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“Nós, os povos das Nações Unidas”: Há 75 anos, esta frase veio mudar o mundo para sempre!

“Nós, os povos das Nações Unidas”: Há 75 anos, esta frase veio mudar o mundo para sempre!

A 25 de abril de 1945, representantes de 50 países rumaram até São Francisco, nos Estados Unidos, para uma conferência que viria a mudar o sistema internacional para sempre. Numa altura em que o medo de uma III Guerra Mundial pairava no ar, a ideia de criar uma organização que promovesse a cooperação internacional e que, consequentemente, impedisse que outro conflito tão devastador como a II Guerra Mundial voltasse a eclodir. A Organização das Nações Unidas nasceu, assim, com o mesmo objetivo da extinta Sociedade das Nações, criada entre a primeira e a segunda Guerras Mundiais, e que falhou no seu propósito de manter a paz mundial.

Com base em algumas das propostas debatidas entre setembro e outubro de 1944 na Conferência de Dumbarton Oaks, em Washington DC, nos Estados Unidos, e dois meses após de se terem juntado em São Francisco, os representantes conseguiram alcançar unanimidade nos 111 artigos que compõem o documento fundador da Organização. Como tal, a 26 de junho de 1945, a Carta das Nações Unidas foi adotada durante aquela que viria a ficar conhecida como a Conferência das Nações Unidas sobre a Organização Internacional. No entanto, todo este processo terminou apenas a 24 de outubro de 1945, quando a Carta foi ratificada pelos 5 membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e pela maioria dos outros 51 signatários, entrando finalmente em vigor.

The San Francisco Conference/UN Photo

Este documento veio introduzir 6 órgãos das Nações Unidas: a Assembleia Geral, o Conselho de Segurança, o Conselho Económico e Social, o Secretariado, o Tribunal Internacional de Justiça, e ainda o Conselho de Tutelada ONU — que suspendeu funções em 1994.

É ainda por causa desta Carta que, atualmente, os 193 Estados-membros das Nações Unidas têm o poder de tomar decisões coletivas e coordenar intervenções nos mais diversos temas e problemas da Humanidade, desde a paz e a segurança até ao desenvolvimento sustentável e aos direitos humanos.

 

Porque é que ainda celebramos este dia em 2020?

Os valores que a Carta introduziu em 1945 continuam a ser muito relevantes nos dias de hoje. Neste ano em que se celebram os 75 anos da sua assinatura, é tempo de refletir e reavaliar o compromisso das nações para com o multilateralismo e as Nações Unidas, partilhando as suas visões acerca do futuro comum desta organização.

As circunstâncias particularmente difíceis que pautam a nossa nova normalidade, causada pela pandemia da covid-19, fazem com que este seja um dos maiores desafios à escala global que a organização enfrenta desde a sua criação. Como tal, apresenta-se como a altura perfeita para uma reflexão acerca dos sucessos e lições que aprenderam aos longos destes 75 anos, bem como analisar como ultrapassar os desafios do presente e do futuro. No seguimento desta reflexão, uma declaração será consensualmente adotada durante a Assembleia Geral de 21 de setembro de 2020, coincidindo com as comemorações dos 75 anos da ONU (UN75).

The San Francisco Conference/UN Photo

Sabia que…

A Polónia é considerada um Estado fundador das Nações Unidas, apesar de não estar representada na Conferência?

Notou que acima falávamos de 50 representantes e, pouco depois, em 51 signatários? Na altura da assinatura, o governo polaco não era reconhecido. Como tal, foi deixado um espaço em branco na declaração para que a Polónia pudesse assinar mais tarde, quando a composição do governo fosse confirmada.

Apenas 4 mulheres estavam presentes na assinatura da Carta?

Entre os 850 delegados internacionais que assinaram a Carta das Nações Unidas, em junho de 1945, apenas 4 eram mulheres. Estas delegadas eram representantes da Austrália, do Brasil, da República Dominicana e dos Estados Unidos.

The San Francisco Conference/UN Photo

A primeira Assembleia Geral da ONU ocorreu em 1946, em Londres?

Após a ratificação da Carta, em outubro de 1945, a primeira Assembleia Geral teve lugar em Londres, no Reino Unido, a 10 de janeiro de 1946. Apenas 4 anos depois da ratificação, a 24 de outubro de 1949, é que a sede das Nações Unidas foi estabelecida em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

OMS: risco de novo surto de covid-19 na Europa é uma realidade

Na semana passada, a Europa assistiu a um aumento semanal de casos de covid-19 pela primeira vez em meses, anunciou o diretor regional europeu da Organização Mundial da Saúde (OMS), durante uma conferência de imprensa, na qual enfatizou ainda o importante papel das soluções digitais.

Enquanto a Europa, em casos globais, está a reportar uma proporção menor do que no início do ano, a região continua a registar perto de 20 mil novos casos e mais de 700 novas mortes diariamente.

Até agora, mais de 2,5 milhões de casos de infeções por covid-19 foram relatados na Europa. A nível mundial, com mais de 9 milhões de casos confirmados e mais de 400 mil mortes relatadas à OMS, a pandemia continua a acelerar, com um número recorde de novos casos de coronavírus no domingo, com 183.020 confirmados em 24 horas. “Há semanas que falo sobre o risco de ressurgimento à medida que os países ajustam as medidas. Em vários países da Europa, esse risco agora tornou-se realidade”, alertou Kluge.

Sistemas de saúde podem ser levados ao limite

O diretor regional da ONU para Europa explicou que “30 países tiveram um aumento de novos casos cumulativos nas últimas duas semanas. Em 11 desses países, a transmissão acelerada levou a um ressurgimento muito significativo que, se não for controlado, levará os sistemas de saúde à beira da rutura na Europa”.

O responsável destacou ainda o facto de países como a Polónia, Alemanha, Espanha e Israel terem respondido rapidamente a surtos que surgiram em escolas, minas de carvão e na indústria alimentar nas últimas semanas.

Neste contexto, Kluge considera que “precisamos ser mais inteligentes ao usar as evidências e as informações que temos de nossos sistemas de vigilância da covid-19 para melhorar a única maneira de minimizar a transmissão: detetar, isolar, testar e cuidar de todos os casos.

Dados pessoais e vida privada

A OMS considera que “a tecnologia digital pode desempenhar um papel de liderança, inclusive para rastrear os contactos”.

Vários países europeus lançaram soluções nacionais para rastrear contatos na Europa. “As tecnologias digitais provaram ser ferramentas poderosas para combater a covid-19. No entanto, essas mesmas tecnologias expuseram-nos a um tsunami de informações e levantaram muitos problemas em torno da proteção e privacidade de dados”, afirmou Kluge, por isso, o responsável considera que “a integração da saúde digital deve ser feita com cuidado, em parceria com o público e os pacientes.”

