Site Página 205

Guterres alerta para disseminação de discurso de ódio

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou esta terça-feira, para a disseminação do discurso de ódio, que na sua opinião prolifera “como um incêndio através das redes sociais e da rádio”.

Em discurso na mesquita Al Azhar, no Cairo, Egito, o chefe da ONU, assumindo-se como homem de fé, começou por expressar o seu respeito pelo Islão e “solidariedade para com os seus seguidores nestes tempos turbulentos.”

Discurso de Ódio

António Guterres reuniu-se com o grande Imâ de al-Azhar, Ahmed El Tayeb.ONU Egito

O chefe da ONU considera que se assiste a um crescente ódio antimuçulmano e à proliferação do antissemitismo, do racismo e da xenofobia.

O secretário-geral sublinha que essas “forças obscuras ameaçam os valores democráticos, a estabilidade social e a paz”, lembrando que “eles estigmatizam mulheres, minorias, migrantes e refugiados.”

Para o líder da ONU toda a sociedade é diminuída “quando as pessoas são atacadas, fisicamente, verbalmente ou nas redes sociais, por causa de sua raça, religião ou etnia.

Solidariedade

Referindo-se ao ataque terrorista que tirou a vida a 50 pessoas em duas mesquitas na Nova Zelândia, há duas semanas, Guterres apontou vários exemplos de solidariedade entre pessoas e comunidades de diferentes expressões de fé. 

O representante sublinhou que “o Islão é uma fé de amor, compaixão, perdão, misericórdia e graça”, tal como, segundo ele, se pode constatar “com muitos países muçulmanos a abrirem as fronteiras para as pessoas em perigo.”

Guterres exemplifica como este espírito está espelhado no livro sagrado citando a Surata Al-Tawbah do Corão, Surah 9, versículo 6: “e se alguém procurar a sua proteção, então conceda-lhe proteção para que eu possa ouvir as palavras de Allah. Então, escolte-o onde ele possa estar seguro.”

Contributo

Guterres apelou à união e à proteção entre todos em “tempos de dificuldades e divisão.”

Para ele, todos têm um papel a desempenhar “no fim da polarização”, referindo a importância dos líderes religiosos, em particular, como tendo “um papel muito importante.”

Por isso, considera “tão animador” que o Grande Imam de al-Azhar, o xeque Ahmed al-Tayeb e o Papa Francisco tenham dado as mãos, em fevereiro, uma clara “demonstração de fraternidade inter-religiosa.”

Terrorismo

Guterres terminou o seu discurso dizendo que “nada justifica o terrorismo e torna-se particularmente medonho quando a religião é invocada.”

O secretário-geral apelou à “compreensão mútua” para que seja possível viver num mundo de paz, lembrando que é necessário “combater e rejeitar figuras religiosas e políticas que exploram as diferenças.”

Ban Ki-moon (Coreia do Sul)

Ban Ki moon

O Sr. Ban Ki-moon, da República da Coreia, oitavo secretário-geral das Nações Unidas, traz para o cargo 37 anos de experiência adquirida ao longo de uma carreira notável no governo e na cena mundial.

Aspetos mais destacados da sua carreira

No momento da sua eleição como secretário-geral, o Ban Ki-moon era Ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da República da Coreia. No decurso da sua longa carreira no Ministério, que o levou a Nova Deli, Washington D.C. e Viena, ocupou diversos cargos – Assessor Principal do Presidente em assuntos de política externa, Vice-Ministro do Planeamento de Políticas e Diretor-Geral dos Assuntos Americanos. Ao longo da sua carreira, norteou-o sempre a visão de uma península coreana pacífica, capaz de desempenhar um papel cada vez mais importante em prol da paz e da prosperidade na região e no mundo.

