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Reeleito secretário-geral por aclamação, Guterres fala em Nações Unidas 2.0

O secretário-geral da ONU António Guterres foi reeleito nesta sexta-feira para um segundo mandato à frente da organização. Em seu discurso, ele começou dizendo que é um multilateralista comprometido, mas também um português orgulhoso.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, participou da cerimônia de eleição do segundo mandato, na sede da Assembleia Geral.

Esperança

O secretário-geral reeleito afirma que o mundo está numa encruzilhada e que as escolhas feitas agora terão consequências. Para ele, os paradigmas estão mudando, e os velhos dogmas ortodoxos estão sendo sacudidos. Mas segundo ele, o mundo tem motivos para esperança. A pandemia expôs vulnerabilidades e a necessidade para ação coletiva, além da urgência da união para a construção de um futuro melhor para todos. Guterres prometeu fazer todo o possível num segundo mandato para contribuir para um cenário positivo e de conquistas.

Ao falar em francês, em parte do discurso, ele lembrou que o mundo atravessou uma pandemia que continua a espalhar grande sofrimento com milhões de famílias perdendo entes queridos. Para Guterres, a crise da Covid-19 é uma das maiores ameaças já enfrentadas desde a criação das Nações Unidas.

Covid-19 empurrou mais 850 mil pessoas para a pobreza

Unicef/Daniel Timme

Covid-19 empurrou mais 850 mil pessoas para a pobreza

Taxas de pobreza

Mais de 55% da população mundial não têm qualquer proteção social e 114 milhões de empregos foram perdidos e pela primeira vez, em 20 anos, as taxas de pobreza podem subir em todo o globo.

O secretário-geral também comentou as mudanças na forma de trabalho da organização, que se transferiu para um modelo remoto de produção sem perda de tempo.

Guterres contou que está confiante de que a ONU conseguirá enfrentar os desafios adiante por três razões: primeiro, o incrível compromisso que ele tem testemunhado por parte dos colegas da ONU que trabalham incansavelmente ao redor do mundo. Em segundo lugar, ele afirma que apesar de todas as diferenças e divisões no mundo, foi possível alcançar consenso e aprovar soluções para problemas comuns. E por último, Guterres lembrou que a ONU alcançou um processo importante de reforma nas áreas de desenvolvimento, gerenciamento assim como paz e segurança.

secretário-geral também comentou as mudanças na forma de trabalho da organização, que se transferiu para um modelo remoto de produção sem perda de tempo

Foto ONU/Rick Bajornas

secretário-geral também comentou as mudanças na forma de trabalho da organização, que se transferiu para um modelo remoto de produção sem perda de tempo

Crise atual

Para ele, a reforma equipou a organização para enfrentar a crise atual, mas é preciso continuar melhorando como a norma da casa. O secretário-geral descreveu o momento como o de uma “Nações Unidas 2.0”, que acelere a transformação por meio de um quinteto de mudanças nos próximos anos: melhores dados, análise e comunicação, inovação e transformação digital, estratégia e uma performance mais forte orientada para resultados. Ele também diz que a cultura do trabalho precisa reduzir o que chamou de “burocracia desnecessária”, que simplifique e melhore a cooperação.

António Guterres lembrou que a Declaração ONU 75 reforça a necessidade de manter os valores da Carta da ONU vivos. Para ele, é preciso trazer mais pessoas para a mesa como a sociedade civil, cidades, o setor privado e os jovens para apenas citar algumas vozes que têm que ser ouvidas no contexto da verdadeira igualdade de gênero.

António Guterres lembrou que a Declaração ONU 75 reforça a necessidade de manter os valores da Carta da ONU vivos

Foto ONU/Cia Pak

António Guterres lembrou que a Declaração ONU 75 reforça a necessidade de manter os valores da Carta da ONU vivos

Multilateralismo

Ao discursar em espanhol, ele afirmou que é preciso promover um multilateralismo mais inclusivo, interconectado e efetivo. O Chamado para Ação para os Direitos Humanos seguirá sendo um guia importante para mudanças de governança e melhor gerenciamento.

Para o secretário-geral, a proposta não é idealista ou utópica, mas com base numa história de grandes transformações e para ele, as conquistas são possíveis numa missão de todos.

14ª sessão da Conferência dos Estados Partes na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

A 14ª sessão da Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência decorre entre 15 a 17 de Junho.

A sessão centrar-se-á em três grandes áreas, nomeadamente, assegurar uma recuperação pandémica inclusiva, proteger os direitos das pessoas com deficiência que vivem em zonas de conflitos armados, bem como o direito a viver de forma independente.

A Conferência dos Estados Partes é um evento anual estabelecida pelo artigo 40.º da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Os participantes incluem representantes dos Estados Partes (países e organizações regionais que ratificaram a Convenção), sociedade civil (tais como organizações de pessoas com deficiência) e peritos em direitos das pessoas com deficiência (tais como o Relator Especial da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência e académicos).

Porque é que é importante?

Esta conferência é uma oportunidade para os Estados Partes mostrarem os seus avanços na implementação da Convenção e permite à comunidade internacional de pessoas portadoras de deficiência interagir com os decisores políticos e a sociedade civil.