*Artigo redigido por ONU França e Mónaco

Projeto português distinguido com prémio das Nações Unidas

A Tarifa Social Automática de Energia está entre os sete vencedores da edição deste ano dos Prémios de Serviço Público das Nações Unidas. Esta distinção, atribuída todos os anos pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, é o mais prestigiado prémio internacional de reconhecimento aos projetos mais inovadores e eficazes da administração pública. Este ano, numa altura em que a pandemia da covid-19 veio enfatizar a importância e a adaptabilidade do setor público, foram também galardoados projetos do Brasil, do Bangladesh, do Botsuana, do México, da República da Coreia e de Espanha.

O anúncio oficial dos vencedores é feito no Dia do Serviço Público das Nações Unidas, celebrado anualmente a 23 de junho, que pretende enaltecer o valor, a virtude e a visibilidade do serviço público para com as comunidades e para o progresso dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). As celebrações deste ano serão dedicadas aos esforços dos funcionários que todos os dias arriscaram e arriscam as suas vidas para manter o bom funcionamento dos serviços públicos durante a pandemia.

Tarifa Social Automática de Energia

Desde 2010 que o Governo português opera este programa de tarifas sociais de fornecimento de energia elétrica e de gás natural, cujo objetivo passa por aplicar taxas reduzidas às famílias com baixos rendimentos. Em declarações à ONU Portugal, a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, salienta que, apesar deste projeto visar proteger os consumidores mais vulneráveis a nível económico, “verificou-se que o número de beneficiários estava aquém das expectativas”, talvez por “desconhecimento da medida ou a uma carga administrativa elevada”. De modo a contrariar esta tendência, em 2016, o Governo lançou a Tarifa Social Automática de Energia.

A automatização deste processo passou a dispensar qualquer ação por parte dos beneficiários, sendo o desconto aplicado automaticamente na fatura. Para tornar este processo possível, segundo Alexandra Leitão, foram utilizados “dados já existentes na administração pública, disponíveis através da Plataforma de Interoperabilidade da Administração Pública (iAP)”. Este sistema processa cerca de 6 milhões de registos das empresas fornecedoras de energia, cruzando-os “de forma segura e protegendo a privacidade dos dados pessoais” com os dados da Autoridade Tributária e da Segurança Social. Depois de confirmados os requisitos de elegibilidade, a DGEG comunica e obriga as operadoras a aplicarem a tarifa social de energia aos clientes que a ela têm direito. Contudo, “os cidadãos que queiram proactivamente solicitar a atribuição desta tarifa através dos meios não automatizados, podem fazê-lo”, explica a ministra.

Este projeto promove os ODS número 1 (Erradicar a Pobreza), 7 (Energias Renováveis e Acessíveis) e 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis); e insere-se na categoria que premeia os projetos que prestam serviços inclusivos e equitativos.

Impacto

Com a automatização do processo, a responsabilidade na aplicação desta tarifa passou das famílias para o Governo — e a eficácia deste projeto deveu-se, em larga escala, a esta mudança. Ainda segundo Alexandra Leitão, “a tarifa social de energia elétrica abrangia 140.563 famílias antes da introdução deste mecanismo automático e passou a abranger 690.617 agregados familiares a partir de julho de 2016”. Atualmente, mais de 800.000 famílias beneficiam deste serviço.

A ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública considera que esta distinção da ONU é um orgulho e “também um fator importante de motivação porque confirma que estamos no caminho certo, a produzir soluções centradas nas pessoas e não nas necessidades dos serviços”, reconhecendo a importância e o sentido de missão dos funcionários públicos que estão por detrás da execução de todo este processo. Alexandra Leitão relembra ainda que a plataforma iAP engloba um total de 123 entidades públicas e privadas que trocam entre si informações para que o acesso aos serviços públicos se torne mais fácil. Graças a esta plataforma, tarefas como renovar o Cartão do Cidadão, atribuir bolsas de estudo no ensino superior, abrir contas bancárias e receber prescrições médicas eletrónicas são agora mais fáceis do que nunca.

ONU alerta que 1% da população mundial está deslocada

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) está a apelar a todos os países que aumentem esforços para encontrar casas para os milhões de refugiados e pessoas deslocadas por conflitos, perseguições ou situações de instabilidade.
Num relatório lançado dois dias antes do Dia Mundial do Refugiado, lê-se que o número de pessoas forçadas a deslocarem-se do seu local de origem afeta agora cerca de 1% da Humanidade – 1 em cada 97 pessoas – com cada vez menos pessoas a conseguirem regressar a casa. Segundo o relatório Global Trends, do ACNUR, 79.5 milhões de pessoas estavam deslocadas no final de 2019, um valor recorde.
O relatório também dá nota que o cenário de regresso a casa é cada vez mais difícil para mais refugiados. Nos anos 90, em média 1,5 milhão de refugiados conseguiam voltar para casa todos os anos. Na última década, este número caiu para cerca de 385 mil. O alto-comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, reconhece que “estamos a assistir agora a uma realidade diferente em que há mais deslocados por mais tempo”, alertando que “não se pode esperar que as pessoas vivam num estado de revolta por anos a fio, sem oportunidade de voltar para casa, nem esperança de construir um futuro.”
O relatório do ACNUR mostra também que dos 79.5 milhões de deslocados, 45.7 milhões estão no próprio país. Os outros encontram-se noutros países, dos quais, 4.2 milhões aguardam reposta ao pedido de asilo, enquanto que 29.6 milhões são refugiados.
Segundo o ACNUR, o aumento do número de deslocados, de 70.8 milhões em 2018 para 79.5 em 2019, resulta da instabilidade que se vive na República Democrática do Congo, no Sahel, no Iémen, na Síria e ainda na Venezuela.
8 coisas que deve saber sobre a deslocação forçada:
  • Pelo menos 100 milhões de pessoas foram forçadas a saírem de suas casas na última década, mais do que a população do Egito, o 14º país mais populoso do mundo.
  • O número de pessoas que foram forçadas a deslocarem-se quase que duplicou desde 2010 (41 milhões vs 79.5 milhões)
  • 80% das pessoas deslocadas estão em países ou territórios afetados por grave insegurança alimentar e malnutrição.
  • Mais de três quartos dos refugiados do mundo (77%) são deslocados a longo prazo – por exemplo a situação no Afeganistão que se arrasta há cinco décadas.
  • Mais de oito em cada dez refugiados (85%) estão em países em desenvolvimento, geralmente num país vizinho.
  • Cinco países representam dois terços das pessoas deslocadas para outro país: Síria, Venezuela, Afeganistão, Sudão do Sul e Mianmar.
  • Este relatório contabiliza todas as principais populações deslocadas e refugiadas, incluindo os 5,6 milhões de refugiados palestinos que estão sob os cuidados da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA).
  • O compromisso da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030 de “não deixar ninguém para trás” agora inclui explicitamente refugiados, graças a um novo indicador de refugiados aprovado pela Comissão de Estatística da ONU em março deste ano.

