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Mundo registrou cerca de 281 milhões de migrantes internacionais no ano passado

As Nações Unidas lançaram, esta quarta-feira o Relatório Mundial sobre Migração 2022. Segundo o documento, havia 281 milhões de migrantes internacionais, no ano passado, o equivalente a 3,6 % da população global.

O aumento ocorreu apesar do impacto dramático da pandemia sobre a migração, que incluiu o fechamento de fronteiras. O estudo revela 108 mil restrições para conter a Covid-19 afetaram a mobilidade, mas não impediram o movimento entre os países.

População

Em 2019, a Organização Internacional para Migrações, OIM, contabilizou 272 milhões de migrantes internacionais ou 3,5% da população global.  

Uma cifra 200 milhões acima da década de 70, quando o total de migrantes internacionais eram 2,3% da população mundial.

Diretor-geral da OIM, António Vitorino, diz que o mundo vive um paradoxo jamais visto

OIM//Alexander Bee

Diretor-geral da OIM, António Vitorino, diz que o mundo vive um paradoxo jamais visto

E segundo a OIM, não fora a pandemia, o mundo teria hoje, mais 2 milhões de migrantes internacionais.

O documento destaca que apesar do crescimento da migração internacional, o número de deslocados internos subiu para 55 milhões devido a desastres, conflitos e violência no ano passado.

Paradoxo

Cerca de 40,5 milhões de pessoas foram forçadas a fugir em 2020, contra 31,5 em 2019.

Para o diretor-geral da OIM, António Vitorino, o mundo vive um paradoxo jamais visto. Enquanto bilhões de pessoas foram imobilizados pela Covid-19, outras dezenas de milhões se deslocaram dentro de seus próprios países.”

O Brasil, por exemplo, foi o quinto maior destino de venezuelanos ao lado de Colômbia, Peru, Chile e Equador na região. O relatório apresenta o Brasil como  modelo por conceder vistos humanitários a muitos refugiados e migrantes.

América do Sul

Considerado a maior fonte de remessas da América Latina e Caribe com saídas de US$ 1,6 bilhão, no ano passado, o Brasil é o terceiro lugar com mais deslocados internos por desastres naturais.

Foram 358 mil pessoas na situação, depois das Honduras com 937 mil e Cuba com 639 mil.

Funcionária da OIM fala com pessoas afetadas pelas enchentes em Timor-Leste

Foto OIM

Funcionária da OIM fala com pessoas afetadas pelas enchentes em Timor-Leste

Portugal é citado pela OIM por ser o terceiro europeu com mais mulheres migrantes enfrentando desemprego do que homens vivendo na mesma situação.

Remessas  

Mas as autoridades portuguesas libertaram pessoas detidas por questões de imigração para conter riscos de transmissão nas instalações. O país é o 14º ponto de origem global de migrantes.

Cabo Verde é a quinta nação do mundo que mais recebeu remessas de migrantes em 2020, depois da Somália, do Sudão do Sul, do Lesoto, da Gâmbia. No geral as remessas para a África diminuíram cerca de 3 % em comparação com 2019.

Angola e Moçambique vêm depois da África do Sul como os principais países de origem das remessas no continente.

ONU condena morte de dezenas de civis por grupos armados na RD Congo  

A Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, apelou para o respeito ao caráter civil e humanitário dos locais de deslocamento após ataques fatais de grupos armados no leste da República Democrática do Congo, RD Congo. 

Pelo menos 26 pessoas perderam a vida num ataque, domingo, em Ndjala, na zona na província oriental de Itúri. 

Armas  

Autoridades locais confirmaram que entre as vítimas estavam 10 mulheres e nove crianças. Pelo menos 11 pessoas ficaram feridas pelos agressores que usavam armas e facões. 

Dois meninos em assentamento em Ituri, na República Democrática do Congo

UNICEF/Desjardins

Dois meninos em assentamento em Ituri, na República Democrática do Congo

A agência destaca que tanto os deslocados internos como a população local estão sendo atacados em suas casas. O pedido feito às partes é que garantam o acesso humanitário aos locais para a entrega de assistência essencial. 