Guterres reconhece efeito arrasador da pandemia em nações de renda média 

A Assembleia Geral da ONU realizou esta quinta-feira uma reunião de alto nível sobre países de rendimento médio. São mais de 100 Estados-membros abrigando cerca de 70% da população mundial. 

Na ocasião, o secretário-geral lembrou que o grupo de nações também integra diferentes níveis de renda, de US$ 1 mil a mais de US$ 12 mil anuais per capita com diferentes tamanhos da população, de atividade econômica e de geografia. 

Comércio  

A pandemia teve um efeito arrasador nessas economias que somam cerca de 62% dos mais pobres do mundo. O chefe da ONU disse que o coronavírus e as interrupções no comércio global expuseram e pioraram vulnerabilidades econômicas, sociais e ambientais. 

Joanesburgo, África do Sul. Guterres disse que países de renda média precisam melhorar o acesso a tecnologias, pesquisa e inovação,

FMI/James Oatway

Joanesburgo, África do Sul. Guterres disse que países de renda média precisam melhorar o acesso a tecnologias, pesquisa e inovação,

Um dos exemplos são limitações na saúde, sistemas de educação inadequados e limites na administração pública. 

Segundo Guterres, muitas empresas enfrentam sérias dúvidas sobre como estruturar suas cadeias de suprimentos para protegê-las de futuras interrupções. 

Ele disse que é necessário um sistema de comércio multilateral mais eficiente e previsível a futuros choques econômicos. 

Crescimento  

Guterres afirma que o financiamento será crucial com uma mudança gradual para setores de maior valor agregado, com foco no crescimento inovador, sustentável e inclusivo. 

Os países de renda média precisam melhorar o acesso a tecnologias, pesquisa e inovação, bem como melhores práticas de gestão. 

Com diferente acesso aos mercados financeiros, de produtos, e vulnerabilidades sociais, econômicas e ambientais estas fragilidades são “muitas vezes esquecidas devido à falsa percepção de que a renda é a única medida de desenvolvimento”. 

Secretário-geral disse que a recuperação é o momento de enfrentar as fraquezas de longa data

UTI

Secretário-geral disse que a recuperação é o momento de enfrentar as fraquezas de longa data

Ele sugere que a ajuda oficial ao desenvolvimento e o financiamento externo também sejam considerados para minimizar as restrições financeiras em muitas economias de renda média. 

Dívidas 

O secretário-geral também pediu que se melhorem mecanismos e o ritmo da cooperação internacional para lidar com os níveis crescentes e insustentáveis de dívida em muitos deles. 

Com dívidas aumentando mesmo antes da Covid-19, e agravadas pela pandemia, ele disse que para os próximos anos estas requererão um novo mecanismo com um menu de opções, incluindo trocas, recompras e cancelamentos de dívidas. 

Citando o exemplo dos pequenos Estados insulares, Guterres destacou que o colapso do turismo prejudicou muito a capacidade de se saldar dívidas. 

Para o secretário-geral, a recuperação é o momento de enfrentar as fraquezas de longa data na arquitectura da dívida internacional. Entre eles estão a falta de princípios acordados até reestruturações com alívio limitado dado muito tarde.  

Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca: 66% do território nacional em perigo

A desertificação é um dos problemas mais graves que afeta Portugal. Os próximos 10 anos são crucias para reverter a trajetória destrutiva das alterações climáticas. De acordo com um estudo da Quercus, se nada for feito até 2030, mais de 60% do território nacional será afetado pela desertificação.

De acordo com o estudo, Portugal é um dos países que mais pode sofrer com as alterações climáticas. A implementação imediata de medidas de combate à desertificação é essencial.

A desertificação nacional significará um agravamento dos fenómenos meteorológicos extremos, com um aumento de 20% da chuva no inverno e uma redução de 50% no verão, assim como um prolongamento dos períodos de calor extremo; um aumento da mortalidade nacional associada à subida das temperaturas e à proliferação de doenças tropicais; a perda de dois terços da costa portuguesa devido à subida do nível do mar; o fim da produção agrícola e o aumento dos incêndios florestais; a destruição das reservas piscatórias e da biodiversidade nacional; a diminuição do turismo; e um aumento significativo da indisponibilidade aquífera.

Que ações individuais podemos adotar?

  1. Reduzir o consumo de eletricidade gasto no controlo da temperatura das nossas casas: a produção de eletricidade portuguesa é responsável por 25% das emissões nacionais de CO2 na atmosfera associadas ao aquecimento global. Esta percentagem terá aumentado em consequência do crescimento insustentável do consumo elétrico para o aquecimento e arrefecimento das casas.
  2. Investir em painéis fotovoltaicos: o investimento em fontes de energia renováveis é crucial para reduzir o consumo de eletricidade.
  1. Evitar o uso do automóvel: A poluição associada ao uso do carro representa, tal como a produção elétrica, 25% das emissões portuguesas de CO2. É essencial apostar nos transportes públicos, andar ou pé ou de bicicleta e na partilha das viagens de automóvel.
  2. Reduzir o consumo de produtos de origem animal: a pecuária e a produção de produtos de origem animal são um maior poluidor e responsável pelo aquecimento global, a nível mundial. Uma dieta mais sustentável com base em produtos de origem vegetal é fundamental para combater a desertificação.
  1. Reduzir, reciclar e reutilizar: a taxa de reciclagem em Portugal é apenas de, aproximadamente, 30%. É fundamental que os três Rs sejam postos em prática para combater as alterações climáticas.
  2. Consumir produtos locais: à compra de produtos estrageiros está associada uma maior pegada ecológica devido às emissões de CO2 associadas à viagem e aos materiais usados no fabrico.
  1. Plantar árvores: A reflorestação é outra das medidas prioritárias para combater a desertificação, uma vez que as árvores têm um papel fundamental na absorção do CO2 libertado na atmosfera.