130 países apoiam a ONU no combate à desinformação

Desde o início da pandemia da covid-19 que a ONU se tem focado no combate à desinformação e chamado à atenção para o facto do consumo de informação que não é verdadeira e credível ser perigoso para a saúde e a segurança de todos, podendo potenciar a violência e dividir comunidades.

Numa mensagem conjunta enviada ao secretário-geral da ONU, 130 países subscrevem que os Estados devem combater a desinformação, por esta “ser um fator tóxico dos impactos secundários da pandemia que podem aumentar o risco de conflito, violência, violações dos direitos humanos e atrocidades em massa.” Por estes motivos, os signatários da mensagem apelam a todos que “cessem imediatamente a divulgação de informações falsas e adotem as recomendações das Nações Unidas para lidar com este problema.”

Nesta mensagem, uma iniciativa da Missão Permanente da Letónia junto da ONU, lê-se também que a crise da covid-19 demonstrou a necessidade crucial do acesso “a informações gratuitas, confiáveis, factuais, multilíngues, precisas, claras e baseadas na ciência, além de garantir o diálogo e a participação de todos os interessados e comunidades afetadas durante este período.”

Os Estados-membros sublinham também o papel fundamental de uma imprensa livre, independente, responsável e pluralista para aumentar a transparência, a responsabilização e a confiança, essencial para informar o público em geral dos esforços empreendidos para conter a propagação do vírus.

Uma melhor cooperação internacional, baseada na solidariedade e boa vontade entre os países, pode contribuir para alcançar este objetivo, por isso, o documento destaca também que os Estados, as organizações regionais, o sistema da ONU e outras partes interessadas, têm um papel e uma responsabilidade clara em ajudar as pessoas a lidar com a “infodemia”. Neste sentido, este grupo de países demonstra o seu apoio total à campanha “Verified” lançada recentemente pelas Nações Unidas para combater a desinformação.

Numa altura de preocupação crescente com os danos que são causados pela criação e circulação deliberadas de informações falsas ou manipuladas relacionadas com a pandemia, é também feito um apelo aos países para que tomem medidas para combater a disseminação dessa desinformação, de maneira objetiva e com o devido respeito à liberdade de expressão dos cidadãos, bem como à ordem e segurança públicas. Para tal, o documento enfatiza a importância de garantir que as pessoas sejam informadas a partir de fontes confiáveis e não sejam enganadas pela desinformação sobre a covid-19. Estes esforços baseiam-se, entre outros, na liberdade de expressão, na liberdade de imprensa e na promoção das mais elevadas normas e ética da imprensa, proteção de jornalistas.

Os signatários desta mensagem terminam pedindo a todos os Estados-membros, e a todas as partes interessadas, para que combatam a desinformação para a construção de “mundo mais saudável, mais equitativo, justo e resiliente.”

ONU pede menos consumo e menos produção para combater desertificação

O Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca visa promover a consciencialização pública dos esforços internacionais para combater a desertificação, lembrando que é possível alcançar a neutralidade da degradação do solo através do envolvimento e da cooperação das comunidades. Com a pandemia da covid-19, é mais importante do que nunca fortalecer a resiliência dos nossos sistemas alimentares e de água, de forma a reduzir os efeitos da pandemia na pobreza e na insegurança alimentar a nível mundial.

Atualmente, pelo menos 2 mil milhões de hectares de terra anteriormente produtiva estão degradados e mais de 70% dos ecossistemas naturais foram transformados. Até 2030, prevê-se que a produção alimentar exija 300 milhões de hectares adicionais de terra e que a indústria da moda explore outros 115 milhões – área equivalente ao tamanho da Colômbia. A exploração do solo contribui ainda para as alterações climáticas, com cerca de um quarto das emissões de gases de efeito de estufa provenientes da agricultura. Por outro lado, a produção de roupa e calçado causa 8% das emissões a nível global, número que deverá aumentar quase 50% até 2030.

Este ano, sob o tema “Food. Feed. Fibre”, o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca é assinalado com foco na mudança de atitude da população em relação às principais causas de desertificação e degradação da terra: a produção e o consumo excessivos da humanidade. Para que, até 2050, tenhamos terrenos agrícolas capazes de atender à demanda de dez mil milhões de pessoas, é urgente que a população aprenda a reduzir o seu impacto pessoal. A gestão sustentável dos recursos responsáveis pela nossa alimentação (Food), pela alimentação dos nossos animais (Feed) e pelas fibras das nossas roupas (Fibre) é essencial para reconstruir a nossa relação com a Natureza, ao manter a terra fértil, proteger a biodiversidade e combater as alterações climáticas.

Desertificação na Europa 

Portugal e Espanha ilustram a gravidade da desertificação dos solos na União Europeia, mas o aparecimento de paisagens desertas na Europa já não é um exclusivo da Península Ibérica, com situações de grande gravidade no sul de Itália, sudeste da Grécia, Chipre e em zonas da Bulgária e da Roménia situadas na orla costeira do Mar Negro.

Num relatório de 2018 sobre a Desertificação, a Comissão Europeia destaca a “erosão dos solos, salinização, urbanização e migração” como razões que podem conduzir à desertificação nos países europeus. Os dados apontam para que, a curto prazo, o número anual de pessoas afetadas pela seca suba para 153 milhões (sete vezes mais do que o número atual), das quais metade residem em países da Europa do Sul, e para que, em 2050, 90% da superfície terrestre dos países europeus já esteja degradada, o que levará a cerca de 700 milhões de pessoas deslocadas por falta de terrenos férteis e sustentáveis.

63% do território português é suscetível à desertificação 

Quando se fala em desertificação na Europa, Portugal aparece no topo da lista. Caracterizado pela aridez do seu clima, com 3 a 5 meses secos por ano, o nosso país é um dos mais afectados por este fenómeno a nível europeu, com 63% da sua área classificada como suscetível à desertificação.

Dados recentes apontam para que, entre 1980 e 2010, a desertificação tenha afetado mais de metade do território nacional, ascendendo a 58% – mais 22 pontos percentuais face aos 36% de área sinalizada como desertificada nos 30 anos anteriores – a que acrescem ainda as áreas áridas do sudeste da Madeira e das ilhas do Porto Santo, Desertas e Selvagens.

Segundo uma auditoria do Tribunal de Contas, realizada no final de 2019, ao Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, criado em 1996 e revisto pela última vez em 2014, o cenário futuro não é animador. Numa altura em que a desertificação tem vindo a aumentar, afetando principalmente as regiões do sul e do interior centro e norte do país, as previsões sobre as alterações climáticas “tornam expectável o acentuar dos riscos de desertificação”, acabando por potenciar um “maior risco de incêndios”, que resultam “na redução da capacidade produtiva dos solos e na escassez de recursos hídricos”.