A semana passada começou com uma incursão de milícias a Drodro e Tché, que albergam deslocados. As autoridades confirmaram 44 mortes em Drodro e a destruição de mais de 1,2 mil abrigos. Quase um milhar foram destruídos em Tché. 

Segurança  

Cerca de 20 mil habitantes fugiram para a região de Rhoe em busca de segurança perto da base militar da Missão das Nações Unidas na RD Congo, Monusco. 

As pessoas protegidas no sítio dobraram para mais de 40,5 mil em menos de 48 horas, forçando os recém-chegados a dormir ao ar livre. Entre as principais necessidades estão alimentação, abrigo, cuidados de saúde e ajuda psicossocial. 

Violência entre diferentes grupos étnicos assola a província congolesa de Ituri desde 2017

Unicef/MADJIANGAR

Violência entre diferentes grupos étnicos assola a província congolesa de Ituri desde 2017

Ainda no leste do país, um grupo armado atacou um acampamento de deslocados em Mikenge, em Kivu do Sul na semana anterior. Seis crianças e uma mulher grávida morreram e oito ficaram feridas por facões e balas. Os habitantes fugiram e seus abrigos foram destruídos. 

Roubo de gado  

Uma das motivações para estes atos são tensões entre as comunidades. O problema agrava a qualidade de vida dos deslocados internos porque as incursões são acompanhadas por roubo de gado piorando a já frágil realidade econômica. 

A violência aumenta a angústia e o medo de pessoas que já tiveram que fugir várias vezes de suas casas. Cerca de 5,6 milhões de congoleses vivem nessa situação, 400 mil a mais em comparação ao início de 2021. 

  

Especialistas da ONU em afrodescendentes chegam a Portugal

Grupo de direitos humanos passa por Lisboa, Setúbal e Porto, para avaliar como está a discriminação racial e a xenofobia no país; delegação tem encontros com representantes do governo, de ONGs e com pessoas de ascedência africana; meta é produzir um relatório, que será apresentado no Conselho de Direitos Humanos.   

Belarus: ONU e governos auxiliam retornos voluntários a migrantes

Organização Internacional para Migrações, OIM, atua com governos e os que querem retornar à casa; temperaturas abaixo de zero agravam situação na fronteira; acampamentos entre Belarus e Polônia podem ter até 2 mil pessoas.

Turismo perde US$ 2 trilhões em 2021 por causa da pandemia

O setor do turismo terminará o ano de 2021 com perdas de US$ 2 trilhões devido à pandemia de coronavírus. Em levantamento, apresentado esta segunda-feira, a Organização Mundial do Turismo, OMT, revela que a recuperação do setor está “frágil” e “lenta”.  

No ano passado, o setor teve perdas econômicas similares, sendo um dos mais atingidos pelos impactos da crise global de saúde. Apesar das recentes melhoras, o fluxo de viagens continua sendo afetado pelas taxas desiguais de vacinação entre países e novas variantes da Covid-19, que geram mais restrições de viagens. 

Resultados desiguais  

Turistas, como estes no Aeroporto de Bangkok, ainda enfrentam muitas restrições de viagem devido às medidas de controle da pandemia

ONU News/Vibhu Mishra

Turistas, como estes no Aeroporto de Bangkok, ainda enfrentam muitas restrições de viagem devido às medidas de controle da pandemia

O setor também está sendo afetado pela alta no preço dos combustíveis. Segundo a OMT, as chegadas de turistas internacionais em 2021 continuam sendo 75% menores que os índices de 2019, antes da pandemia.  

O secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, afirmou que os dados do terceiro trimestre de 2021 são “encorajadores”, mas ao mesmo tempo “os resultados entre diferentes regiões do globo continuam desiguais”. 