Neste Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reafirma a importância de acabarmos com a nossa guerra autodestrutiva contra a natureza: “A biodiversidade está em declínio, as concentrações de gases de efeito estufa aumentam e a nossa poluição pode ser encontrada desde as ilhas mais remotas até aos picos mais altos. Temos de fazer as pazes com a natureza.”.

“Neste Dia Internacional, vamos fazer da terra saudável o centro de todo o nosso planeamento.” – urge o secretário-geral da ONU.

Trabalhadores domésticos entre os mais afetados pela crise covid-19

Dez anos após a adoção de uma Convenção histórica da Organização Internacional do Trabalho, que confirmou os seus direitos laborais, as trabalhadoras e os trabalhadores domésticos ainda lutam para serem reconhecidos como profissionais que prestam serviços essenciais.  

Apesar da adoção da Convenção, as condições de trabalho destes profissionais não melhoraram e foram agravadas pela pandemia, de acordo com o novo relatório da Organização Mundial do Trabalho (OIT).

Perda de empregos

 No pico da pandemia, a perda de empregos domésticos variou entre os 5 e os 20% na maioria dos países europeus, bem como no Canadá e na África do Sul. Nas Américas, as perdas ascenderam a 25 – 50%.  

 Porém, é relevante mencionar que a perda de postos de trabalho entre outras categorias profissionais foi inferior a 15% na maioria dos países. 

Os dados do relatório revelam que os 75,6 milhões de trabalhadores domésticos em todo o mundo (4,5% das pessoas empregadas por conta de outrem a nível mundial) foram significativamente afetados, o que por sua vez atingiu os agregados familiares que dependem deles para satisfazer as suas necessidades diárias de cuidados.

De acordo com o relatório, a pandemia veio agravar ainda mais as condições de trabalho destes indivíduos, tornando-os mais vulneráveis às consequências da pandemia devido às persistentes lacunas no trabalho e na proteção social.

Trabalhadores informais

Apesar da adoção da Convenção do Trabalho Digno para o Trabalho Doméstico ter sido considerada um avanço para as dezenas de milhões de trabalhadores domésticos em todo o mundo, ainda existe um elevado número (36%) de trabalhadores totalmente excluído das legislações laborais e de segurança social.

Mesmo quando são abrangidos pela legislação laboral e de segurança social, a implementação continua a ser uma fonte significativa de exclusão e informalidade. De acordo com o relatório, apenas um/a em cada cinco (18,8%) beneficia de uma cobertura eficaz a nível da segurança social relacionada com o emprego. 

Mulheres

O trabalho doméstico continua a ser um setor dominado pelo sexo feminino, empregando cerca de 57,7 milhões de mulheres, que representam cerca de 76,2% das trabalhadoras e trabalhadores domésticos. Enquanto as mulheres constituem a maioria da mão-de-obra na Europa e Ásia Central e nas Américas, os homens superam as mulheres nos Estados Árabes (63,4%) e no Norte de África, representando pouco menos de metade de todas as trabalhadoras domésticas no Sul da Ásia (42,6%).  

Brasileira ganha prêmio da ONU com estudo sobre mudança climática e bioma do Cerrado

Três jovens cientistas do Brasil, da Índia e dos Estados Unidos foram as ganhadoras deste ano do Prêmio Youth4Climate, sobre o espaço como uma ferramenta para mitigar mudança climática.

A distinção é concedida pelo Escritório da ONU para Assuntos Espaciais, Unoosa na sigla em inglês, em cooperação com o Conselho de Geração Espacial.


Banco Mundial e Alemanha

A geógrafa Karina Berbert Bruno, de Santa Catarina, venceu a competição com o estudo: Espaço como uma Ferramenta para Mitigação da Mudança Climática: resultados múltiplos com tecnologias de Observação da Terra no bioma do Cerrado”.

As outras ganhadoras são a pesquisadora Mahlak Abdullah, dos Estados Unidos, com um estudo sobre biologia sintética e Tejasvi Shivakumar, da Índia, que escreveu sobre energia renovável e influenciadores espaciais.

O trabalho de Karina Berbert Bruno se baseou no projeto TerraClass, financiado pelo Banco Mundial, e que contou com o apoio da agência de cooperação da Alemanha, GIZ, Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit – GmbH, no original em alemão.

Karina Berbert Bruno

Parque Estadual de Ibitipoca, no Brasil

Mulheres na ciência

Nesta entrevista à ONU News, a mestranda da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, afirma que a escolha de três mulheres é simbólica e deve ajudar a inspirar mais cientistas pelo mundo.