As relações de Ban Ki-moon com a Organização das Nações Unidas remontam a 1975, quando foi funcionário da Divisão das Nações Unidas do Ministério dos Negócios Estrangeiros do seu país. O seu trabalho foi ganhando uma maior dimensão ao longo dos anos, tendo desempenhado os cargos de Primeiro Secretário da Missão Permanente da República da Coreia junto da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque, Diretor da Divisão das Nações Unidas no Ministério em Seoul e Embaixador em Viena, em 1999, altura em que desempenhou as funções de Presidente da Comissão Preparatória da Organização do Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares. Em 2001-2002, como Chefe de Gabinete do Presidente da Assembleia Geral, facilitou a rápida adopção da primeira resolução da sessão, que condenou os atentados terroristas de 11 de Setembro, e tomou algumas iniciativas que visavam melhorar o funcionamento da Assembleia.

Contribuiu, assim, para que uma sessão que começou num ambiente de crise e de confusão acabasse por ser marcada pela adopção de algumas reformas importantes.

Ban Ki-moon ocupou-se activamente das relações inter-coreanas. Em 1992, como Assessor Especial do Ministro dos Negócios Estrangeiros, foi Vice-Presidente da Comissão Conjunta Norte-Sul de Controlo Nuclear, após a adopção da histórica Declaração Conjunta sobre a Desnuclearização da Península da Coreia. Em Setembro de 2005, na qualidade de Ministro dos Negócios Estrangeiros, desempenhou um papel preponderante na consecução de um outro acordo histórico destinado a promover a paz e a estabilidade na Península da Coreia – a adopção, quando das Conversações das Seis Partes, de uma declaração conjunta sobre a resolução da questão nuclear norte-coreana.

Ban Ki-moon, born 13 June 1944, was the eighth Secretary-General of the United Nations.
Ban Ki-moon foi o oitavo secretário-geral das Nações Unidas. Foto: ONU/Eskinder Debebeborn

Estudos

Ban Ki-moon obteve a Licenciatura em Relações Internacionais pela Universidade Nacional de Seul, em 1970. Em 1985, obteve o Mestrado em Administração Pública na Kennedy School of Government da Universidade de Harvard.

Prémios e distinções

O antigo secretário-geral recebeu numerosas distinções, condecorações e medalhas no seu país e no estrangeiro. Em 1975, 1986 e 2006, recebeu a Ordem do Mérito, a máxima distinção da República da Coreia, pelos serviços prestados ao seu país.

Dados pessoais

Ban Ki-moon nasceu a 13 de Junho de 1944. É casado com Yoo Ban Soon-taek, que conheceu em 1962, quando ambos frequentavam o liceu. Têm um filho e duas filhas. Além de coreano, Ban Ki-moon fala inglês e francês.

(Fonte: comunicado de imprensa SG/2118 – BIO/3824, de 14/12/2006)

Kofi Annan (Gana)

Kofi Annan

Kofi A. Annan assumiu funções como sétimo secretário-geral das Nações Unidas no dia 1 de janeiro de 1997, cumprindo dois mandatos até 2007. Natural do Gana, foi o primeiro secretário-geral a ser eleito entre os funcionários da ONU.

Em 1962, iniciou a sua carreira nas Nações Unidas, trabalhando primeiramente na Organização Mundial da Saúde em Genebra, onde mais tarde desempenhou funções no Gabinete do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Na sede da organização em Nova Iorque, ocupou altos cargos em diversas áreas, nomeadamente na gestão de recursos humanos (1987-1990), no orçamento e finanças (1990-1992) e na manutenção de paz (de março de 1992 a dezembro de 1996).

Secretary-General Kofi Annan in Stockholm, Sweden
Kofi Annan em Estocolmo, Suécia. Foto: ONU/Sergey Bermeniev

Enquanto secretário-geral, entre inúmeras negociações relevantes em que participou encontram-se, por exemplo, em 1998, o esforço em influenciar o Iraque a cumprir com as resoluções do Conselho de Segurança – um esforço que ajudou a evitar a eclosão de hostilidades iminentes naquela época; e o envolvimento no processo pelo qual Timor-Leste tornou-se um país independente.

Mestre em gestão e diplomacia, foi também um defensor constante dos direitos humanos, do estado de direito e dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, procurando fortalecer as parcerias da ONU com a sociedade civil, o setor privado e outros parceiros. A sua iniciativa denominada “Global Compact”, lançada em 1999, marcou a promoção da responsabilidade social corporativa a nível mundial.