Segundo ele, o aumento dos casos e o surgimento de mais uma variante, ainda “não é o momento de baixar a guarda”, mas “continuar o esforço para garantir o acesso igualitário às vacinas, coordenar procedimentos de viagens, usar os certificados digitais de vacinação para facilitar a movimentação de pessoas e apoiar o setor” do turismo.  

Certificado Digital 

Com a pandemia da Covid-19, o setor de aviação civil foi um dos mais afetados pelas restrições de viagem

Unsplash/Gerrie van der Walt

Com a pandemia da Covid-19, o setor de aviação civil foi um dos mais afetados pelas restrições de viagem

O sul da Europa, o Mediterrâneo, o Caribe, a América do Norte e a América Central foram as regiões que receberam mais turistas em 2021 do que no ano passado.  

Mas as chegadas na Ásia e no Pacífico ficaram 95% abaixo dos números de 2019, já que muitos países continuaram com as fronteiras fechadas para viagens não essenciais. No Oriente Médio, a queda foi de 81% e na África, de 74%.  

Entre julho e setembro deste ano, os países que tiveram a recuperação mais forte do turismo foram Croácia, México e Turquia, além do Caribe, segundo a OMT.  

O relatório da agência destaca ainda que o Certificado Digital de Covid da União Europeia facilitou a circulação de pessoas dentro dos países do bloco.  

O futuro do setor de viagens é o foco na Assembleia Geral da OMT, que está acontecendo em Genebra até sexta-feira, com representantes de 159 países.  

  

  

Bachelet afirma que eleitores não podem ter medo de ir às urnas em Honduras

Honduras vai às urnas neste domingo, 28 de novembro, em eleições gerais e presidenciais. O país vive um clima extremamente tenso e de polarização com sérios ataques e outras formas de violência.

Desde o anúncio das primárias, em setembro do ano passado, o Escritório de Direitos Humanos em Honduras registrou 63 casos de violência política com 29 assassinatos.

Uma refugiada que fugiu da violência de gangues várias vezes em Honduras começa novamente em Belize, em janeiro de 2019

© Acnur/Diana Diaz

Uma refugiada que fugiu da violência de gangues várias vezes em Honduras começa novamente em Belize, em janeiro de 2019

Níveis

Foram notificados ainda 14 ataques com 12 incidentes de comportamento agressivo, sete pessoas foram ameaçadas diretamente e uma foi sequestrada.

Em comunicado, a alta comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que está profundamente preocupada com o que ocorre em Honduras.

Ela afirma que a violência política atingiu níveis perturbadores.

Bachelet condenou todos os atos de violência e pediu a todas as partes que expressem suas opiniões e diferenças de forma pacífica.

Para a alta comissária, a violência não pode e nunca deve ser a resposta.

Um outro problema é a retórica de alguns líderes políticos que lançaram mão do discurso de ódio contra defensores dos direitos de saúde sexual e reprodutiva das mulheres.

Escritório de Direitos Humanos em Honduras registrou 63 casos de violência política com 29 assassinatos

PMA/Julian Frank

Escritório de Direitos Humanos em Honduras registrou 63 casos de violência política com 29 assassinatos

Sociedade civil

Bachelet pediu investigações imparciais e efetivas contra todos os atos de violência política, que culmine na prestação de contas de todos os responsáveis.

Em Honduras, muitos ativistas de direitos humanos e membros da sociedade civil estão sofrendo assédio, intimidações, sendo perseguidos e atacados.

Até o momento, foram 240 casos de ataques a ativistas, defensores e jornalistas.

Em 2017, Honduras registrou uma série de violações dos direitos humanos em protestos pré-eleição.

A alta comissária pediu às autoridades que assegurem o direito dos hondurenhos de participar do processo político sem medo ou discriminação.

ONU quer combate imediato das causas para aumento de migração da América Central

Uma pesquisa com milhares de lares de três países da América Central revela que um aumento de mais de 500%, em apenas dois anos, na porcentagem de pessoas que consideram a possibilidade de deixar seu país para viver em outro.

A análise de várias agências internacionais incluindo o Programa Mundial de Alimentos, PMA, e a Organização dos Estados Americanos, OEA, sugere que a migração é motivada por várias causas incluindo insegurança alimentar, pobreza, violência e crise climática.