“Acredito que por mais dificuldades que existam para as mulheres, para elas se firmarem no campo de estudos espaciais e territoriais, geográficos, em todos os campos da ciência, nós temos essa possibilidade. Três mulheres vencedoras estão aqui para comprovar esta oportunidade.”

Karina Berbert Bruno

Projeto TerraClass

ONU reforça apelo para socorrer vítimas em Cabo Delgado

O conflito na província de Cabo Delgado, em Moçambique, continua a fazer centenas milhares de vítimas. 

Desde 2017, os combates entre forças do governo e grupos extremistas islâmicos já forçaram mais de 700 mil pessoas a fugirem de suas casas.

Acnur Moçambique

O Acnur com outros parceiros distribuíram itens de alívio imediato para cerca de 10 mil deslocados internos que se encontram nas áreas de Mueda e Negumano

Lares

A responsável por Relações Exteriores do Acnur em Moçambique, Juliana Ghazi, disse à ONU News que as pessoas em Cabo Delgado continuam a abandonar os seus lares após a intensificação de ataques no início deste ano. 

“De acordo com nosso apelo, lançado em maio, os nossos requerimentos financeiros para responder as necessidades de Cabo Delgado são de US$ 13,5 milhões. Infelizmente, atualmente, temos apenas 9% desse dinheiro, por isso o Acnur precisa muito de suporte adicional para responder as necessidades dos deslocados internos e da comunidade local em Cabo Delgado.”

Segundo as Nações Unidas, os ataques dirigidos de grupos armados deslocaram um terço da população da província, no norte do país africano. 

Meninas e mulheres relatam histórias horríveis de estupro e de serem submetidas à violência sexual e de gênero.

Acnur Moçambique

A situação humanitária em Cabo Delgado é agravada pela destruição causada após a passagem do ciclone Kenneth, em 2019

Crianças desacompanhadas

“O número de deslocados internos provenientes do conflito em Cabo Delgado ultrapassa 730 mil pessoas, 31% são mulheres, 46% são crianças. Existe grande número de crianças desacompanhadas, de mulheres grávidas…temos muitos grupos vulneráveis que o Acnur tenta assistir baseado nas necessidades principais.”

Proteção, abrigo, alimentação, água e saneamento são algumas das prioridades para os deslocados internos e a comunidade local. Juliana Ghazi fala do esforço das agências no apoio humanitário.

“Mais de 9,6 mil pessoas requerentes de asilo que buscavam lugar seguro na Tanzânia foram obrigadas a retornar. Muitos deles estão em Negumano e outros em Mueda. O Acnur com outros parceiros distribuíram itens de alívio imediato para cerca de 10 mil deslocados internos que se encontram nas áreas de Mueda e Negumano. É importante dizer que essas áreas são de difícil acesso pela questão de segurança”.

PMA/Grant Lee Neuenburg

Uma mulher deslocada no norte de Moçambique recebe ajuda alimentar.

Ciclones

Mais de 2 mil crianças não conseguem localizar os pais ou mesmo saber se eles estão vivos após os ataques de grupos radicais e insurgentes. O Unicef diz que 33 mil meninos e meninas sofrem de desnutrição e mais de 300 mil crianças em idade escolar estão deslocadas.

A situação humanitária em Cabo Delgado é agravada pela destruição causada após a passagem do ciclone Kenneth, registrado em 2019, e da qual a província ainda não se recuperou.

Mais de um terço das unidades de saúde em Cabo Delgado foram danificadas ou destruídas. 

© PMA/Grant Lee Neuenburg

Palma foi palco de confrontos de terroristas com as forças de segurança do país

Palma

Nas áreas mais afetadas pelos combates entre forças do governo e grupos extremistas, não há instalações em funcionamento.

Dados do Unicef indicam que cerca de 33 mil crianças que sofrem de desnutrição requerem cuidados especializados. Este número poderá aumentar até ao final do ano em Palma, Macomia e Quissanga.

O desafio da Unicef e parceiros é conseguir suprimentos e serviços que salvam vidas para crianças e famílias deslocadas, incluindo aqueles que fugiram de Palma, que fica ao norte da capital da província, e as comunidades que os abrigam.

O Unicef já lançou o apelo de US$ 90 milhões para assistência humanitária a crianças carentes em Moçambique.

De Maputo para ONU News, Ouri Pota 
 

ONU elege cinco novos Estados-membros para o Conselho de Segurança

A Assembleia Geral das Nações Unidas elegeu na passada sexta-feira cinco novos membros não-permanentes para o Conselho de Segurança.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas é um órgão composto por 15 membros: 5 permanentes e 10 não permanentes que são eleitos para mandatos de dois anos pela Assembleia Geral.

De acordo com a contagem final, o Gana, o Gabão, os Emirados Árabes Unidos (EAU), a Albânia e o Brasil juntar-se-ão à Índia, Irlanda, Quénia, México e Noruega, os outros membros não permanentes.

Os cinco novos membros eleitos iniciarão os seus mandatos a 1 de Janeiro de 2022 e servirão até 31 de Dezembro de 2023.

Processo de eleição

Antes de formalizar a sua candidatura, cada estado deve obter os votos de dois terços dos Estados Membros presentes e votantes na Assembleia Geral, para garantir um lugar no Conselho.