O aumento da temperatura média é outro fator de preocupação. Com base em estudos e simulações de diferentes modelos climáticos, o relatório do  Tribunal de Contas prevê que, durante os meses de verão, se registe uma subida de 3ºC na zona costeira e de 7ºC no interior, o que resultará em máximas superiores a 35ºC e temperaturas mínimas de 20ºC. Para além disso, um aumento significativo “da frequência e intensidade de ondas de calor” e uma “redução da precipitação” serão algumas das alterações que deverão fazer-se sentir em Portugal, entre 2080 e 2100.

Subsecretários-gerais da ONU apelam ao fim do racismo sistémico

Vinte líderes africanos seniores das Nações Unidas assinam uma reflexão sobre a necessidade de se intensificar a luta contra o racismo em todo o mundo.

Num artigo conjunto, os subsecretários-gerais da ONU com ascendência africana começam por mostrar a sua indignação pelo assassinato de George Floyd nas mãos da polícia, que evidencia o racismo que “continua a ser generalizado” tanto no país anfitrião da ONU, como em todo o mundo.

Os responsáveis consideram que é insuficiente condenar expressões e atos de racismo, defendendo que é necessário “fazer mais” e que “as vidas das pessoas negras mais do que importam, são essenciais para o cumprimento da nossa dignidade humana comum.” Por isso, é agora hora de passar “das palavras às ações” e lutar pelas vítimas de discriminação racial e de brutalidade policial e desmantelar instituições racistas.

Estes líderes no sistema multilateral sublinham que lhes cabe “falar por aqueles cujas vozes foram silenciadas e advogar por respostas efetivas que combatam o racismo sistémico, um flagelo global que se perpetuou ao longo dos séculos.”

A morte chocante de George Floyd está enraizada num conjunto de questões mais amplo que não desaparecerá se as ignorarmos e, neste contexto, as Nações Unidas vão intensificar os seus esforços para ajudar a acabar com o racismo sistémico contra pessoas de ascendência africana e outras minorias “na promoção e incentivo ao respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, idioma ou religião ”, conforme estipulado no Artigo 1 da Carta das Nações Unidas.

Os signatários desta mensagem recordam a Convenção Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (ICERD) que entrou em vigor em 1969, um momento crucial na história, que contribuiu para o colapso do apartheid na África do Sul.

Nesta nova era, as Nações Unidas devem, da mesma maneira, usar a sua influência para erradicar o racismo e ajudar a comunidade internacional a remover a mancha do racismo na humanidade. Os líderes da ONU saúdam ainda as iniciativas do secretário-geral para fortalecer o discurso contra o racismo e reiteram o seu compromisso de, enquanto funcionários internacionais, se manifestarem contra a opressão e de promoverem, no âmbito dos seus mandatos, as mudanças estruturais que devem ser implementadas para acabar com o racismo.

Quase 500 anos após o início do revoltante comércio transatlântico de africanos, os signatários desta mensagem comprometem-se a usar a sua voz coletiva e garantem que “as Nações Unidas exercerão o seu poder moral como instituição para efetuar mudanças globais.”

Os representantes da ONU terminam a sua mensagem evocando as palavras de alguns dos que lideraram a luta contra o racismo, como Nelson Mandela: “Negar às pessoas os seus direitos humanos é desafiar a sua própria humanidade.”

Agência alarmada com “expulsão coletiva” de migrantes entre Grécia e Turquia

Em comunicado, Organização Internacional para Migrações, OIM, classificou imagens veiculadas na imprensa mostrando uso de equipamentos de resgate para expulsar migrantes do leste do Mar Egeu “como especialmente perturbadoras”.

ONU pede mais cooperação digital à comunidade internacional

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentou, esta quinta-feira, o “Plano para Cooperação Digital”, e pediu mais ação para CONECTAR, RESPEITAR e PROTEGER todas as pessoas na era digital.

Este Plano é o resultado de um trabalho que envolveu várias partes interessadas na abordagem a uma série de questões relacionadas com a Internet, a inteligência artificial e outras tecnologias digitais.

O Plano para Cooperação Digital surge numa altura crítica para o mundo digital, com a pandemia da covid-19 a acelerar a digitalização, ampliando as oportunidades e os desafios da tecnologia digital.

Os benefícios da tecnologia digital evidenciados por esta pandemia, como a investigação colaborativa para uma vacina, o teletrabalho, o ensino à distância e o comércio eletrónico também refletem a crescente divisão entre as pessoas que estão conectadas e as que não estão.

De acordo com a União Internacional das Telecomunicações, quase metade da população global, 46,4%, não tem acesso à internet, estando, por isso, impedidas de participar plenamente da era digital. As mulheres são desproporcionalmente afetadas e à medida que se tenta alargar o acesso ao mundo digital, surgem novas vulnerabilidades, com os ciberataques e a desinformação a ameaçarem os direitos humanos, a privacidade e a segurança.

O documento da ONU sublinha que a rápida expansão da tecnologia digital não conhece fronteiras e ultrapassou as competências políticas a nível nacional, regional e global, por isso, o plano agora apresentado pelo secretário-geral da ONU procura enfrentar estes desafios, recomendando ações concretas para aproveitar o melhor dessas tecnologias e mitigar os seus riscos.

O secretário-geral da ONU enfatiza que “para colher plenamente os seus benefícios e conter possíveis danos, precisamos garantir que a era digital seja definida pelo aumento da cooperação internacional”, lembrando ainda que o ciberespaço não tem fronteiras, o líder da ONU apela a todos os Estados-membros da ONU e aos parceiros da ONU na indústria e na sociedade civil “para expandirem a cooperação em questões de tecnologia digital.

Só trabalhando em conjunto, poderemos conectar todas as pessoas até 2030, respeitar os direitos humanos online e proteger os mais vulneráveis dos perigos em potencial da era digital.”

Para atender ao apelo de conectar, respeitar e proteger o mundo online, o plano apresenta as recomendações do secretário-geral para ações concretas de diversas partes interessadas para melhorar a cooperação digital global nas seguintes áreas:

  1. Atingir a conectividade universal até 2030 – a internet deve ser segura e acessível a todos.
  2. Promoção de bens públicos digitais para um mundo mais equitativo – a internet deve ser aberta e pública.
  3. Garantir a inclusão digital para todos, inclusive dos mais vulneráveis – os grupos mais excluídos precisam de ter acesso igual a ferramentas digitais para acelerar o desenvolvimento
  4. Fortalecer a capacitação digital – o desenvolvimento e a formação de competências são necessários em todo o mundo.
  5. Garantir a proteção dos direitos humanos na era digital – os direitos humanos devem ser garantidos online e offline.
  6. Apoiar a cooperação global para uma inteligência artificial que seja confiável, sustentável, que respeite os direitos humanos e promova a paz.
  7. Promoção da confiança e da segurança digitais – exigindo um diálogo global para promover os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
  8. Construir uma arquitetura mais eficaz para a cooperação digital – tornar a governança digital uma prioridade e promover a abordagem das Nações Unidas.