Uma jovem que fugia da violência no México foi detida enquanto viajava com sua irmã para encontrar sua mãe nos Estados Unidos

© Unicef/Adriana Zehbrauskas

Uma jovem que fugia da violência no México foi detida enquanto viajava com sua irmã para encontrar sua mãe nos Estados Unidos

Alto preço

Nos últimos cinco anos, pelo menos 378 mil pessoas, anualmente, migraram da América Central para os Estados Unidos. A maioria é de três países: El Salvador, Guatemala e Honduras.

O relatório que é assinado ainda pelo Instituto de Política Migratória e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, BID, revela que um alto preço é pago em custos humanos e econômicos com viagens regulares e irregulares. Um total de US$ 2,2 bilhões.

Os dados indicam que apesar de 43% pensarem em migrar, apenas 3% fizeram planos concretos. Muitos citam os altos custos associados com a mudança como impedimentos assim como a separação das famílias.

A maioria dos migrantes ou 55% contaram ter pagado a um contrabandista uma média de US$ 7,5 mil por pessoa. Por canais legais, este custo seria de US$ 4,5 mil.

Migrantes da América Central em uma estação de migração localizada entre o México e o Texas

© UnicefAdriana Zehbrauskas

Migrantes da América Central em uma estação de migração localizada entre o México e o Texas

Covid-19

E 89% dos entrevistados contaram que os Estados Unidos eram seu destino final.

A pesquisa associa a ligação entre insegurança alimentar e migração da América Central. Pessoas nessa condição têm três vezes mais chance de fazer planos para deixar o país de origem.

Com a Covid-19, aumentaram os casos de fome e insegurança alimentar porque muitas famílias não tinham dinheiro para comprar comida.

Em outubro de 2021, o PMA estimava que o número de centro-americanos nessa situação havia crescido 300% para 6,4 milhões em El Salvador, Guatemala e Honduras.

Um outro motivo para que os centro-americanos deixem suas casas para viver fora é a violência e a insegurança além de choques climáticos, secas, tempestades tropicais etc.

No ano passado, dois furacões criaram uma deterioração das condições de vida na região.

Caravana de migrantes da América Central passa por Chiapas, no México, a caminho dos Estados Unidos, em 2018

© Rafael Rodríguez / OIM

Caravana de migrantes da América Central passa por Chiapas, no México, a caminho dos Estados Unidos, em 2018

Visto

A expansão de programas de proteção social que ajudam a aliviar a pobreza e a erradicar a fome é um fator chave para conter a migração. Com projetos de transferência de dinheiro, ações de merenda escolar e apoio a produtores e agricultores locais, muitos governos podem socorrer famílias de baixa renda.

O relatório também recomenda investimentos e iniciativas de desenvolvimento econômico sob medida para as pessoas mais carentes, para que elas não tenham que deixar seu país em busca de oportunidades.

Uma das iniciativas prevê a criação de plantações mais resistentes às mudanças climáticas e treinamentos para jovens e mulheres das áreas rurais e urbanas.

Para passar da migração irregular para a regular, o documento recomenda que os Estados Unidos e os países de destino na região aumentem as vias legais para os centro-americanos, por exemplo com mais tempo no visto temporário.

Unesco adota acordo histórico sobre valores e princípios da inteligência artificial

Quem já reservou um bilhete aéreo, pediu um empréstimo ou assistiu a um veículo sem condutores em ação, entrou em contato com a inteligência artificial sem mesmo perceber.

A tecnologia, presente no dia a dia, também é usada em exames de prevenção ao câncer e em formas de adaptação de ambientes a pessoas com deficiência, por exemplo. Mas como proteger usuários de possíveis riscos e comportamentos antiéticos gerados pela inteligência artificial, IA?