Se todos os 193 Estados-membros das Nações Unidas estiverem presentes e a votar, isto corresponde a um mínimo de 129 votos, para ganhar um lugar.

Mesmo que os candidatos tenham sido aprovados pelo seu grupo regional e estejam a concorrer sem oposição, é necessária uma votação formal.

Embora improvável, na primeira volta um Estado-membro que concorra sem contestação poderá não obter os votos necessários da Assembleia e enfrentar um novo concorrente nas voltas seguintes.

Historicamente, tem havido vários casos em que se exigiam voltas prolongadas para preencher um lugar, porém tais situações têm sido resolvidas quando um dos concorrentes se retira, ou quando um candidato de compromisso é eleito.

Pode, também, acontecer que os países concorrentes a um lugar decidam dividir o mandato entre eles, todavia desde 1966, isto só aconteceu uma vez, em 2016, quando a Itália e os Países Baixos concordaram em dividir o mandato de 2017-2018.

António Guterres nomeado para 2.º mandato como secretário-geral

Por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) recomendou a reeleição de António Guterres para um 2.º mandato de 5 anos como secretário-geral da ONU.

Esta nomeação por parte do Conselho de Segurança (CS) é o passo mais importante para a reeleição de Guterres que está no cargo desde 1 de janeiro de 2017.

O atual secretário-geral não enfrentou competição para o próximo mandato, uma vez que nenhum dos 193 países membros da ONU endossou os outros dez possíveis indivíduos que também aspiravam ao cargo.

O embaixador da Estónia na ONU, atual presidente do Conselho de Segurança, explicou que embora desta vez Guterres fosse o único candidato ao cargo apresentou a sua visão e houve sessões na Assembleia para a conhecer.

Procedimento

No âmbito dos procedimentos de nomeação do secretário-geral da ONU, e uma vez que o CS tenha transmitido a recomendação à Assembleia Geral, é emitido um projeto de resolução. Após consultas com os Estados-membros, o presidente da Assembleia fixa uma data para a adoção do projeto.

Os últimos seis secretários-gerais, incluindo António Guterres, foram nomeados pela Assembleia através de uma resolução adotada por consenso. A votação só é realizada se um Estado-membro a solicitar, caso em que é necessária uma maioria simples dos votantes para que a resolução seja adotada – embora a Assembleia tenha poderes para exigir uma maioria de dois terços. Caso exista votação, é por voto secreto.

Grande honra

António Guterres referiu-se à recomendação do Conselho de Segurança como uma “grande honra” e agradeceu ao seu país pela confiança em si depositada.

A sessão plenária da Assembleia Geral das Nações Unidas, para aprovação de uma recomendação do Conselho de Segurança foi marcada para o dia 18 de junho, sexta-feira, a partir das 09:00 locais (14:00 na hora de Lisboa).

Após a eleição, nesse mesmo dia, António Guterres tomará posse para um novo mandato que irá até 2026.

 

Enviado alerta para “efeitos drásticos da instabilidade” no Mali para a sub-região   

O Conselho de Segurança realizou uma sessão sobre o Mali, três semanas após o golpe que derrubou o governo interino do presidente Bah N’daw e do primeiro-ministro Moctar Ouane.  

Na reunião, o chefe da Missão da ONU no Mali, El-Ghassim Wane, disse que chegou a hora de os líderes se colocarem acima da política partidária e dos interesses pessoais. Ele realçou que o apoio da operação de paz permanecerá crítico na nova etapa. 

Calendário 

Para Wane, é preciso ação para criar reformas essenciais e um processo eleitoral confiável, apesar de garantias dadas pelo novo presidente e pelo primeiro-ministro interinos de que respeitariam o calendário de transição.  

ONU/Loey Felipe

Sala do Conselho de Segurança da ONU

Até as eleições presidenciais e legislativas em 27 de fevereiro de 2022, o coronel Assimi Goita liderará a transição. Ele depôs os ex-líderes interinos e já tinha liderado um golpe em agosto do ano passado. 

Há uma semana, Goita indicou o civil Choguel Kokalla Maiga como primeiro-ministro. Ele prometeu formar um governo inclusivo de acordo com os apelos internacionais. 

Incerteza  

O golpe de Estado de 24 de maio, foi o segundo em nove meses. No ato, o ex-presidente  Bah N’daw e seu primeiro-ministro Moctar Ouane foram presos. Eles  renunciaram aos cargos dois dias depois, estando ainda detidos.  

Para as Nações Unidas, estes eventos “aumentaram a incerteza e a complexidade da transição política” no Mali, que visava restabelecer o governo-eleito após o golpe de 18 de agosto de 2020. 

Wane disse aos membros do Conselho que a segurança continua sendo uma questão de grande preocupação no norte e centro da nação africana. Ele destacou que o ato tem impacto devastador na vida das pessoas. 

Acesso a serviços 

Os maiores desafios fora da capital maliana, Bamako, são a insegurança e a falta de acesso a serviços básicos como educação, água e outros. 

O enviado realçou que o Mali está em um momento crítico no qual não se pode permitir que caia em mais instabilidade, o que teria consequências drásticas para a sub-região e além. 