ONU alerta para impactos da pandemia na segurança alimentar

A pandemia da Covid-19 representa uma ameaça à segurança alimentar e nutricional, especialmente para as comunidades mais vulneráveis do mundo. As Nações Unidas alertam que as medidas de mitigação e a recessão global emergente podem perturbar o funcionamento dos sistemas alimentares com consequências que podem ter um impacto devastador em algumas regiões do planeta.

Apesar de haver alimentos mais do que suficientes no mundo para alimentar a nossa população de 7,8 mil milhões de pessoas, há, hoje, mais de 820 milhões de pessoas que passam fome e cerca de 144 milhões de crianças com menos de 5 anos que são raquíticas – mais do que uma em cada 5 crianças em todo o mundo.

Num documento político sobre este tema, publicado esta terça-feira, a ONU alerta que muitos viviam já uma crise alimentar ainda antes da pandemia, sendo que a Covid-19 surgiu numa altura em que os nossos sistemas alimentares já estavam “sob tensão devido a conflitos, desastres naturais, mudanças climáticas e ameaças sem precedentes de pragas.”

E se, para já, as quantidades da maioria dos alimentos básicos são adequadas, os elevados níveis de desemprego, a perda de rendimento e o aumento dos preços também estão a dificultar o acesso a alimentos a muita gente.

Atendendo à atual situação, a ONU sublinha que é necessário que se aja agora para salvar vidas e meios de subsistência, dando especial atenção aos locais onde o risco é maior.

Por outro lado, as Nações Unidas enfatizam que é necessário “investir no futuro”, corrigindo as falhas dos nossos sistemas alimentares que a pandemia tornou tão óbvias, lembrando que “o mundo precisa de sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e inclusivos.”

Neste contexto, o secretário-geral da ONU emite uma série de recomendações para travar a insegurança alimentar e garantir que os sistemas de produção se tornam mais sustentáveis e resilientes. Guterres sublinha que “a menos que sejam tomadas medidas imediatas, é cada vez mais claro que existe uma emergência alimentar global iminente que pode ter impactos a longo prazo em centenas de milhões de crianças e adultos. Precisamos agir agora para evitar os piores impactos dos nossos esforços para controlar a pandemia.”

Para o líder da ONU, é necessário, em primeiro lugar, salvar vidas e meios de subsistência, concentrando a atenção nos locais onde o risco é mais agudo. Para tal, os países devem classificar os serviços de alimentação e de nutrição como essenciais, implementando proteções apropriadas para os trabalhadores, assegurar que a assistência humanitária essencial de alimentos, meios de subsistência e nutrição continua a ser prestada a grupos vulneráveis e manter as rotas comerciais abertas, garantindo a continuidade das cadeias de abastecimento agrícolas.

Uma outra prioridade deve passar pelo reforço dos sistemas de proteção social para garantir que melhorem o acesso aos alimentos e a nutrição das pessoas, principalmente a crianças pequenas, mulheres grávidas e que amamentam, idosos e outros grupos de risco, a expansão dos sistemas de proteção social para beneficiar grupos de risco de desnutrição e apoiar as 352 milhões de crianças que se estima terem deixado de ter acesso às refeições escolares.

Por último, é necessário investir no futuro e transformar os nossos sistemas alimentares para construir um mundo mais inclusivo e sustentável. Embora os nossos sistemas alimentares produzam alimentos suficientes para todos, todos os anos centenas de milhões de pessoas não têm acesso a alimentos suficientes.

Para o secretário-geral da ONU, “se tudo isto for feito, como indicado pelo Documento Político que estamos a lançar hoje, podemos evitar alguns dos piores impactos da pandemia da Covid-19 na segurança alimentar e na nutrição – e podemos fazê-lo de maneira a apoiar a transição verde que necessitamos fazer.”

Os efeitos da pandemia deve ser travados, numa altura em que se estima que  o número de pessoas que poderão ser empurradas para a pobreza extrema, em 2020, poderá chegar a cerca de 49 milhões de pessoas, com cerca de metade desse aumento a ter lugar nos países da África Subsaariana.

Mensagem do secretário-geral sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente

Hoje celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente!

É tempo de olhar à nossa volta e ouvir a mensagem que a Natureza nos está a enviar: Estamos a fazer mal ao meio ambiente – para nosso próprio prejuízo.

Neste dia tão importante, o secretário-geral das Nações Unidas encoraja o mundo a fazer mais e melhor. Para cuidar da humanidade, temos de cuidar da Natureza e colocá-la no centro das nossas decisões.

É tempo para a Natureza!

Veja a mensagem de António Guterres na íntegra.

UNICEF Portugal pede que as crianças sejam ouvidas antes do “regresso às aulas”

As crianças não fazem parte do “grupo de risco” da Covid-19, mas podem tornar-se nas maiores vítimas da pandemia. Os impactos socioeconómicos e as consequências das medidas tomadas durante o confinamento são imensas e, para algumas crianças, permanentes. A ONU Portugal falou com a diretora da UNICEF Portugal, Beatriz Imperatori, que fez o balanço do trabalho da instituição nos últimos 3 meses e daquilo que se pode esperar do regresso à (nova) normalidade.

A pandemia da covid-19 não é só uma crise de saúde pública, constitui também um grande perigo para os direitos das crianças. De que forma tem a UNICEF Portugal trabalhado para reduzir o impacto da pandemia nas crianças portuguesas?

A primeira coisa que a UNICEF Portugal fez – e fizemo-lo através do Programa Cidades Amigas das Crianças – foi, junto dos 39 municípios que integram o Programa, perceber qual o impacto e os efeitos secundários das medidas que foram tomadas para conter a pandemia nas crianças. Após este primeiro diagnóstico, que abrangeu 580 mil crianças, foram claras as mensagens de preocupação em três áreas: proteção, saúde e educação.

No que diz respeito à saúde, por exemplo, conseguimos perceber – através de conversas com crianças ou desenhos que nos enviaram, e até mesmo pelo testemunho de famílias e professores – que a questão da saúde mental e do agravamento das condições é notória. Para isto contribuiu, em primeiro lugar, o isolamento e o facto das crianças não terem os seus amigos para brincar, não terem o seu professor como referência, estarem isoladas relativamente ao resto da família, etc. E, em segundo lugar, uma preocupação generalizada com “O que é que me vai acontecer?”, substancialmente acentuada nas crianças que vivem em famílias onde se sentiu um impacto grande, como a questão do lay-off, a precariedade do emprego… As crianças sentem isso, preocupam-se e manifestam-se. Não sabem qual é a condição dos pais, percebem a incerteza, e todos estes fatores vêm agravar o estado da sua saúde mental.