Para a Unesco, a inteligência artificial é boa para a humanidade e precisa ter seus riscos reduzidos

Unsplash/Michael Dziedzic

Para a Unesco, a inteligência artificial é boa para a humanidade e precisa ter seus riscos reduzidos

Riscos

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, lembra que a técnica apoia governos e setor privado em seus processos de decisão e auxilia no combate a problemas globais como a fome mundial e a mudança climática. Mas ela também traz desafios. Um deles é o aumento de atitudes tendenciosas de gênero e étnica, ameaças à privacidade, dignidade e perigos de vigilância em massa além de uso inseguro de tecnologias na aplicação da lei. Sem padrões, muitos desses desafios ficam sem respostas.

Montadoras de carros estão usando cada vez mais a inteligência artificial para controlar veículos

Unsplash/David von Diemar

Montadoras de carros estão usando cada vez mais a inteligência artificial para controlar veículos

Humanidade

Na quinta-feira, a Unesco adotou o primeiro Tratado sobre Inteligência Artificial. O objetivo é guiar a construção da infraestrutura legal para assegurar o desenvolvimento ético desse tipo de tecnologia.

A chefe da Unesco, Audrey Azoulay, disse que o mundo precisa de regras sobre a IA para que toda a humanidade seja beneficiada. Com o tratado, surge o primeiro quadro normativo que oferece aos Estados a responsabilidade de aplicar essas normas.

Para a Unesco, a inteligência artificial é boa para a humanidade e precisa ter seus riscos reduzidos. A transformação digital também tem que permitir os direitos humanos e o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Na área da saúde, a Inteligência Artificial ajuda a que os pacientes tenham maior controle de seus próprios cuidados

Unsplash/Possessed Photography

Na área da saúde, a Inteligência Artificial ajuda a que os pacientes tenham maior controle de seus próprios cuidados

Luta

A IA tem ainda que tratar de temas como prestação de contas, privacidade, educação, cultura, saúde e economia. O texto lembra que os atores de inteligência artificial devem ser a favor dos dados, energia e métodos eficientes de recursos que ajudem a tecnologia a se tornar uma ferramenta importante na luta contra a mudança climática.

A vice-chefe da Unesco, Gabriela Ramos, afirma que decisões que impactam milhões de pessoas no mundo têm de ser justas, transparentes e passíveis de contestação.
 

ONU pede providências após morte de 27 em travessia no Canal da Mancha

Óbitos ocorreram numa tentativa de travessia do Canal entre França e Inglaterra; Organização Internacional para Migrações, OIM, informam que cerca de 200 pessoas morreram no trajeto desde 2014.  

Vacinação contra a covid-19 evitou a morte de quase meio milhão de Europeus

Erick Kaglan / World Bank

Um novo estudo do Gabinete Regional da OMS para a Europa e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças estima que 470 mil vidas foram salvas entre as pessoas com 60 ou mais anos desde o início do lançamento dos planos de vacinação contra a covid-19 em 33 países da Região Europeia da OMS.

Hans Henri P. Kluge, director regional da OMS para a Europa, afirma que: “A covid-19 tem causado um número de mortes devastador na nossa região, mas podemos agora afirmar categoricamente que sem as vacinas contra a covid-19 como instrumento para conter esta pandemia, muito mais pessoas teriam morrido.”

Desde Dezembro de 2019, foram registadas mais de 1,5 milhões de mortes causadas pela covid-19 nos países da Região Europeia da OMS, sendo que 90,2% destas pessoas tinham 60 anos de idade ou mais. O rápido desenvolvimento e administração das vacinas contra a covid-19 tem proporcionado a tão necessária protecção contra doenças graves e a morte de milhões de pessoas mais vulneráveis; no entanto, o estudo aponta que a rapidez e extensão da implantação destas vacinas nos países da Região é desigual.

Os autores do estudo estimaram o número de mortes entre adultos com 60 anos ou mais em 33 países da Região Europeia que teriam ocorrido sem quaisquer vacinas, utilizando a contagem semanal real de mortes relatadas. Em seguida, calcularam o número de vidas salvas devido à vacinação contra a covid-19 como a diferença entre estas estimativas e o número de mortes comunicadas entre Dezembro de 2020 e Novembro de 2021 de pessoas com 60 anos de idade ou mais.