Em 2001, juntamente com a Organização das Nações Unidas, foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz pela criação do Fundo Global de Luta contra a Sida, Tuberculose e Malária, fruto do seu papel de liderança na mobilização da comunidade internacional na luta contra essas doenças nos países em desenvolvimento.

Kofi Annan faleceu a 28 de agosto de 2018, aos 80 anos.

Boutros Boutros-Ghali (Egito)

Boutros Boutros Gali

Boutros Boutros-Ghali assumiu funções como sexto secretário-geral da Organização das Nações Unidas no dia 1 de janeiro de 1992, iniciando um mandato que se estenderia por 5 anos. De nacionalidade egípcia, foi o primeiro secretário-geral de origem africana.

Em 1992, a ONU via a sua influência crescer após um papel preponderante na Guerra do Golfo, mas rapidamente perdeu a simpatia da sociedade civil após o genocídio do Ruanda em 1994. Boutros-Ghali foi criticado pelo papel passivo da organização durante o genocídio e isto, juntamente com a sua oposição à intervenção da NATO na Bósnia, entre outras controvérsias, foi apontado como a principal razão para a sua não-renomeação.

Académico e diplomata, Boutros-Ghali era doutorado pela Universidade de Paris em Direito Internacional e deu aulas na Universidade do Cairo. Adicionalmente, foi membro do parlamento egípcio e Ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo liderado as delegações egípcias à Assembleia Geral da ONU durante três vezes antes de assumir funções como secretário-geral. Enquanto Ministro, o seu feito mais memorável prendeu-se com o Acordo de Camp David.

Boutros Boutros-Ghali, discursa durante uma conferência de imprensa nas Nações Unidas Foto: ONU/Milton Grant

O seu período como secretário-geral compreendeu um dos períodos mais difíceis da organização até hoje, com especial enfâse nas crises do Ruanda, Angola, ex-Jugoslávia, Somália e Médio Oriente.

O seu legado assenta num aumento de missões de manutenção de paz – os capacetes azuis – e na sua defesa da importância dos processos de peace-building após o conflito, algo que hoje está fortemente enraizado na matriz operacional da ONU atualmente.

Faleceu em 2016 com 93 anos.

Javier Pérez de Cuéllar (Peru)

javier perez de cuellar

Javier Pérez de Cuéllar assumiu funções como quinto secretário-geral da Organização das Nações Unidas no dia 1 de janeiro de 1982, cumprindo dois mandatos até 1991. Foi até hoje o único secretário-geral sul-americano.

Advogado e diplomata, iniciou a sua carreira diplomática no Ministério dos Negócios Estrangeiros do Perú em 1940, tendo trabalhado em embaixadas em inúmeros países europeus e sul-americanos. Enquanto embaixador, representou a República do Perú na Suíça, União Soviética, Polónia e Venezuela. Adicionalmente, foi professor das cátedras de Direito Internacional e de Relações Internacionais no Peru, e escreveu um manual de Direito Diplomático (1964).

Em 1971, foi nomeado Representante Permanente do Perú junto das Nações Unidas, tendo participado em reuniões do Conselho de Segurança – inclusive enquanto presidente em 1974 aquando da crise no Chipre. No contexto das Nações Unidas, desempenhou cargos de Representante Especial do secretário-geral no Chipre e Representante Pessoal do secretário-geral no Afeganistão, antes da sua nomeação para secretário-geral.

Former Secretary-General Javier Perez de Cuellar
O ex-secretário-geral Javier Perez de Cuellar na sua primeira conferência de imprensa desde que assumiu o cargo, em janeiro de 1981. Foto: ONU/Yutaka Nagata

Pérez de Cuéllar dedicou os seus mandatos à resolução de conflitos e à manutenção de paz, máximas da Carta das Nações Unidas. Entre as suas inúmeras participações em negociações internacionais, encontram-se a mediação de conversações entre o Reino Unido e a Argentina após a Guerra das Falklands, a independência da Namíbia e o conflito Irão-Iraque. Foi também durante o seu mandato que os capacetes-azuis receberam o Prémio Nobel da Paz (1988).