Depois, temos outra dimensão extremamente preocupante – mais uma vez, pela questão do rendimento -, que se prende com a subida exponencial dos pedidos de ajuda alimentar.

A UNICEF Portugal pediu recentemente a retoma da atividade presencial do Sistema de Proteção à Infância e Juventude (SPIJ). Quais são as principais preocupações no que diz respeito à ausência de acompanhamento de crianças numa situação de vulnerabilidade?

Desde o primeiro dia que dissemos que o SPIJ tem que ser um sistema essencial e que tem que continuar a existir como existe a resposta à saúde ou à educação. Nós precisamos de continuar a acompanhar estas crianças, que, enquanto vítimas de abuso físico, sexual ou psicológico, são as mais vulneráveis. Não podemos deixá-las sem rede e fechadas numa casa sem saber o que lhes pode acontecer. É fundamental que as visitas presenciais dos técnicos das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens continuem a existir. Aliás, houve um conjunto de apelos de várias entidades para que isso acontecesse – infelizmente, não aconteceu.

Nós evoluímos muito nos últimos 30 anos, desde a Convenção Sobre os Direitos da Criança, e queremos continuar a fazê-lo. Uma das recomendações do Comité dos Direitos da Criança – feita no ano passado, na última revisão periódica da Convenção – exprime, de facto, a preocupação relativa ao Sistema de Proteção e à sua evolução numa perspetiva mais integrada e que lhe permita ter a mesma força que a preocupação com a educação, a saúde, a cultura ou a justiça. É muito importante que esta Comissão Nacional esteja ao mais alto nível no Governo, precisamente para permitir a integração de perspetivas e a eficácia da sua atuação. O acesso tem de ser igual para todas as crianças e todas as suas dimensões têm que ser tidas em conta da mesma forma.

Agora que já estamos numa fase de desconfinamento e que as escolas começam a reabrir, o que é que a UNICEF Portugal planeia fazer nos próximos meses para ajudar a mitigar os efeitos da pandemia junto das crianças?

Uma das preocupações da UNICEF é o próximo ano escolar, que se inicia em setembro/outubro. Não podemos manter o modelo que temos tido durante a pandemia e esperar que, só porque agora temos acesso a recursos como a telescola e o ensino digital à distância, ele resulte. Isso não vai acontecer. Se nós queremos usar plataformas, temos que perceber quais são os efeitos que isso terá na criança, como é o caso – e é muito importante referir – da socialização. Para o seu desenvolvimento completo, a criança precisa de socializar. Sem a socialização, onde está a solidariedade, o tronco dos nossos valores? O ensino à distância é a antítese de tudo isto. É um meio que, apesar de mais barato e muito direcionado para a criança, incentiva o distanciamento social, o isolamento e não permite à criança criar relações de afecto, o que torna a aprendizagem mais pobre. O estímulo humano, seja através do contacto com os colegas ou com a comunidade educativa no geral, é essencial para o desenvolvimento da criança

No contexto do Dia da Criança, desafiámos o Ministro da Educação, Dr. Tiago Brandão Rodrigues, a ouvir as crianças e os jovens neste período que antecede o regresso à escola e que, a partir de agora, o faça de forma periódica. Há situações em que as crianças são ouvidas, mas são eventos pontuais e, muitas vezes, pouco consequentes. Para a participação ser efetiva, temos que assumir um compromisso. É ao falar de valores democráticos e de cidadania desde cedo que mostramos às crianças o que significa ser ouvido, ouvir, assumir uma responsabilidade, um compromisso, respeitar as diferenças e as decisões dos outros.

Para além disso, a ausência da escola acentuou as vulnerabilidades de muitas crianças, nomeadamente do ponto de vista da falta de aproveitamento e das consequências que isso traz. Portanto, o efeito e o risco de pobreza aumentaram substancialmente, principalmente quando falamos de situações em que a criança não teve capacidade de acesso ao que a maioria das crianças teve. Essas crianças preocupam-nos. Por isso, perguntamos se, durante estes meses de Verão, não será possível trabalhar com estas crianças – que estão identificadas – para que sejam compensadas pelos prejuízo destes dois meses e, em setembro ou outubro, estejam em maior igualdade de circunstâncias com as outras crianças para iniciar o novo ano.

ONU alerta para impacto da covid-19 nos migrantes e deslocados

As pessoas que fogem da guerra, da violência e dos desastres naturais estão a ser desproporcionalmente afetados pela crise da covid-19. Num documento publicado esta quarta-feira, as Nações Unidas alertam que dezenas de milhões de pessoas vulneráveis em movimento vivem em locais insalubres e apertados, onde o vírus se espalha facilmente e estão entre os primeiros a perder o emprego. Para além disso, os migrantes e deslocados internamente são excluídos das redes de assistência à saúde e de segurança social e são alvos de crescente de estigmatização e de xenofobia.

Neste contexto, a ONU sublinha que esta crise oferece uma oportunidade para fortalecer as sociedades, reinventar o futuro da mobilidade humana para garantir que esta seja inclusiva, segura e respeite os direitos humanos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apresenta quatro aspetos a ter em conta para guiar a resposta coletiva na melhor gestão das migrações e mitigar o impacto desta crise inédita na vida dos migrantes e dos deslocados internos.

Em primeiro lugar, o líder da ONU lembra que “a exclusão sai cara e a inclusão compensa”. Para conter o vírus, as autoridades precisam de incluir pessoas em movimento na resposta e na recuperação da covid-19 e garantir o acesso a testes, diagnósticos, tratamentos e vacinas, quando estiverem disponíveis. Guterres lembra também que “se deixarmos de abordar os direitos e necessidades dos mais marginalizados, as profundas desigualdades que tornaram as nossas sociedades vulneráveis à covid-19 podem aumentar.”

Em segundo lugar, é necessário garantir uma melhor recuperação e proteger as pessoas que fogem dos horrores da guerra e da perseguição, por isso, o líder da ONU enfatiza que “as medidas de controlo de fronteiras podem e devem ser implementadas em conformidade com os direitos humanos e o direito internacional. Não temos desculpa para políticas cínicas.”

Um terceiro ponto a ter em consideração é que “ninguém está seguro até que todos estejam seguros.” A pandemia e seus efeitos indiretos continuarão a atingir os mais vulneráveis, especialmente mulheres, crianças e idosos em movimento em crises frágeis e afetadas por conflitos.

Por isso, Guterres pede que os bens e o pessoal humanitários devem estar isentos de restrições de movimento para que as operações de ajuda continuem. Para que tal seja possível é necessário que haja “um financiamento generoso e flexível dos doadores.”

Por último, Guterres afirma que “as pessoas em movimento fazem parte da solução.” Os países devem validar o trabalho dos migrantes, reduzindo barreiras e custos para que eles cruzem as fronteiras para o trabalho, explorando opções para regularizar os migrantes e reduzindo os custos de transação para remessas.