UN Photo/Harandane Dicko

Os resultados apontam para que a vacinação contra a covid-19 tenha salvo 469.186 vidas neste grupo etário nos 33 países durante o período do estudo – reduzindo o número esperado de mortes em aproximadamente metade. Em Portugal, a administração de vacinas contra a covid-19 terá prevenido a morte de 14.222 pessoas com 60 ou mais anos, reduzindo a taxa de mortalidade do vírus em 54%.

A directora do CEPCD, Andrea Ammon, considera que “as consequências das baixas taxas de vacinação em alguns países estão actualmente a reflectir-se em sistemas de saúde sobrecarregados e em altas taxas de mortalidade. Instamos os Estados-membros [da União Europeia] a continuarem os esforços para colmatar os défices de imunização, especialmente entre os indivíduos mais vulneráveis e os que correm maior risco de terem sintomas graves provocados pela covid-19.”

Haiti: merendas escolares ajudam crianças e comunidades na recuperação após terremoto

Uma iniciativa do Programa Mundial de Alimentos, PMA, está assegurando refeições a 344 mil crianças no Haiti. A população sofre com as consequências do terremoto que atingiu o sudoeste do país em agosto deste ano.

Em visita, a ONU News conversou com professores e voluntários em uma escola no sul do país. No local, mais de 300 alunos se beneficiam da refeição, que para muitos é a “única do dia”, como relata a diretora Franesie Sylvestre.

1,6 mil escolas do Haiti se beneficiam da iniciativa do PMA

ONU Haiti/Daniel Dickinson

1,6 mil escolas do Haiti se beneficiam da iniciativa do PMA

Impactos

A educadora explica que o tremor causou a perda da produção agrícola local, atividade que garantia a alimentação das comunidades. Com o colapso das plantações, muitas famílias ficaram impossibilitadas de terem refeições diárias.

Ela afirma que o programa é determinante para dar às crianças a energia necessária para estudarem e ajudarem seus pais e, no futuro, beneficiarem suas comunidades.

De acordo com o PMA, a iniciativa está em mais de 1,6 mil escolas e seu principal objetivo vai além de alimentar os estudantes.

Infraestrutura

Com a parceria do Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, as crianças aprendem também a importância de fazer a boa higiene das mãos antes das refeições.

A agência contribui com livros e infraestrutura para garantir o conforto dos alunos durante as aulas.

A representante do PMA no país, Maguelita Varin, afirma que essa “visão holística” é necessária para evitar doenças e garantir itens básicos para a aprendizagem.

PMA quer levar produtos locais a mais 40 mil crianças em 190 escolas em outras três áreas afetadas pelo terremoto

ONU Haiti/Daniel Dickinson

PMA quer levar produtos locais a mais 40 mil crianças em 190 escolas em outras três áreas afetadas pelo terremoto

Expansão

O PMA quer expandir o programa, levando produtos locais a mais 40 mil crianças em 190 escolas em outras três áreas afetadas pelo terremoto.

Dessa forma, a agência pretende ajudar a sustentar a economia e incentivar os agricultores haitianos.

O tremor deixou mais de 2,2 mil mortos e cerca de 12,7 mil feridos, além de ter afetado a vida de pelo menos 800 pessoas, que ficaram sem acesso a serviços básicos e alimentação.

650 mil mulheres já beneficiaram da Iniciativa Spotlight promovida pela ONU e UE

UN Photo/Rick Bajornas

Relatório de 2020-2021 da Iniciativa Spotlight demonstra o sucesso das suas ações na resposta aos impactos da pandemia da covid-19 e prova que a sua abordagem abrangente e localizada funciona.

A Iniciativa Spotlight é uma parceria global e plurianual entre a União Europeia e as Nações Unidas para eliminar todas as formas de violência contra as mulheres e raparigas até 2030, representando o maior esforço a nível mundial orientado para acabar com todas as formas de violência contra as mulheres e raparigas.