Foi condecorado por 25 países, recebeu diplomas honoris causa de diversas universidades e prémios por reconhecimento do seu trabalho na promoção da cooperação e entendimento internacionais. Atualmente, encontra-se reformado.

Faleceu a 5 de março de 2020, aos 100 anos, devido a causas naturais.

Kurt Waldheim (Áustria)

Kurt_Waldheim

Kurt Waldheim assumiu funções como quarto secretário-geral da Organização das Nações Unidas no dia 1 de janeiro de 1972, iniciando um mandato que se estenderia até 1981 (foi reeleito em 1976). Foi devido à sua candidatura para um terceiro mandato em 1981, que perdeu, que hoje em dia os mandatos do secretário- geral estão limitados a dois anos.

De nacionalidade austríaca, foi também presidente da Áustria e diplomata de carreira, tendo servido enquanto representante do estado austríaco, em França e no Canadá, tendo igualmente sido Chefe de Missão da Representação Permanente austríaca junto das Nações Unidas, assim como presidente de comités internacionais. Compreendendo a importância das vias diplomáticas, Waldheim foi o primeiro secretário-geral da ONU a visitar a Coreia do Norte, em 1979.

Durante o seu mandato como secretário-geral, Kurt Waldheim deu início à prática ainda corrente de visitar áreas e países de especial interesse para as Nações Unidas. Estas deslocações permitem-lhe travar conhecimento e testemunhar, em primeira mão, de que forma os problemas que ocupam a agenda internacional afetam concretamente a vidas das pessoas em todo o mundo.

Former secretary general Kurt Waldheim
Kurt Waldheim participa numa série de reuniões do Conselho de Segurança no Panamá. Foto: ONU/Yutaka Nagata

Na década de 1970, a Namíbia, África do Sul, Chipre, Índia, e diversos países no Médio-Oriente, foram visitados e as suas preocupações ouvidas por este secretário-geral. Igualmente importante, foi a sua presença regular em conferências e cimeiras internacionais sobre os mais variados temas, como Comércio e Desenvolvimento, Direito do Mar, População Mundial e Alimentação, entre outros.

Faleceu em 2007 com 88 anos.

U Thant (Mianmar)

U_Thant

U Thant assumiu funções como terceiro secretário-geral da Organização das Nações Unidas a 30 de novembro de 1961, iniciando um mandato que se estenderia por 10 anos, até 1971. Nascido em Burma (atualmente Mianmar), foi o primeiro secretário-geral que não tinha origem europeia.

A sua nomeação como secretário-geral teve lugar no seguimento da trágica morte do seu predecessor, Dag Hammarskjold, num acidente de aviação. Na altura, era o Representante Permanente de Burma junto das Nações Unidas, cargo que ocupava desde 1957.

Antes de iniciar a sua carreira diplomática, a experiência de U Thant era sobretudo nas áreas da educação e da informação, tendo trabalhado a diversos níveis na gestão de escolas e agrupamentos escolares em Burma e, posteriormente, em cargos governamentais. Trabalhou também como jornalista freelancer. A sua postura diplomática e calma está expressa na admiração e respeito que a população de Mianmar nutre por ele ainda hoje.

No seu período como secretário-geral, facilitou negociações entre John F. Kennedy e NikitaKhrushchev durante a crise dos mísseis de Cuba (1962), posicionou-se fortemente contra a intervenção americana no Vietname e assistiu à entrada de vários países recém-independentes na ONU. Devido ao seu trabalho diplomático, recebeu diversos reconhecimentos e doutoramentos honorários. 

Former secretary general, U Thant.
Foto: ONU

Faleceu em 1974 com 65 anos, vítima de doença prolongada.