Minusma/Harandane Dicko

Mulher boina-azul no Mali

G7 promete 870 milhões de doses da vacina contra a covid-19

No domingo, a ONU celebrou o compromisso das nações industrializadas, lideradas pelo G7, de partilhar, pelo menos, 870 milhões da vacina contra a covid-19 de forma a garantir o acesso global e o fim da fase aguda da pandemia.

Aproveitando o impulso da Conferência Mundial de Saúde do G20 e da Conferência Gavi COVAX AMC, num acordo histórico na Conferência do G7 – que decorre na Cornualha, Reino Unido – os líderes mundiais fizeram esta promessa, com o objetivo de garantir pelo menos metade das doses até ao final de 2021.

“O acesso equitativo às vacinas contra a covid-19 representa, para todos nós, o caminho mais imediato para sair desta pandemia – a inclusão das crianças e os compromissos anunciados pelo G7 … são um passo importante nessa direção”, declarou em comunicado de imprensa a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore.

Como já tinha afirmado anteriormente o secretário-geral António Guterres, apesar do acesso “desigual e muito injusto” às vacinas, “é do interesse de todos que todos sejam vacinados mais cedo ou mais tarde”.

Os líderes do G-7 também reafirmaram seu apoio à iniciativa de distribuição equitativa de vacinas COVAX, liderada pela ONU, denominando-a “a principal via de fornecimento de vacinas aos países mais pobres”.

Ação imediata, por favor

A aliança COVAX, por sua vez, celebrou o compromisso do G7 e reafirmou o seu apoio à exportação de vacinas em proporções significativas e à promoção do licenciamento voluntário e da produção mundial sem fins lucrativos.

Os parceiros esperam “ver chegar as doses aos países” o mais rapidamente possível.

A COVAX trabalhará com o G7 e outros países disponíveis a aumentar partilha de vacinas o mais rapidamente e equitativamente possível, de forma a ajudar a resolver as restrições de oferta que afetam, atualmente, a resposta mundial à covid-19 e minimizar a perspetiva de futuras variantes mortais.

“Alcançámos um marco negro nesta pandemia: já há mais mortos de covid-19 em 2021 do que em todo o ano passado”, lamentou a diretora executiva da UNICEF. “Sem ações urgentes, estas perdas irão aumentar”.

Alinhando interesses

Sublinhando a necessidade de um aumento significativo, tanto em quantidade como em ritmo de fornecimento, Fore atestou que, quando se trata de acabar com a pandemia da covid-19, “os nossos interesses alinham-se. Esta crise só terminará quando terminar para todos”.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou que muitos países estão a enfrentar um aumento de casos, sem acesso a vacinas.

“Estamos na corrida das nossas vidas, mas não é uma corrida justa, e a maioria dos países mal saiu da linha de partida”, afirmou o diretor-geral da OMS.

Embora esteja grato pela promessa de generosas doações de vacinas, enfatizou que “precisamos de mais e mais rapidamente”.

Uma corrida contra o tempo

Enquanto muitos países desenvolvidos começam a contemplar a vida pós-vacinação, o futuro nos países em vias de desenvolvimento não é brilhante.

“Estamos particularmente preocupados com os surtos na América do Sul, Ásia e África”, declarou a diretora da UNICEF.

À medida que a pandemia se intensifica, o vírus sofre mutações e produz novas variantes que podem ameaçar tanto os vacinados como os não vacinados.

“Doar doses é uma política inteligente que satisfaz os nossos interesses coletivos”, continuou Fore, acrescentando que, além das promessas de partilha de vacinas, “a distribuição e a prontidão precisam de prazos claros” de quando estarão disponíveis, especialmente em países com infraestrutura de saúde precária.

“A pandemia da covid-19 mudou a vida das crianças em todos os aspetos: saúde, educação, proteção e prosperidade futura. Agora, mais do que nunca, o que fazemos terá um impacto significativo e duradouro nos nossos amanhãs coletivos. Não há tempo a perder”, concluiu.

O G7 e o COVAX

O G7 é reúne as economias mais avançadas do mundo e é constituído pelo Canadá, França, Alemanha, Japão, Itália, Reino Unido e Estados Unidos.

A COVAX foi criada pela OMS, a GAVI, a aliança de vacinas e a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias. É parte do Acelerador de Acesso às Ferramentas covid-19 (ACT) para fornecer diagnósticos, tratamentos e vacinas contra a covid-19, equitativamente a todas as pessoas, em todo o mundo, independentemente da sua riqueza.

 

Dia Internacional da Conscientização sobre Albinismo exalta conquistas  

Este 13 de junho, as Nações Unidas marcam o Dia Internacional da Conscientização sobre o Albinismo sob o lema Força apesar de todas as probabilidades. 

Em mensagem, o secretário-geral António Guterres destaca que o tema reflete a resiliência, a perseverança e as realizações de pessoas com albinismo perante conceitos errôneos generalizados, discriminação e violência. 

Obstáculos  

Guterres defende que apesar desses obstáculos ao bem-estar e à segurança, os líderes de organizações que representam pessoas com albinismo continuam atuando arduamente em apoio aos mais vulneráveis.  

Unicef/ Frank Dejongh

A falta de melanina faz com que os albinos sejam muito suscetíveis de desenvolver cancro de pele.