Esta iniciativa procura responder a todas as formas de violência, com ênfase na violência doméstica e familiar, violência sexual e de género e práticas nocivas, feminicídio, tráfico de seres humanos e exploração sexual e económica e/ou laboral.

UN Women/Dzilam Mendez

A Iniciativa Spotlight lançou na passada sexta-feira, 19 de Novembro, o seu relatório acerca do impacto das suas ações durante o período de 2020-2021 no contexto da pandemia da covid-19.

Os resultados apontam para que:

  • 650.000 mulheres e raparigas receberam apoio relativo à violência baseada no género, apesar das restrições e bloqueios relacionados com a covid-19.
  • 880.000 homens e rapazes foram educados sobre masculinidade positiva, relações familiares que respeitem todos, resolução não violenta de conflitos e paternidade.
  • 84 leis e agendas políticas foram assinadas ou reforçadas em 17 países.
  • Até agora, foram atribuídos 146 milhões de dólares à sociedade civil (48% dos fundos de atividade).
  • 22% de aumento no número de condenações de perpetradores de violência em relação a 2019.
  • 32% de aumento do orçamento nacional para prevenir a violência contra as mulheres e raparigas.
  • Mais de 65 milhões de pessoas foram atingidas através de 80 mudanças de comportamento adaptadas localmente com campanhas multimédia em mais de 15 línguas.
  • 1.111 organizações para os direitos da mulher relataram ter maior influência e capacidade para trabalhar na eliminação da violência contra mulheres e raparigas.
  • 6 novos países desenvolveram metodologias para produzir dados nacionais sobre a violência contra as mulheres e raparigas.

Consulte o relatório em: https://spotlightinitiative.org/sites/default/files/publication/Rising_to_the_challenge_ENG.pdf (inglês)

Em lugarejo símbolo da paz, Guterres reafirma compromisso com Colômbia

O chefe das Nações Unidas, António Guterres, visitou nesta terça-feira um vilarejo na Colômbia considerado um exemplo de pacificação após a assinatura dos Acordos de Paz no país.

Mais cedo falando a jornalistas, ele explicou que era a sua primeira visita ao terreno desde o fim da pandemia. Nesta terça-feira, António Guterres esteve em Llano Grande, acompanhado do presidente da Colômbia, Ivan Duque, do prefeito da cidade, grupos de jovens, indígenas e mulheres.

O secretário-geral visitou uma fábrica de roupas que reintegra ex-guerrilheiros à sociedade civil, em Llano Grande, na Colômbia

Unmvc

O secretário-geral visitou uma fábrica de roupas que reintegra ex-guerrilheiros à sociedade civil, em Llano Grande, na Colômbia

Cultivos

Ele se reuniu com integrantes da comunidade e lembrou que a paz precisa ser construída e consolidada.

O secretário-geral citou a entrega de terrenos a ex-combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc, e a realização de projetos de apoio técnico e financeiro para compra de casas, lotes de terra e campos de cultivo para pequenos agricultores.

Guterres lembrou a participação do setor privado especialmente o setor cafeeiro. Ele elogiou o papel das mulheres e homens do Exército colombiano e da Polícia Nacional a favor da paz.

 Um soldado em um antigo campo de guerrilha das Farc em Dabeiba, Colômbia

Unmvc/Esteban Vanegas

Um soldado em um antigo campo de guerrilha das Farc em Dabeiba, Colômbia

Reconstrução

Llano Grande, localizada no Departamento de Antióquia, é parte do município de Dabeiba. Ali, autoridades locais e as comunidades reintegraram os guerrilheiros à sociedade após cinco décadas de conflitos entre tropas do governo e rebeldes das Farc.

O líder das Nações Unidas destacou qualidades como solidariedade, harmonia e generosidade na reconstrução de suas vidas e comunidades após os Acordos de Paz.

Guterres mencionou o exemplo de líderes indígenas na promoção do perdão.