Dag Hammarskjöld (Suécia)

Dag_Hammarskold

Dag Hammarskjöld assumiu funções como segundo secretário-geral da Organização das Nações Unidas a 10 de abril de 1953, sendo reeleito em 1957. Nascido na Suécia, fez carreira como economista e político. Foi o único secretário-geral que morreu em funções, quando o avião onde seguia se despenhou na Rodésia do Norte, a 18 de setembro de 1961.

Filho de um ex-primeiro ministro sueco e presidente da Fundação Prémio Nobel entre 1929 e 1941, Dag Hammarskjöld estudou direito e economia, chegando a ensinar a cadeira de economia política em Estocolmo. Enquanto político, trabalhou nos ministérios das Finanças e Negócios Estrangeiros. Em 1952, era presidente da Delegação Sueca junto da Assembleia Geral da ONU, quando foi nomeado e, posteriormente, eleito como secretário-geral.

Portrait of former Secretary-General Dag Hammarskjold.
Foto: ONU/JO

Durante os seus mandatos, participou na resolução das crises do Canal do Suez (1956), do Líbano e da Jordânia (1958). Em 1960, o Congo Belga – hoje a República Democrática do Congo – tornou-se independente, dando início a um longo período de violência e instabilidade na região. Forças de manutenção de paz da ONU foram enviadas para a região no início de setembro, uma decisão que não agradou aos representantes da União Soviética (USSR), que exigiram que Dag Hammarskjöld se demitisse e que a sua posição fosse substituída por uma troika, com um representante ocidentais, outro comunista e um terceiro neutro. Tal não aconteceu.

O legado deste secretário-geral passa pelo seu papel na prevenção da escalada de conflitos e pela organização das primeiras conferências internacionai9s sobre o Uso Pacífico de Energia nuclear.

Trygve Lie (Noruega)

Trygve_Lie

Trygve Halvdan Lie assumiu funções como primeiro secretário-geral da ONU dia 2 de fevereiro de 1946, ocupando este cargo até à sua demissão em 1952. Político norueguês e diplomata, terá dito ao seu sucessor, Dag Hammarskjöld, “Bem-vindo ao trabalho mais impossível do mundo” no dia da sua eleição.

De origens humildes, Trygve Lie concluiu o curso de direito em Oslo ao mesmo tempo que ocupava a posição de secretário-nacional do Partido dos Trabalhadores. Foi membro do parlamento norueguês e ministro em vários governos entre 1935 e 1941. Durante a ocupação nazi do seu país, Lie foi Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo norueguês no exílio, cargo que ocupou até 1946.

5 October 1949. Secretary-General Lie and members of the Headquarters Advisory Committee are seen with the UN flag before it is unfurled atop the completed steel work for the 39-story UN Secretariat building in accordance with the custom of construction workers in 1949.
5 de outubro de 1949. Na foto, o ex-secretário-geral, Trygve Lie e membros do Comité da ONU são fotografados com a bandeira das Nações Unidas à frente da Sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Foto: ONU

Em abril de 1945, Trygve Lie liderou a delegação norueguesa à Conferência Internacional das Nações Unidas sobre Organização Internacional em São Francisco, sendo eleito menos de um ano depois para o cargo de secretário-geral da ONU.

Durante os seus mandatos, lidou com a Guerra que eclodiu após a proclamação da independência do estado de Israel e o conflito de Kashmir, para os quais apenas soluções temporárias foram encontradas.

Lie viu-se obrigado a demitir do seu cargo em 1952, uma vez que não se encontravam reunidas condições suficientes para prosseguir com o seu mandato. Isto deveu-se a pressões por parte da União Soviética e dos Estados Unidos, por diferentes razões.

Faleceu em 1968.

Insegurança alimentar severa atinge cerca de 113 milhões de pessoas no mundo

O Relatório Global sobre Crises Alimentares, publicado nesta terça-feira, aponta que pelo terceiro ano consecutivo, a insegurança alimentar severa atingiu mais de 100 milhões de pessoas.

Dados do estudo indicam que, em 2018, cerca de 113 milhões de pessoas em 53 países experimentaram altos níveis de insegurança alimentar em crises alimentares que exigiram assistência urgente de alimentos, nutrição e subsistência.