Para ele, é animador que pessoas com albinismo ocupem, “cada vez mais, seu lugar de direito” em espaços de decisão levando a compromissos significativos como o Plano de Ação sobre o Albinismo na África. 

Guterres disse haver muito a fazer, ao reconhecer que persistem desafios em comportamento e saúde das pessoas que vivem com albinismo. 

Apoio  

Parao chefe da ONU, é preciso desmistificar a condição e acabar com a discriminação. E pediu a todos que protejam e respeitem os direitos humanos de quem tem albinismo. 

Em 2021, as celebrações realçam as conquistas do grupo. 

Vários eventos citam enfrentamento e superação das expectativas em todos os domínios da vida, além de incentivar a participação no esforço global por uma recuperação melhor da pandemia. 


De acordo com as estimativas, América do Norte e Europa têm menos casos de albinismo. A média global é uma em cada 17 mil a 20 mil. 

Melanina 

Já na África Subsaariana, uma em cada 1,4 mil pessoas vive com albinismo em países como a Tanzânia. No Zimbábue ou outros grupos étnicos específicos na África Austral, a proporção é de um caso em cada mil. 

Devido à falta de melanina as pessoas com albinismo são altamente vulneráveis a adoecer de câncer de pele.  

Em alguns países é frequentemente que a morte ocorra entre 30 e 40 anos. 

A ONU destaca que há séculos, a superstição influencia crenças e mitos persistentes em várias comunidades, o que coloca em risco a segurança e a vida das pessoas com albinismo.  

Esse tipo de discursos se reflete em atitudes e práticas culturais em todo o mundo. 

ONU/Marie Frechon

África Subsaariana tem uma em cada 1,4 mil pessoas vivendo com albinismo

ONU lança Semana de Ação contra Trabalho Infantil, que afeta 1 em cada 10 crianças 

Um apelo global para proteger crianças do trabalho é feito pela ONU neste 12 de junho, Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. 

Esta é a primeira realização da data desde a ratificação universal da Convenção Nº 182 da Organização Internacional do Trabalho, OIT, sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil. 

Problema 

As Nações Unidas pedem a instituições, indivíduos, personalidades e governos para assumirem novos compromissos de acabar com o problema. 


Para marcar a data, a ONU lança uma “Semana de Ação” para que seus parceiros possam demonstrar o progresso no cumprimento de suas “Promessas de Ação para 2021”. 

O relatório “Trabalho Infantil: Estimativas Globais 2020, Tendências e Futuro”, divulgado nesse 10 de junho, revela que o número de crianças trabalhando aumentou 8,4 milhões nos últimos quatro anos. 

Problema 

Atualmente, uma em cada 10 crianças no mundo é vítima do trabalho infantil. 

Ao todo, são 160 milhões de vítimas do trabalho infantil, a taxa mais alta em 20 anos. O recorde reverte os avanços feitos nas últimas décadas. Entre 2000 e 2016, a quantidade de crianças nessa situação havia caído para 94 milhões. 

Por causa da Covid-19, cerca de 9 milhões de meninos e meninas correm risco de terem que trabalhar até o fim de 2022. 

A meta 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU exige o fim do trabalho infantil em todas as suas formas até 2025.  

Regiões 

A África é a região mais afetada por este problema, tanto em porcentagem de crianças em trabalho infantil, cerca de 20%, como em número absoluto de crianças nessas condições, com cerca de 72 milhões. 

© Unicef/Patrick Brown

Crianças trabalhando em uma mina em Kivu do Sul, na República Democrática do Congo

A Ásia e o Pacífico ocupam o segundo lugar, com 7% de todas as crianças, cerca de 62 milhões de meninos e meninas, vítimas desta prática. 

Juntas, as regiões da África, Ásia e Pacífico respondem por quase nove em cada 10 crianças. 

O problema afeta 11 milhões de menores nas Américas, 6 milhões na Europa e Ásia Central e 1 milhão nos países árabes.  

Em termos de incidência, esses números representam 5% nas Américas, 4% na Europa e Ásia Central e 3% nos países árabes. 

Embora a porcentagem de crianças seja mais alta em nações de baixa renda, os números totais são maiores nos países de renda média, onde a situação afeta 9% de todas as crianças.

Antes do G-7, Guterres pede apoio urgente contra Covid-19 e mudança climática 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apontou esta sexta-feira os temas da vacinação contra a Covid-19 e mudança climática como destaques para o encontro do G-7, marcado para este fim de semana no Reino Unido. 

Falando a jornalistas, em Londres, o chefe da ONU afirmou que “as vacinas devem ser consideradas bens públicos globais.” Para ele, esta “não é apenas uma questão de equidade e justiça, mas também de eficiência.” 

Vacinas 

Para Guterres, “tem sido muito desigual e muito injusto o modo como imunização está ocorrendo no mundo”, mas ele disse estar “animado” com os anúncios que foram feitos antes da reunião do G-7. 

Casa Branca/Andrea Hanks

Líderes das sete maiores economias mundiais em Biarritz, na França, durante a reunião de 2019 do G7.

O Fundo Monetário Internacional, FMI, e o Banco Mundial, para a Organização Mundial da Saúde, anunciaram um programa de US$ 50 bilhões para apoiar a vacinação em países em desenvolvimento. A quantia será destinada à Organização Mundial da Saúde, OMS, e à Organização Mundial do Comércio, OMC. 