Impactos da covid-19:

A covid-19 ceifou vidas em todo o mundo e afetou todos mas as pessoas em movimento em situações vulneráveis são desproporcionalmente afetadas pela pandemia, constituindo grande parte dos 272 milhões de migrantes, refugiados e requerentes de asilo e das mais de 50 milhões de pessoas deslocadas à força dentro das fronteiras do seu país.

Estas pessoas vivem três crises numa só: uma crise de saúde, uma crise socioeconómica e uma crise de proteção.

As remessas que os migrantes enviam para casa deverão cair 109 mil milhões de dólares este ano. Isto afetará profundamente as 800 milhões de pessoas em todo o mundo que dependem delas. Os riscos à saúde do COVID-19 são agravados em contextos humanitários, como zonas de guerra e campos de deslocados, nos quais vivem milhões de refugiados e deslocados internos. Bloqueios e fronteiras fechadas impedem severamente a capacidade dos trabalhadores humanitários de fornecer assistência que salva vidas a essas pessoas. Fronteiras fechadas e outras respostas do governo para travar a propagação da covid-19 impediram as pessoas que fogem da perseguição e da guerra de procurar asilo. Os refugiados foram enviados de volta a lugares inseguros, violando o direito internacional. Os migrantes são deportados para países que não podem recebê-los em segurança ou ficam presos nas fronteiras. As pessoas em movimento também são alvos de estigmatização e xenofobia.

Factos e números:

Migrantes:

  • O número de migrantes internacionais aumentou nas últimas cinco décadas, para um número estimado de 272 milhões de pessoas em meados de 2019, representando 3,5% da população mundial. Isto inclui 26 milhões de refugiados e 3,5 milhões de requerentes de asilo que fugiram de guerras, violência e perseguição, além de 164 milhões de trabalhadores migrantes.
  • As mulheres representam 42% de todos os trabalhadores migrantes em todo o mundo e desempenham um papel crucial nos serviços de saúde, expondo-as de maneira desproporcional aos riscos à saúde.
  • Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 75% das mulheres migrantes e 70% dos homens migrantes trabalham na economia informal em países de baixo e médio rendimento.
  • Como resultado da covid-19, a mobilidade internacional foi severamente restringida.

Pessoas deslocadas internamente:

  • O número global de deslocados internos foi estimado num valor recorde de 51 milhões no final de 2019.
  • De acordo com o índice de risco do escritório das Nações Unidas para a Coordenação Humanitária (OCHA), que reflete a capacidade de resposta e vulnerabilidade, os 10 países que apresentam maior risco à covid-19 têm 17,3 milhões de deslocados internos: Afeganistão, Burkina Faso, Burundi, República Centro-Africana (CAR), Chade, República Democrática do Congo, Haiti, Somália, Sudão do Sul e Iémen.

Refugiados:

  • A população global de refugiados está agora no nível mais alto de sempre: 26 milhões de pessoas no final de 2018.
  • Cerca de 84% dos refugiados do mundo estão em países nas regiões próximas dos seus países de origem, enquanto um terço (6,7 milhões) está nos países menos desenvolvidos.
  • Nove dos dez principais países que acolhem refugiados estão em regiões em desenvolvimento e 84% dos refugiados vivia nesses países.
  • Até 22 de maio, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) estima que 161 países fecharam as suas fronteiras total ou parcialmente para conter a propagação do vírus. Pelo menos 99 Estados não fizeram nenhuma exceção para as pessoas que procuram proteção, incluindo asilo, colocando-as em risco.
  • Estima-se que 50% dos refugiados do mundo estão agora em oito países com crise alimentar: Turquia, Paquistão, Uganda, Sudão, Líbano, Bangladesh, Jordânia e Etiópia.
  • Na África Oriental, pelo menos 60% dos refugiados já estão a sofrer cortes nas rações alimentares.

Crianças:

  • Cerca de 37% das crianças e jovens em movimento no Corno de África não têm acesso a instalações sanitárias básicas.
  • Limitações no acesso a cuidados de saúde, devido à covid-19, podem resultar em 1,2 milhão de mortes menores de cinco anos em apenas seis meses, com crianças em movimento e em países afetados por conflitos, sendo os que apresentam maior risco.

Economia:

  • O Banco Mundial estima que a covid-19 levará até 60 milhões de pessoas à pobreza extrema apenas em 2020.
  • A covid-19 deve resultar numa queda nas remessas de 109 mil milhões de dólares, afetando quase 800 milhões de pessoas que dependem delas em países de baixo e médio rendimento. Isso equivale a 72% do total da Assistência Externa ao Desenvolvimento (ODA) em 2019.
  • Somente no segundo trimestre de 2020, a queda do horário global de trabalho entre os trabalhadores da economia informal seria equivalente à perda de mais de 305 milhões de empregos a tempo inteiro.

Saúde e impacto humanitário:

  • Os deslocados internos, refugiados e muitos migrantes, especialmente aqueles em situação ilegal, vivem ou trabalham em condições insalubres e lotadas, como em acampamentos sobrelotados, assentamentos informais, favelas, abrigos coletivos, dormitórios e centros de detenção de imigração, onde as medidas físicas de distanciamento são praticamente impossíveis de implementar. A densidade populacional do campo de refugiados de Kakuma é mil vezes a comunidade anfitriã de Turkana onde está localizado no Quénia.
  • Com os casos já registados em campos de refugiados e deslocados internos, inclusive no Quénia, no Bangladesh e no Sudão do Sul, a necessidade de reforçar a resposta é crítica.
  • É essencial que os países isentem bens e pessoal humanitário das restrições de movimento e que os governos apoiem totalmente o Plano Global de Resposta Humanitária (GHRP) da ONU para a covid-19, que se concentra nos países mais vulneráveis e nos planos de resposta humanitária existentes.

Impacto socioeconómico:

  • A crise socioeconómica da pandemia afetará particularmente os trabalhadores migrantes e refugiados na economia informal de baixos salários que são excluídos das medidas de proteção social.
  • Os trabalhadores migrantes geralmente não são cobertos pela legislação laboral e medidas de proteção social. As demissões podem desencadear a expiração de vistos ou autorizações de trabalho, forçando os trabalhadores a um estatuto ilegal. Além disso, a falta de segurança de rendimento cria um incentivo para trabalhar enquanto doente, convidando a uma maior disseminação do vírus.
  • Mulheres e meninas em movimento geralmente correm um risco maior de violência de género, enfrentando barreiras no acesso à polícia, à justiça ou a serviços de violência de género principalmente quando não estão documentados, por medo de retaliação, estigma e detenção.
  • Os bloqueios e a crise económica deixam muitas famílias à beira da sobrevivência, exacerbando os riscos de proteção para as crianças em movimento, incluindo trabalho infantil ou casamento infantil.