De acordo com a ONU, a fome aumenta risco de morte de mulheres grávidas e lactantes no Iêmen. Foto: PMA/Marco Frattini

Fome

O estudo adverte que milhões de outras pessoas correm o risco de enfrentar o mesmo destino, a menos que as causas das crises da fome sejam abordadas.

Afeganistão, República Democrática do Congo, Etiópia, nordeste da Nigéria, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen foram os oito países responsáveis ​​por 64% do número total de pessoas que enfrentam insegurança alimentar severa. Esta é definida como uma fome tão grave que representa uma ameaça imediata à vida ou aos meios de subsistência.

O número total de atingidos teve uma pequena queda em relação ao ano passado, quando 124 milhões de pessoas em 51 países foram atingidas pela insegurança alimentar severa. Essa queda teria ocorrido porque um número de países normalmente expostos a secas severas, inundações, chuvas e aumentos de temperatura não apresentaram essas ocorrências.

No entanto, o Relatório Global mostrou que nos últimos três anos o número de pessoas que enfrentam insegurança alimentar aguda tem ficado consistentemente acima de 100 milhões.

Relatório

Em 17 países, a fome crônica permaneceu a mesma ou aumentou. Os maiores aumentos foram registrados no Afeganistão, na República Democrática do Congo, no Sudão e na Zâmbia.

O Relatório Global é produzido anualmente pela Rede Global contra Crises Alimentares, que é composta por parceiros humanitários e de desenvolvimento internacionais. Ele é apresentado pela União Europeia, pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA, em um evento de alto nível de dois dias que iniciou nesta terça-feira em Bruxelas.

Conflitos

De acordo com o estudo, mais da metade das pessoas que sofrem fome crônica, 74 milhões de pessoas, estavam localizadas em 21 países afetados por conflitos ou insegurança, o que representa um pequeno aumento em comparação com 2017. Dessas pessoas, cerca de 33 milhões viviam em 10 países africanos, mais de 27 milhões em sete países do Oriente Próximo, principalmente Iraque, Palestina, Síria e Iêmen.

Outros 13 milhões de pessoas moravam em três países da Ásia e 1,1 milhão na Europa Oriental.

Em 2018, o clima e os desastres naturais levaram 28 milhões de pessoas à insegurança alimentar severa, incluindo 23 milhões de pessoas em 20 países africanos. Mais de 10 milhões de pessoas foram empurradas para a fome por crises econômicas.

A análise não incluiu 13 países devido a lacunas de informação. Entre estes, os autores do relatório apontaram que a Coreia do Norte e Venezuela são particularmente preocupantes.

Mulher prepara bolos de barro, discos de barro, manteiga e sal que se tornaram um símbolo da pobreza extrema e fome no Haiti. Foto: ONU/Logan Abassi

Objetivo

O estudo foca nas manifestações mais graves de insegurança alimentar severa nas crises alimentares mais urgentes do mundo. Ele reúne dados e análises regionais e nacionais de várias fontes para fornecer uma visão abrangente das crises alimentares e da insegurança alimentar severa nos países afetados, com o objetivo de apoiar ações humanitárias e de desenvolvimento.

Para o diretor executivo do PMA, David Beasley, para realmente acabar com a fome, é preciso lidar com as causas profundas dela, como “conflito, instabilidade e o impacto dos choques climáticos”. Ele adicionou que “meninos e meninas precisam ser bem nutridos e educados, as mulheres precisam ser verdadeiramente empoderadas e a infraestrutura rural precisa ser fortalecida para atender a meta da Fome Zero.”

Assistência Humanitária

Nos últimos 10 anos, a assistência humanitária e as necessidades de gastos cresceram cerca de 127%. Aproximadamente 40% desse total destinou-se a cobrir as necessidades dos subsetores de alimentos e agricultura.

Esse aumento, diz o relatório, destaca a necessidade de uma nova maneira de responder aos desafios da segurança alimentar. Ao mesmo tempo, o estudo destaca que o desenvolvimento agrícola tem um enorme potencial para construir a resiliência das comunidades rurais para fornecer um amortecedor contra crises futuras.