O secretário-geral concluiu reconhecendo que apesar dos avanços, a Colômbia ainda enfrenta áreas de insegurança, falta de moradia e outros desafios após a assinatura do Acordo de Paz.

Ele reforçou o apoio ao país através da Missão de Verificação e das agências da ONU às comunidades afetadas.

OMS: Europa pode registar 2 milhões de mortes por Covid-19 até março de 2022

Organização Mundial da Saúde alerta para alta de óbitos na região destacando domínio da variante Delta, altamente transmissível; agência incentiva vacinação e medidas preventivas para conter o avanço da doença.

Assembleia Geral adota plano global contra tráfico de pessoas

A Assembleia Geral da ONU adotou nesta segunda-feira uma declaração política que reúne ações para combater o tráfico de pessoas. 

A reunião de alto nível destacou o aumento da vulnerabilidade de vítimas durante a pandemia e teve a participação de sobreviventes, que deram seus testemunhos.

Cerca de 50 mil vítimas de tráfico humano foram detectadas e denunciadas em 148 países em 2018

Acnur/Mohamed Alalem

Cerca de 50 mil vítimas de tráfico humano foram detectadas e denunciadas em 148 países em 2018

Plano global

Na abertura do encontro, o presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid, lembrou que o crime está conectado com diversos outros problemas que devem ser enfrentados, como lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e ataques cibernéticos.

A Assembleia Geral inseriu na declaração do plano global os efeitos causados pela pandemia e o avanço da digitalização. O documento atesta que as vítimas foram expostas ao abandono ou aumento de confinamento, além de acesso reduzido à assistência. 

No texto, os Estados-membros também se comprometem a intensificar esforços para eliminação de todas as formas de violência, observando o aumento dos casos de violência sexual de gênero.

Ao afirmar ser imperativo que a comunidade global redobre seus esforços para se recuperar da pandemia e construir comunidades resilientes, Abdulla Shahid pediu sejam feitas mais pesquisas sobre como o crime é cometido, como está evoluindo, seus alvos e impactos.

Na semana de alto nível, Shahid reuniu chefes de Estado e de governo de sexo feminino para abordar como promover a igualdade de género

ONU/Cia Pak

Na semana de alto nível, Shahid reuniu chefes de Estado e de governo de sexo feminino para abordar como promover a igualdade de género

Metas essenciais

No evento, a vice-secretária-geral, Amina Mohammed, afirmou que atuar contra esse crime é mais necessário do que nunca.

Ela apontou dificuldades econômicas e conflitos, além das emergências de saúde e climáticas, como fatores que agravam a exposição ao tráfico, exploração e abuso.

Mohammed destacou que pessoas que sobrevivem ao tráfico em muitos países encontraram maiores dificuldades no acesso a abrigo, alimentação, assistência médica e jurídica, ou ainda de outros serviços essenciais.

A vice-líder da ONU pediu que o fim do sofrimento e da injustiça e apoio às vítimas em todos os países para criar instituições e estruturas legais fortes de resposta a esse crime. 

Amina Mohammed defende que os sobreviventes estejam no centro das políticas de prevenção e combate ao tráfico, para que tenham acesso efetivo a soluções e que os responsáveis sejam penalizados.

Amina Mohammed afirma ter esperança nas pessoas

MGI Summit

Amina Mohammed afirma ter esperança nas pessoas

Números

O último relatório do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc, aponta que cerca de 50 mil vítimas de tráfico humano foram detectadas e denunciadas em 148 países em 2018. O número real pode ser maior, já que não é possível registrar todos os casos.

O número de crianças vítimas de tráfico triplicou nos últimos 15 anos. As vítimas do sexo feminino continuam sendo os alvos principais. Quase metade das vítimas identificadas em nível global eram mulheres adultas e 20% meninas. Outros cerca de 20% eram homens adultos e 15% meninos. 

Refugiados e migrantes são especialmente vulneráveis a ser abusados e explorados para trabalhos forçados, atividade sexual, servidão doméstica e até mesmo remoção de órgãos.