Direitos humanos e impacto da proteção:

  • O medo da covid-19 exacerbou os níveis já elevados de xenofobia e estigmatização e deu origem a ataques a refugiados e migrantes.
  • As restrições de viagem e o encerramento de fronteiras colocam em risco as normas fundamentais do direito internacional dos refugiados.
  • Até 22 de maio, pelo menos 99 Estados, entre os 161 que fecharam suas fronteiras total ou parcialmente, não estão a abrir exceções para as pessoas que procuram asilo, limitando seriamente os direitos das pessoas que precisam de proteção internacional.
  • Os refugiados foram enviados de volta ao perigo ou perseguição no seu país de origem. Os migrantes estão a ser devolvidos à força aos seus países de origem, alguns dos quais têm sistemas de saúde frágeis e mal preparados para recebê-los com segurança.
  • Alguns Estados usaram preocupações de saúde pública para justificar detenções discriminatórias generalizadas de migrantes e refugiados sem documentos em instalações superlotadas. Isso deixa os detidos e funcionários expostos a riscos aumentados de infeção.
  • Migrantes e refugiados ociosos que tentam fugir da guerra e da perseguição agora estão mais propensos a passar à ilegalidade, colocando seu destino nas mãos de contrabandistas de seres humanos.

Teletrabalho: covid-19 anuncia revolução no mercado do trabalho

Centenas de milhares de trabalhadores na Europa, e em todo o mundo, descobriram o teletrabalho durante a pandemia da covid-19. Esta experiência, que ocorre em circunstâncias excepcionais, “mudará o jogo por muito tempo”, considera o especialista em condições de trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Jon Messenger.

“Há anos que digo que o teletrabalho é o futuro. Com o confinamento, impôs-se brutalmente e muitos casos sem preparação e, apesar de tudo, vemos que funciona!“, explica Messenger que é também autor de vários estudos sobre teletrabalho.

Para o especialista, não há dúvida de que o teletrabalho “forçado” ajudará a “quebrar a resistência” existente em organizações e empresas para permitir o trabalho fora do escritório.
“A maior barreira, a resistência à generalização do teletrabalho, quando é possível, é claro, vem dos gestores. Tem que haver uma mudança real na cultura da organização ou da empresa, na maneira de supervisionar “, explica Jon Messenger.

Apoio e confiança
“Alguns gestores confiam na presença, no número de cadeiras ocupadas no escritório, mas o simples facto do trabalhador estar lá não é um critério para medir resultados. Devemos abandonar a política do “estar presente” e ter claro quais são os objetivos e como se medem resultados”, continua.
Para este especialista, há duas palavras-chave: apoio, que a a equipa diretiva deve dar aos trabalhadores, e confiança. “O apoio é a chave e a confiança é o cimento do teletrabalho. Isso é importante entre supervisores e funcionários, funcionários e supervisores e também entre membros da mesma equipa”, afirmou.
O sucesso do trabalho remoto também está na preparação, observa Jon Messenger, que em breve publicará um guia para ajudar as empresas e os funcionários.

“Enquanto as empresas e os funcionários precisavam de se adaptar ao teletrabalho no “modo de crise”, parecia que o primeiro desafio era garantir a conectividade e toda a gente tem as ferramentas necessárias para o teletrabalho e sabe fazê-lo”, explica ainda o especialista.

Para Menssenger, os trabalhadores devem ter a oportunidade de trabalhar nos horários e locais que melhor lhes convier, para que possam ser o mais produtivos possível. No entanto, é preciso ter cuidado para manter um equilíbrio entre o trabalho e a vida privada. “A vantagem do teletrabalho está na sua grande flexibilidade, mas é necessário saber como desligar”.

Aprenda a desligar
“Ao contrário da crença popular de que o teletrabalho diminui a produtividade, percebemos que as pessoas tendem a trabalhar mais quando estão à distância, principalmente porque economizam tempo de viagem e porque querem mostram que eles são tão eficazes quanto no escritório ”, considera o especilaitsa.
O conselho é aprender a desligar. Saiba como limitar o espaço e o tempo entre o trabalho e a vida privada. “O ideal é ter um lugar, um escritório ou um canto de uma sala, dedicado ao trabalho. E para se disciplinar, sabendo como desligar o computador e não olhar para seus emails quando o tempo de trabalho terminar ”, diz Jon Messenger.
Flexibilidade
“Trabalhar mais perto de casa, ou onde quiser, como em espaços de trabalho partilhados, também se desenvolverá”, disse Jon Messenger, co-autor de um estudo intitulado “Trabalhar a qualquer hora, em qualquer lugar” para a União Europeia.
A redução do tempo de viagem não reduz apenas a pegada de carbono, mas também o stress associado ao transporte.

Este especialista da OIT estima que o ideal são de dois a três dias no máximo de teletrabalho por semana, para que o trabalhador não fique muito desligado da equipa. 

“Também existem pessoas que são mais independentes, que se adaptam muito bem ao trabalho remoto e são ainda mais eficientes. A chave é a flexibilidade, fazendo com que todos se sintam confortáveis ​​e nas melhores condições para executar as tarefas atribuídas”, conclui.

Assembleia Geral adota resolução para proteger instituições educativas de ataques

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução para proteger instituições educativas em todo o mundo de ataques.
O documento, adotado no fim da tarde dessa quinta-feira foi patrocinado por 24 países incluindo Argentina, Portugal, Turquia e Quirguistão.

Escola atingida pelo conflito na Líbia. Foto: ONU Líbia

Dia Internacional

A resolução também estabelece 9 de setembro como o Dia Internacional para Proteger a Educação de Ataque.

Os países-membros basearam-se em outros documentos da casa como a resolução 69/290 sobre o direito ao ensino em emergências, que condena ataques a civis em conflitos armados incluindo a alunos e professores. 

Atentados a escolas e outras instituições de ensino são proibidos pela lei internacional e podem ser configurados como desrespeito às Convenções de Genebra, de 1949.

Violência de gênero

No texto, a Assembleia Geral lembra que muitas crianças em conflitos, especialmente meninas, ficam sem acesso à educação por causa da violência e insegurança. Além disso, várias escolas são usadas como quartel-general de grupos armados, o que é também banido pela lei internacional. 

ONU/Mark Garten

Malala defende o direito das meninas a estudarem. Em 2014, ela ganhou o Prêmio Nobel de Paz.

A resolução pede a governos que protejam as escolas e manifesta ainda preocupação com casos de violência sexual e de violência de gênero. Muitos desses ataques são deliberados para evitar que as meninas tenham direito à educação.

Um dos casos mais conhecidos é o da estudante e ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que foi atacada a tiros dentro de um ônibus escolar no Vale do Swat.  Malala defendia o direito das meninas a estudarem. Em 2014, ela ganhou o Prêmio Nobel de Paz.