Qual é a finalidade do sistema de Bibliotecas Depositárias das Nações Unidas?

DAG Hammarskold dentro

O sistema de Bibliotecas Depositárias das Nações Unidas permite, desde 1946, que a Biblioteca Dag Hammarskjöld, localizada na Sede da ONU em Nova Iorque, distribua documentos e publicações das Nações Unidas a utilizadores pelo mundo fora. Atualmente existem acima de 360 Bibliotecas Depositárias em mais de 135 países, conservando documentos das Nações Unidas. Todas as Bibliotecas Depositárias estão abertas ao público e podem ser visitadas sem qualquer custo.

Saiba mais aqui:


O que não está incluído numa coleção depositária das Nações Unidas?

Dentro da Biblioteca Dag Hammarskjöld na Sede das Nações Unidas Gavetas com os cartões de catálogo da biblioteca Dag Hammarskjöld na Sede das Nações Unidas 10 Novembro de 2011 Organização das Nações Unidas, Nova Iorque

1. Publicações pertencentes às Categorias 0, III e XX

2. Publicações do Tribunal Internacional de Justiça

3. Publicações do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher

4. Publicações do Centro das Nações Unidas para o Desenvolvimento Regional

5. Publicações do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados

6. Publicações do Instituto de Investigação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social

7. Publicações do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda

8. Publicações emitidas numa (ex. Inglês) ou duas (ex. Francês e Espanhol) das línguas oficiais, caso a biblioteca depositária não receba material nessas línguas ou não tenha sido feito um pedido para tais materiais serem incluídos na coleção

9. Material não reclamado antes de passarem dois anos da data de publicação

10. Documentos das seguintes categorias de distribuição: LIMITADO, RESTRITO, EXCLUSIVO A MEMBROS

11. Publicações definidas como “Só para venda” aquando da sua emissão

12. Publicações para venda emitidas e distribuídas por uma editora comercial

13. Comunicados de imprensa

14. Produtos Online, CD-ROM e Microficha;

15. Documentos e publicações por Agências Especializadas das Nações Unidas

Como está organizado o trabalho do Conselho de Segurança?

Abertura da 40ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos Uma ampla visão da sala como Secretário-Geral António Guterres (no pódio) faz comentários na abertura da 40ª sessão do Conselho de Direitos Humanos.

O Conselho de Segurança está pronto para reunir a qualquer altura, conforme necessidade.

Cada reunião do Conselho de Segurança é sobre um assunto ou tema na agenda. Os assuntos provisionais na agenda são anunciados no Jornal das Nações Unidas antes de cada reunião.

Programas mensais de trabalho provisionais e previsões mensais são preparadas pelo Secretariado para o Presidente do Conselho. Estas fontes podem ser encontradas no site do Conselho de Segurança, na categoria “Programme of Work”.

O Estado Membro que assume a presidência do mês pode emitir um relatório intitulado “Avaliação do trabalho do Conselho de Segurança durante a Presidência de Estado”

Referência Principal: Siveres, Loraine, and Daws, Sam. The Procedure of the UN Security Council. 4th ed. Oxford: Oxford University Press, 2014

Saiba mais aqui:


Como posso obter informação sobre as operações de manutenção da paz estabelecidas pelo Conselho de Segurança?

MINUSCA Peacekeepers Patrol PK5 Neighbourhood in Bangui, CAR UN Photo/Eskinder Debebe

Visite o site do Departamento de Operações de Manutenção da Paz para obter informações básicas sobre a manutenção da paz.

O nosso Guia de Investigação sobre a Manutenção da Paz tem um capítulo dedicado ao Conselho de Segurança & manutenção da paz.

Saiba mais aqui:


Como posso obter informação sobre oportunidades de trabalho, voluntariado ou estágio nas Nações Unidas?

Scene at UN Headquarters during High-level Week of 73rd General Assembly

Existe informação sobre oportunidades de trabalho, estágio e voluntariado nas Nações Unidas nos sites seguintes:

Saiba mais aqui: