarmantes. Desde o mês passado, mais de mil pessoas morreram e 3 mil ficaram feridas no Líbano, devido à escalada das hostilidades entre o Hezbollah e Israel.
Mais de um milhão de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas e cerca de 200 mil já cruzaram a fronteira com a Síria para escapar à violência. O impacto reflete-se no colapso dos serviços básicos como o encerramento de hospitais e clínicas e na conversão de escolas em centros de abrigo.
No Conselho de Segurança das Nações Unidas, Tom Fletcher fez um apelo urgente para a proteção dos civis no Médio Oriente e transmitiu ainda uma mensagem para as pessoas afetadas, ao afirmar: “As pessoas querem segurança. Querem dignidade. Querem que isto acabe.”
A ajuda humanitária
Apesar da gravidade da crise e dos severos constrangimentos de financiamento, as agências humanitárias têm intensificado as operações no terreno para apoiar quem mais precisa. Para além das organizações de ajuda humanitária, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) desempenha aqui um papel vital.
A UNIFIL ou Capacetes Azuis são forças de manutenção da paz que, para além de manterem a segurança no país, têm também ajudado a realocar civis para zonas mais seguras. Através das patrulhas constantes para monitorizar, a força da ONU tem sido fundamental na ajuda de ONGs a distribuir milhões de refeições e bens essenciais.
“Há organizações que ajudam a distribuir alimentos, medicamentos e produtos de higiene e a UNIFIL está a ajudar a coordenar os deslocamentos para garantir que possam chegar em segurança aos locais onde precisam de ir”, disse a porta-voz da UNIFIL, Kandice Ardiel.
A morte de capacetes azuis no Líbano
Apesar da ajuda prestada, os capacetes azuis enfrentam ameaças e perigos constantes. A ONU lamenta profundamente os ataques contra membros da UNIFIL, nomeadamente a explosão contra um comboio logístico da UNIFIL que provocou duas mortes e dois feridos.
“Capacetes azuis jamais devem ser um alvo”, afirmou em Nova Iorque o subsecretário-geral para as Operações de Paz da ONU, Jean-Pierre Lacroix. O responsável garantiu ainda que a UNIFIL está a conduzir investigações rigorosas para determinar as circunstâncias destes acontecimentos.
Estes episódios evidenciam os graves perigos que correm os cerca de 10 mil militares que constituem a UNIFIL. Ainda assim, Lacroix assegurou que as forças de manutenção da paz “permanecem no terreno, a desempenhar as tarefas que lhes foram atribuídas pelo Conselho de Segurança, nestas condições extremamente perigosas”.
Desde o início desta escalada, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, tem alertado que esta crise corre o sério risco de «desencadear uma cadeia de acontecimentos que ninguém pode controlar na região mais volátil do mundo».