O anúncio recente de que os Estados-membros do G-7 esperam atingir o compromisso de 1 bilhão de doses para os países em desenvolvimento. 

O secretário-geral lembrou a necessidade de um plano global de vacinação, produzido por uma força-tarefa de emergência apoiada pela OMS, a Aliança Gavi, AVI, instituições financeiras internacionais e indústria farmacêutica. 

Guterres acredita que isso permitiria, pelo menos, dobrar a capacidade de produção de vacinas no mundo, criar um mecanismo de distribuição equitativa e lidar com questões de propriedade intelectual e cadeias de abastecimento.  

Mudança climática  

Ao se referir à mudança climática, que será tema de outra conferência também no Reino Unido, em novembro, o chefe da ONU disse que o mundo já tem um aumento médio da temperatura em relação aos níveis pré-industriais de 1,2º C, muito próximo do limite de 1,5º C.  

Guterres disse que o mundo está à beira do abismo e, quando se está à beira do abismo, “é preciso  ter certeza de que o próximo passo é na direção certa.” 

O secretário-geral destacou o compromisso dos países do G-7 com emissões líquidas zero em 2050 e esforços semelhantes dos países do G-20. Segundo ele, isso mostra que o mundo está “no caminho que precisa estar.” 

Ele também lembrou o compromisso de US$ 100 bilhões de apoio todos os anos aos países em desenvolvimento. Segundo ele, neste encontro é preciso “esclarecer como esses US$ 100 bilhões vão se materializar.” 

Présidence de la République/Soazig de la Moissonniere

O secretário-geral da ONU, António Guterres, na Cimeira do G7 em Biarritz, França, em agosto de 2019

Sucesso 

Para Guterres, “este é um elemento muito importante” para garantir o sucesso da próximo Conferência do Clima da ONU, COP-26, na Escócia. 

Nesse momento, o apoio à adaptação no financiamento do clima é de cerca de 21% de todo o financiamento.  

Guterres propôs que, até 2024, esse número suba para 50%.  

Para terminar, o secretário-geral afirmou ter esperança de que esta reunião ajude a preparar o caminho para novas e importantes decisões que virão.  

Segundo ele, isso é “absolutamente essencial” porque a COP26 em Glasgow “é, em muitos aspectos, a última oportunidade” para conter a mudança climática. 

Projeto do Brasil vence concurso de sustentabilidade para campus universitários 

O grande vencedor do concurso Challenge Campus 2030 deste ano foi o projeto “Araucária”, da Universidade Estadual Paulista. Um projeto muito ambicioso que combina a conservação e preservação da biodiversidade com a melhoria da mobilidade no campus.
O projeto prevê a construção de ciclovias, a plantação de várias espécies de árvores, reabilitando a paisagem envolvente, nomeadamente um curso de água altamente poluído, e criando um espaço protegido.
 
Concurso
O Challenge Campus 2030 é organizado pela Agência Universitária da Francofonia (AUF), o Centro de Informação Regional das Nações Unidas (UNRIC) e a plataforma de inovação aberta Agorize, é um concurso internacional aberto a universidades e faculdades de todo o mundo que procurem encontrar soluções para que os campus de amanhã ajudem a alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Em setembro de 2020, 680 equipas de alunos e professores, de quase 80 países, aceitaram o desafio de apresentar projetos inovadores que transformem os campus universitários para torná-los mais sustentáveis ​​e inclusivos.

Esta sexta-feira, 11 de junho, três deles venceram a final desta segunda edição do Challenge Campus 2030 durante uma cerimónia online que foi transmitida em direto nas redes sociais.

 

Premiados 

O prémio da Agência Universitária da Francofonia foi atribuído à Universidade de Liège, Bélgica, com o projeto “2030 Ensemble: 30 desafios por ano”. O objetivo deste projeto passa por reunir alunos dispostos a mudar o seu estilo de vida e de consumo para reduzir em 50% a pegada de carbono até 2030. Lançada em setembro último, a plataforma que desenvolveram já conta com mais de 600 alunos.

O segundo prémio foi atribuído a uma equipa turca, da Universidade de Bahçeşehir, autora do projeto “Campus Swap”, um que visa tanto a redução do consumo de roupa como o combate à violência contra as mulheres. A ideia passa por promover a  troca de roupas usadas e receber, durante o processo recolha das roupas, conselhos, dicas úteis e outras informações para prevenir e combater a violência de género.

As três equipas vencedoras serão apoiadas durante quatro meses pela organização Pulse para desenvolver o seu projeto.

Três outras equipas participaram também nesta final: “Agri Coop”, de Marrocos, com um projecto de cultivo de plantas medicinais e aromáticas gerido por alunos com deficiência, “La Girafe du Congo”, um restaurante universitário auto-gerido para lutar contra a fome e a  melhoria das condições de vida dos estudantes e, por fim, “Chemsorter”, do Líbano, para gerir melhor os resíduos químicos dos laboratórios universitários.

Este concurso é apoiado por diversas organizações parceiras: Unesco, a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IRD) e as associações Enactus e SoSciences.

O próximo Desafio Campus 2030 terá início em setembro de 2021.

Assista à final aqui.